Caetano Veloso conta a história da música “Cajuína” feita em homenagem ao poeta Torquato Neto

Torquato Neto foi um poeta tropicalista brasileiro (como Capinam e Wally Salomão) que participou ativamente da contracultura tupiniquim entre o final dos anos 60 e comecinho dos 70. Deprimido, ele se suicidou aos 28 anos de idade. Anos depois, Caetano visitou o pai de Torquato em Teresina e foi dessa visita que surgiu a bela “Cajuína”. A história toda você assiste abaixo

Pra quem não conhece o Torquato, um poeminha dele:

 

 

 

 

 

 

 

O Poeta é a Mãe das Armas

O Poeta é a mãe das armas
& das Artes em geral —
alô, poetas: poesia
no país do carnaval;
Alô, malucos: poesia
não tem nada a ver com os versos
dessa estação muito fria.

O Poeta é a mãe das Artes
& das armas em geral:
quem não inventa as maneiras
do corte no carnaval
(alô, malucos), é traidor
da poesia: não vale nada, lodal.

A poesia é o pai da ar-
timanha de sempre: quent
ura no forno quente
do lado de cá, no lar
das coisas malditíssimas;
alô poetas: poesia!
poesia poesia poesia poesia!
O poeta não se cuida ao ponto
de não se cuidar: quem for cortar meu cabelo
já sabe: não está cortando nada
além da MINHA bandeira ////////// =
sem aura nem baúra, sem nada mais pra contar.
Isso: ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. a
r: em primeiríssimo, o lugar.

poetemos pois

torquato neto /8/11/71 & sempre

Leia também:
-Poesia marginalzinha pra vocês
-Caetano rock ‘n’ roll

 

Caê adora falar e contar histórias

Entrevista com Fernando Sabino, autor de “Encontro Marcado”.

Bela entrevista com o escritor mineiro Fernando Sabino no programa “Roda Viva” da TV Cultura, gravada em 1989. Entre os entrevistadores estão Caio Fernando Abreu e Ruy Castro.

Fernando Tavares Sabino (Belo Horizonte, 12 de outubro de 1923 — Rio de Janeiro, 11 de outubro de 2004) foi um escritor e jornalista brasileiro. Entre outros livros ele publicou “Encontro Marcado”, “O Homem Nu” e “O Grande Mentecapto”.

Nação Zumbi: Da lama ao (zine) KAOS, entrevista com a banda em Bauru.

Eu estava no terceiro ano de jornalismo na Unesp-Bauru, e tocava o zine Kaos! com meu irmão. Tínhamos um site(criado pelo Thiago Montanari) e uma edição impressa- ou melhor, xerocada -, que sempre trazia uma entrevista musical nas páginas centrais. Em 2004, a Nação Zumbi veio tocar no Sesc com o dançarino Nelson Triunfo. Eu e o amigo Eduardo Moraes fomos até lá entrevistar os caras. Conseguimos falar com os percussionistas Toca Ogam e Marquinhos, que estavam, digamos, no “caminho do Blunt of Judah”. A entrevista chapada não ficou 100%(tinha um monte de estudante querendo entrevistar os caras pra vários trabalhos e jornaizinhos), mas resolvi ressuscitá-la aqui ao lado de outras entrevistas do KAOS que já republiquei.

***

Toca Ogam no caminho do Blunt of Judah
O dia do trabalhador(01/05) foi comemorado com um dos melhores shows já vistos em Bauru-SP. Dez anos após tocarem no Sesc local pela primeira vez(acompanhando Chico Science), a Nação Zumbi voltou quebrando tudo em uma performance eletrizante. Contaram ainda com a participação especial de um dos primeiros ativistas do hip hop; Nelson Triunfo. Após o show, Fred Di Giacomo e Eduardo Moraes participaram de entrevistas com os artistas, de onde voltaram com hip hop, turnês internacionais e fotos inspiradas de Renato Bueno.

Vamos começar falando da turnê. Onde vocês tocaram no ano passado(2003)?

Marquinhos: A gente saiu do Brasil e tocou num festival conhecido como Omex, tocamos em Sevilha, né, Toca?

Toca Ogam: Sevilha, fizemos Madri também e outras cidades da Europa….

