Punk inglês 77: Conheça a banda “Crass” e ouça “Where is the Next Columbus”

-Conheça o U.K. Subs

Where Next Columbus

Estou fazendo uma pesquisa para escrever a resenha do primeiro disco da banda baiana Camisa de Vênus. E não é que achei mais uma “versão” não creditada de punk inglês no disco? Dessa vez, Marceleza deu uma “chupadinha” na letra de “Where Next Columbus” dos anarcopunks 77 do Crass. Confira a letra no final do post. Mas antes, um pouco mais de história, na nossa série “punk 77 inglês”:

-Confira mais bandas da safra 77 britânica

The Crass

Os caras do Crass foram responsáveis por criar o que se chamou de Anarcopunk, uma forma de punk muito mais política que o “anarchy in UK pra chocar velhinhas” dos Pistols e mesmo o rock de esquerda do Clash. Na experiência do Crass tudo era levado mais ao extremo: as letras, as músicas (com experiências de colagens sonoras, poesia e vários vocalistas) e o estilo de vida. A banda surgiu numa casa comunitária chamada Dial House a partir de jams entre Penny Rimbaud e do, fã de Clash, Steve Ignorant. O grupo que já vivia no esquema “Do it yourself”, se empolgou com os primeiros punks e sentiu-se acolhido por aquela cena que explodia em Londres. O ano era, obviamente, 1977. Pelas fileiras do Crass passaram além de Penny e Ignorant: Gee Vaucher, N. A. Palmer, Phil Free, Pete Wright, Eve Libertine, Joy De Vivre, Mick Duffield, John Loder e Steve Herman. Os shows no começo eram toscos e mal tocados e as únicas pessoas na platéia eram os integrantes do UK Subs, que iam se apresentar logo depois do Crass. Com o passar do tempo, a banda adotou uniformes pretos(segundo eles para que ninguém fosse “o líder” e todos integrantes tivesse importância igual) e a performance se elaborou com experimentos com vídeos sendo exibidos, enquanto tocavam. O coletivo chegou ao fim em 1984, já desiludido e crítico em relação às outras bandas da cena.

Confira a letra de “Where Next Columbus?”

Anothers hope, anothers game
Anothers loss, anothers gain
Anothers lies, anothers truth
Anothers doubt, anothers proof
Anothers left, anothers right
Anothers peace, anothers fight
Anothers name, anothers aim
Anothers fall, anothers fame
Anothers pride, anothers shame
Anothers love, anothers pain
Anothers hope, anothers game
Anothers loss, anothers gain
Anothers lies, anothers truth
Anothers doubt, anothers proof
Anothers left, anothers right
Anothers peace, anothers fight
Marx had an idea from the confusion of his head
Then there were a thousand more waiting to be led
The books are sold, the quotes are bought
You learn them well and then you’re caught
Anothers left, anothers right
Anothers peace, anothers fight
Mussolini had ideas from the confusion of his heart
Then there were a thousand more waiting to play their part
The stage was set, the costumes worn
And another empire of destruction born
Anothers name, anothers aim
Anothers fall, anothers fame
Jung had an idea from the confusion of his dream
Then there were a thousand more waiting to be seen
You’re not yourself, the theory says
But I can help, your complex pays
Anothers hope, anothers game
Anothers loss, anothers gain
Satre had an idea from the confusion of his brain
Then there were a thousand more indulging in his pain
Revelling in isolation and existential choice
Can you truly be alone when you use anothers voice?
Anothers lies, anothers truth
Anothers doubt, anothers proof
The idea born in someones mind
Is nurtured by a thousand blind
Anonymous beings, vacuous souls
Do you fear the confusion, your lack of control?
You lift your arm to write a name
So caught up in the identity game
Who do you see? Who do you watch?
Who’s your leader? Which is your flock?
Who do you watch? Who do you watch?
Who’s your leader? Which is your flock?
Einstein had an idea from the confusion of his knowledge
Then there were a thousand more turning to advantage
They realised that their god was dead
So they reclaimed power through the bomb instead
Anothers code, anothers brain
They’ll shower us all in deadly rain
Jesus had an idea from the confusion of his soul
Then there were a thousand more waiting to take control
The guilt is sold, forgiveness bought
The cross is there as your reward
Anothers love, anothers pain
Anothers pride, anothers shame
Do you watch at a distance from the side you have chosen?
Whose answers serve you best? Who’ll save you from confusion?
Who will leave you an exit and a comfortable cover
Who will take you oh so near the edge, but never drop you over?
Who do you watch

Veja também:
- “Ramones” o disco que inventou o punk

“Ramones” – Ramones, 1976

-Conheça algumas bandas do punk 77 inglês
-Já leu poesia punk?

