História do Heavy Metal em BH – Ruído das Minas

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Documentário produzido como TCC (olha só não é tão difícil, hein, molecada?) e exibido na Mtv, desvenda como a pacata BH se transformou na capital brasileiro do heavy metal exportando bandas como Sepultura, Sarcófago e Overdose. O vídeo traz depoimentos das principais bandas da cena e mais galera de fanzines e da clássica gravadora Congumelo Records. Histórias engraçadas, rancor contra o Sepultura  e vídeos e fotos raras estão na receita. Vale muito a pena pra quem se interessa pela história do rock brasileiro.
Parte 1

Parte 2

Parte 3

Parte 4

Parte 5

Parte 6

Parte 7

Parte 8

Parte 9

Parte 10

Parte 11

Veja também:

– 10 bandas clássicas do heavy metal brasileiro
-40 melhores bateristas do metal
-Documentário conta a história do punk paulistano

Max Cavalera esculacha a banda Sarcófago e diz que por ele a volta do Sepultura original já teria rolado

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Max Cavalera anda falando faz tempo que gostaria de se reunir com a formação original do Sepultura para novos shows. Pela última entrevista que o vocalista do Soulfly  deu, parece que o mais reticente com a proposta agora é o baixista Paulo Jr. Procurando mais informações sobre esse assunto, me deparei com a ótima entrevista de Max Cavelara para o programa “Heavy Nation” – podcast que completou 100 edições em abril deste ano. Além de falar sobre uma possível volta do Sepultura, sobre seus projetos e sobre o Soulfly; Max Cavalera desceu o cacete no Wagner da banda de black metal Sarcófago. O programa ainda lista um “top 10” clássicos do metal nacional muito bacana. Vale ouvir na íntegra! (E torcer pra que o Paulo Jr. tope a volta do Sepultura com sua formação original)

Ouça aqui: http://www.radio.uol.com.br/programa/heavy-nation/edicao/14421631

 

 

Cozinha do Inferno: Hellbent for Cooking

Faz um bom tempo que eu não escrevo um post (e o Fred está quase me expulsando daqui), mas foi por um bom motivo: estava ocupado com os preparativos do meu casamento.

Um dos presentes que ganhamos foi o livro Hellbent for Cooking. Já que temos que cozinhar, que seja da forma mais metal possível!

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O livro foi escrito pela canadense Annick Giroux “The Morbid Chef” e traz receitas enviadas por bandas de vários países e estilos, desde o metal mais tradicional do Judas Priest até o black metal do Gorgoroth. Só senti falta de umas bandas mais farofa. HÁ!

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Ela conta que algumas não puderam entrar no livro, pois não poderiam ser testadas por falta ou bizarrice dos ingredientes e ninguém ia realmente conseguir fazer, como o coração de cobra cru com whiskey enviado pelo Surrender of Divinity da Tailândia ou o guisado de cachorro mandado pelo Piledriver do Canadá.

As receitas são divididas em capítulos de acordo com a especialidade, seja carne, cordeiro, drinques ou até vegetariano. O Kreator por exemplo mandou uma receita de hamburguer vegan de aveia.

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Dentre bandas de todo o mundo, duas brasileiras entraram na jogada: Sepultura com seu “churrasco ao molho de soja” e Holocausto com a óbvia “caipirinha”.

O livro tem 224 páginas, é editado pela Bazillion Points que é especializada em heavy metal e não tem versão nacional, mas pode ser encontrado em livrarias online como Amazon por $23.89 + shipping e The Book Depository por $20.17 com free shipping.

20 melhores discos nacionais dos anos 90 – Showbizz

Capa da edição da Bizz que listava os 100 melhores discos da década de 90

Em 1999, a minha revista favorita era a Showbizz.(Sim, naquele tempo a clássica Bizz tinha mudado de nome). Como a internet discada (???)  era uma carroça, era na Showbizz que eu acompanhava o que rolava na música, descobria discos novos e lia entrevistas com os ídolos nacionais e gringos.

Com esse revival dos anos 90 que está pintando, resolvi resgatar esse top 20 dos discos nacionais daquela década. Ele foi publicado numa revista com o aviso “edição histórica” (número 172)  e a foto do rosto de Kurt Cobain estourada na capa P&B.

