Punk 77: Conheça Eddie and the Hot Rods e ouça “Teenage Depresion Again” e “Do Anything You Wanna Do”

Eddie and the Hot Rods: mistura de pub rock e punk

Teenage Depression Again
Eddie and the Hot Rods é uma banda mais velha que a maioria dos nossos coleguinhas do punk inglês 77. Por quê? Na verdade, porque essa banda de Essex, formada em 1975, é classificada como pub rock, o som garageiro que se fazia em Londres antes dos ingleses descobrirem os Ramones. A proposta era a mesma do punk rock: dar um chute na bunda do progressivo e voltar ao som básico dos anos 50/60. Entre outras bandas que fariam sucesso na primeira leva do punk, e também ganharam a classifição de pub rock, estão os Stranglers e UK Subs. O The 101’ers de Joe Strummer(The Clash) também era pub rock.

A banda teve origem no grupo Buckshee, formado 1973. Mudaram de nome em 1975 e passaram por diversas alterações na formação(inclusive a saída do próprio Eddie, que dá nome à banda) até se firmarem com Barrie Masters(voz), Paul Gray(baixo), Dave Higgs(guitarra)e Steve Nicol(bateria). Lançaram o primeiro álbum, “Teenage Depression”, em 1976, emplancando a faixa título – que também foi incluída na trilha sonora do clássico B, estrelado pelos Ramones, “Rock ‘n’ Roll High School”. A estréia dos caras também conta com a versão de “The Kids Are Alright”, do Who.

-Sabia que o baixista Paul Gray tocou no The Damned? Conheça essa outra banda clássica do 77 inglês

O maior hit da banda foi a popzinha “Do Anything You Wanna Do”, de 1977, que ficou em nono lugar nas paradas britânicas. A banda acabou duas vezes, e está na ativa até hoje. O som dos caras é mais rock ‘n’ roll que a maioria de seus contemporâneos – mais agressivos- lembrando o mod de Kinks e o já citado The Who.

Veja também:
– Mais sobre punk rock 

– Saiba porque o primeiro disco do Ramones mudou o mundo

 

Em entrevista, João Gordo – do Ratos de Porão – fala sobre o sucesso, rap nacional, drogas e a cena punk atual

Se eu tinha um objetivo nos idos de 2003, quando tocava o Zine Kaos com meu irmão e o amigo TiTi Montanari, esse era entrevistar João Gordo – vocalista do Ratos de Porão e VJ da Mtv. Gordo ainda não tinha assinado contrato com a emissora do Bispo, mas era alvo de críticas de anarcopunks e dadosdollabelas da vida. Foi uma das melhores entrevistas por e-mail que eu fiz.

***

O Ratos de Porão nos tempos do clássico disco "Descanse em Paz"

– João Gordo comenta polêmica com Los Hermanos

Apesar dos vários problemas de saúde e das constantes críticas ao seu trabalho de VJ na MTV, João Gordo continua com seu espírito crítico e debochado. Vocalista de uma das maiores bandas do punk brasileiro, o Ratos de Porão, o músico destilou em entrevista concedida por e-mail no dia 24 de março de 2003 comentários mordazes que escarram em alvos desde a cena punk paulista até a atual guerra no Iraque.

por Fred Di Giacomo

O Ratos de Porão é talvez a banda mais perseguida pelos auto-intitulados “anarco-punks”, o que vocês acham desse patrulhamento ideológico? Tem hora que a “cena”
enche o saco?
João Gordo Perseguida? Perseguida nada …. Não me sinto perseguido… Op rotestinho desses caras é tão insignificante que nunca causou efeito nenhum. Estou na estrada pondo minha cara pra bater há mais de 20 anos e sempre vi gerações e mais gerações de idiotas aparecer e sumir. Moleques que nos criticam hoje serão absorvidos pelo sistema de amanhã. Hoje anarco, amanhã casado, P.M., pai de família, crente, soro positivo, etc.

Como rolou essa volta no “Onisciente Coletivo” ao som mais trash com letras politizadas?
João Gordo Bem, pra fazer esse disco foi mó embaço, tivemos vários problemas, tocamos pra caralho e quando desencantou saiu tudo de uma vez. Não planejamos “o grande retorno ao trashcore” saiu tudo naturalmente… As letras também, não forçamos barra nenhuma para parecer politizados.