Para a revista Rolling Stone ele é o 33º melhor disco da história. Para qualquer moleque de calça rasgada e all star ele é seu motivo de existir. Uma dos pedaços de vinil mais influentes da música pop. Sua duração é de 29:04s. Seu custo total de produção foram míseros $ 6400, numa época onde, segundo o próprio Joey Ramone no livro “Mate-me, por favor”, gastava-se meio milhão para produzir um álbum. E esse não era qualquer álbum; ele criou o punk, revolucionou o rock do final dos anos 70 e deu origem a centenas de bandas. Dos Sex Pistols ao Metallica, do Red Hot Chili Peppers aos Ratos de Porão, a influência do primeiro disco dos quatro magrelos de Nova York foi devastadora.

É difícil explicar hoje a importância desse amontoado de 3 acordes tocado com velocidade e paixão, sem riffs difíceis, solos de guitarra ou viradas de bateria. Aqui no Brasil, seria como se os Racionais Mc’s tivessem um som tão agressivo quanto o Sepultura e criassem, em seu primeiro disco, a Bossa Nova ou a Tropicália. Estávamos nos Estados Unidos, em 1974. O que existia de mais agressivo no rock era o som de MC5, Stooges e New York Dolls. As três bandas tinham um sucesso mediano, mais undeground, e seu som era uma transição do hard rock para o que se chamou punk. O que mais lembrava o que os Ramones viriam a fazer era o primeiro (e cru) disco dos Stooges. Mas nesse, você encontra uma música de mais de dez minutos (“We Will Fall”) e aqui a música mais comprida tem 2:39s(“I don’t Wanna Go Down to The Basement”). E as rádios? Eram dominadas pelo progressivo de Yes e Genesis, pelo hard rock virtuoso de Led Zeppelin e pela discoteca do saltitante John Travolta. O sonho hippie tinha acabado, os Beatles também. A América Latina, o leste Europeu e grande parte da Ásia viviam sob ditaduras. O mundo em constante ameaça atômica era uma ressaca claustrofóbica.

Blietzkrieg bop

A primeira coisa que chama a atenção no disco é a capa. Quatro cabeludos, com jaquetas de couro pretas – como as de Marlon Brando e James Dean – calças rasgadas, tênis surrados e caras desafiadoras estão encostados numa parede pichada. Eles parecem te provocar, loucos pra te dar uma porrada. A única coisa escrita lá é o nome da banda “Ramones” – uma referência ao nome que Paul Mccartney usava para se registrar em hotéis. O disco começa. A porrada vem em forma de grito de guerra. Hey ho let’s go. Um ataque relâmpago fala de blitzgrieg, estratégia militar que fez os nazistas dominarem metade da Europa no começo da Segunda Guerra Mundial. Ah, vale lembrar, o alemãozinho Dee Dee Ramone tem fascinação pelo nazismo. O desengonçado Joey Ramone – já internado em clínicas psiquiátricas – berra “espanque o moleque com um taco de beisebol”. Da onde vem tanta raiva? Dee Deefoge de uma família problemática, Johnny ralava como pedreiro. O lirismo se esconde nos backing vocals que fazem referência a grupos vocais dos anos 60. “I Wanna Be Your Boyfriend” quebra o clima, uma balada romântica já pavimenta o caminho que os Buzzcocks, e mais pra frente os emos, vão seguir. “Os punks também amam”. “Now I Wanna Sniff Some Glue” repete milhares de vezes a mesma frase. Os moleques entediados lá de “1969” de Iggy Pop agora gastam o tempo cheirando cola, arrumando brigas e fazendo barulhos com suas guitarras toscas, ou serras elétricas, em “Chain Saw”. A contagem para todo mundo entrar junto – que se tornou marca registrada do grupo – aparece pela primeira vez em “Listen To My Heart”. “1,2,3,4” grita Dee Dee, baixista e principal compositor. Ele vai voltar a urrar em uma das partes de “53rd and 3rd” uma das mais sérias e tristes do álbum. É sobre o tempo em que o músico ficava nas esquinas de Nova York fazendo michês. O disco ainda traz como destaque o cover “Let’s Dance”(e gravar clássicos do rock ‘n’ roll em versões cruas seria uma marca da banda) e “Today your Love, Tomorrow the World”.