1) “Raimundos” (1994) – Raimundos

2) “Calango” (1994) – Skank
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3) “Samba esquema noise” (1994) – mundo livre s/a

4) “Roots” (1996) – Sepultura
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5) “… Cor-de-Rosa e Carvão” (1994) – Marisa Monte

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6) “Manual Prático para festas, bailes e afins” (1997) – Ed Motta


7) “Da Lama ao Caos” (1994) – Chico Science & Nação Zumbi

8 ) “Sobrevivendo no Inferno” (1997) – Racionais MC’s

9) “Usuário” (1995) – Planet Hemp

10) “Hey Na Na” (1997) – Paralamas do Sucesso

11) “Preste Atenção” (1996) – Thaíde & DJ Hum
12) “Eu e Memê, Memê e Eu” (1995) – Lulu Santos
13) “Sobre todas as forças” (1994) – Cidade Negra
14) “Bebadosamba” (1996) – Paulinho da Viola
15) “Samba pra Burro” (1998) – Otto
16) “Gol de Quem?” (1995) – Pato Fu
17) “Na calada da noite” (1990) – Barão Vermelho
18) “Rappa-Mundi” (1996) – O Rappa
19) “Mamonas Assassinas” (1995) – Mamonas Assassinas
20) “O descobrimento do Brasil” (1993) – Legião Urbana

Outras listas:
-5 discos injustiçados do rap nacional
-6 disco para começar a ouvir jazz
-10 melhores discos dos anos 2000

João Gordo e Sepultura tocando “Holiday in Cambodia” do Dead Kennedys

João Gordo(nem tão gordo assim) e Sepultura numa jam alucinada tocando o crássico “Holiday in Cambodia“, do Dead Kennedys. Joãozinho, completamente chapado, embroma a boa letra de Jello Biafra, mas nós, que não queremos que você pague esse mico nos karaokês punks da vida, separamos a letrinha pra cantar junto.

Mas antes, não quer ler esses posts abaixo?
-João Gordo detona os Los Hermanos e relembra carreira. 
-Chaos A.D: o disco que colocou o Sepultura entre os grandes do rock

Holiday in Cambodia
So you been to school
For a year or two
And you know you’ve seen it all
In daddy’s car
Thinkin’ you’ll go far
Back east your type don’t crawl

Play ethnicky jazz
To parade your snazz
On your five grand stereo
Braggin’ that you know
How the niggers feel cold
And the slums got so much soul

It’s time to taste what you most fear
Right Guard will not help you here
Brace yourself, my dear:

It’s a holiday in Cambodia
It’s tough, kid, but it’s life
It’s a holiday in Cambodia
Don’t forget to pack a wife

You’re a star-belly sneech
You suck like a leach
You want everyone to act like you
Kiss ass while you bitch
So you can get rich
But your boss gets richer off you

Well you’ll work harder
With a gun in your back
For a bowl of rice a day
Slave for soldiers
Till you starve
Then your head is skewered on a stake

Now you can go where people are one
Now you can go where they get things done
What you need, my son:.

Is a holiday in Cambodia
Where people dress in black
A holiday in Cambodia
Where you’ll kiss ass or crack

Pol Pot, Pol Pot, Pol Pot, Pol Pot, [etc]

And it’s a holiday in Cambodia
Where you’ll do what you’re told
A holiday in Cambodia
Where the slums got so much soul

Melhores discos nacionais dos anos 90 – Top 5 (6)

Os cinco discos brasileiros que mais me marcaram quando eu tinha entre 12 e 15 anos(96-99):

1) Afrociberdelia – Chico Science e Nação Zumbi.

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Quando eu tinha 12 anos Chico Science ainda estava vivo e começava a ficar conhecido. Ouvi “Maracatu Atômico” até riscar o disco e criei um fanzine com o nome do disco em 1997

2)Roots – Sepultura
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Comecei a gostar de som pesado por causa de Roots. Ele e “Afrociberdelia” definiram os limites dos meus horizontes musicais: não ter limites, já que os caras misturavam trash metal com Carlinhos Brown e cantos indígenas.

3)Guentando a Ôia – mundo livre s/a
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Fazendo uma análise sem muita precisão técnica, esse é o melhor disco do Fred 04 pra mim. Foi o primeiro que eu tive e o que mais ouvi até hoje. Conheço de cor e salteado as altenâncias entre cavaquinho e guitarras envenenadas e decorei todas as letras engajadas/psicodélicas.

