O Bispo – Documentário sobre Artur Bispo do Rosário

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Sexta a TV Punk Brega sintoniza os melhores vídeos da net pra você

“O Bispo” é uma das “vídeo-cartas” produzida por Fernando Gabeira nos anos 80. Um belo e curto documentário sobre o “artista louco” que passou a maior parte de sua vida internado em uma Colônia Psiquiátrica.

publicado originalmente em junho de 2006

Aleluia, irmãos! Assista “Jesus Cristo vai voltar” de Wander Wildner e Sangue Sujo

Leia entrevista exclusiva com o pai do punk brega
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Letra:
Jesus Cristo vai voltar.Aleluia!

Em Porto Alegre ele vai morar.Aleluia!

As pessoas vão gostar.Aleluia!

Nossa vida vai melhorar.Aleluia!

Jesus Cristo vai voltar.Aleluia!

Em Porto Alegre ele vai morar.Aleluia!

As pessoas vão gostar.Aleluia!

Nossa vida vai melhorar.Aleluia!

Os cristão pedindo a sua volta esperavam por essa hora

Todos juntos num mutirão pois jesus é a salvação

Todos querem um mundo melhor

Todos querem viver em paz

Agora sim vai ser legal,pq jesus é o canal

Jesus Cristo vai voltar.Aleluia!

Em Porto Alegre ele vai morar.Aleluia!

As pessoas vão gostar.Aleluia!

Nossa vida vai melhorar.Aleluia!

Mas em que bairro Jesus vai ficar?

Em que rua Jesus vai morar?

Na Santa Cecília ou na Conceição?

No Espírito Santo ou na Assunção?

Em que bairro Jesus vai ficar?

Em que rua Jesus vai morar?

Na Santa Cecília ou na Conceição?

No Espírito Santo ou na Assunção?

Todos querem que ele fique na sua rua

Mamãe quer que ele fique lá em casa

Tô achando que isso vai dar uma grande confusão

Mas numa hora dessas cada um é mais cristão

Em que bairro Jesus vai ficar?

Em que rua Jesus vai morar?

Na Santa Cecília ou na Conceição?

No Espírito Santo ou na Assunção?

Mas em que bairro Jesus vai ficar?

Em que rua Jesus vai morar?

Na Santa Cecília ou na conceição?

No Espírito Santo ou na Assunção?

Aleluia!

Assista “Tales of Rat Fink” – Documentário sobre “Big Daddy” Ed Roth

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Pra você quem curte carros, cartuns ou contracultura (e entende inglês) o filme abaixo – “Tales of Rat Fink” – é um prato cheio. Em uma hora e catorze minutos mezzobizarros(grande parte das entrevistas foi feita com “carros falantes”), mezzo engraçados, você fica conhecendo a cutltura dos hot rods & kustom cars(carros exoticamente customizados) , algo que transformou nosso tradicionais “objetos de consumo poluentes” em arte – aliás, segundo o filme, a única arte genuinamente americana. Além de liquidar a massificação dos carangos, transformando-os em esculturas únicas, Ed Roth também foi responsável pela criação do anti-Mickey Mouse, Rat Fink, e de outros bichos escrotos que ganharam páginas de revistas, álbuns de figurinha e também camisetas e, claro, carros. Aliás, Ed foi um dos criadores das camisetas com mensagens e ilustrações que todo mundo usa. É que até Ed botar seus monstros nelas, essas peças serviam mais como roupa de baixo.

Movido pela trilha sonora surf music dos The Sadies, o documentário -narrado por John Goodman – aposta numa linguagem pouco tradicional, cheia de animações e que foge dos clichês do gênero.

– Leia mais sobre contracultura

Assista à primeira parte do documentário

Continua aqui ó

publicado originalmente em 2 DE JULHO DE 2010

Assista ao clipe de “Garota de Berlim” com Tokyo e Nina Hagen

Ah, o loucos anos 80… Quando a banda de pop/eletro punk Tokyo (liderada por Supla e inspirada por Billy Idol) gravou “Garota de Berlim” com a estrela alemã Nina Hagen. O Tokyo misturava baixo com slaps, guitarrinhas rock n’ roll, teclado new wave e pitadas de punk rock. Deixou dois discos, mas todos seus hits estão no primeiro “Humanos”.