Havana Affair/Listen To my Heart

-Entrevista com os Garotos Podres

Pronto, menos de meia-hora e a surra acabou. Aqueles punks saídos do filme “O Selvagem”(com Marlon Brando), que soavam como uma canção de Iggy Pop e queriam cantar como se fossem os Beach Boys devem estar cheirando cola em outro lugar. Seu álbum não fez nenhum sucesso nos EUA. Só foi bem recebido quando o quarteto excursionou pela Europa e influenciou meio mundo – Clash e Sex Pistos incluídos, dando origem ao movimento punk e todo hype em cima da coisa. Dessa árvore cairiam os frutos podres do hardcore, trash, crossover, grunge, emo e outros estilos musicais.

Era isso. Letras diretas sobre o cotidiano do mundo white trash – os brancos pobres e desajustados dos EUA. Som distorcido, rápido e sem firulas. Refrões fortes. Backing vocals melodiosos. E o rock nunca mais seria o mesmo.

Leia para saber mais:
“Mate-me, por favor”, “Legs” McNeil e Gilliam McCain
“Coração envenenado” – Dee Dee Ramne e Veronica Kofman

“Red Rose Bouquet” – Street Bulldogs

A cena independente brasileira sofre de Alzheimer. E é triste como ver seus avós esquecerem da família. A quantidade de informação sobre nosso underground na internet é pouca: vários blogs falando do atual sucesso de 15 minutos e raros fragmentos de história das bandas que já acabaram e tiveram alguma relevância.

Estava lembrando hoje do Street Bulldogs. A banda de hardcore melódico foi fundada em Pindamonhangaba (!!!), em 1994. Depois de ser reformulada em 1998 pelo seu vocalista e líder, Leonardo Kobbaz, eles estouraram na Mtv com a música “We Build Our Own Way”, usada numa vinheta do canal contra o preconceito aos portadores de HIV.

Em 2001, os caras lançaram um dos melhores discos da década, “Question Your Truth” com o hitzinho “Red Rose Bouquet” e também “Tarde Demais”, “Remains Clear” e “Call Me At Home”. As guitarras eram trabalhadas em riffs melódicos, os refrões empolgantes e grudentos, as letras misturavam engajamento e lirismo. A arte do cd era impecável, e de bônus você ganhava uma versão de Ramones e outra de Culture Club. É dessa época uma bela performance dos caras no programa Musikaos, da rede Cultura. A banda ainda lançou mais dois discos de estúdio – “Tornado Reaction” e “Unlucky Days” – antes de encerrar as atividades.

Veja também:
-Courtney Love nuazinha e com cara de má
-Vídeos rock ‘n’ roll
-6 discos para começar a ouvir jazz

Minha nova banda favorita: Surf Punks

Descobri pelo twitter do senhor João Gordo essa banda punk pop de Malibu e me apaixonei à primeira vista. As letras são engraçadas, o som é uma porrada chiclete e os vídeos são uma lindeza sem fim. Abaixo “Welcome to California”, apresentada em um programa de TV mais maluco que a banda. Os caras surgiram no final dos anos 70 e tocaram o terror pelos anos 80, num visual que me lembra muito o… TWISTED SISTER

-Mais sobre os caras em inglês
-Mais punk rock

O dia em que o poeta beat Allen Ginsberg virou cantor de punk rock

Que o escritor William S. Burroughs era ídolo junkie de metade dos punks 77 eu sabi. Mas, em minha pobre ignorância, nunca tinha ouvido falar que o poeta beat Allen Ginsberg tinha passado alguns anos encantado pelo punk rock, frequentara o CBGB’s e era conhecido do Joe Strummer (The Clash). Descobri no blog bacana Allen Ginsberg Project, que trouxe revelador sobre essa fase hardcore do escritor.  (Que também teve parcerias com Bob Dylan.)

Bom, então esse fica sendo nosso #somdesexta e voltamos semana que vem com mais garimpagem musical.

Veja também:
- Livro “Beat Memories” reúne fotos de escritores beats tiradas por Allen Ginsberg

-Conheça a obra-prima de Allen Ginsberg: “O Uivo”.