Dá pra perceber pelas letras do último cd que o atentado ao World Trade Center marcou bastante a banda, o que vocês pensam a respeito do ataque e da atual possibilidade de guerra entre Estados Unidos e Iraque?
João Gordo  O plano dos cowboys republicanos do Texas esta dando certo, Bush está conquistando o mundo e usaram o 11 de setembro como pretexto para iniciar a sua doutrina fascista de imperialismo radical. Quem será o próximo? A Coréia do Norte? O Brasil? Vale lembrar que os caras só metem o bedelho onde há interesse econômico. A Coréia do Norte não tem porra nenhuma e nós temos a Amazônia .

O que vocês têm ouvido atualmente? Tem alguma banda nova com a qual vocês se identificam?
Tenho ouvido uma pá de bagaceira tipoLimpwrist que é uma banda sex gay do ex-vocalista dos Los Crudos, fudido, velha escola de primeira, Asesino disco solo do guitarrista do Brujeria (leia-se Dino Cezares). Detão dos infernos as vezes lembra ratos. World Burns To Death crustão desgraçado dos U.S.A. parece que os caras tão tocando por aqui…. Sem contar as bandas nacionais como Descarga, Presto? Mukeka di Rato, Forgotten Boys, muito punk antigo e rock pauleira dos anos 70, yeah!

Gordo, todo mundo sabe que você é um grande fã de rap. Você acha que o hip hop brasileiro foi o “punk” dos anos 90? Como você vê o movimento hoje em dia?
Olha, eu nunca vi nada de construtivo feito pelos punks de SP em toda minha vida a não ser violência gratuita, inveja, despeito, hipocrisia, fascismo… Pode até ter caras legais e bem intencionados por aí com boas idéias e o caralho, mas é a minoria … Nos anos 90 tudo aquilo de contestação revolta que vinha da periferia foi agitado pelos manos do rap com um movimento forte e o objetivo social voltado contra o racismo e melhorias na comunidade onde eles vivem. Pode se dizer que o rap salvou muito carinha

por aí.

Há possibilidade do lançamento do Split com o Cólera e de uma edição nacional do “Sistemados pelo Crucifa”?
O Split com o Cólera é um disco raríssimo, que o charme dele é ser fora de catálogo… Prefiro ele difícil assim mesmo. O “Sistemados pelo Crucifa” em abril estará nas bancas com uma revista colorida com pôster gigante do Ratos. Era pra ter saído em 2000, mas ce tá ligado que sempre pinta um embaço.

Recentemente o RDP excursionou com a formação original (Jão, Betinho e Jabá), de onde veio essa idéia? Vocês ainda mantém contato com todos os ex-membros do Ratos?
Estamos parados desde agosto do ano passado quando fiquei doente com problemas de obesidade…

Então os caras cada um foi fazer alguma coisa, enquanto eu me tratava. O Boka foi tocar bagaceira no I Shot Cyrus, o Fralda foi tocar no Forgotten Boys e o Jão montou o Ratos original pra ganhar um pixo com os caras que são camaradas lá da vila Piauí. O RDP monstro volta em junho para lançar o “Onisciente Coletivo” por aí.

Como andam Sexo Drogas e Rock N’ Roll na vida do RDP? Os problemas de saúde mudaram sua opinião sobre as drogas?
Não uso mais porra nenhuma e estou bem melhor assim . Sem drogas o sexo e o rock`n roll fluem bem melhor.

Cara, agora voltando um pouco no tempo. A entrada do Boka mudou o som da banda? Porque o cara realmente é o melhor batera de hardcore do Brasil… O Spaghetti saiu tretado com vocês? 
O Boka já toca com agente á 12 anos ele é foda, uma máquina de hardcore. Ele é a mola mestra da “fudidês” do Ratos. Nunca mais vi o Spagheti….

Dá pra comparar a cena punk dos anos 80 com a “cena” punk atual? A qualidade das primeiras bandas era bem mais precária, os instrumentos eram todos vagabundos, mas o punk era bem mais forte (pelo menos em São Paulo)
Era tosco mas era verdadeiro. Havia romantismo porque era tudo era mais difícil, era época da ditadura e a repressão da policia era foda. Hoje em dia é o mó boi, tá tudo aí mastigadinho na internet .

