Uma pequena história do punk rock através de suas músicas clássicas

Quais são as principais bandas do punk rock? Quais as mais influentes? E que músicas dessas bandas viraram hinos? Apaixonado pelo punk desde moleque, resolvi criar uma jornada sentimental pelas dezenas de variantes do estilo, em uma playlist que reúne mais de 150 músicas que vão do proto-punk ao emo, passando pelo hardcore, oi!, skapunk, rrrriot girls, crossover e mais.

Reuni nessa lista bandas dos pais do punk (EUA e Inglaterra), mas também do Japão, Brasil, Finlândia, Austrália, Argentina, Rússia e outras cantos de onde saíram clássicos hinos de 3 acordes. Abaixo a playlist:

Que banda clássica faltou ser incluída na sua opinião?

Assista ao festival cRássico de rock/punk “Destruindo a Rotina” – realizado em Penápolis, em 2001, no Bar do Nori

Era uma atípica noite fria em Penápolis (uma cidade no interior paulista que costuma ser MUITO quente), quando um festival atípico cheio de músicas esquisitas começou a se desenrolar no antigo “Bar do Nori” (localizado na rua conhecida como “Avenida”, onde se localizavam os barzinhos das cidades.)

Assista ao festival “Destruindo a Rotina”

A organização do festival “Destruindo a Rotina” começou meses antes pelas mãos dos irmãos Fred (no caso, eu) & Gabriel Di Giacomo e do baterista André “Ramone” Gubolin. Nós rodamos Penápolis atrás de patrocínio, alugamos som, descolamos uma lona tosca, emprestamos a bateria do brother Gilvan (que tocava na banda Militantes do clássico politicamente incorreto “Mulher burra só serve pra meter”) e divulgamos o festival na imprensa local. Conseguimos também uma parceria com o tatuador Pombal que sorteou tatoos e estava com sua banca montada na hora e também um esquema de venda de camisetas de rock. As bandas convidadas eram de Rio Preto, Araçatuba e Penápolis – mas, claro, algumas furaram na hora. Pelo que lembro o pessoal de Araçatuba foi comprar cigarro e nunca mais voltou, hehehe.

Os irmãos Fred e Gabriel Di Giacomo momentos antes do festival "Destruindo a Rotina", em 2001.

O começo dos anos 2000 era uma época de renascimento pro  rock de Penápolis. Depois de uma primeira geração de bandas bem legais  (como o Hëllisch, a Tuna,  o HellFire – que deu origem ao Necroriser – e o Dr. Ratazana), surgiam novos grupos, fanzines, festivais em colégio e até um programa de rádio da União Municipal dos Estudantes (que tocava Ratos de Porão pela manhã, intercalado com poemas do Augusto dos Anjos e piadas internas da pior qualidade). Entre as várias bandas de garagem que pipocavam havia uma vertente punk representada por Praga de Mãe, Militantes, Cretin Family e Grito Feminino que foi responsável por organizar os primeiros festivais que dariam origem ao que hoje é o grande organizado “Plis Rock” . O primeiro festival que eu ajudei a organizar tinha o simpático nome de “1º Massacre da Guitarra Elétrica”. Depois vieram o “Carna Rock”, “Carna Rock 2” (já no Bar do Nori) e o 1º Encontro Regional de Rock que ficou mais nas mãos do Gilvan e marcou a “profissionalização” da parada, com apoio da prefeitura e tudo. Aliás, lembro de quando eu, o Gabriel Di Giacomo, o Gilvan e o Marcão do Valle entramos no gabinete do prefeito de Penápolis (acho que era o Firmino na época) com calças rasgadas, spike e coturnos pra negociar “apoio” pro movimento. Saímos todos de lá com “bandeirinhas” de Penápolis como brinde, hehehe,

Tosqueira aguda: primeira e única demo da banda Praga de Mãe que fez seu primeiro show no "Destruindo a Rotina"

