Livro em formato de disco, “Canções para ninar adultos” será lançado dia 25/10 na Vila Madalena

“Ninguém contará os anos desprendidos até ali. Não importa. Mirem-se naquele ponto cinza aproximando-se contra a luz. A figura que caminha em nossa direção trata-se do velho pai. A brancura de sua barba já não pode ser disfarçada, suas costas curvam-se sutilmente e os olhos traem a percepção. Ele não sabe, mas está prestes a iniciar nossa saga.” (Gênesis, Fred Di Giacomo)

Convite do lançamento

Será um livro, será um disco, será um amontoado de caôs?

Calma, querido leitor, é só meu primeiro livro saindo do forno. “Canções para ninar adultos” será lançado dia 25/10 às 19h no Bar Canto Madalena – Rua Medeiros de Albuquerque, 471 – São Paulo – SP. Já dá, inclusive, para encomendá-lo na pré-venda no site da Editora Patuá.

“Canções” reúne 22 contos divididos, como num disco de vinil, em lado A e lado B. No final do livro, eu recomendo uma listinha de músicas para acompanhar os contos.

A orelha foi soprada pelo escritor e jornalista Xico Sá. Vejam um trechinho:

“Todo cuidado é pouco, senhoras & senhoritas,“Canções para ninar adultos” é obra de um tarado. Um leitor-escritor tarado, capaz de trazer para o jogo da narrativa o jeito tranquilo do matador Chester Himes e a viagem sem fim de Céline. (…)

Um escritor-leitor taradíssimo, rápido nos diálogos como um devasso de pornô-chat que alcança o paraíso. Na literatura, só os tarados têm o direito de tocar os leitores. O resto é chatice com solenidade mofada.(…)

Legal, né? Espero vocês todos no lançamento!!!

-Notícias sobre “Canções para ninar adultos” no blog oficial

Ilustração do livro "Canções para ninar adultos" recria a capa do primeiro disco dos Ramones com os escritores malditos Poe, Ginsberg, Bukowski e Nélson Rodrigues no lugar dos pais do punk

“Houve um tempo em que havia uma esperança: a música tinha Bob Dylan e os Beatles estavam parando de cantar canções de menininhas para tentar mudar o mundo. O homem tinha chegado a Lua, os estudantes tomavam as ruas de Paris, o cinema estava se tornando arte.”
(“Amor nos Tempos de Aids, Fred Di Giacomo)

Em breve sai o primeiro livro deste blogueiro: “Canções para ninar adultos”

Algumas pessoas colecionam selos, lágrimas, tampas de garrafa, sonhos, maços de cigarro ou discos. Já conheci até quem colecionasse embalagens de pasta de dente. Eu coleciono livros. Ou melhor, dedicatórias em livros. (O Homem que colecionava dedicatórias, Fred Di Giacomo)

Versão 2 da capa, com ajuda do designer Thiago Lacaz

É isto mesmo amiguinhos, este blogueiro aqui acaba de fechar com a Editora Patuá o lançamento de seu primeiro livro: “Canções para ninar adultos”, reunindo 22 contos. O livro será no formato de compacto (como os velhos singles em vinil) e os contos serão divididos em Lado A (histórias com pitadas de fantástico) e lados B (contos mais realistas; feios, sujos e malvados). No final do livro, um cardápio irá indicar algumas canções para ouvir durante a leitura. (A seleção vai do rap dos Racionais à música clássica de Dvorák, passando por Rapture, Otto, Bob Dylan e Count Basie). A orelha deve ser escrita pelo jornalista e escritor Xico Sá. Deve sair em setembro, se os ventos do sul continuarem a soprar quentes.

A cabeça resistia, afundada nos sulcos cheirosos que marcavam o travesseiro dela. A maciez da cama era o único refúgio para felicidade do mundo. Pensar no futuro o enchia de ansiedade, e ansiedade leva os fracos a trilhar os caminhos do medo. Kiko era fraco, feminino e fixado na ideia de que a a busca pela felicidade era a grande cruzada de sua vida. (Também gostava de Legião Urbana, o que negava veementemente.) (Instant Happiness, in “Canções para ninar adultos”)

Primeira versão da capa pro livro.

