Inspire-se: 10 pessoas que desenvolveram projetos legais em 2014

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Lá no Glück Project, fizemos uma listinha com 10 pessoas que desenvolveram projetos em 2014 e nos serviram como inspiração. Tem feministas, professores de escolas públicas, jornalistas independentes, editores de livros de ficção e mais uma penca de pessoas inspiradoras. Se estiver precisando de um soprinho de ânimo na sua vida, dá um clique aí!

Como a desigualdade social aumenta a violência e separa o país

Ilustração da Cecilia Silveira para o blog Think Olga

Ilustração da Cecilia Silveira para o blog Think Olga

1) Os 85 mais ricos do mundo possuem a mesma riqueza que 50% da população mundial.
2) Sociedades mais desiguais tendem a ser mais violentas.
3) A mãe de família e trabalhadora Cláudia Silva Ferreira foi assassinada em um tiroteio em uma favela e teve seu corpo arrastado no asfalto por uma viatura policial. Muita gente achou aquela cena normal.

Pensando na dificuldade que temos de enxergar pobres e ricos como cidadãos de um mesmo país, como iguais, escrevi um artigo pro Glück cheio de recordações pessoais chamado “Ensaio sobre a cegueira social“. Espero que vocês gostem 🙂

Um trechinho:

Quando eu estava no ensino médio, minha escola organizou uma pequena excursão para “conhecer a realidade e pobreza do Brasil”. Iríamos sair na última aula para visitar uma família carente cuja mãe sozinha criava uma filha que tinha contraído HIV e um filho que agora estava preso. Iríamos entregar uma cesta básica para eles e conversar sobre a vida dura que levavam. A intenção das freiras que dirigiam nossa escola de classe média no interior do noroeste paulista era boa. Elas achavam que os meninos da elite penapolense precisavam valorizar suas vidas tranquilas e solidarizar-se com os que tinham nascido sem condições. Talvez a ideia fosse estreitar as pontes entre quem só convivia com pobres e negros quando estava com suas empregadas ou babás. Eu me sentia incomodado com a situação; apesar de entender a intenção didática da escola, aquilo também lembrava um passeio por algum tipo de zoológico humano. Algum tipo de espetáculo para se “assistir”, sem realmente enxergar as pessoas que estavam ali.

Deu o sinal da última aula e fomos todos com nossos uniformes vermelhos para uma Kombi lotada de boas intenções fundidas ao clima de uma alegre excursão para Porto Seguro. Rapidamente percebi que aquele caminho que a Kombi fazia não me era estranho. “Opa, pra onde estamos indo? Eu conheço esses vira-latas, essas casas de muro baixo, essas ruas esburacadas. Conheço essas tiazinhas sentadas na calçada, os pés calçando havaianas pedalando de volta pra casa, os moleques empinando pipa com cerol no bairro”.

Meu bairro.

Naquela hora percebi que a casa dos “pobres” era a casa dos meus vizinhos. Literalmente. Ficava a meio quarteirão de casa, na Vila São João. O cara que estava preso era amigo de um colega. Quando chegamos na pequena e humilde casa de muro de madeira, eu pulei da Kombi correndo, caminhei vinte passos e entrei em casa. Sentia um misto de vergonha, raiva e humilhação. Tinha vergonha tanto dos meus vizinhos acharem que eu era um playboy, quanto dos meus colegas de classe me verem como mais um “pobre” do bairro. Alguém pra ter pena ou fazer caridade. Eu não queria que as pessoas tivessem pena de mim. Queria ser olhado de igual pra igual, olho no olho.”

O texto completo você lê aqui:  http://www.gluckproject.com.br/ensaio-sobre-a-cegueira-social/

A ilustraçnao acima foi feita pela Cecilia Silveira para o blog Think Olga, em homenagem à Claudia Ferreira

 

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