São Paulo foi feita para os carros (ou “o Escândalo do metrô só vai aparecer quando alguém morrer?”)

O amigo e designer Gabriel Gianordoli já está se tornando editor involuntário desse blog, tamanha é a quantidade de bons links que ele posta no Facebook. Compartilho com vocês e recomendo muito a leitura do excelente texto do site “Cidades para que(m)?” que discute o péssimo transporte público de São Paulo, a pequena extensão de sua malha de metrô e a decisão consciente dos governos do estado e município de investirem sempre nos carros (privilegiando os ricos e aumentando os engarrafamentos). Enquanto nas melhores cidades do mundo, todo mundo anda de transporte público ou bicicleta, em São Paulo (e no Brasil em geral) continua sendo cool ficar preso no engarrafamento com seu carrão novo. E ninguém fala nada sobre a corrupção na licitação do metrô no governo do PSDB.

Tristeza não tem fim.

– Leia aqui o ótimo texto

Um banho de enxurrada no dia em que terminei meu segundo romance.

A chuva não mais caia, mas cheguei molhado em casa.

Eu caminhava empolgado, pelas ruas da zona Sula, porque terminara de escrever, finalmente, meu segundo romance – “Dândis”.

Hum... Refrescante, né?

(Não que o primeiro  – “Memórias de um perdedor” – tenha sido publicado. Ele é sincero demais, seco demais, autobiográfico… Deixo-o envelhecer na gaveta para ver se, como um vinho, ele melhora com o tempo. )

O “Dândis” não é autobiográfico, mas é autocrítico. Tem o pior de mim e da minha geração de um jeito bem-humorado. Cheio de humor negro, ele sacaneia nossos moderninhos e descolados loucos para fazerem um mochilão pela Europa ou pra criar um app de iPhone sustentável.

Bom, revisei o romance e fui levar pra imprimir. Duas cópias dele ficaram os olhos da cara, mas tudo bem, ainda não inventaram uma lei de incentivo à cultura que banque o xerox de originais. Depois de uma lenta hora de impressão, eu estava pronto para voltar pra casa, mas uma chuva torrencial despencava em São Paulo. Uns 15 minutos de espera e me mandei.

Atentem: a chuva parou, mas cheguei molhado em casa.

Sim, molhado, um carro em alta velocidade passou do lado da calçada, atravessando a grande poça d´água, e ensopou o pedestre otário aqui.  Por sorte os originais do livro estavam escondidos embaixo da minha camiseta e sobreviveram 😛

Estou morando no Brooklin agora. Como você deve saber, os bairros classe média (e classe média pra cima) da Zona Sul de São Paulo não tem um bom sistema público de transporte. Mas tem muitas avenidas grandes onde os carros andam rápido (quando não estão engarrafadas). O paulistano classe média gosta de carro. Significa que ele ganhou na vida e pertence a uma casta superior àqueles que se apertam no ônibus lotado ou tomam banho de enxurrada na calçada. O motorista não se identifica com o pedestre que tomou banho de enxurrada, afinal ele não anda à pé. Lugar de pedestre não é na rua, oras. Ele no máximo concorda ser ruim que os bueiros entupidos resultem em poças d´água.

Não que isso o impeça de continuar jogando lixo pra fora da janela, né?

 

 

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