Além de “Garota de Berlim”, a banda também emplacou a faixa título, foi censurada com “Mão direita” e gravou com Cauby Peixoto. Depois do fim da banda, Supla virou o Supla que você conhece e o guitarrista Bid se tornou produtor musical responsável, entre outros, pelo clássico “Afrociberdelia” de Chico Science e Nação Zumbi.

Punk 77: Conheça o Generation X e ouça “Kiss me Deadly”

Generation X era a versão pop do punk no final dos anos 70

-Conheça outras bandas do punk inglês 77

Certo, a Inglaterra no final dos anos 70 tinha o Clash, os Pistols e os Buzzcocks. E essa é a santíssima trindade do punk rock bretão. Mas junto com os mestres surgiram dezenas de bandas, algumas com seus 5 minutos de fama, outras não.

O Generation X era a banda do Billy “dance with myself” Idol. E antes de ser uma Madonna de moicano, o cara era um dos poucos vocalistas de punk a cantar afinado.(Seja isso vantagem ou não.)

Formado em 21 de novembro de 1976 por Billy mais Tony James e John Towe, o grupo chegou a contar com Terry Chimes(Clash) na bateria. Seu som era mais pop que o da maioria das bandas da época. Lançaram 3 discos(mais um “póstumo”) e deram lugar para a carreira solo da inspiração mór do Supla.

Veja também:
-Saiba porque o primeiro disco do Ramones mudou o mundo
-Mais sobre punk rock

 

Não existe solução fácil: assista ao documentário “Notícias de uma guerra particular” e tente achar uma jeito simples de acabar com a violência.

Infelizmente, resolver o problema da violência não é tão simples como a gente gostaria.

Duvidam?

Cena do documentário "Notícias de uma guerra particular"

Assistam a esse documentário já meio velho (“Notícias de uma guerra particular”, da Kátia Lund e do João Moreira Salles ) e tentem achar uma solução fácil pra todos os problemas apresentados:

Assistiram? Estão com preguiça? Bom, algumas coisas que eu achei bem foda e bem esclarecedoras:

1) A parte em que o escritor Paulo Lins (autor do best-seller “Cidade de Deus”) fala que a violência e as mortes nos morros sempre existiram, mas a classe média só começou a se preocupar com ela quando o tráfico cresceu e a violência espirrou no assalto.

2) A parte quando o ex-chefe da Polícia Civil do Rio, Hélio Luz, admite que a polícia é corrupta e é corrupta porque a gente quer. Ele questiona coisas como: “Você aceitaria uma polícia que não aceita um cafezinho?” “Que multa quando tem que multar?” “Que não deixa segurança de supermercado dar porrada em menor de idade?” “Que prende filho de rico quando atropela?” “Que prende o usuário de drogas no Posto 9?” É interessante que ele define a função da polícia brasileira como “garantir a segurança da elite”

3) Quando um menor infrator preso diz que seu primeiro trabalho aos 11 anos foi QUEIMAR um X-9 (gíria pra dedo duro). Queimar… Caramba, qual o futuro pra um moleque cuja “missão” aos 11 anos era botar fogo numa pessoa viva? E é interessante observar que a prática de “queimar vivo” rolava no morro vinte anos atrás (todo mundo viu isso no “Tropa de Elite”) e chegou ao asfalto agora com os tristes casos de dentistas incendiados vivos. 🙁

4)Quando um casal de moradores da favela diz que a polícia invade a casa dos moradores e, se encontrar televisão ou DVD caros, “toma pra ela” porque acha que coisa cara na favela é coisa roubada. Mesmo com nota fiscal – salienta a esposa. E o marido acrescenta que a “polícia quando invade o morro bate em velho, aleijado e criança”. Lembra bastante o que os bandidos têm feito hoje em dia torturando e roubando famílias em assaltos violentos, né?

