Entrevista com Laerte, maior quadrinista do Brasil

sunglassesNessa minha pequena grande carreira de jornalista, pude entrevistar alguns grandes ídolos da minha vida. Se falei com Zé do Caixão e João Gordo pessoalmente, alguns desses bate-papos foram apenas virtuais. Esse foi o caso  da entrevista com @ grande quadrinista Laerte – ídol@ de minha infância e adolescência com seus quadrinhos geniais dos Piratas do Tietê e Los Três Amigos.

Com o amadurecimento de sua carreira, o trabalho de Laerte só melhora. E com sua saída do armário, encarando o mundo de peito aberto como transgênero, minha admiração por sua coragem e originalidade se redobra.

Chegam de blá-blá-blá. Leiam a entrevista da Laerte no Glück. Mas já aviso: ela não acredita em felicidade.

Granta transforma conto de Roberto Bolaño em história em quadrinhos feita em HTML5

Pra edição de terror da revista literária Granta um grupo de designers e animadores transformaram a história “The Colonel’s Son’”  do escritor chileno Roberto Bolaño em uma HQ animada programada em HTML5.

É um multimídia não interativo, mas já está bem a frente de outras produções em HTML5. E  tem zumbis! Zumbis existencialistas… Confira o trampo aqui.

Zumbis cults viram HQ em HTML5

Depois de passar por uma invasão hacker, este bloguinho quase acabou no começo de 2011. Voltamos às nossas atividades paranormais em setembro de 2011 e a audiência de outubro já TRIPLICOU. Uhu!

No meio da bagunça de republicar os posts antigos, alguns ficaram de fora e eu tive o trabalho de colocá-los no ar pra vocês. Abaixo um top 10:

1) Milo Manara: Poeta pornógrafo dos quadrinhos eróticos
2) 5 sons pioneiros do rap nacional
3) 10 bandas clássicas do heavy metal brasileiro – anos 80
4) Maiores maconheiros da ficção
5) Famosas Nuas – Poesia
6) Tempest Storm e Bettie Page – Musas Pin Ups
7) 10 músicas clássicas do rap nacional
8) 10 livros que mudaram minha vida
9) Brody Dalle – Musas Rock ‘n’ Roll
10) Melhores baixistas do heavy metal

Desenho do mestre Milo Manara

 

Chiquinha – Quadrinista se destaca em meio dominado por homens

Agora na nossa seção artística de quinta-feira, você também confere o trabalho de jovens quadrinistas

Uma das poucas mulheres a se destacar nos quadrinhos nacionais, Fabiene Bento, mais conhecida como Chiquinha (Porto Alegre, 1984) publica seus trabalhos na Mad,  na Folhateen e na Sexy Premium. Um de seus hábitos prediletos é escrachar as atitudes dos nossos pobres jovens. Confira mais do trabalho dela aqui!

Veja também:
– Daniel Lafayette vê os colegas de trabalho.
-Chiclete com Banana: o clássico anárquico do Angeli
-Ódio:  Versão HQ do grunge
-Aline Crumb: musa com cérebro  

ZAP Comix – Robert Crumb, Gilbert Shelton e outros

Ele (Crumb falou com todo mundo , e teve culhões para fazer esse gibis. Reinventou o gibi. Ele tomou isso como outros de sua geração tomaram a música. Existem poucas pessoas que você pode dizer que literalmente se tornaram o ponto de partida para todo um mundo. Crumb teve a grande visão, a visão ardente”. Bill Griffith, colaborador da Zap Comix!

Capa da edição brasileira da Zap Comix

 

Os beats já eram homens maduros quando o Flower Power explodiu no final dos loucos anos 60. Os hippies ainda eram muito ingênuos pra escrever seus livros na mesma época. Enquanto Jimi Hendrix tacava fogo na guitarra, Timothy Leary pregava a expansão da mente através do LSD e Zé Celso revolucionava o teatro no Oficina, quem escrevia a literatura daquela geração desbundada? Os livros eram o registro em papel daqueles ecos lisérgicos?