4)Feijoada Acidente? – Ratos de Porão
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Pra mim é o melhor disco de punk rock nacional da história. Mudou minha vida. Depois desse disco rasguei a calça, espetei o cabelo, aprendi a tocar 3 acordes no baixo e virei punk

5)Usuário – Planet Hemp & Sobrevivendo no Inferno – Racionais Mc’s
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Nunca consigo fazer Top 5 com cinco, sempre tenho que enfiar um bônus no meio. “Usuário” do Planet Hemp era o som de “maloqueiro” muito melhor que Charlie Brown Jr de hoje. “Mantenha o respeito” e “Legalize Já” eram hits fortes que tocavam em todos os lugares. E as linhas de baixo eram simples e boas. Excelentes para um iniciante como eu. “Sobrevivendo no Inferno” foi outro tapa na cara. Lembro de ficar ouvindo quietinho, só prestando atenção nas letras, como se fosse alguém me contando a história. A partir daí virei fã de rap.

-Confira a lista da Bizz com os 20 melhores discos dos anos 90

“Chaos A.D.”: o clássico que levou o Sepultura para a fama mundial

A hora do caos.
Um grito tribal corta a modernidade.

A capa do clássico

A capa do clássico

 

Em 1993 o Sepultura já era um banda respeitada pela maioria dos metaleiros do mundo, seus dois últimos discos pela RoadRunner (Beneth The Remains e Arise) haviam recebido boa recepção do público e lhes aberto várias portas, rendendo uma série de turnês internacionais. Depois de 1993 a história foi outra, o Sepultura não era só mais uma banda de thrash metal, eles estavam na crista da onda, com videoclipes estourados na Mtv, shows ao lado dos principais nomes do rock (Ozzy, Pantera, Slayer, Alice in Chains, entre outros) e uma popularidade que talvez nenhum outro músico brasileiro tivesse alcançado. Para qualquer jovem que você perguntasse sobre o Brasil ele provavelmente iria citar o Carnaval, o futebol, o samba e o… Sepultura.


O clipe Territory, single do disco Chaos A.D.

O início do Caos são as batidas do coração de Zyon o filho de Max Cavalera no útero de sua mãe, logo as batidas se fundem com o groove de escola de samba vindo das baquetas de Igor Cavalera (então o maior batera de hardcore do mundo). A música é Refuse/Resist, um petardo sônico, com letra desesperada incitando a revolta. Nada mais de apocalipse e demônios nas letras dos mineiros, o inferno agora era na terra. Era a disputa de território entre judeus e palestinos, a destruição do sistema ecológico, o massacre do Carandiru, o cotidiano violento no qual todos nós aprendemos a sobreviver. Chaos A.D. é quase um disco conceitual, um manifesto terceiro mundista, homogêneo em sua diversidade ele traz um Sepultura politizado, voltado para o que se passava no Brasil e experimentando novas sonoridades.

Passada a fase ortodoxa do grupo a banda dos irmãos Cavalera agora misturava metal, hardcore e rock industrial com sons brasileiros (mistura que chegaria ao ápice no clássico Roots). Cabia ai então a acústica Kaiowas, um protesto contra a situação dos índios dessa tribo que se suicidavam devido à ocupação de suas terras. Os críticos compararam a música (que incluía percussão e solo de viola) a Led Zepellin com a diferença de que enquanto o Led misturava seu rock com sons asiáticos e africanos o Sepultura fazia a fusão com o som da sua própria terra. A partir de Chaos A.D. quem se interessasse pelo futuro do metal poderia procurar o Sepultura. O disco é considerado por muitos como influência básica no que viria a ser o new metal de Korn e Cia. O próprio Korn teria ficado ouvindo esse disco no estúdio enquanto gravavam. Lá já estavam as afinações graves e as baterias quebradas que estourariam nas paradas mundiais anos depois

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O clima do disco era soturno, a trilha sonora de um futuro Ciberpunk, pesado,violento dominado por mega-corporações e transpirando capitalismo. O guitarrista Andréas Kisser deixou de lado o virtuosismo, para tirar novos timbres de sua guitarra minimalista uivante, o baixo de Paulo Jr, vinha muito grave,como um terremoto, cheio de efeitos, casando com o bumbo duplo furioso de Igor Cavalera, um gigante nas baquetas que injetava swing no hardcore mais agressivo.

Chamar o Chaos A.D. de marco no rock dos anos 90 pode parecer pretensioso, mas não seria injusto, Dave Grohl (ex- Nirvana, Scream e atual frontman do Foo Fighters) disse um dia que se não existisse o Mötorhead esse seria o melhor disco de metal do mundo. Nada mal para um bando de moleques que só queria imitar o Venom. Á partir de 1993 todas as bandas brasileiras podiam sonhar em competir de igual pra igual com os gringos e não sem deixar de lado a brasilidade. O que seria a base para um outro caos vindo da lama dos manguezais de Recife, mas isso é outra história…

Fred Di Giacomo 28/10/03.

Assista o clipe da primeira faixa de Chaos A.D.: Refuse/Resist:

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