 

“Menino com doença” – Os Pedrero

Os Pedrero é a banda punk com melhores títulos de música da atualidade. Bom, pelo menos na opinião do cara que manda nesse blog e te obriga e ler essas merdas. Por escrever coisas bonitas como “Pin Up Gordinha” é que esse capixabas escrotinhos ganharam a honra de aparecer no #somdesexta do Punk Brega com esse possível crássico “Menino com Doença”. Ouça e ame o próximo.

Acompanhe a gente no Twitter: @punk_brega!

A letra maneira dos caras pra você cantar junto, em frente ao seu computador:

Ele não tinha amigos na escola
Ninguém chamava para jogar bola
Sempre foi motivo de muita piada
Nunca arranjou uma namorada
Refrão:
Menino com doença
Menino com doença
Menino com doença
Nós amamos você
No recreio tomava porrada
E no banheiro tomava enrabada
Tinha seu desenho colado na parede
Várias piadinhas rolando no bilhete
Refrão
Oh Yeah!
Refrão

 

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Dez perguntas que a Barra Funda Fighters sempre quis responder, mas ninguém tinha coragem de perguntar

Barra Funda Fighters, o mito, a lenda, a banda instrumental que faz piada em títulos e entrevistas de blogs punks. Estreando nossa seção (X perguntas que a banda X sempre quis responder, mas ninguém teve coragem de perguntar) em que as próprias bandas se entrevistam, o trio paulistano selecionou as 10 perguntas que sempre quiserem responder e saracotearam a valer em suas respostas. Duvida? Lê aí!

PS: Próximo show dos manos
Quando: Sábado dia 22/10, a partir das 16h
Onde: Cerveja Azul (Praça Ciro Pontes, 26, próximo a Universidade São Judas – Mooca), Quanto: Dez real! Os dez primeiros que mandarem e-mail pra barrafundafighters@gmail.com querendo comprar o ingresso, ganham uma camiseta da banda.

-Leia mais entrevistas rock ‘n’ roll

PB: Vamos começar esclarecendo o nome da banda. O “Fighters” vem do fato de vocês  serem arruaceiros e maus elementos, que arrumam briga aonde quer que vão?
Marco: Quero que se foda quem pensa assim. Se eu catar quem vem falando essas
merdas, enfio uma tesoura cega no @#. Se um dia alguém apanhou da gente foi por
motivos justos, tipo mexer com a namorada, olhar torto ou falar mal do nosso som em
qualquer aspecto. De resto, somos tranquilos.
Vinny: Tem “Fighters” no nome?
Bernardo: Antigamente chamava-se Bernardo’s Trio Band, mas…

PB: OK. E quem da banda mora na Barra Funda?
Marco: Sua vó, filho duma %*$&.
Vinny: É só brincadeira, Bagual! Na banda tem gaúcho, carioca, cearense, goiano
e argentino. Às vezes, enxergo alguns romenos no palco também, mas só quando
misturo mate no absinto.

PB: Cite as influências estético-musicais da banda.
Vinny: Bah! Heineken e Sur Cabernet 750 ml, principalmente…
Marco: Com um pouco de 8-bit.
Bernardo: E jazz fusion, claro!

PB: Quando o vocalista de vocês vai voltar?
Marco: A banda é instrumental, palhaço. Tá querendo engolir esse gravadorzinho de
merda?
Bernardo: Tínhamos um vocalista, mas ele dominava muito a atenção da plateia.
Preciso evidenciar o timbre abstrato-virtuoso do guitarrista misterioso em primeiro
plano (pausa). Chutei ele da banda.

PB: Ouvi dizer que vocês procuram outros músicos para participações em músicas e shows. Se eu quiser tocar com a Barra Funda Fighters, como devo proceder?
Bernardo: Antes de mais nada, deve ser um músico virtuoso e que tenha pelo menos
65% da discografia do Malmsteen. Depois, precisa obedecer todas as minhas ordens
e seguir à risca meu ideal do que é bom ou ruim, musicalmente e filosoficamente
falando.
Marco: Ou a pessoa também pode mandar um e-mail pra
barrafundafighters@gmail.com, ou conversar com a gente num show…

PB: Gostaria de saber como vocês nomeiam suas músicas, já que é instrumental. Por exemplo, por que aquela música se chama União Soviética II?
Marco: Essa iria se chamar punheti–
Bernardo: Todas as músicas têm um conceito do qual desenvolvemos os arranjos
e melodias. No caso de União Soviética II é uma reflexão sobre o sublime ideal
comunista, marcado pela guitarra inicial, a revolução e o declínio, as 3 partes da
música. Elas se repetem para marcar um possível surgimento de um outro bloco
socialista, tudo abraçado pela ideia do Eterno Retorno de Nietzsche.