E os discos, foram lançados lá fora?
T.O. :
Sim, o “Rádio S.amb.A.” foi lançado lá, o “Afrociberdelia”…

M:O “Nação Zumbi”…

Como é que o público reage lá?
T.O.: Quando você vai tocar pra gringo, nas 5 primeiras músicas eles começam só a balançar a cabeça, mas depois eles vão se soltando e começam a dançar, gritar. Lá eles fazem muita ligação da gente com o Olodum.

O que você acha do potencial de misturar a música tradicional com a música eletrônica?
T.O.:
Misturar todo mundo mistura, o negócio é misturar e dar um bom gosto. Não pode ficar amargo.

M.:Misturar e criar um som que continue na estrada não é fácil. Cada dia estão surgindo coisas novas, ideias novas. Você tem que ficar ligado. Ouvindo música, lendo muito, pra poder fazer um trabalho legal. O mercado hoje no Brasil é muito difícil.

Vocês têm uma preocupação social nas letras, o que acham da explosão do movimento hip hop, dos Racionais?
T.O.:
Racionais eu acho foda. Eles têm mesmo que falar, é o trabalho deles.

M.: Eles falam das coisas que acontecem realmente na periferia, na cidade. Eu acho isso maravilhoso.

Como está a cena de Recife hoje?
M.:
Rolou o Abril Pro Rock agora, vocês ficaram sabendo, né? Não deu pra gente estar lá, mas sempre têm festivais. A gente mora em Peixinhos e tem um movimento grande lá. A gente faz festa e está sempre movimentando o bairro. A coisa no nordeste está crescendo cada vez mais, estão aparecendo bandas novas.

Tem bandas novas legais?
M.:
Tem alguns caras que a qualidade da música… Não é só fazer música por moda, sabe? Nego vê a gente tocando, fazendo som e trabalhando pelo mundo e acha que vai ser legal fazer isso, mas não é só isso. Tem que ter a vibe, o groove…

T.O.(interrompendo): O comércio da música é muito grande. Hoje qualquer um grava e eu acho que não é por aí. Tem que ter um respeito pra se fazer música. Tem banda que tem um puta bom trabalho, mas não tem condições, que toca com guitarra emprestada. Você tem que ter coragem, encarar, e no final têm 10.000 nego te aplaudindo. Foda-se o resto. Tem várias bandas que vão atrás de rádio, pra que ir na rádio? Deixa a rádio ir até você.

Veja também:
 -10 bandas clássicas do rap nacional
– Entrevista exclusiva com Arnaldo Baptista, o genial líder dos Mutantes

Geraldo Vandré (autor de “Pra dizer que não falei de flores”) dá entrevista dizendo que nunca foi militante político

Essa entrevista é velha, e Geraldo Vandré não é extamente punk nem brega, mas achei interessante que o cara que ficou marcado como um dos mais engajados da época da ditadura está hoje fazendo música pra Aeronáutica. Ele também nega que era militante e que tenha sido exilado. Se você gosta de música brasileira, vale a pena assistir.

Geraldo Vandré quebra o silêncio em entrevista… por felipegolke

-Mais música brasileira
-Jorge Mautner vs Paulo Leminski

 

O "velho" Vandré

10 perguntas que a Strange Music sempre quis responder, mas ninguém teve coragem de perguntar

Preguiçoso como só esse blog pode ser, criamos essa seção de entrevistas musicais em que as bandas respondem as perguntas que sempre sonharam ouvir sair da boca de jornalistas inteligentes e informados. Preguiçoso como só esse blog pode ser, enrolamos mais de um mês pra publicar essa entrevista com o trio instrumental Strange Music que mistura três guitarras, groove e programação eletrônica. Deixemos a palavra com quem deve falar, vou pegar mais uma cerveja na geladeira e já volto.

Show da Strange Music em São Paulo


 

Vocês já pensaram em obrigar as pessoas, impondo algum tipo de ameaça, a ouvirem a música de vocês?
Penso nisso todos os dias. Quer dizer, de certa forma nós fazemos isso, mas vamos mais pelo lado da caridade. Insistimos tanto com a pessoa, que cedo ou tarde ela acaba cedendo. O problema é que demora, e isso nos cansa bastante. Estou falando de amigos, porque blogueiros, jornalistas, curadores, mecenas ou qualquer outro tipo de “guardião” não se dá ao trabalho nem de reclamar da quantidade de e-mails que mandamos, eles simplesmente ignoram.

