Uma pequena história do punk rock através de suas músicas clássicas

Quais são as principais bandas do punk rock? Quais as mais influentes? E que músicas dessas bandas viraram hinos? Apaixonado pelo punk desde moleque, resolvi criar uma jornada sentimental pelas dezenas de variantes do estilo, em uma playlist que reúne mais de 150 músicas que vão do proto-punk ao emo, passando pelo hardcore, oi!, skapunk, rrrriot girls, crossover e mais.

Reuni nessa lista bandas dos pais do punk (EUA e Inglaterra), mas também do Japão, Brasil, Finlândia, Austrália, Argentina, Rússia e outras cantos de onde saíram clássicos hinos de 3 acordes. Abaixo a playlist:

Que banda clássica faltou ser incluída na sua opinião?

3 punk rocks para estragar o seu Natal – Hey, Ho! Ho, ho, ho!

Em homenagem a você, rebelde juvenil fã de rock n’ roll, eu estou trabalhando de madrugada para colocar esse post de final do ano no ar. São três porradas do cancioneiro punk para estragar a festa de Natal-Ano-Novo-Ação-de-Graças da sua família. Faça bom proveito!

“Merry Christmas (I don’t want to fight tonight)” – Ramones
Terceiro single do genial disco “Brain Drain” dos Ramones, foi regravada pelos Raimundos no disco “Cesta Básica” de 1996. Traz um belo vocal do Joey Ramone que não queria brigar com a namorada no aniversário de Jesus 🙂

“Papai Noel, Velho Batuta” – Garotos Podres

Maior clássico dos Garotos Podres e, talvez, a música mais conhecida do punk nacional, “Papai Noel, Velho Batuta” foi lançada no primeiro disco da banda de Mauá, em 1985. O álbum “Mais podres do que nunca” vendeu muito puxado por “Papai Noel” e “Anarquia Oi!”, mas teve várias músicas censuradas, entre elas “Papai Noel” que deixou de ser xingado de “filho da puta” na gravação original para ser chamado de “velho batuta”.

“Infeliz Natal” – Raimundos
“Infeliz Natal” é uma música originalmente composta e tocada pela primeira banda do Digão, a “Filhos de Mengele”. Rodolfo, na época, era roadie e fã do grupo. O punk rock foi desenterrado para o lançamento especial “Cesta Básica” que incluía covers, gravações ao vivo e algumas inéditas.

Banda nova que eu sei que cês gostam: Vaccines tocando “If You Wanna”

Hoje é sexta-feira, dia de postar uma musiquinha, então vamos lá:

Vaccines é banda “nova” que agrada molecada e os tiozões. Gostam de Ramones, sabem escrever refrões, os shows são bons e rápidos.

Assista também:
– Banda nova pra quem gosta de guitar bands: Yuck
-Videoteca do brega: música romântica de MACHO
-Rapture tocando “How deep is your love”

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“Ramones” – Ramones, 1976

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-Conheça algumas bandas do punk 77 inglês
-Já leu poesia punk?

Para a revista Rolling Stone ele é o 33º melhor disco da história. Para qualquer moleque de calça rasgada e all star ele é seu motivo de existir. Uma dos pedaços de vinil mais influentes da música pop. Sua duração é de 29:04s. Seu custo total de produção foram míseros $ 6400, numa época onde, segundo o próprio Joey Ramone no livro “Mate-me, por favor”, gastava-se meio milhão para produzir um álbum. E esse não era qualquer álbum; ele criou o punk, revolucionou o rock do final dos anos 70 e deu origem a centenas de bandas. Dos Sex Pistols ao Metallica, do Red Hot Chili Peppers aos Ratos de Porão, a influência do primeiro disco dos quatro magrelos de Nova York foi devastadora.

É difícil explicar hoje a importância desse amontoado de 3 acordes tocado com velocidade e paixão, sem riffs difíceis, solos de guitarra ou viradas de bateria. Aqui no Brasil, seria como se os Racionais Mc’s tivessem um som tão agressivo quanto o Sepultura e criassem, em seu primeiro disco, a Bossa Nova ou a Tropicália. Estávamos nos Estados Unidos, em 1974. O que existia de mais agressivo no rock era o som de MC5, Stooges e New York Dolls. As três bandas tinham um sucesso mediano, mais undeground, e seu som era uma transição do hard rock para o que se chamou punk. O que mais lembrava o que os Ramones viriam a fazer era o primeiro (e cru) disco dos Stooges. Mas nesse, você encontra uma música de mais de dez minutos (“We Will Fall”) e aqui a música mais comprida tem 2:39s(“I don’t Wanna Go Down to The Basement”). E as rádios? Eram dominadas pelo progressivo de Yes e Genesis, pelo hard rock virtuoso de Led Zeppelin e pela discoteca do saltitante John Travolta. O sonho hippie tinha acabado, os Beatles também. A América Latina, o leste Europeu e grande parte da Ásia viviam sob ditaduras. O mundo em constante ameaça atômica era uma ressaca claustrofóbica.

