“Banditismo por uma questão de classe” – Raimundos tocando com a Nação Zumbi

Porra, eu nunca tinha ouvido esse encontro de duas das maiores bandas brasileiras dos anos 90: Raimundos e Nação Zumbi tocando “Banditismo por uma questão de classe” do primeiro disco da Nação (“Da Lama ao Caos”) gravado ainda com Chico Science no vocal. O encontro rolou no Programa Livre de Serginho Groisman, em 1999

Lula, filha de Chico Science, canta “Do Sal e Sol eu sou” dos Afrobombas – novo projeto de seu sogro Jorge Du Peixe (Nação Zumbi)

Lula, a charmosa filha de Chico Science

Quantas referências familiares num título só, né? Bom, vamos explicar as coisas: Louise Taynã – mais conhecida por Lula – é a filha do finado Chico Science (cantor, compositor e líder do movimento mangue beat) e também namorada de Ramon Lira (o filho de Jorge Du Peixe, ex-parceiro musical de Science e atual vocalista da Nação Zumbi). Os três fazem parte da banda Afrobombas que lançou, este ano, seu primeiro single “Do Sal e Sol eu sou” (ouça abaixo).

Os Afrobambas fazem um som suingado (destaque pro belo baixo) e em seus shows tocam músicas inéditas e composições de Jorge Du Peixe gravadas por outros músicos (como “Passione“, registrada por Junio Barreto na trilha do filme “Febre de Rato” )

Além da família “Science/Du Peixe”, integram os Afrombombas: André Édipo (guitarra), Thiago Duar (baixo), Pernalonga (bateria), Dalua (percussão) e Guizado (trompete/eletrônicos).

Ouça, baixe ou roube a música “Do Sal e Sol eu sou”, dos Afrombombas:

 

João Gordo canta com Chico Science e Nação Zumbi no “Bem Brasil”, 1996

Em 1996, Chico Science e Nação Zumbi lançaram o clássicaço “Afrociberdelia”. como você bem sabe. Pra divulgar o lançamento fizeram um show no programa “Bem Brasil” da TV Cultura, que contou com a participação de Arnaldo Antunes, Samuel Rosa, Fred 04 e João Gordo. Nessa época a Nação Zumbi tinha um pout-pourri “heavy metal” no show que incluía “Lixo do Mangue”, “Enquanto o Mundo Explode” e “Da Lama Ao Caos/Refuse Resist” (tudo registrado no disco ao vivo “CSNZ”). No show exibido no Bem Brasil, João Gordo participa de “Enquanto o mundo explode” e “Da Lama ao Caos/ Refuse Resist”.

Aliás, dá pra encontrar o show inteirinho no Youtube.

Veja também:
-João Gordo e Sepultura tocando “Holiday in Cambodia”
-Entrevista exclusiva com João Gordo

Nação Zumbi: Da lama ao (zine) KAOS, entrevista com a banda em Bauru.

Eu estava no terceiro ano de jornalismo na Unesp-Bauru, e tocava o zine Kaos! com meu irmão. Tínhamos um site(criado pelo Thiago Montanari) e uma edição impressa- ou melhor, xerocada -, que sempre trazia uma entrevista musical nas páginas centrais. Em 2004, a Nação Zumbi veio tocar no Sesc com o dançarino Nelson Triunfo. Eu e o amigo Eduardo Moraes fomos até lá entrevistar os caras. Conseguimos falar com os percussionistas Toca Ogam e Marquinhos, que estavam, digamos, no “caminho do Blunt of Judah”. A entrevista chapada não ficou 100%(tinha um monte de estudante querendo entrevistar os caras pra vários trabalhos e jornaizinhos), mas resolvi ressuscitá-la aqui ao lado de outras entrevistas do KAOS que já republiquei.

***

Toca Ogam no caminho do Blunt of Judah
O dia do trabalhador(01/05) foi comemorado com um dos melhores shows já vistos em Bauru-SP. Dez anos após tocarem no Sesc local pela primeira vez(acompanhando Chico Science), a Nação Zumbi voltou quebrando tudo em uma performance eletrizante. Contaram ainda com a participação especial de um dos primeiros ativistas do hip hop; Nelson Triunfo. Após o show, Fred Di Giacomo e Eduardo Moraes participaram de entrevistas com os artistas, de onde voltaram com hip hop, turnês internacionais e fotos inspiradas de Renato Bueno.

