Lamento Sertanejo

Às vezes, eu, nascido em Penápolis – noroeste paulista, cerca de 60.000 habitantes – sinto saudade do interior, sinto falta do mato. E me acho um caipira. Mesmo que, quando morasse lá, eu pensasse ser o mais urbano e descolado no meio daquele bando de capiau. Do contra era eu, torrando num sol de rachar com camiseta preta, achando a música sertaneja um vômito e as pessoas simples demais.

Mas às vezes, a simplicidade faz falta pra caramba. E o barulho da cigarra de noite, e o solzão na tua cabeça a pino, e o sotaque forte das pessoas, e o tempo passando devagar, a rede mole  a girar, a mangueira alimentando um bairro inteiro, os cachorros rindo com o rabo, o pai almoçando em casa, a gente jogado na calçada jogando papo pro ar.

Eu esqueço da velocidade dos carros, do salário suado, das opções variadas, dos restaurantes e bares 24 horas. Eu esqueço dos museus, da universalidade cosmopolita, do progresso. E eu lembro da música que meus pais ouviam em casa:

Composição: Dominguinhos / Gilberto Gil

Por ser de lá

Do sertão, lá do cerrado

Lá do interior do mato

Da caatinga do roçado.
Eu quase não saio

Eu quase não tenho amigos

Eu quase que não consigo

Ficar na cidade sem viver contrariado.

Por ser de lá

Na certa por isso mesmo

Não gosto de cama mole

Não sei comer sem torresmo.

Eu quase não falo

Eu quase não sei de nada

Sou como rês desgarrada

Nessa multidão boiada caminhando a esmo.

Cabeça de Nêgo – Sabotage

Sexta-feira é dia do santo descer com os vídeos de estimação do Punk Brega
Acho que essa é uma das músicas mais bonitas de rap nacional que já ouvi. A mistura de MPB, ponto de macumba e hip hop cantada por Sabotage e o Instituto é genial. É foda, sempre que escuto esse som fico triste por imaginar quanta coisa legal o Sabota poderia ter feito, se não tivesse sido assasinado. E fico pensando: quantos Sabotagens a gente não perde sem nem terem chegado a gravar um disco, por terem feito a escolha errada? Ou pela falta de escolha…
Veja também:
– 5 sons pioneiros do rap nacional
– 10 clássicos do hip hop brasileiro

 

Melhores bateristas do mundo – Lista da Rolling Stone

A Rolling Stone americana – talvez a mais influente revista de música da história – publicou essa lista com os melhores bateristas (sim de rock ‘n’ roll, como sempre) da história. Acho que é o único desses rankings grandes de “melhores” do rock que tem um brasileiro – o ex-Sepultura Igor Cavalera.

Tamanho é documento pra Neil Peart do Rush

Mais rankings:
– 10 melhores bateristas do Brasil
– Melhores bateristas de heavy metal

-Bateras da atualidade: 20 melhores bateristas dos últimos 25 anos

*Atualização (22/02/2012): Aproveitei o carnaval para inserir vídeos de solos dos 5 melhores bateristas da lista. Pra quem não conhece o trabalho dos caras, é legar dar uma conferida. Cliquem nos links acima e do final da lista, para mais rankings de música.

    • 1. Neil Peart (Rush)

    • 2. John Bonham (Led Zeppelin)

    • 3. Ginger Baker (Cream)

    • 4. Keith Moon (The Who)

    • 5. Terry Bozzio (Frank Zappa, Jeff Beck)