Como foi transformar-se de mais um punk fodido de SP num dos mais populares VJ’s da MTv, apresentador de alguns dos maiores sucessos de audiência do canal? Como o resto da banda lida com isso? Às vezes você não se cansa dos jornalistas te procurarem mais pra falar da sua vida que do Ratos?
Eu estou cagando pro trabalho na MTV. Como você que trabalha na Ford ou em qualquer outra multinacional, para mim é apenas um trampo que pintou mais nada…. Como não sou trouxa agarrei, mas veja bem, não tive que mudar um milímetro para conquistar esse espaço e querendo ou não nunca deixei de dar força ao underground. Se não pode derrotá-los, junte-se a eles e comece uma infecção…

O sucesso te incomoda?
Sim, mas incomoda mais outras pessoas.

Agora as infames questões rápidas. O que vocês pensam a respeito de:
a)”Cena PunkPrefiro falar sobre cena underground…..
b)Legalização da Maconha Sou contra . Só ia beneficiar as companhias de tabaco.
c)Rock Nacional Farsa comercial 
d)Assassinato do Sabotage Chorei…

Vale a pena fazer rock n’ roll no Brasil?
João Gordo – Não.

Veja também:

-Leia resenha sobre o primeiro disco dos Garotos Podres, “Mais podres do que nunca”

-As melhores frases punk

-Entrevista com a banda punk Garotos Podres

 

Apoiados por Banksy e presos sob falsas acusações, grupo Voina (de artistas anarquistas russos) explica suas ideias

Quem acredita na liberdade de expressão acredita que as pessoas têm o direito de falarem o que quiserem (contanto que não estejam pregando a morte de outras pessoas, claro). Obviamente, você não precisa concordar com o que é dito. Aparentemente, o governo russo não acredita na liberdade de expressão. Pelo menos é o que parece quando ele permite que radicais conservadores espanquem homossexuais que imploravam pelo direito de organizar uma Parada Gay.

Ações violentas como essa, inspiraram jovens artistas russos a criarem um grupo conhecido como Voina (guerra em russo) com performances provocativas (como grafitar um pênis gigante em frente à antiga sede da KGB, a polícia secreta russa). Agora dois dos líderes do grupo estão presos e outros dois se escondem da polícia russa. Um dos perseguidos teve os avós presos pelo ditador Stálin e outros parentes confinados em campos de concentração nazista. É triste como a história se repete como tragédia.

Banksy, um dos maiores artistas da atualidade, tem doado o dinheiro da venda de suas obras para ajudar o grupo. Vale lembrar que também estão na cadeia russa integrantes do grupo punk feminista Pussy Riot. Os artistas do grupo deram uma entrevista interessante para o site “Don’t Panic”, na qual explicam suas ideias.

Independente de gostar ou não das performances radicais do grupo Voina, eu espero que eles possam continuar a expressar sua opinião em forma de arte.

Como Margaret Thatcher matou o punk

Interessante o artigo publicado hoje (08/04) sobre a dama de ferro (que acaba de bater as botas) e a cena cultural londrina. Um trecho bacana:

“Antes de Thatcher, era comum haver grupos de punk e de artistas de vanguarda de classes mais baixas. Ela pôs fim a isso. No sistema capitalista e individualista que implementou, a arte tinha de dar dinheiro.” Para a jornalista, o brit-pop e a gêneros mais comerciais, como a acid house, viraram coisa de classe média ou alta e os jovens com menos recursos foram alijados do cenário.

“Se formos ver com os olhos de hoje, o punk foi um gênero que atingiu diretamente muito pouca gente em números absolutos. Depois dele viriam essas raves para multidões, o pop comercial”, explica. Para ela, Thatcher acabou com o espaço para manifestações mais alternativas. “O mal que ela fez está aí até hoje e deve perdurar por muito tempo”, conclui.


Leia a íntegra aqui

3 punk rocks para estragar o seu Natal – Hey, Ho! Ho, ho, ho!

Em homenagem a você, rebelde juvenil fã de rock n’ roll, eu estou trabalhando de madrugada para colocar esse post de final do ano no ar. São três porradas do cancioneiro punk para estragar a festa de Natal-Ano-Novo-Ação-de-Graças da sua família. Faça bom proveito!

“Merry Christmas (I don’t want to fight tonight)” – Ramones
Terceiro single do genial disco “Brain Drain” dos Ramones, foi regravada pelos Raimundos no disco “Cesta Básica” de 1996. Traz um belo vocal do Joey Ramone que não queria brigar com a namorada no aniversário de Jesus 🙂

“Papai Noel, Velho Batuta” – Garotos Podres

Maior clássico dos Garotos Podres e, talvez, a música mais conhecida do punk nacional, “Papai Noel, Velho Batuta” foi lançada no primeiro disco da banda de Mauá, em 1985. O álbum “Mais podres do que nunca” vendeu muito puxado por “Papai Noel” e “Anarquia Oi!”, mas teve várias músicas censuradas, entre elas “Papai Noel” que deixou de ser xingado de “filho da puta” na gravação original para ser chamado de “velho batuta”.