PB: Certo! Um sonho?
Bernardo: Levar a todo planeta a verdadeira música instrumental-rock, claro.
Infelizmente para a população mundial, somos a única banda viva que carrega essa
bandeira e tem a competência necessária pra realizar tal missão, que pode ser
comparada à busca de sir Lancelot pelo Cálice Sagrado.
Marco: Sexo, drogas e rock’n'roll.
Vinny: Drogas? Onde?!

PB: Vocês possuem algum material gravado, disco, EP?
Marco: Ainda não. Mas estamos nos preparando para gravar algumas músicas em
estúdio, com a produção de um amigo nosso, Gabriel Gonzo, que tem uma banda de
reggae, mas tem hardcore na veia.
Bernardo: No começo da banda gravávamos vídeos dos ensaios para postar no
mySpace da banda, sendo
o único material gravado. Paramos por falta de tempo. Mas, a pedido dos milhares de
fãs, iremos retomar.

PB: Vocês possuem algum projeto paralelo?
Vinny: Bah! Claro, eu toco guitarra.
Marco: Eu estou aprendendo bateria com o Rock Band.
Bernardo: Fico com o baixo, mas toco qualquer instrumento que me for apresentado.
Até mesmo inventei alguns… O resultado é nosso projeto paralelo. Geraldo98, talvez.

PB: Barra Funda Fighters em poucas palavras.
Bernardo: Bernardo.
Marco: Soco na sua cara.
Vinny: Drinks grátis!

-Conheça a antiga banda do Bernardo, os infames CUECAS ROSAS
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“Não devemos nada você” – Resenha do livro de Daniel Sinker

-Conheça a autobiografia de Dee Dee Ramone

As coisas à sua volta acontecem muito rápido, você está ansioso pra fazer alguma coisa, mas não sabe por onde começar? Calma! Respire, compre (baixe ou roube) o livro “Não devemos nada a você” e leia todas as 30 entrevistas até o final. Pronto, agora você pode montar sua banda, seu coletivo, sua ONG ou sua própria gravadora. Você pode até mesmo sonhar em mudar o mundo e ter exemplos concretos de gente que trabalhou pra isso.

Inspiração é o que transborda das quase 300 páginas de conversas com figuras importantes da cena punk/alternativa americana que falaram com a revista Punk Planet, em seus 13 anos de vida. E lá estão veteranos do punk rock como Jello Biafra(ex-Dead Kennedys) e Ian Mackaye(ex-Minor Threat e Fugazi), mas também grupos novos como The Gossip e Los Crudos. Artistas hype como Miranda July, pensadores como Noam Chomsky e produtores como Steve Albini. Todos unidos pela vontade de fazer as coisas de forma independente, de achar uma alternativa ao status quo. “Do it yourself” grita para o leitor cada entrevista.

É bacana conhecer uma cena onde punk ou atitude alternativa não são coisas só de meninos rebeldes ou de figuras uniformizadas com moicanos e coturnos(nada contra moicanos, só contra padrões). Muitas das vozes de “Não devemos nada a você” saem de pessoas que vivem daquilo há anos. Que realmente fazem coisas práticas – como ajudar mulheres a abortar ou levar mantimentos para o Iraque – para mudar nossa sociedade. Pra quem se interessa por imprensa alternativa, rock, punk ou cultura independente é item obrigatório. Pra quem não se interessa por nada disso, é uma forma inspiradora de começar.

-Leia alguns contos punks, se tiver coragem.

Capa da edição gringa – bem mais bacanuda que a nossa, né?

 

É só isso?
Não, também tem entrevistas com Thurston Moore(Sonic Youth), Bob Mould(Hüsker Dü & Sugar), Black Flag, Kathleen Hanna(Bikini Kill & Le Tigre), Sleater-Kinney, Porcell(Shelter), entre vários outros.


NÃO DEVEMOS NADA A VOCÊ

Organização e edição: Daniel Sinker
Edições Ideal
308 p. / R$ 40
www.idealshop.com.br

Daniel Sinker, criador da Punk Planet