5) O momento em que o capitão Pimentel do Bope (que inspirou o personagem do Capitão Nascimento) diz que a guerra nunca vai acabar porque a única presença do Estado na favela é a policial e só a polícia não resolve. Repito, o “Capitão Nascimento” disse que só polícia não é a solução pro problema do tráfico e da violência.

Mortes de policiais são uma dura realidade da guerra do tráfico

Tudo isso não quer dizer que polícia é má, que o ladrão é bom ou coisa que o valha. Isso seria tão simplista quanto achar que a violência é a solução de tudo. Tudo isso mostra que uma questão muito complexa (que envolve distribuição de renda, educação, melhores salários pra polícia e inclusão dos moradores de favela na nossa sociedade) está sendo reduzida a uma solução simples (cadeia e bala) e o resultado disso vai ser mais gente revoltada, órfã, viúva.

Gente mais violenta

Assista a “Cidade Oculta” (1986), filme de Chico Botelho que mistura Will Eisner, vanguarda paulistana e rock n’ roll

Lá em Penápolis (interior de São Paulo), meus pais tinham uma bela coleção de  discos de vinil com vários clássicos da MPB, do rock e da música clássica, mas também algumas raridades. A trilha sonora do filme “Cidade Oculta”, dirigido por Chico Botelho, era uma delas. O filme era muito difícil de ser encontrado, por isso eu passei minha infância e adolescência ouvindo as músicas do Arrigo Barnabé (com participações de Ney Matogrosso, Patife Band e Tetê Spíndola), olhando as fotos do encarte e imaginando como seria aquela história cheia de punks, belas mulheres e tiras com armas.

Bom, graças ao Youtube, encontrei o “Cidade Oculta” completinho na internet. Você pode assisti-lo logo abaixo (enquanto ninguém tira do ar), e conhecer um pouco mais sobre a história e o enredo em minha apressada resenha que segue depois.

Confira o filme “Cidade Oculta” completo

Antes de rasgar elogios a este clássico do cinema paulista, deixe-me fazer alguma crítica ao filme de Chico Botelho. Primeiro um pouco de contexto: “Cidade Oculta” foi filmado em uma época de transição no cinema nacional; mais precisamente no gap entre o auge do Cinema Novo dos anos 70 e a retomada dos cinema nacional nos anos 90 com “Carlota Joaquina” (dirigido por Carla Camurati, protagonista de “Cidade  Oculta”). Neste período, o cinema brasileiro teve diversas fases “undrigrudis” cheias de boas intenções e com pouquíssimo dinheiro. Tivemos, por exemplo, o cinema marginal do genial Rogério Sganzerla, as pornochanchadas da Boca do Lixo, o cinema mais engajado do começo dos anos 80 (“Pixote”, “Eles não usam black tie” e “O Homem que virou suco”) e ,ainda,  o que se chama de cinema “pós-moderno” ou “neon-realismo” brasileiro. Nessa escola, destaca-se a trilogia da noite paulistana composta por “Cidade Oculta” (1986), de Chico Botelho, “Anjos da Noite” (1987), de Wilson Barros, e “A Dama do Cine Shanghai” (1988), de Guilherme de Almeida Prado. Particularmente, acho que “Cidade Oculta” também dialogo com erótico “O Olho Mágico do Amor”, principalmente por ambos se passarem em São Paulo, contarem com o mesma turma de atores (Arrigo Barnabé e Carla Camurati estão nos dois filmes, Sérgio Mamberti atua em “Olho Mágico” e seu irmão Cláudio em “Cidade”) e estarem recheados de participações de “celebridades malditas”. Bom, dado o contexto histórico, vale o aviso: “Cidade Oculta” não é uma superprodução. Seus cenários são simples, algumas atuações de personagens coadjuvantes são extremamente caricatas e o roteiro é às vezes simplório, dando “saltos” para resolver situações. (Exemplo: o protagonista Anjo acaba jurado de morte pelo policial Ratão por dar um soco na cara do tira em uma explosão de raiva pouco verosímil. A partir dai o policial passa a procurá-lo dia a noite, matando inclusive bastante gente no caminho).