Blietzkrieg bop

A primeira coisa que chama a atenção no disco é a capa. Quatro cabeludos, com jaquetas de couro pretas – como as de Marlon Brando e James Dean – calças rasgadas, tênis surrados e caras desafiadoras estão encostados numa parede pichada. Eles parecem te provocar, loucos pra te dar uma porrada. A única coisa escrita lá é o nome da banda “Ramones” – uma referência ao nome que Paul Mccartney usava para se registrar em hotéis. O disco começa. A porrada vem em forma de grito de guerra. Hey ho let’s go. Um ataque relâmpago fala de blitzgrieg, estratégia militar que fez os nazistas dominarem metade da Europa no começo da Segunda Guerra Mundial. Ah, vale lembrar, o alemãozinho Dee Dee Ramone tem fascinação pelo nazismo. O desengonçado Joey Ramone – já internado em clínicas psiquiátricas – berra “espanque o moleque com um taco de beisebol”. Da onde vem tanta raiva? Dee Deefoge de uma família problemática, Johnny ralava como pedreiro. O lirismo se esconde nos backing vocals que fazem referência a grupos vocais dos anos 60. “I Wanna Be Your Boyfriend” quebra o clima, uma balada romântica já pavimenta o caminho que os Buzzcocks, e mais pra frente os emos, vão seguir. “Os punks também amam”. “Now I Wanna Sniff Some Glue” repete milhares de vezes a mesma frase. Os moleques entediados lá de “1969” de Iggy Pop agora gastam o tempo cheirando cola, arrumando brigas e fazendo barulhos com suas guitarras toscas, ou serras elétricas, em “Chain Saw”. A contagem para todo mundo entrar junto – que se tornou marca registrada do grupo – aparece pela primeira vez em “Listen To My Heart”. “1,2,3,4” grita Dee Dee, baixista e principal compositor. Ele vai voltar a urrar em uma das partes de “53rd and 3rd” uma das mais sérias e tristes do álbum. É sobre o tempo em que o músico ficava nas esquinas de Nova York fazendo michês. O disco ainda traz como destaque o cover “Let’s Dance”(e gravar clássicos do rock ‘n’ roll em versões cruas seria uma marca da banda) e “Today your Love, Tomorrow the World”.

Havana Affair/Listen To my Heart

-Entrevista com os Garotos Podres

Pronto, menos de meia-hora e a surra acabou. Aqueles punks saídos do filme “O Selvagem”(com Marlon Brando), que soavam como uma canção de Iggy Pop e queriam cantar como se fossem os Beach Boys devem estar cheirando cola em outro lugar. Seu álbum não fez nenhum sucesso nos EUA. Só foi bem recebido quando o quarteto excursionou pela Europa e influenciou meio mundo – Clash e Sex Pistos incluídos, dando origem ao movimento punk e todo hype em cima da coisa. Dessa árvore cairiam os frutos podres do hardcore, trash, crossover, grunge, emo e outros estilos musicais.

Era isso. Letras diretas sobre o cotidiano do mundo white trash – os brancos pobres e desajustados dos EUA. Som distorcido, rápido e sem firulas. Refrões fortes. Backing vocals melodiosos. E o rock nunca mais seria o mesmo.

Leia para saber mais:
“Mate-me, por favor”, “Legs” McNeil e Gilliam McCain
“Coração envenenado” – Dee Dee Ramne e Veronica Kofman

“O DEM Roubou Meu Neném” (KKK Took My Baby Away) – Milhouse

Milhouse-banda-2009-pulo-motel-14-02-2009

Minha finada banda @milhouseabanda acabou, mas fica aqui – neste #somdesexta – uma pequena homenagem com a versão que fizemos desse clássico dos Ramones, adaptado para o clima tupiniquim.

“DEM roubou meu neném”
Picou a mula para o feriado
Para um lugar ensolarado
mas nunca chegou lá, nunca chegou lá.
Ela nunca chegou lá eu sei.

DEM, DEM, DEM roubou meu neném
Roubou meu neném e meu sossego também.

Onde será que está meu neném
Quem sabe no DEM
O Kassab era DEM.

Será que estå bebendo com o Sarney
Com o ACM Neto? Eu pensei que era gay…
O Marco Maciel é muito magrelo
Que esteja bem, isso eu espero.