Entre os destaques do “Destruindo a Rotina” rolou a volta da banda Dr. Ratazana (que tinha registrado um show foda no Colégio “Coração de Maria”, em 1997, e me fez  querer montar banda e começar a consumir coisas pesadas como o punk rock), a estreia do “Praga de Mãe” (uma das poucas bandas da “cena” que investia em músicas próprias) e os shows das bandas de Rio Preto “Xios Porks” e “Caso Geral”. Também rolaram shows do Militantes (a banda de Penápolis que mais tocou pelas cidades da região, na época) e do Garage Metallica. Não lembro ao certo, se foi nesse dia que o Cretin Family estreou, ainda como “Ramones Brasil”.
Enfim, as filmagens acima não mentem: as condições eram precárias, o som era estourado, a maioria das bandas era pedreira, MAS havia uma paixão juvenil que fazia tudo soar lindo. Era um festival de rock pesado viabilizado por moleques de 16 anos no meio de uma cidade movida à sertanejo e baladas eletrônicas. Pra quem não tinha lojas de instrumentos decentes, nem rádios rocks, nem Hangar 110, nem “Galeria do Rock”, aquele foi um dos dias mais legais das nossa vida.

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Punk 77: Conheça o The Jam e ouça “In the City” e “That’s Entertainment”

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The Jam ressuscitou o "mod" no meio da cena punk 77 inglesa

In the City

The Jam não foi só um dos melhores grupos punks da safra 77 britânica, como também foi o principal responsável pelo revival Mod do final dos anos 70. Com terninhos, franjas e covers de R&B, Paul Weller e Cia recriaram o estilo de Kinks e The Who na caótica Londres de Sex Pistols e The Clash.

Inicialmente formado como um quarteto, em 1976, a banda logo assumiu sua formação clássica: Weller nas guitarras e vocais, Rick Buckler na bateria e Bruce Foxton no baixo. O trio acabou em 1982, quando Weller começou sua carreira solo. Apesar de não ter feito muito sucesso nos EUA, o Jam emplacou vários hits na Grã-Bretanha, sobrevivendo ao hype inicial da primeira onda punk.

That’s Entertainment

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Punk 77: Conheça o Generation X e ouça “Kiss me Deadly”

Generation X era a versão pop do punk no final dos anos 70

-Conheça outras bandas do punk inglês 77

Certo, a Inglaterra no final dos anos 70 tinha o Clash, os Pistols e os Buzzcocks. E essa é a santíssima trindade do punk rock bretão. Mas junto com os mestres surgiram dezenas de bandas, algumas com seus 5 minutos de fama, outras não.

O Generation X era a banda do Billy “dance with myself” Idol. E antes de ser uma Madonna de moicano, o cara era um dos poucos vocalistas de punk a cantar afinado.(Seja isso vantagem ou não.)

Formado em 21 de novembro de 1976 por Billy mais Tony James e John Towe, o grupo chegou a contar com Terry Chimes(Clash) na bateria. Seu som era mais pop que o da maioria das bandas da época. Lançaram 3 discos(mais um “póstumo”) e deram lugar para a carreira solo da inspiração mór do Supla.

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Punk 77: Conheça o The Damned e ouça as músicas “New Rose/Love Song”

 

A banda 77 The Damned

“New Rose”

-Conheça outras bandas do punk inglês 77

O The Damned acumula um monte de marcas históricas. Não só são a primeira banda do punk inglês a lançar um single – “New Rose”, regravada pelo Guns ‘n’ Roses – , mas também foram o terceiro grupo punk a gravar um disco.(Depois de Ramones e de Eddie and the Hotrods) e deram origem ao “rock gótico” do Cure e do Bauhaus.

Formada em Londres, em 1976, a banda contava em sua formação clássica com o baterista Rat Scabies, o baixista Captain Sensible, o vocalista Dave Vanian e o guitarrista Brian James. Gravaram “Damned, Damned, Damned” e “Music for Pleasure” com essa formação e depois de algumas tretas voltaram apenas com Sensible(agora na guitarra) e Dave Vanian. Vanian é famoso pelo timbre da sua voz e por sua maquiagem e roupas, inspiradas em filmes de horror.

Nos anos 80 o grupo foi se distanciando da sonoridade punk, chegando a incluir teclados em suas gravações. Estão em atividade até hoje.