Das águas lodacentas da tristeza, levantou-se o primeiro homem inteiro a enxergar aqueles tempos novos.  (Gênesis, in “Canções para ninar adultos”)

-Saiba mais sobre o livro no blog oficial

Pra abrir o apetite um miniconto que estará no Lado B do disco, digo, do livro:

Paulo Coelho
Pôde, enfim, dormir tranquilo
– o fatigado alquimista
Quando redigiu seu primeiro fracasso.

Reflexões d’um blogueiro anônimo – Fred Di Giacomo

originalmente postado 7 de Setembro de 2010

Caía em tentação: pastéis ou livros?

Pra parecer uma pessoa legal, mantinha um blog com atualizações diárias. Bolava um conto revolucionário que usasse alguma nova rede social, talvez o Formspring, talvez o Google Maps. Quando era moleque gostava de fantasiar que era um gênio pra justificar falta de mulher: “Algum dia, todas vão querer dar pra mim, só basta elas saberem tudo que tenho aqui dentro”. E o que havia ali dentro? Azia? Gases? Alguns Nuggets?

Molhava a bolacha maizena no café preto, imaginando estar em Paris. Farelos se aglomeravam no fundo da xícara; papinha. Quando pequeno, o prazer era meter o biscoito na xícara dos pais. Eles achavam graça. Até ele fazer 7 anos. Aí era “pára, moleque chato”.
Gostava de baixar músicas na internet. Dava uma sensação de transgressão. Tipo roubar no supermercado. “The National é a melhor banda da atualidade”. Ouvia baixinho, lembrava Smiths. “Quem não gosta de Smiths bom sujeito não é.” Né?

***
(No boteco intelectual paulistano)
_ Tem pastel de quê?
_ Agora tem só de palmito.
_ O mais foda é o de carne seca, né?
_ Ah, o de carne de sol saí muito. Mas o de queijo também é bom.
_Qual o Marçal Aquino pede?
_Quem?
_O escritor. Aquele que fez o “Invasor”
_ O Fábio Bá?
_É Fábio Moon, e ele escreve quadrinhos. O Marçal tem barba e é mais velho.
_Sou novo aqui, desculpe.

“Pô, olha lá. O Xico Sá chegou. Eu queria ser jornalista igual ele. Não faz plantão, escreve o que der na telha e compõe umas músicas com o Mundo Livre.” Todo jornalista é um artista frustrado. Será? Tem uns que querem ser William Bonner… Ele não era jornalista. Nesse erro não caíra. Estudava História -na USP. Tava no quinto ano. Você não sabe como é difícil se formar em quatro lá na USP, tem muitas optativas. Na real, se formar cedo pra quê? Dar aula? Pô, professor hoje em dia é carcereiro. De que adianta ter tido aulas com a Marilena Chauí? De que adianta saber quem foi o Florestan Fernandes. Os moleques escrevem quiseram com Z. Aliás, os professores escrevem quiseram com Z. “Meu pai tava certo?” Dizia o velho:

_ Estude direito e preste um concurso. Depois você faz história como hobby.

Ta quase pensando em desistir de ser escritor. Escrever dá trabalho pra cacete. “Acho que sempre estou uns dois episódios atrasados na vida. Talvez a melhor forma de parecer legal agora fosse um tumblr, não um blog. Olha só, o Daniel Galera ta aí também. Eu acho que consigo escrever melhor que ele. “ Pensa em escrever um  sobre o Xico Sá e mandar pro cara. “Xico Sá, o único jornalista feliz”. Se ele deixar um comentário lá no blog será a glória.

“Deixe esse bolo de ameixa e vem mexer. Comigo.”

_ Posso pegar essa cadeira ou vem mais alguém aí? _ pergunta o garçom novato, forte sotaque paraibano.
Hoje não vem ninguém. Tá todo mundo duro lá na História. Aqui é bem legal. Tem um sebo dentro do bar. Cheiro de livro. Se ficar rico, vai comprar todos os livros que sonhou. Poesia no Twitter? Já fizeram. Os caras todos usam barba e camisa xadrez. Camiseta é coisa de moleque, de blogueiro. “Porra, a vida seria muito mais fácil se eu tivesse nascido bonito. Aí, eu não precisava escrever nada, tirava umas fotos e virava Colírio.”
***
No fundo tudo que a gente faz é pra conseguir sexo. Né, não?

Queria ter o trabalho e as mulheres de Xico Sá.

 

-Mais desses continhos exóticos
-O dia em que tentei matar Paulo Coelho

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