“Infeliz Natal” – Raimundos
“Infeliz Natal” é uma música originalmente composta e tocada pela primeira banda do Digão, a “Filhos de Mengele”. Rodolfo, na época, era roadie e fã do grupo. O punk rock foi desenterrado para o lançamento especial “Cesta Básica” que incluía covers, gravações ao vivo e algumas inéditas.

Punk inglês 77: Conheça o Sham 69, pais da música Oi!, e ouça “If the kids are united”

Assista “If The Kids Are United”

Foi com a geração 77 do punk britânico que surgiu também o “street punk” ou “oi! music”, cujos pais biológicos são os caras do Sham 69. Jimmy Pursey(vocal), Dave Parsons(guitarra),Rick Goldstein(bateria) e Dave Treganna(baixo) compunham a formação clássica da banda, fundada em Hersham, Surrey, em 1976.

É engraçado ver Jimmy cantando com garotinhos saudáveis em um programa de auditório(acima), enquanto nos shows do Sham, punks e skinheads quebravam o pau. O quarteto encerrou suas atividades em 1980.

Questions and Answers

Veja também:

-Entrevista excrusiva com os Garotos Podres
-Por que o primeiro disco dos Ramones é um marco?

Punk inglês 77: Conheça a banda “Crass” e ouça “Where is the Next Columbus”

 

-Conheça o U.K. Subs

Where Next Columbus

Estou fazendo uma pesquisa para escrever a resenha do primeiro disco da banda baiana Camisa de Vênus. E não é que achei mais uma “versão” não creditada de punk inglês no disco? Dessa vez, Marceleza deu uma “chupadinha” na letra de “Where Next Columbus” dos anarcopunks 77 do Crass. Confira a letra no final do post. Mas antes, um pouco mais de história, na nossa série “punk 77 inglês”:

-Confira mais bandas da safra 77 britânica

The Crass

Os caras do Crass foram responsáveis por criar o que se chamou de Anarcopunk, uma forma de punk muito mais política que o “anarchy in UK pra chocar velhinhas” dos Pistols e mesmo o rock de esquerda do Clash. Na experiência do Crass tudo era levado mais ao extremo: as letras, as músicas (com experiências de colagens sonoras, poesia e vários vocalistas) e o estilo de vida. A banda surgiu numa casa comunitária chamada Dial House a partir de jams entre Penny Rimbaud e do, fã de Clash, Steve Ignorant. O grupo que já vivia no esquema “Do it yourself”, se empolgou com os primeiros punks e sentiu-se acolhido por aquela cena que explodia em Londres. O ano era, obviamente, 1977. Pelas fileiras do Crass passaram além de Penny e Ignorant: Gee Vaucher, N. A. Palmer, Phil Free, Pete Wright, Eve Libertine, Joy De Vivre, Mick Duffield, John Loder e Steve Herman. Os shows no começo eram toscos e mal tocados e as únicas pessoas na platéia eram os integrantes do UK Subs, que iam se apresentar logo depois do Crass. Com o passar do tempo, a banda adotou uniformes pretos(segundo eles para que ninguém fosse “o líder” e todos integrantes tivesse importância igual) e a performance se elaborou com experimentos com vídeos sendo exibidos, enquanto tocavam. O coletivo chegou ao fim em 1984, já desiludido e crítico em relação às outras bandas da cena.

Confira a letra de “Where Next Columbus?”