Não. A literatura não era apenas a poesia dos velhos (e bons) beats. Ela era composta pelas resenhas musicais de caras como Lester Bangs e pelos rabiscos malucos de quadrinistas underground como o gênio Robert Crumb. Crumb era só um desenhista de cartões postais, vindo de uma família desajustada e com gosto por músicas e roupas antigas, quando começou a fazer seus primeiros quadrinhos. Não é o tipo de gente que você imagina que seria chamado para desenhar a clássica capa de “Cheap Thrills” da Janis e que depois se negaria a desenhar uma para os Stones. Mas lá vai nosso nerd, vindo de Cleveland para desenhar sozinho o número zero da Zap Comix. As ruas da Califórnias estavam prontas para aquele petardo? Bom, acontece que o cara que deveria imprimir a ZAP sumiu do mapa com os originais e lá foi Crumb desenhar a edição número 1 inteira, sozinho novamente, e revolucionar a indústria dos quadrinhos. Desde a Mad original não se via tamanha afronta. Sexo, drogas, nonsense, gírias. Tudo fazendo rir. Críticas sociais, morais, e culturais que vinham em formato de humor sacana e barato. Edições tiradas em impressoras off set baratas que estavam revolucionando a indústria. E distribuídas inicialmente no carrinho de bebê da mulher de Crumb.

Começo da polêmica e incestuosa HQ "Joe Blow"

E outros artistas foram se unindo a Crumb. Cada um representando uma subcultura. Spain Rodriguez (operário membro de uma gnague latina), Rick Griffin (surfista e ilustrador), Robertt Williams (marginalzinho e aspirante a artista), Victor Moscoso (espanhol que já tinha experiência na indústria de HQs), Gilbert Shelton (dividia o tempo entre uma gangue de motoqueiros e uma revista underground), Siclay Wilson (cursava Belas Artes e servia o exército a contragosto). Aos poucos aquela gangue de surfistas, hippies, latinos e freakies ia ligando suas histórias na tomada e eletrocutando os leitores. A Zap não tinha periodicidade fixa, mas vendia surpreendentemente bem. Dizia-se até que ela iria matar Super-Homem e Cia.

Crumb, o gênio tarado

A coletânea publicada no Brasil pela Conrad reúne 14 números publicados entre 1967 e 1998. É um delicioso aperitivo para quem quer se introduzir no mundo da ZAP. Conta ainda com uma primorosa introdução escrita por Rogério de Campos, o homem por trás da Conrad. E uma experiência inspiradora de produção independente que ajudou a subverter e transformar a indústria que a rodeava.

Zap foi o start. Mas a coisa teria acontecido mesmo sem o Crumb, porque todos os artistas underground estavam caminhando nessa direção – Griffin, Mouse, Kelley, eu no sul da Califórnia, Gilbert Shelton. Havia um grande ódio contra a autoridade e o governo, e os quadrinhos eram uma tremenda forma de expressão”, Robert Williams.

Leia também:
-Chiclete com Banana: Angeli cria um hit underground dos quadrinhos
-Ódio:  Versão HQ do grunge

Crumb, Terry Zwigoff

Sexta-feira: trailers, vídeos e besteirol na TV Punk Brega

Uma breve história da América – Trecho do filme “Crumb”

Esqueça a imagem de um hippie doidão chefiando a psicodélica HQ “Zap Comix” nos loucos anos 60. Crumb era um jovem feio e esquisito, espancado pelo pai (que quebrou sua clavícula quando ele era um moleque de 5 anos), criado por uma mãe viciada em anfetaminas e rodeado de dois irmãos malucos – um que se suicidaria um ano depois das gravações do filme e outro pego molestando mulheres asiáticas. Desse ambiente fantasmagórico, que se parece uma versão de comercial de margarina estrelada por zumbis é que sai o gênio dos quadrinhos Robert Crumb. E – supresa geral – um gênio dos quadrinhos de HUMOR.

Sempre me perguntei o que tinha levado o quadrinista a ilustrar o livro póstumo do Bukowski – “O Capitão saiu e os marinheiros tomaram conta do navio”. Depois de ver este documentário não restaram dúvidas. A infância dos dois, tão similar em sua série de desgraças, a arte usada como fuga, a relação complicada com as mulheres e a sensação de impotência diante delas convertida em fantasias de dominação…  A história desses dois perdedores parece uma trágica repetição.