Vamos começar falando da turnê. Onde vocês tocaram no ano passado(2003)?

Marquinhos: A gente saiu do Brasil e tocou num festival conhecido como Omex, tocamos em Sevilha, né, Toca?

Toca Ogam: Sevilha, fizemos Madri também e outras cidades da Europa….

E os discos, foram lançados lá fora?
T.O. :
Sim, o “Rádio S.amb.A.” foi lançado lá, o “Afrociberdelia”…

M:O “Nação Zumbi”…

Como é que o público reage lá?
T.O.: Quando você vai tocar pra gringo, nas 5 primeiras músicas eles começam só a balançar a cabeça, mas depois eles vão se soltando e começam a dançar, gritar. Lá eles fazem muita ligação da gente com o Olodum.

O que você acha do potencial de misturar a música tradicional com a música eletrônica?
T.O.:
Misturar todo mundo mistura, o negócio é misturar e dar um bom gosto. Não pode ficar amargo.

M.:Misturar e criar um som que continue na estrada não é fácil. Cada dia estão surgindo coisas novas, ideias novas. Você tem que ficar ligado. Ouvindo música, lendo muito, pra poder fazer um trabalho legal. O mercado hoje no Brasil é muito difícil.

Vocês têm uma preocupação social nas letras, o que acham da explosão do movimento hip hop, dos Racionais?
T.O.:
Racionais eu acho foda. Eles têm mesmo que falar, é o trabalho deles.

M.: Eles falam das coisas que acontecem realmente na periferia, na cidade. Eu acho isso maravilhoso.

Como está a cena de Recife hoje?
M.:
Rolou o Abril Pro Rock agora, vocês ficaram sabendo, né? Não deu pra gente estar lá, mas sempre têm festivais. A gente mora em Peixinhos e tem um movimento grande lá. A gente faz festa e está sempre movimentando o bairro. A coisa no nordeste está crescendo cada vez mais, estão aparecendo bandas novas.

Tem bandas novas legais?
M.:
Tem alguns caras que a qualidade da música… Não é só fazer música por moda, sabe? Nego vê a gente tocando, fazendo som e trabalhando pelo mundo e acha que vai ser legal fazer isso, mas não é só isso. Tem que ter a vibe, o groove…

T.O.(interrompendo): O comércio da música é muito grande. Hoje qualquer um grava e eu acho que não é por aí. Tem que ter um respeito pra se fazer música. Tem banda que tem um puta bom trabalho, mas não tem condições, que toca com guitarra emprestada. Você tem que ter coragem, encarar, e no final têm 10.000 nego te aplaudindo. Foda-se o resto. Tem várias bandas que vão atrás de rádio, pra que ir na rádio? Deixa a rádio ir até você.

Veja também:
 -10 bandas clássicas do rap nacional
– Entrevista exclusiva com Arnaldo Baptista, o genial líder dos Mutantes

Muito antes da Nação Zumbi: ouça as gravações inéditas de Chico Science e Loustal

Chico Science, o guitarrista Lucio Maia e sua banda Loustal

Chico Science, o guitarrista Lucio Maia e sua banda Loustal

Sempre quis ouvir as gravações originais das primeiras bandas de Chico Science, pré-Nação Zumbi (Orla Orbe e Loustal). Fiquei feliz pra caracoles ao ver no excelente blog RockinPress que muito desse material foi liberado pelo DJ Elcy. É animal observar a evolução de canções só gravadas no segundo disco da banda, (“Afrociberdelia”) como “Etnia” (uma fusão de hip hop com guitarras e bateria simulando caixa de maracatu) e “Manguetown”, um ska com guitarras fortes e precedida de uma introdução futurista, com Chico recitando o poeta inglês William Blake . Vale muito pra quem se interessa pela história do mangue beat, do rock brasileiro e por Chico Science – um dos frontmans mais carismáticos que os palcos desse país já viram e letrista talentosíssimo.

“Manguetown” – Chico Science e Loustal

“Improviso Samba-Reggae” – Chico Science e Loustal

“Etnia” – Loustal

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...