Muito bem, se você está disposto a descontar esses tropeços, “Cidade Oculta” é um filme interessantíssimo e muito original que foge das regras do Cinema Novo e dos clichês de filmes brasileiros numa mistura frenética de quadrinhos, rock n’ roll e cinema noir. Ou seja, um “Sin City” lançando anos antes, um pré-Tarantino de terceiro mundo. O cenário aqui é urbano e futurista, uma São Paulo sombria cheia de punks, policiais corruptos, drogas, armas e boates de rock n’ roll. A inspiração pro roteiro sãos as HQs de Will Eisneir (especialmente seu detetive Spirit) e os filmes noir, como o clássico “O Falção Maltês/Relíquia Macabra”. Artistas de outras áreas colaboram fortemente no processo criativo o que rende ao filme um caráter multimídia e pop. O músico da vanguarda paulistana Arrigo Barnabé assinou a excelente trilha sonora, participou do roteiro e foi o ator principal. O cartunista Luis Gê (que desenhou a HQ “Tubarões Voadores” que vinha encartada com o disco do mesmo nome de Arrigo) também colaborou com a história. Os músicos Itamar  Assumpção, Clemente e Tonhão (da banda punk Inocentes) e a Patife Band fazem pontas. Jô Soares (que havia atuado em “A Mulher de Todos” de Sganzerla) faz uma participação especial, assim como o músico underground Goemon e Satã (ator que acompanhava Zé do Caixão em suas apresentações). As melhores atuações estão com a belíssima Carla Camurati (que interpreta a dançarina e criminosa Shirley Sombra) e o ótimo Cláudio Mamberti que vive Ratão – um policial junkie, campeão número 1 no combate às drogas. Em tempos de Bolsonaro bombando, o filme nunca pareceu tão atual.

A história conta o retorno de Anjo (Arrigo Barnabé) às ruas paulistanas depois de 7 anos de cana (situação que lembra um pouco  o filme “O Selvagem da Motocicleta” de Francis Ford Coppola) por roubo de muamba. Anjo reencontra seu antigo comparsa Japa (Celso Saiki) que lidera uma gangue de punks (na qual Clemente e Tonhão fazem pontas).  É Japa que apresenta pra Anjo a linda Shirley Sombra que dança sensualmente na boate SP Zero (na vida real a clássica “Madame Satã”). Numa briga, Anjo acerta o corrupto policial Ratão que o jura de morte e passa a persegui-lo pelas ruas sombrias de São Paulo. Inclusive, uma das melhores cenas é a que mostra Ratão (depois de tomar baque na veia) rodando de carro pela metrópole cinza atrás de Anjo, enquanto a trilha explode a versão de Arrigo para “Poema em Linha Reta“, de Fernando Pessoa. Destacam-se na trilha o dueto de Arrigo e Ney Matogrosso na bela “Mente, Mente”, o hit potencial de  “Pô, amar é importante” e a sombria música título.

Entre as referências não declaradas, ainda é possível captar ecos de “Warriors/Selvagens da Noite” (1979), cult futurista americano sobre gangues em Nova York. Assim com em “Warriors”, em alguns momentos a história de “Cidade Oculta” é interrompida por um “narrador”, no caso um ventríloquo com sotaque latino. Outras vezes o filme é cortado por flashbacks que explicam a história passada de Anjo e Japa. As duas produções têm como pano de fundo a metrópole, que aqui aparece em belas cenas do skyline paulistano, em tomadas do rio Pinheiros (ou seria o Tietê) podrão e em rondas noturnas pela Liberdade e pelo centro da cidade.