Anothers hope, anothers game
Anothers loss, anothers gain
Anothers lies, anothers truth
Anothers doubt, anothers proof
Anothers left, anothers right
Anothers peace, anothers fight
Anothers name, anothers aim
Anothers fall, anothers fame
Anothers pride, anothers shame
Anothers love, anothers pain
Anothers hope, anothers game
Anothers loss, anothers gain
Anothers lies, anothers truth
Anothers doubt, anothers proof
Anothers left, anothers right
Anothers peace, anothers fight
Marx had an idea from the confusion of his head
Then there were a thousand more waiting to be led
The books are sold, the quotes are bought
You learn them well and then you’re caught
Anothers left, anothers right
Anothers peace, anothers fight
Mussolini had ideas from the confusion of his heart
Then there were a thousand more waiting to play their part
The stage was set, the costumes worn
And another empire of destruction born
Anothers name, anothers aim
Anothers fall, anothers fame
Jung had an idea from the confusion of his dream
Then there were a thousand more waiting to be seen
You’re not yourself, the theory says
But I can help, your complex pays
Anothers hope, anothers game
Anothers loss, anothers gain
Satre had an idea from the confusion of his brain
Then there were a thousand more indulging in his pain
Revelling in isolation and existential choice
Can you truly be alone when you use anothers voice?
Anothers lies, anothers truth
Anothers doubt, anothers proof
The idea born in someones mind
Is nurtured by a thousand blind
Anonymous beings, vacuous souls
Do you fear the confusion, your lack of control?
You lift your arm to write a name
So caught up in the identity game
Who do you see? Who do you watch?
Who’s your leader? Which is your flock?
Who do you watch? Who do you watch?
Who’s your leader? Which is your flock?
Einstein had an idea from the confusion of his knowledge
Then there were a thousand more turning to advantage
They realised that their god was dead
So they reclaimed power through the bomb instead
Anothers code, anothers brain
They’ll shower us all in deadly rain
Jesus had an idea from the confusion of his soul
Then there were a thousand more waiting to take control
The guilt is sold, forgiveness bought
The cross is there as your reward
Anothers love, anothers pain
Anothers pride, anothers shame
Do you watch at a distance from the side you have chosen?
Whose answers serve you best? Who’ll save you from confusion?
Who will leave you an exit and a comfortable cover
Who will take you oh so near the edge, but never drop you over?
Who do you watch

Veja também:
– “Ramones” o disco que inventou o punk

“Ramones” – Ramones, 1976

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-Conheça algumas bandas do punk 77 inglês
-Já leu poesia punk?

Para a revista Rolling Stone ele é o 33º melhor disco da história. Para qualquer moleque de calça rasgada e all star ele é seu motivo de existir. Uma dos pedaços de vinil mais influentes da música pop. Sua duração é de 29:04s. Seu custo total de produção foram míseros $ 6400, numa época onde, segundo o próprio Joey Ramone no livro “Mate-me, por favor”, gastava-se meio milhão para produzir um álbum. E esse não era qualquer álbum; ele criou o punk, revolucionou o rock do final dos anos 70 e deu origem a centenas de bandas. Dos Sex Pistols ao Metallica, do Red Hot Chili Peppers aos Ratos de Porão, a influência do primeiro disco dos quatro magrelos de Nova York foi devastadora.

É difícil explicar hoje a importância desse amontoado de 3 acordes tocado com velocidade e paixão, sem riffs difíceis, solos de guitarra ou viradas de bateria. Aqui no Brasil, seria como se os Racionais Mc’s tivessem um som tão agressivo quanto o Sepultura e criassem, em seu primeiro disco, a Bossa Nova ou a Tropicália. Estávamos nos Estados Unidos, em 1974. O que existia de mais agressivo no rock era o som de MC5, Stooges e New York Dolls. As três bandas tinham um sucesso mediano, mais undeground, e seu som era uma transição do hard rock para o que se chamou punk. O que mais lembrava o que os Ramones viriam a fazer era o primeiro (e cru) disco dos Stooges. Mas nesse, você encontra uma música de mais de dez minutos (“We Will Fall”) e aqui a música mais comprida tem 2:39s(“I don’t Wanna Go Down to The Basement”). E as rádios? Eram dominadas pelo progressivo de Yes e Genesis, pelo hard rock virtuoso de Led Zeppelin e pela discoteca do saltitante John Travolta. O sonho hippie tinha acabado, os Beatles também. A América Latina, o leste Europeu e grande parte da Ásia viviam sob ditaduras. O mundo em constante ameaça atômica era uma ressaca claustrofóbica.