“Love Song”

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“O Dotadão deve morrer” – Ratos de Porão

O que muita gente sabe, mas pouco gente admite, é que um dos melhores discos do Ratos de Porão (e do punk rock nacional) é um disco de covers chamado “Feijoada Acidente? – Brasil”. Ele não é só um dos mais famosos do RDP (tem aquele musiquinha que você já cantou bêbado: “Nós somos a turma”) como uma das coisas mais bem produzidas no mundinho dos 3 acordes. Entre a caralhada de clássicos regravados por João Gordo, Jão e Cia, um dos melhores é esse psychobilly nervoso dos gaúchos do Cascavelletes (a banda que reunia Júpiter Maçã e Frank Jorge numa mesma formação). Poesia pura no #somdesexta.

Segue nóis no: @punk_brega!

Letra:

O dotadão arrastou
Todas as garotas
Para a casa dele
O dotadão arrastou
Todas as garotas
Para fora do bar
Hey rapazes
Esse cara deve morrer
Deve morrer
Deve morrer
Deve morrer
O dotadão arrastou
Todas as garotas
Para o carro dele
O dotadão arrastou
Todas as garotas
Para fora do bar
Hey rapazes
Esse cara deve morrer
Deve morrer
Deve morrer
Deve morrer
Todo mundo enlouquece
Sem mulher
Todo mundo enlouquece
Sem mulher

“Ramblin ‘ Rose” – Mc5

mc5-ramblin-rose

No #somdesexta da vez, a fúria do Mc5 volta a dar as caras, agora com a clássica “Ramblin ‘ Rose” ao vivo num cromaqui toscão e azul. Versão de uma música obscura de R&B, “Ramblin” também foi gravada por Jerry Lee Lewis. Aqui quem canta é o guitarrista Wayne Kramer, rasgando no falsete.

Letra:
Love is like a Ramblin’ Rose
The more you feed it
The more it grows,
Ramblin’Rose, Ramblin’Rose,
Come on home

Ramblin’ Rose,
Is such a ball
Diamond rings
And a Cadillac car,
Ramblin’ Rose, Ramblin’ Rose
Come on home

Ramblin’ Rose
Ramblin’ around,
Ramblin’ Rose
I’m gonna put you down
Ramblin’ Rose, Ramblin’ Rose
Come on home

Love is like a Ramblin’ Rose
The more you feed it,
The more it grows
Ramblin’ Rose, Ramblin’ Rose
Come on home

I need a Ramblin’ Rose
Ramblin’ Rose …..

Três acordes de Cólera – Documentário conta história da banda punk paulistana

Caricatura da formação clássica da banda Cólera

Caricatura da formação clássica da banda Cólera

Documentário “Três acordes de Cólera” foi feito pelas alunas Paulinha Harumi e Thais, da PUC, em 2005, como TCC. Depois de passar na TV Puc, foi disponibilizado no Youtube e serve como homenagem ao vocalista Redson que faleceu este ano.

-Conheça o disco clássico “Pela Paz em Todo Mundo” do Cólera
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“Kick Out The Jams” – Mc5

Kick-Out-The-Jams-MC5

O Mc5 é uma das bandas mais barulhentas e engajadas da história. Estão ao lado de Stooges e New York Dolls na onda do pré-punk que descambaria em Ramones e Cia. Nesse vídeo histórico os caras arregaçam na Wayne State University’s Tartar Field, em Detroit. O som podia ser melhor, mas a performance é foda e fica claro de onde vem a inspiração da turminha de “At The Drive In” e “Mars Volta”. Divirtam-se e aproveitem:

 

Documentário reúne cenas históricas de Iggy Pop and the Stooges

Em nossa sessão semanal (vamos tentar manter esse ritmo, ok?) de cinema, nós trazemos pra você esse mini-documentário com cenas raras e FODAÇAS de Iggy Pop e os Stooges estraçalhando palcos EUA à fora nos anos 70. Dá pra entender porque o iguana mudou a vida de tanto moleque rebelde e pariu o que a gente chama de punk rock. Assistam o vídeo e parem de ler essa merda.

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