No geral, o clima do filme é pessimista, os jovens sonhadores são esmagados pelo rato conservador e quem se ergue sobre as ruínas é Shirley Sombra, uma femme fatale forte, que não precisa da proteção masculina no mundo. Vale observar como esse pessimismo reflete as sensações da geração que criou este filme, espremida entre os sonhos dos idealistas anos 70 e a prosperidade do Plano Real. A ditadura havia acabado de acabar, Sarney estava às voltas com a inflação de 76%, o punk paulista se dividia em brigas intermináveis (apesar de musicalmente ainda estar no auge) e a vanguarda paulista de Arrigo, Itamar Assumpção e Patife Band nunca vingou nas rádios. O próprio diretor Chico Botelho só dirigiu dois filmes e morreu precocemente em 1991, depois de voltar com febre do Pará. O ator Celso Saiki*, que vive o carismático Japa, faleceu de Aids ( mesma algoz de outros grandes da geração 80 como Renato Russo e Cazuza) em 1994.

No entanto, ficou  pra posteridade esta experiência de cinema brasileiro “pop marginal” –  fugindo dos clichês do Brasil tropical – e que serve de  retrato para a criativa cena oitentista da cidade de São Paulo, verdadeira protagonista do filme.

O artista underground Goemon em cena em que canta num karaokê da Liberdade

*Um adendo: Celso atuou também no filme “Gaijin” de Tizuka Yamasaki, no “Telcurso Primeiro Grau” da Globo e dirigiu teatro e episódios do programa “Bambalalão”, da TV Cultura. 

Assista ao documentário “O dia que durou 21 anos”

Recomendo fortemente o documentário O dia que durou 21 anos, dirigido por Camilo Tavares e elogiadíssimo na imprensa americana. Ele está em cartaz nos cinemas, mas tem uma versão para a TV disponível no Youtube (abaixo).

“O dia que durou 21 anos” mostra, através de uma brilhante pesquisa em documentos e gravações do governo americano, como os EUA inventaram uma “ameaça comunista” no Brasil de 1964 para derrubar o governo democrático de João Goulart. Fica claro que não existia tal ameaça. Para se ter uma ideia, o PCB (Partido Comunista Brasileiro) era ilegal durante o governo de Goulart. 

O filme traz conversas telefônicas oficiais dos presidentes John F.  Kennedy e Lydon B. Johnson tramando o golpe de 64 com o embaixador americano no Brasil e , inclusive, escolhendo Castelo Branco como ditador ideal para o Brasil.

Militares que apoiaram o golpe de 64 contam como o tiro (que era pra durar pouco) saiu pela culatra e resultou numa ditadura de 21 anos que atrasou muito o desenvolvimento do nosso país. Após o golpe, a “linha dura” prendeu e cassou, inclusive, políticos de direita como o governador Carlos Lacerda. Muitas das reformas que só aconteceram nos governos FHC e Lula  podiam ter sido antecipadas vinte anos e talvez nossa história tivesse sido diferente.

Algumas das opiniões da crítica internacional:

“Excelente, emocionante história”
The Hollywood Reporter – USA

“Revelador, merece aplausos”
Variety – USA

“Fascinante”
ScreenDaily -USA

“Pedra preciosa”
Luiz Carlos Merten – Estadão

“Um filme de verdade”
Nelson Pereira dos Santos – Cineasta

É triste, mas estamos pagando a conta desse atraso até hoje 🙁

Confira “Capítulo 4, versículo 3” dos Racionais Mc’s ao vivo no VMB de 1998

Hoje eu acordei saudosista do tempo em que ouvia muito o genial “Sobrevivendo no Inferno” dos Racionais Mc’s, sem dúvida um dos melhores discos já gravados no Brasil. Pra matar as saudades achei esse vídeo dos caras cantando “Capítulo 4, Versículo 3” no VMB de 2008, quando Brown e cia faturaram o prêmio de “Escolha da Audiência”, que na época era o mais cobiçado da premiação da MTV.

