História do rock no Rio Grande do Sul – Documentário

Pessoal, uma dica bem legal, esse documentário de 1986 conta a (pré)história do rock gaúcho. Pra quem se interessa pelos bastidores do rock do Rio Grande do Sul (e do rock brasileir) vale muita a pena

Mais rock ‘n’ roll no nosso Twitter: @punk_brega

Veja também:

– 5 grandes bandas gaúchas

-Entrevista exclusiva com Wander Wildner

Maripê – Fotos rock ‘n’ roll

Toda quinta-feira nos publicamos os trabalhos de novos artistas e fotógrafos ou clássicos underground

-Veja mais fotos de Maripê no blog dela

1)Como  e quando você começou a fotografar?

Sempre fui fã de fotografia, e já na faculdade arriscava um clique ou outro, mas foi só no meu último ano que comecei a levar a sério. Minha prima tinha uma banda, Touching Lips, e meus primeiros cliques foram nos shows dela. Aí, entre as bandas dos amigos dos amigos dos amigos, conheci a Cyber-Jack, Condessa Safira, KiLLi e não parei de fotografar! Curti muito fotografar bandas, e até hoje tô nessa pegada.


2)Tem algum fotógrafo que te influenciou?
Sempre vi a fotografia como uma grande brincadeira, e sempre fui tentando fazer do meu clique o meu clique, sem “copiar” o estilo de ninguém, indo atrás dos ângulos e composições que eu achava interessante. Mas claro que existe uma certa influência do que vejo no que faço: sou fãzona assumida do Mark Seliger (autor de inúmeras capas de CD e das revistas Rolling Stones) e do David LaChapelle, e no claro, do Bob Gruen. Do cenário brasileiro, gosto muito do trabalho do Cesinha.

3)Como surgiu sua ligação com o Zona Punk? Fale um pouco sobre seu trabalho no site.
Na caruda, haha! Sou leitora do Zonapunk desde sempre, e quando algum amigo escrevia resenhas por lá, as vezes rolava de colocar minhas fotografias. Mas foi só em 2009 que entrei para a equipe oficial do site, como resenhista e fotógrafa, quando joguei a ideia de uma parceria do Zona Punk com o MaripêLab, meu blog. Sempre viajei muito para fotografar, tenho várias bandas amigas por aí e, numa das minhas viagens para BH, pensei em voltar com uma resenha dos shows! O Wlad – editor do ZP – topou e ampliou a proposta, me convidando para participar da equipe.
4)Qual é o melhor som para fotografar?
Essa é difícil! Acho que não existe um estilo de som melhor para fotografar, vai depender da intenção da fotografia.
Se é um show com um som mais parado, dá pra ficar prestando mais atenção nos detalhes, nas expressões dos músicos, fazer mais fotos detalhistas. Se o show já é mais pesado, num ambiente com luzes dançando a mil, dá pra pirar em fotos com zoom burst e light paiting (técnicas para tirar fotos brincando com o efeito da luz), capturar os movimentos mais rápidos com flash ou ampliar a foto, pegando a platéia e sentindo a vibe do show. De qualquer maneira, pode sair várias fotos boas, cada uma com sua energia, sua intenção!
Mas claro, sempre ajuda quando a banda é boa, quando o fotógrafo curte o estilo da música!

5)E pra fechar: tem alguma banda que você sempre sonhou clicar?
Nacional ou gringa? 🙂 Das nacionais, talvez a Pitty – sem contar as minhas fotos da virada cultural, eu estava muito longe! hehe! Sempre vejo fotos delas e são muito interessantes, porque ela brinca muito com o figurino, com as poses e com o público.
Lá de fora, sem dúvida alguma um show da Juliette Lewis! Além de eu amar o som de sua banda (desde os tempos de Juliette & The Licks), as caras, bocas e poses da Juliette são as melhores!

-Fotos ciberpunk de Wandeclayt
-Conheça o trabalho da fotógrafa Diane Arbus

“Ódio” de Peter Bagge é o quadrinho que retratou a geração grunge

(Resenha originalmente publicada nos sites Zine Kaos e The Watchtower, 2003.)