Produzido por David Lynch e dirigido por Terry Zwigoff, “Crumb”, de 1994, detalha a infância e adolescência e escancara as taras sexuais do pai de “Fritz, the Cat” e “Mr Natural”. Sua vida em família é mostrada, suas obras analisadas por críticos e trechos dos quadrinhos expostos. Também são exibidas diversas cenas do processo de trabalho do artista que converteu o “Gênesis” para os quadrinhos.

Reconsidere seu conceito de humor negro ao ver Robert contando aos risos que seu irmão confessou ter se controlado na infância para não lhe enfiar uma faca no coração. (Isso com o irmão chapado de antidepressivos na sua frente.)

Crumb: um nerd obcecado por mulheres voluptuosas

-Mais sobre quadrinhos

Duas HQs eróticas que as mulheres têm que ler

-Galeria de Pin Ups
-Leia resenha de quadrinhos eróticos em 20 palavras

1) “Giovanna“, Giovanna Casotto:

2)”Omaha” – A Stripper, Reed Waller e Kate Worley

Dia dos namorados chegando e, quem sabe, esse não pode ser um bom presente para sua namorada “descolada”…

Giovana e Omaha tem uma coisa que “Sex and the City” e as músicas do Chico Buarque possuem: aquela tal “compreensão da alma feminina” que toda mulher adora. Não à toa, ambos os quadrinhos têm autoras envolvidas. E ninguém melhor para escrever sobre sexo para mulheres do que uma mulher.

Giovana traz vários contos com fantasias femininas estreladas por italianas voluptosas que não lembram em nada as modelos anoréxicas que vemos nos propagandas ou novelas. A autora tira fotos dela mesma, nas mais variadas posições, e depois as usa como molde para suas personagens.

Omaha é uma gata(literalmente) criada por Reed Walker, mas cujas histórias são escritas pela sua esposa(na época) Kate Worley. Ela vem do interior dos EUA e se tona stripper e modelo para ganhar a vida. O álbum da Conrad é organizado por ordem cronológica e as histórias de Omaha são menos explícitas que as de Giovanna, mais “românticas”, lembrando um seriado como o já citado “Sex and the City“, só que bem mais “Sex” do que “City”.

Compre:
-Omaha, a Stripper
-Visons of Giovanna

 

“Ódio” de Peter Bagge é o quadrinho que retratou a geração grunge

(Resenha originalmente publicada nos sites Zine Kaos e The Watchtower, 2003.)

Fede a Espírito Adolescente!!!
Quadrinhos grunges dão voz a geração perdida dos anos 90
Capa do coletânea "Ódio" publicada pela Via Lettera

Capa do coletânea “Ódio” publicada pela Via Lettera

por Fred Di Giacomo, eu mesmo

Literatura pop e listas dos 5 mais, sebos e vinis, garotas e álcool, estilo de vida rock n’ roll vivido por “adolescentes” de 32 anos e ódio. Os quadrinhos de Peter Bagge foram o maior sucesso da editora Fantagraphics e caíram nas graças de uma geração de losers fãs de rock independente, que viviam à base de subemprego e cerveja barata. Seu ícone seria o anti-herói Buddy Bradley rodeado por seus amigos freakies Funtum, George, Valerie (a namorada ninfomaníaca) e sua ex, Lisa . Buddy e o Ódio tiveram um significado semelhante para a geração de Seattle ao da revista Chiclete com Banana e do personagem Bob Cuspe, do quadrinista Angeli, para o punk tupiniquim.