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A letra de uma das melhores canções do grupo:

“Capítulo 4, Versículo 3”

“60% dos jovens de periferia sem antecedentes criminais já sofreram violência policial
A cada 4 pessoas mortas pela polícia, 3 são negras
Nas universidades brasileiras apenas 2% dos alunos são negros
A cada 4 horas, um jovem negro morre violentamente em São Paulo”
Aqui quem fala é Primo Preto, mais um sobrevivente

Minha intenção é ruim
Esvazia o lugar
Eu tô em cima eu tô afim
Um, dois pra atirar
Eu sou bem pior do que você tá vendo
O preto aqui não tem dó
É 100% veneno
A primeira faz bum, a segunda faz tá
Eu tenho uma missão e não vou parar
Meu estilo é pesado e faz tremer o chão
Minha palavra vale um tiro e eu tenho muito munição
Na queda ou na ascensão minha atitude vai além
E tenho disposição pro mal e pro bem

Talvez eu seja um sádico
Um anjo
Um mágico
Juiz ou réu
Um bandido do céu
Malandro ou otário
Padre sanguinário
Franco atirador se for necessário
Revolucionário
Insano
Ou marginal
Antigo e moderno
Imortal
Fronteira do céu com o inferno
Astral imprevisível
Como um ataque cardíaco
No verso
Violentamente pacífico
Verídico
Vim pra sabotar seu raciocínio
Vim pra abalar o seu sistema nervoso e sangüíneo
Pra mim ainda é pouco
Brown cachorro louco
Número 1 dia
Terrorista da periferia
Uni-duni-tê
O que eu tenho pra você
Um rap venenoso ou uma rajada de pt
E a profecia se fez como previsto
1 9 9 7 depois de Cristo
A fúria negra ressuscita outra vez
Racionais capítulo 4 – versículo 3

Aleluia…aleluia..racionais no ar, filha da puta, pá, pá, pá

Faz frio em São Paulo
Pra mim tá sempre bom
Eu tô na rua de bombeta e moletom
Dim dim dom
Rap é o som
Que emana no opala marrom
E aí
Chama o Guilherme
Chama o Vander
Chama o Dinho
E o Gui
Marquinho chama o éder, vamo aí
Se os outros manos vem, pela ordem tudo bem
Melhor
Quem é quem no bilhar no dominó

Colô dois manos
Um acenou pra mim
De jaco de cetim
De tênis, calça jeans

Ei Brown, sai fora
Nem vai, nem cola
Não vale a pena dar idéia nesses tipo aí
Ontem à noite eu vi na beira do asfalto
Tragando a morte, soprando a vida pro alto
Ó os cara só a pó, pele o osso
No fundo do poço, mó flagrante no bolso

Veja bem, ninguém é mais que ninguém
Veja bem, veja bem, eles são nosso irmãos também
Mas de cocaína e crack,
Whisky e conhaque
Os manos morrem rapidinho sem lugar de destaque

Mas quem sou eu pra falar
De quem cheira ou quem fuma
Nem dá
Nunca te dei porra nenhuma
Você fuma o que vem
Entope o nariz
Bebe tudo o que vê
Faça o diabo feliz
Você vai terminar tipo o outro mano lá
Que era um preto tipo a
E nem entrava numa
Mó estilo
De calça Calvin Klein
E tênis puma
Um jeito humilde de ser
No trampo e no rolê
Curtia um funk
Jogava uma bola
Buscava a preta dele no portão da escola
Exemplo pra nós, mó moral, mó ibope
Mas começou colar com os branquinhos do shopping
“Aí já era”
Ih mano outra vida, outro pique
Só mina de elite
Balada, vários drink
Puta de butique
Toda aquela porra
Sexo sem limite
Sodoma e gomorra

Faz uns nove anos
Tem uns quinze dias atrás eu vi o mano
Cê tem que vê
Pedindo cigarro pros tiozinho no ponto
Dente tudo zoado
Bolso sem nenhum conto
O cara cheira mal
As tia sente medo
Muito louco de sei lá o quê logo cedo
Agora não oferece mais perigo
Viciado,
Doente,
Fudido:
Inofensivo