Por que você acha que a Strange Music enfrenta essa dificuldade?
Não é exclusividade da Strange Music, sabe? Acho que qualquer banda que tenta percorrer seu caminho com as próprias pernas, ou com a ajuda de amigos passa por isso. As pessoas estão prontas para compras as ideias que já estão no ar. Elas fazem isso a todo momento quando escolhem qual água vão beber pela embalagem, por exemplo. Pouca gente está de fato disposta a descobrir coisas novas. O limite é o quanto aquilo fará com que ela pareça descolada entre os amigos. E a Strange Music tem pouco a oferecer nesse sentido. O bom é ouvir primeiro as novas indicações dos críticos e blogueiros hypes.

Juliano da Strange no dia em que a banda abriu para Lulu Santos e Frejat, em Bauru.


Mas até onde vocês gostariam de chegar com a banda?
Não queremos nada de especial, apenas poder tocar por aí sem ter que gastar dinheiro pra isso e com um certo público interessado no nosso som. Obviamente nós odiamos nossos empregos, mas até mesmo por isso preferimos manter a banda como segunda atividade, para não corrermos o risco de odiá-la também.


Nesse cenário, você não acha que a Internet é uma grande farsa e não ajuda ninguém em nada?

Concordo plenamente. Imagino que a repercussão seria maior se gravássemos centenas de CD-R e distribuíssemos por aí. O corpo a corpo e a materialização da música inserida em uma mídia talvez tivessem um apelo maior. As pessoas chegam cedo ao trabalho, abrem suas caixas de e-mail e lá está uma mensagem nossa comunicando o lançamento de uma nova música. A resposta padrão a este estímulo é apagar aquilo sem nem tomar conhecimento.

Que tal pararmos com as perguntas um pouco? 
Vamos apenas beber nossas cervejas.

Vocês bebem quando tocam?
Constantemente. Não digo que o álcool libera nosso processo criativo, ele apenas nos torna capazes de encarar nossas vidas de frente, com alguma dignidade. Tocamos, bebemos, damos risadas, tudo como deve ser. É como se estivéssemos num boteco qualquer, mas estamos num apartamento no Cambuci, intercalando nossas próprias músicas com outras diversas, que eventualmente servem para desopilar os tímpanos.

Quais outros elementos vocês gostariam de incluir no som de vocês?
Tudo o que fosse possível, mas já é tão difícil para nós três, que somos comprometidos com a banda, produzirmos regularmente, que não vejo como regularizar a participação de outras pessoas. Mas estamos totalmente abertos. Se alguém chegar dizendo que quer gravar um solo de flauta doce pra uma música nossa, ficaremos bem empolgados pra realizar o lance. Espero inclusive que isso de fato aconteça.

Obviamente vocês não se preocupam em usar vozes em todas as músicas, como as pessoas reagem a isso?
Quase sempre que mostramos o som para alguém, ouvimos algum comentário em relação às vozes. Boa parte das nossas músicas são instrumentais, e isso parece incomodar as pessoas. Às vezes parece que elas se sentem incomodados pela gente. Elas colocam como se a banda devesse sentir algum desconforto por fazer música instrumental. Quando criamos uma música, ela sai naturalmente com voz ou não.

Quais bandas vocês gostam de verdade, mas tem vergonha de admitir para parecerem cool?

Outro dia começamos a fazer uma música com sampler da Chritina Aguilera. Fora todos esses webhits como Garota na Chuva e Larica dos Molekes, que são realmente legais.

Depois que nossos numerosos leitores acabarem essa entrevista que ficarem loucos para ouvir o som de vocês, por quais 5 músicas eles devem começar?
Cada um da banda vai ter sua lista. Eu sei que o Bruno diria para não começar por Pernas, eu nunca recomendaria Country Fly e Juliano sequer aceita tocar Valsa de um Bobo nos shows. Brincadeira, às vezes ele aceita! Acho que o consenso é indicarmos as músicas mais novas. Acabamos nos apegando mais a elas. Então, eu recomendaria: Vai, Nova em Março, “Run, King, Run”, Club e 20-05. Sendo que arbitrariamente deixei de fora duas que poderiam facilmente entrar na lista: My Sweetest Enemy e Renaissance Style. Para ouvir, as mais recentes estão em nosso set do Soundcloud e as mais antigas na página da Strange Music no TramaVirtual.