Blietzkrieg bop

A primeira coisa que chama a atenção no disco é a capa. Quatro cabeludos, com jaquetas de couro pretas – como as de Marlon Brando e James Dean – calças rasgadas, tênis surrados e caras desafiadoras estão encostados numa parede pichada. Eles parecem te provocar, loucos pra te dar uma porrada. A única coisa escrita lá é o nome da banda “Ramones” – uma referência ao nome que Paul Mccartney usava para se registrar em hotéis. O disco começa. A porrada vem em forma de grito de guerra. Hey ho let’s go. Um ataque relâmpago fala de blitzgrieg, estratégia militar que fez os nazistas dominarem metade da Europa no começo da Segunda Guerra Mundial. Ah, vale lembrar, o alemãozinho Dee Dee Ramone tem fascinação pelo nazismo. O desengonçado Joey Ramone – já internado em clínicas psiquiátricas – berra “espanque o moleque com um taco de beisebol”. Da onde vem tanta raiva? Dee Deefoge de uma família problemática, Johnny ralava como pedreiro. O lirismo se esconde nos backing vocals que fazem referência a grupos vocais dos anos 60. “I Wanna Be Your Boyfriend” quebra o clima, uma balada romântica já pavimenta o caminho que os Buzzcocks, e mais pra frente os emos, vão seguir. “Os punks também amam”. “Now I Wanna Sniff Some Glue” repete milhares de vezes a mesma frase. Os moleques entediados lá de “1969” de Iggy Pop agora gastam o tempo cheirando cola, arrumando brigas e fazendo barulhos com suas guitarras toscas, ou serras elétricas, em “Chain Saw”. A contagem para todo mundo entrar junto – que se tornou marca registrada do grupo – aparece pela primeira vez em “Listen To My Heart”. “1,2,3,4” grita Dee Dee, baixista e principal compositor. Ele vai voltar a urrar em uma das partes de “53rd and 3rd” uma das mais sérias e tristes do álbum. É sobre o tempo em que o músico ficava nas esquinas de Nova York fazendo michês. O disco ainda traz como destaque o cover “Let’s Dance”(e gravar clássicos do rock ‘n’ roll em versões cruas seria uma marca da banda) e “Today your Love, Tomorrow the World”.

Havana Affair/Listen To my Heart

-Entrevista com os Garotos Podres

Pronto, menos de meia-hora e a surra acabou. Aqueles punks saídos do filme “O Selvagem”(com Marlon Brando), que soavam como uma canção de Iggy Pop e queriam cantar como se fossem os Beach Boys devem estar cheirando cola em outro lugar. Seu álbum não fez nenhum sucesso nos EUA. Só foi bem recebido quando o quarteto excursionou pela Europa e influenciou meio mundo – Clash e Sex Pistos incluídos, dando origem ao movimento punk e todo hype em cima da coisa. Dessa árvore cairiam os frutos podres do hardcore, trash, crossover, grunge, emo e outros estilos musicais.

Era isso. Letras diretas sobre o cotidiano do mundo white trash – os brancos pobres e desajustados dos EUA. Som distorcido, rápido e sem firulas. Refrões fortes. Backing vocals melodiosos. E o rock nunca mais seria o mesmo.

Leia para saber mais:
“Mate-me, por favor”, “Legs” McNeil e Gilliam McCain
“Coração envenenado” – Dee Dee Ramne e Veronica Kofman

“Red Rose Bouquet” – Street Bulldogs

street-bulldogs-red-rose-bouquet

A cena independente brasileira sofre de Alzheimer. E é triste como ver seus avós esquecerem da família. A quantidade de informação sobre nosso underground na internet é pouca: vários blogs falando do atual sucesso de 15 minutos e raros fragmentos de história das bandas que já acabaram e tiveram alguma relevância.

Estava lembrando hoje do Street Bulldogs. A banda de hardcore melódico foi fundada em Pindamonhangaba (!!!), em 1994. Depois de ser reformulada em 1998 pelo seu vocalista e líder, Leonardo Kobbaz, eles estouraram na Mtv com a música “We Build Our Own Way”, usada numa vinheta do canal contra o preconceito aos portadores de HIV.

Em 2001, os caras lançaram um dos melhores discos da década, “Question Your Truth” com o hitzinho “Red Rose Bouquet” e também as ótimas “Tarde Demais”, “Remains Clear” e “Call Me At Home”. As guitarras eram trabalhadas em riffs melódicos, os refrões empolgantes e grudentos, as letras misturavam engajamento e lirismo. A arte do cd era impecável e, de bônus, você ganhava uma versão de Ramones e outra de Culture Club. É dessa época uma bela performance dos caras no programa Musikaos, da rede Cultura. A banda ainda lançou mais dois discos de estúdio – “Tornado Reaction” e “Unlucky Days” – antes de encerrar as atividades.

Veja também:
-Courtney Love nuazinha e com cara de má
-Vídeos rock ‘n’ roll
-6 discos para começar a ouvir jazz

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