Coração Envenenado: Minha Vida com os Ramones, Dee Dee Ramone, com Veronica Kofman

-Que tal um pouco de literatura punk?

Mini-Resenha da autobiografia do principal compositor dos Ramones

Capa do livro "Coração Envenenado" de Dee Dee Ramone

Capa do livro “Coração Envenenado” de Dee Dee Ramone

“Coração Envenenado” não traça um panorama completo da cena que deu início ao punk como “Mate-me por favor”. Não é uma biografia detalhada do quilate do “Anjo Pornográfico” sobre Nelson Rodrigues ou “Vale Tudo”, sobre Tim Maia. É principalmente um livro para fãs de Ramones. Narrado em primeira pessoa, como se fosse uma longa entrevista cedida por Dee Dee Ramone, “Coração Evenenado” é subjetivo, um pouco ingênuo e sem muitas firulas. Como as músicas de Dee Dee, principal compositor e ex-baixista dos Ramones.-Leia resenha do primeiro disco dos RamonesEle vai narrando, sem tomar muito fôlego, como foi sua infância infeliz na Alemanha, como eram seus pais, sempre bebendo e brigando, como foi sua adolescência na Nova York de “Taxi Driver”, seu envolvimento com crime e drogas, muito antes de ter pelos na cara. Dee Dee Ramone era um junkie marginal, para quem a única salvação era a música. Se tivesse nascido no Brasil de hoje, ele faria Rap mais violento que “Facção Central”. Ele não tocava bem, mas compôs alguns dos maiores clássicos do punk como “Blitzkrieg Bop”, “Pet Seamatery” e “Poison Heart”, só para ficar entre os mais conhecidos. Ele parece não ter noção da importância das coisas que ia vivendo. Para Dee Dee, cada dia é só mais um dia que ele conseguiu sobreviver, seja o primeiro show dos Ramones na Inglaterra, influenciado toda uma geração de bandas que vão de Sex Pistols à Clash, seja uma noitada com membros do New York Dolls ou do Blondie.

Em todo livro ele avisa que se acha muito sortudo por estar vivo. Que a história de um Ramone não pode ter um final feliz. E ela não tem. No epílogo somos lembrados que Douglas Calvin, o Dee Dee, morreu num quarto de hotel, em 2002, aos 49 anos. Os Ramones eram caras fodidos e durões, mas que conseguiram fazer músicas enérgicas que passam longe da depressão bundona. Eles enfrentaram seus demônios com distorção e velocidade. E isso é o mais importante de toda história.

 

Frases Punk

-Leia mais frases legais aqui!

Como o pessoal continua procurando esse blog atrás de frases punks, separei algumas frases e trechos de letras de figuras do movimento. Tem mais no link ai de baixo:

“Nós estamos aqui para revolucionar a música popular brasileira, pintar de negro a asa branca, atrasar o trem das onze, pisar sobre as flores de Geraldo Vandré e fazer da Amélia uma mulher qualquer”. Clemente, Inocentes.

“Papai Noel, filho da puta/ Rejeita os miseráveis/Eu quero matá-lo/Aquele porco capitalista/Presenteia os ricos/Cospe nos pobres”. Garotos Podres.

-Leia frases de Charles Bukowski

“Música não é política, mas traz em si a idéia de liberdade”. Lou Reed, ex-Velvet Undeground

“Pau no cu de Deus, da Globo e do ABC”. João Gordo, Ratos de Porão.

“Vagando pelas ruas tentam esquecer/Tudo que os oprime e os impede de viver/Será que esquecer/Seria a solução/Pra dissolver o ódio que eles tem no coração?(…) Garoto do Subúrbio você não pode desistir de viver”. Inocentes

“Eu sou completamente contra as drogas, por isso eu não assisto nem ao SBT, Globo ou Record” Marcelo Nova, ex-Camisa de Vênus

“Só ha dois fatos irreversíveis no mundo contemporâneo:A morte e a mediocridade. Com a clonagem só restará amediocridade.” Marcelo Nova, ex-Camisa de Vênus

“Era um emprego, e eu estava apenas cumprindo a minha obrigação.” Johnny Ramone, Ramones

“O Capitalismo roubou minha virgindade.” International Noise Conspiracy.

“Minha mãe não pariu nenhum punk, no entanto aqui estou eu” Fred 04, mundo livre s/a

“Aids, pop, repressão. O que eu fiz para merecer isso?” João Gordo, Ratos de Porão

frases-punks

-Entrevista com Garotos Podres
-Entrevista com o Dead Fish
-Trailer do documentário sobre RDP

Lembra de mais alguma?

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