Tudo cheira a vida real nas páginas de Ódio, seus traços exagerados, acentuando as expressões dos personagens, são influência do pai dos quadrinhos underground americano, Crumb, e sua narrativa ácida, mesclando escatologia com sacadas inteligentes, retrata fielmente o cotidiano dos jovens que como eu e você viveram os anos 90. As festas, os diálogos, as crises de relacionamento tudo leva a crer que o nanquim da caneta foi substituído por sangue humano, o cheiro de “pisicotrópicos”, fumaça de cigarro e cerveja é o mesmo das festas de repúblicas universitárias. As ambições de Bradley e seu amigo Funtum não são lá grande coisa. Bradley trabalha num sebo e Funtum vive de “bicos” , os dois sonham em ter um fanzine, mas mal conseguem decidir se irão escrever sobre rock ou sobre quadrinhos. Todo jovem envolvido com a “cultura alternativa” vai encontrar algum traço de sua vida na ponta da caneta de Peter Bagge.

Peter Bagge

A crítica se torna mais séria quando entram em cena os irmãos de Buddy: Butch e Babs (ele um jovem fascista americano e ela uma mãe solteira, convertida em fundamentalista cristã), e ai Bagge destila todo seu sarcasmo e ódio contra a sociedade americana. Desse sarcasmo não escapam ninguém, nem os pseudo-intelectuais como George, colega de Bradley, “um negro que não curte rap”, nem os integrantes da cena alternativa, nem mesmo o próprio autor, alter-ego de Buddy Braldley, retratado na última história do álbum , uma viagem surreal onde ele reflete sobre os caminhos de sua obra rumo a um apelo mais comercial e pop. Peter diz que não participou ativamente da cena grunge por já ter mais de 30 anos na época e “não gostar do cheiro de cigarro nos clubes de rock”, mas foi amigo de alguns dos principais participantes, tendo desenhado uma capa para a banda TAD. Antes de morar na Seattle do grunge, Bagge morou na Nova York do início dos anos 80 época do Punk e da New Wave.

Ódio foi publicado aqui pela Via Lettera, editora do veterano tradutor Jotapê Martins, em 2001 num álbum com 6 histórias longas e mais três curtas. Nos Estados Unidos, após uma crise semelhante a do já citado Angeli com a personagem Rê Bordosa, o autor resolveu “matar” a revista Hate (criada em 1990), transformando-a numa publicação anual, para não limitar sua arte a esses personagens e procurar novos rumos. Por trás de todo oba-oba em cima de seu parentesco com o grunge, de baixo da camiseta de flanela por fora da calça, o all star e o cabelo desgrenhado de Peter Bagge, Ódio tem como principal qualidade o fato de ser um retrato fiel e sem firulas de seu tempo. Uma fotografia do principal personagem da tragédia humana : o homem comum.

Fred Di Giacomo, 07/11/03
Leia também:

 

Quadrinhos eróticos – 20 palavras

-Galeria de Pin Ups
-Duas HQ’s eróticas que as mulheres precisam ler



Clic, Giovanna, Espinafre de Yukiko, Bórgia e a Metamorfose de Lucius

Texto: Fred Di Giacomo.
Montagem:
Marco Moreira

-Clic



Milo Manara
Ed. Conrad
Um aparelho controla a libido de Claudia, dama da alta sociedade sexualmente reprimida, e a leva a cometer loucuras sexuais.

-Giovanna

Cenas do álbum "Giovanna"


Giovanna Casotto
Ed. Conrad
Giovanna é uma desenhista italiana gostosona que usa seus auto-retratos
como inspiração para seus dez contos eróticos com fantasias femininas.

-O Espinafre de Yukiko
Frédéric Boilet
Ed. Conrad
Francês se apaixona pela japinha gata Yukiko. Ela não dá bola, mas deixa-o transformá-la em musa de seus desenhos picantes.

-Bórgia
Alejandro Jodorowsky & Milo Manara
Ed. Conrad
Uma família metida em luxúria, incesto, assassinatos e conspirações, liderada pelo corrupto papa Alexandre VI, pai da belíssima Lucrécia Bórgia.

-A Metamorfose de Lucius



Milo Manara
Ed. Pixel
Versão de Manara para a clássica história do garoto que vira asno: erotismo, belas cenas de sexo e gatas nuas.

*Matéria originalmente publicada no site da revista Mundo Estranho

Veja também:
-Chiclete com Banana: o clássico anárquico do Angeli
-Ódio:  Versão HQ do grunge
-Aline Crumb: musa com cérebro Veja também:
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-Mulheres que amamos

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