Um dia um PM negro veio embaçar
E disse pra eu me pôr no meu lugar
Eu vejo um mano nessas condições: não dá
Será assim que eu deveria estar?
Irmão, o demônio fode tudo ao seu redor
Pelo rádio, jornal, revista e outdoor
Te oferece dinheiro, conversa com calma
Contamina seu caráter, rouba sua alma
Depois te joga na merda sozinho
Transforma um preto tipo A num neguinho
Minha palavra alivia sua dor
Ilumina minha alma
Louvado seja o meu senhor
Que não deixa o mano aqui desandar ah
E nem sentar o dedo em nenhum pilantra
Mas que nenhum filha da puta ignore a minha lei
Racionais capítulo 4 versículo 3

Aleluia…aleluia…racionais no ar filha da puta, pá, pá, pá

Quatro minutos se passaram e ninguém viu
O monstro que nasceu em algum lugar do Brasil
Talvez o mano que trampa de baixo de um carro sujo de óleo
Que enquadra o carro forte na febre com sangue nos olhos
O mano que entrega envelope o dia inteiro no sol
Ou o que vende chocolate de farol em farol
Talvez o cara que defende o pobre no tribunal
Ou que procura vida nova na condicional
Alguém num quarto de madeira lendo à luz de vela
Ouvindo um rádio velho no fundo de uma cela
Ou da família real de negro como eu sou
Um príncipe guerreiro que defende o gol

E eu não mudo mas eu não me iludo
Os mano cu-de-burro têm, eu sei de tudo
Em troca de dinheiro e um carro bom
Tem mano que rebola e usa até batom
Varios patrícios falam merda pra todo mundo rir
Ah ah, pra ver Branquinho aplaudir
É, na sua área tem fulano até pior
Cada um, cada um: você se sente só
Tem mano que te aponta uma pistola e fala sério
Explode sua cara por um toca-fita velho
Click plá plá pláu e acabou
Sem dó e sem dor
Foda-se sua cor
Limpa o sangue com a camisa e manda se fuder
Você sabe por quê? pra onde vai pra quê?
Vai de bar em bar
Esquina em esquina
Pegar 50 conto
Trocar por cocaína

Enfim, o filme acabou pra você
A bala não é de festim
Aqui não tem dublê
Para os manos da Baixada Fluminense à Ceilândia
Eu sei, as ruas não são como a disneylandia
De Guaianazes ao extremo sul de santo amaro
Ser um preto tipo A custa caro
É foda, foda é assistir a propaganda e ver
Não dá pra ter aquilo pra você
Playboy forgado de brinco: cu, trouxa
Roubado dentro do carro na avenida Rebouças
Correntinha das moça
As madame de bolsa
Dinheiro: não tive pai não sou herdeiro
Se eu fosse aquele cara que se humilha no sinal
Por menos de um real
Minha chance era pouca
Mas se eu fosse aquele moleque de tôca
Que engatilha e enfia o cano dentro da sua boca
De quebrada sem roupa, você e sua mina
Um, dois
Nem me viu: já sumi na neblina
Mas não, permaneço vivo
Prossigo a mística
Vinte e sete anos contrariando a estatística
Seu comercial de tv não me engana
Eu não preciso de status nem fama
Seu carro e sua grana já não me seduz
E nem a sua puta de olhos azuis
Eu sou apenas um rapaz latino-americano
Apoiado por mais de 50 mil manos
Efeito colateral que o seu sistema fez
Racionais capítulo 4 versículo 3.

Som de sexta: “Catbird Seat – The Silent League”

Descobri essa banda de post-rock maneira porque eles usaram um recorte do pensador anarquista Kropotkin no clipe de The Silent League. A banda foi criada em 2003 nos Estados Unidos por Justin Russo que tocou no Mercury Rev.

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