-Barra Funda Fighters faz música instrumental com espírito punk
-Entrevista exclusiva com os Garotos Podres

Edu Falaschi (Angra e Almah) dá um tapa na cara do metal nacional

edufalaschi-rockexpress

Eu falo pouco de metal aqui, mas achei legal o desabafo do vocalista Edu Falaschi (Angra e Almah) esculachando a cena nacional. No mínimo, é curioso um vocalista mandando os fãs tomarem naquele lugar.

-10 bandas clássicas do heavy metal brasileiro
-Melhores baixistas do metal

Dez perguntas que a Barra Funda Fighters sempre quis responder, mas ninguém tinha coragem de perguntar

Barra Funda Fighters, o mito, a lenda, a banda instrumental que faz piada em títulos e entrevistas de blogs punks. Estreando nossa seção (X perguntas que a banda X sempre quis responder, mas ninguém teve coragem de perguntar) em que as próprias bandas se entrevistam, o trio paulistano selecionou as 10 perguntas que sempre quiserem responder e saracotearam a valer em suas respostas. Duvida? Lê aí!

PS: Próximo show dos manos
Quando: Sábado dia 22/10, a partir das 16h
Onde: Cerveja Azul (Praça Ciro Pontes, 26, próximo a Universidade São Judas – Mooca), Quanto: Dez real! Os dez primeiros que mandarem e-mail pra barrafundafighters@gmail.com querendo comprar o ingresso, ganham uma camiseta da banda.

-Leia mais entrevistas rock ‘n’ roll

PB: Vamos começar esclarecendo o nome da banda. O “Fighters” vem do fato de vocês  serem arruaceiros e maus elementos, que arrumam briga aonde quer que vão?
Marco: Quero que se foda quem pensa assim. Se eu catar quem vem falando essas
merdas, enfio uma tesoura cega no @#. Se um dia alguém apanhou da gente foi por
motivos justos, tipo mexer com a namorada, olhar torto ou falar mal do nosso som em
qualquer aspecto. De resto, somos tranquilos.
Vinny: Tem “Fighters” no nome?
Bernardo: Antigamente chamava-se Bernardo’s Trio Band, mas…

PB: OK. E quem da banda mora na Barra Funda?
Marco: Sua vó, filho duma %*$&.
Vinny: É só brincadeira, Bagual! Na banda tem gaúcho, carioca, cearense, goiano
e argentino. Às vezes, enxergo alguns romenos no palco também, mas só quando
misturo mate no absinto.

PB: Cite as influências estético-musicais da banda.
Vinny: Bah! Heineken e Sur Cabernet 750 ml, principalmente…
Marco: Com um pouco de 8-bit.
Bernardo: E jazz fusion, claro!

PB: Quando o vocalista de vocês vai voltar?
Marco: A banda é instrumental, palhaço. Tá querendo engolir esse gravadorzinho de
merda?
Bernardo: Tínhamos um vocalista, mas ele dominava muito a atenção da plateia.
Preciso evidenciar o timbre abstrato-virtuoso do guitarrista misterioso em primeiro
plano (pausa). Chutei ele da banda.

PB: Ouvi dizer que vocês procuram outros músicos para participações em músicas e shows. Se eu quiser tocar com a Barra Funda Fighters, como devo proceder?
Bernardo: Antes de mais nada, deve ser um músico virtuoso e que tenha pelo menos
65% da discografia do Malmsteen. Depois, precisa obedecer todas as minhas ordens
e seguir à risca meu ideal do que é bom ou ruim, musicalmente e filosoficamente
falando.
Marco: Ou a pessoa também pode mandar um e-mail pra
barrafundafighters@gmail.com, ou conversar com a gente num show…

PB: Gostaria de saber como vocês nomeiam suas músicas, já que é instrumental. Por exemplo, por que aquela música se chama União Soviética II?
Marco: Essa iria se chamar punheti–
Bernardo: Todas as músicas têm um conceito do qual desenvolvemos os arranjos
e melodias. No caso de União Soviética II é uma reflexão sobre o sublime ideal
comunista, marcado pela guitarra inicial, a revolução e o declínio, as 3 partes da
música. Elas se repetem para marcar um possível surgimento de um outro bloco
socialista, tudo abraçado pela ideia do Eterno Retorno de Nietzsche.