Fede a Espírito Adolescente!!!
Quadrinhos grunges dão voz a geração perdida dos anos 90
Capa do coletânea "Ódio" publicada pela Via Lettera

Capa do coletânea “Ódio” publicada pela Via Lettera

por Fred Di Giacomo, eu mesmo

Literatura pop e listas dos 5 mais, sebos e vinis, garotas e álcool, estilo de vida rock n’ roll vivido por “adolescentes” de 32 anos e ódio. Os quadrinhos de Peter Bagge foram o maior sucesso da editora Fantagraphics e caíram nas graças de uma geração de losers fãs de rock independente, que viviam à base de subemprego e cerveja barata. Seu ícone seria o anti-herói Buddy Bradley rodeado por seus amigos freakies Funtum, George, Valerie (a namorada ninfomaníaca) e sua ex, Lisa . Buddy e o Ódio tiveram um significado semelhante para a geração de Seattle ao da revista Chiclete com Banana e do personagem Bob Cuspe, do quadrinista Angeli, para o punk tupiniquim.

Tudo cheira a vida real nas páginas de Ódio, seus traços exagerados, acentuando as expressões dos personagens, são influência do pai dos quadrinhos underground americano, Crumb, e sua narrativa ácida, mesclando escatologia com sacadas inteligentes, retrata fielmente o cotidiano dos jovens que como eu e você viveram os anos 90. As festas, os diálogos, as crises de relacionamento tudo leva a crer que o nanquim da caneta foi substituído por sangue humano, o cheiro de “pisicotrópicos”, fumaça de cigarro e cerveja é o mesmo das festas de repúblicas universitárias. As ambições de Bradley e seu amigo Funtum não são lá grande coisa. Bradley trabalha num sebo e Funtum vive de “bicos” , os dois sonham em ter um fanzine, mas mal conseguem decidir se irão escrever sobre rock ou sobre quadrinhos. Todo jovem envolvido com a “cultura alternativa” vai encontrar algum traço de sua vida na ponta da caneta de Peter Bagge.

Peter Bagge

A crítica se torna mais séria quando entram em cena os irmãos de Buddy: Butch e Babs (ele um jovem fascista americano e ela uma mãe solteira, convertida em fundamentalista cristã), e ai Bagge destila todo seu sarcasmo e ódio contra a sociedade americana. Desse sarcasmo não escapam ninguém, nem os pseudo-intelectuais como George, colega de Bradley, “um negro que não curte rap”, nem os integrantes da cena alternativa, nem mesmo o próprio autor, alter-ego de Buddy Braldley, retratado na última história do álbum , uma viagem surreal onde ele reflete sobre os caminhos de sua obra rumo a um apelo mais comercial e pop. Peter diz que não participou ativamente da cena grunge por já ter mais de 30 anos na época e “não gostar do cheiro de cigarro nos clubes de rock”, mas foi amigo de alguns dos principais participantes, tendo desenhado uma capa para a banda TAD. Antes de morar na Seattle do grunge, Bagge morou na Nova York do início dos anos 80 época do Punk e da New Wave.

Ódio foi publicado aqui pela Via Lettera, editora do veterano tradutor Jotapê Martins, em 2001 num álbum com 6 histórias longas e mais três curtas. Nos Estados Unidos, após uma crise semelhante a do já citado Angeli com a personagem Rê Bordosa, o autor resolveu “matar” a revista Hate (criada em 1990), transformando-a numa publicação anual, para não limitar sua arte a esses personagens e procurar novos rumos. Por trás de todo oba-oba em cima de seu parentesco com o grunge, de baixo da camiseta de flanela por fora da calça, o all star e o cabelo desgrenhado de Peter Bagge, Ódio tem como principal qualidade o fato de ser um retrato fiel e sem firulas de seu tempo. Uma fotografia do principal personagem da tragédia humana : o homem comum.

Fred Di Giacomo, 07/11/03
Leia também:

 

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