PB: Certo! Um sonho?
Bernardo: Levar a todo planeta a verdadeira música instrumental-rock, claro.
Infelizmente para a população mundial, somos a única banda viva que carrega essa
bandeira e tem a competência necessária pra realizar tal missão, que pode ser
comparada à busca de sir Lancelot pelo Cálice Sagrado.
Marco: Sexo, drogas e rock’n’roll.
Vinny: Drogas? Onde?!

PB: Vocês possuem algum material gravado, disco, EP?
Marco: Ainda não. Mas estamos nos preparando para gravar algumas músicas em
estúdio, com a produção de um amigo nosso, Gabriel Gonzo, que tem uma banda de
reggae, mas tem hardcore na veia.
Bernardo: No começo da banda gravávamos vídeos dos ensaios para postar no
mySpace da banda, sendo
o único material gravado. Paramos por falta de tempo. Mas, a pedido dos milhares de
fãs, iremos retomar.

PB: Vocês possuem algum projeto paralelo?
Vinny: Bah! Claro, eu toco guitarra.
Marco: Eu estou aprendendo bateria com o Rock Band.
Bernardo: Fico com o baixo, mas toco qualquer instrumento que me for apresentado.
Até mesmo inventei alguns… O resultado é nosso projeto paralelo. Geraldo98, talvez.

PB: Barra Funda Fighters em poucas palavras.
Bernardo: Bernardo.
Marco: Soco na sua cara.
Vinny: Drinks grátis!

-Conheça a antiga banda do Bernardo, os infames CUECAS ROSAS
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Wandeclayt – Pin Ups + Entrevista

Fotógrafos, designers e ilustradores são as estrelas principais da nossa seção de quinta-feira

Um pin up estilo "clássico", by wandeclayt


1)Cara, você trabalhou com eletrônica de aviação e estudou física, certo?  Como começou a fotografar?
Na verdade ainda trabalho na aviação. Sou especialista em aviônica (eletrônica embarcada) na Força Aérea. A física veio como consequência da paixão pela ciência, particularmente pela astronomia, que foi minha porta de entrada para a fotografia. Meu primeiro interesse artístico foi o desenho, seguido da pintura. As imagens de artistas fantásticos como Boris Vallejo e Frank Frazetta eram uma inspiração constante, mas interesse e inspiração não bastam. Faltava talento com o lápis e os pincéis mesmo. Com a astronomia tive um avançado contato com as técnicas de fotografia e gradualmente fui largando o desenho e migrando para a fotografia artística. Tem essa parte técnica que comecei a aprender na astrofotografia, mas muito da linguagem que hoje uso na fotografia são herança do que estudei na pintura e no desenho. Há diferença na maneira como fotógrafos e desenhistas enxergam composição, cores, luz e sombra. Acho o meu olhar mais próximo da estética do desenho que da fotografia tradicional.

2)E o projeto do Bunker Media, como surgiu? Explique a proposta do trabalho de vocês
Sempre me incomodei com a maioria dos cursos de nu ou de fotografia sensual que via sendo oferecidos. Checando o portifolio dos professores o que eu encontrava era desalentador. E não entendia como alguém com um trabalho cafona e medíocre poderia ter algo de bom para compartilhar. Achava uma coisa desonesta, feita somente para tirar dinheiro do público. Mas para manter a atitude punk do faça-você-mesmo, em vez de reclamar me uni a Roberto Bordin, um experiente fotógrafo e professor de fotografia em uma universidade da cidade e montamos a escola de fotografia e estúdio fotográfico Bunker Media.

Além de oficinas de fotografia de nu, fetiche, pin-ups e sensual oferecemos cursos básicos de fotografia e outros workshops e cursos mais direcionados. Como estúdio seguimos também essa proposta do diferencial. Não queremos concorrer com outros estúdios, queremos fazer o que eles não fazem.

A bela Fernanda no clique de wandeclayt

3)Quais são suas principais influências/referências artísticas?

Na fotografia Helmut Newton, principalmente. Mas as principais
influências vieram do cinema, da arte e dos quadrinhos. Salvador Dali, René Margritte, Dave McKean, Boris Vallejo, Hajime Sorayama. O cinema expressionta alemão, o film noir americano e a fotografia dos filmes de Ridley Scott, Alien e Blade Runner, principalmente.

4)Além de fotografar, você também toca um zine e tinha uma banda, né? Fale
um pouco sobre seus projetos paralelos.

Em 97 montei o Aire’n Terre , um projeto de música Industrial e Synthpop com Aze von Helder, um amigo em Recife. Na época eu estava no interior de São Paulo, em uma escola da Aeronáutica. Pouco depois de formar a banda vim para o Rio Grande do Sul e Aze
mudou-se para Nova York. Mas essa separação teve pouco impacto na banda. Fomos pioneiros na utilização da internet como plataforma de composição e seguimos compondo e gravando à distância. Alguns anos mais tarde incluímos mais um membro na formação. A espanhola Morella van Ingen tornou-se nossa facção européia. Mas apesar de trabalharmos em estúdio como um trio, no palco o Aire’n Terre sempre foi uma one man band (as vezes
com participações de convidados). Reduzimos nosso ritmo de produção, mas ainda sigo me apresentando. Em 2010 subi aos palcos em Santa Maria, Porto Alegre e São Paulo. Até o final do ano devo tocar em Recife também.

Desde a adolescência escuto gêneros musicais sem muito espaço na mídia. Bandas alternativas e independentes dependem de uma imprensa alternativa e independente.
Antes da explosão dos blogs, os zines eram o único canal aberto. Mas além da música, a maior parte de meus interesse também cai longe do mainstream.

O zine Overclock é onde reúno todos esses interesses, ou pelo menos os que se agrupam ao redor da estética cyberpunk: literatura, música, cinema, quadrinhos, tecnologia. E mesmo
com todas as redes sociais e ferramentas de divulgação online, continuo lançando o Overclock como um zine impresso em papel. Um blog pode funcionar para alguém que já está buscando aquela informação. Mas um zine impresso é uma excelente ferramenta para levar informação a novos alvos.

5)Você pode indicar 5 filmes pra quem quer se iniciar na estética ciberpunk?
Talvez seja mais interessante incluir as referências literárias, o verdadeiro berço do cyberpunk. Neuromancer, de William Gibson, é a obra seminal do estilo. Gibson e Bruce Sterling são os pais do cyberpunk e acho que a obra destes dois é uma excelente introdução ao gênero. Recomendo também obras de autores nacionais. “Santa Clara Poltergeist”, de Fausto Fawcett, e “Os Dias da Peste”, de Fábio Fernandes, são uma boa amostra.

6)Pra encerrar: qual é sua pin up clássica favorita?
Aqui vou com a unanimidade. Bettie Page no passado. Dita von Teese no presente. E acrescento à lista as minhas modelos Fernanda, Zombina, Lilah e Leticia

 

Guidable – Documentário sobre o RDP

entradaFui conferir a pré-estréia de “Guidable” junto com o @brunodias, do site Urbanaque e da Abril.com. Lá estavam Ariel(ex-Restos de Nada, ex-Inocentes e Invasores de Cérebro), Clemente(Inocentes, Plebe Rude e ex-Restos de Nada), vários ex-integrantes do Ratos de Porão e um monte de punks das antigas.O pessola do CQC também estava lá. Teve até coquitel, olhe só, com salgadinhos fritos e cerveja barata, para manter o espírito punk.

O documentário mostra o Ratos nu e cru, fazendo um contraponto com “Botinada” do Gastão Moreira, que mostra a galera do movimento punk sentada e comportada, falando mais sério. Aqui drogas, vagabundagem e tretas aparecem sem pedir licença em meio a turnês pela Europa, apresentações no programa do Gugu e shows pelo undeground brasileiro. Pra quem curte rock ‘n’ roll vale sentar a bunda na cadeira e assistir.

– Entrevista com João Gordo

 

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