  • 6. Bill Bruford (Yes)
  • 7. Danny Carey (Tool)
  • 8. Mike Portnoy (Dream Theater)
  • 9. Ian Paice (Deep Purple)
  • 10. Carl Palmer (Emerson, Lake, & Palmer)
  • 11. Stewart Copeland (The Police)
  • 12. Dave Lombardo (Slayer)
  • 13. Steve Gadd (Steely Dan)
  • 14. Vinnie Colaiuta (Frank Zappa, Sting)
  • 15. Carter Beauford (Dave Matthews Band)
  • 16. Tim Alexander (Primus)
  • 17. Simon Phillips (Toto, Jeff Beck)
  • 18. Rod Morgenstein (Dixie Dregs, Winger)
  • 19. Matt Cameron (Soundgarden)
  • 20. Dennis Chambers (Santana)
  • 21. Chad Wackerman (Frank Zappa)
  • 22. Phil Collins (Genesis)
  • 23. Mitch Mitchell (Jimi Hendrix Experience)
  • 24. Virgil Donati (Planet X)
  • 25. Max Weinberg (E Street Band)
  • 26. Vinnie Paul (Pantera)
  • 27. Ansley Dunbar (Jeff Beck, Whitesnake)
  • 28. Mike Shrieve (Santana)
  • 29. David Garibaldi (Tower of Power)
  • 30. Steve Smith (Journey)
  • 31. Josh Freese (A Perfect Circle)
  • 32. Alex Van Halen (Van Halen)
  • 33. Billy Cobham (Mahavishnu Orchestra)
  • 34. Bill Ward (Black Sabbath)
  • 35. Alan White (Yes)
  • 36. Carmine Appice (Beck, Bogert & Appice, Vanilla Fudge)
  • 37. Stanton Moore (Galactic)
  • 38. Nicko McBrain (Iron Maiden)
  • 39. Scott Rockenfield (Queensryche)
  • 40. Hal Blaine (Elvis Presley, Beach Boys)
  • 41. Joey Jordison (Slipknot)
  • 42. Marco Minnemann (Weirdoz)
  • 43. Cozy Powell (Rainbow)
  • 44. Tommy Aldridge (Whitesnake)
  • 45. Chester Thompson (Santana)
  • 46. Morgan Agren (Frank Zappa)
  • 47. Jeff Porcaro (Toto)
  • 48. Dean Castronovo (Journey)
  • 49. Mike Giles (King Crimson)
  • 50. Jeff Campitelli (Joe Satriani)
  • 51. Nick Mason (Pink Floyd)
  • 52. Greg Bissonette (Joe Satriani, David Lee Roth)
  • 53. Ralph Humphrey (Mothers of Invention)
  • 54. Mike Bordin (Faith No More)
  • 55. Ringo Starr (The Beatles)
  • 56. Zak Starkey (The Who)
  • 57. Jon Theodore (The Mars Volta)
  • 58. Phil Ehart (Kansas)
  • 59. Clive Bunker (Jethro Tull)
  • 60. Jimmy Chamberlain (Smashing Pumpkins)
  • 61. Charlie Watts (The Rolling Stones)
  • 62. Lars Ulrich (Metallica)
  • 63. Brian Mantia (Primus)
  • 64. Mike Sus (Possessed)
  • 65. Jason Rullo (Symphony X)
  • 66. Dave Grohl (Nirvana, Scream)
  • 67. Pat Mastelotto (King Crimson)
  • 68. Mick Fleetwood (Fleetwood Mac)
  • 69. Raymond Herrera (Fear Factory)
  • 70. Brann Dailor (Mastodon)
  • 71. Matt McDonough (Mudvayne)
  • 72. Scott Travis (Judas Priest)
  • 73. Jack Irons (Red Hot Chili Peppers, Pearl Jam)
  • 74. Roger Taylor (Queen)
  • 75. Jose Pasillas (Incubus)
  • 76. Earl Palmer (session man)
  • 77. BJ Wilson (Procol Harum)
  • 78. Joey Kramer (Aerosmith)
  • 79. Gene Holgan (Death)
  • 80. Danny Seraphine (Chicago)
  • 81. Igor Cavalera(Sepultura)

    O único brasileiro na lista: Igor Cavalera

  • 82. Brian Downey (Thin Lizzy)
  • 83. Travis Barker (Blink 182)
  • 84. Taylor Hawkins (Foo Fighters)
  • 85. Nicholas Barker (Dimmu Borgir)
  • 86. Paul Bostaph (Slayer)
  • 87. Chad Smith (Red Hot Chili Peppers)
  • 88. Brad Wilk (Rage Against The Machine)
  • 89. Alan Gratzer (REO Speedwagon)
  • 90. Matt Sorum (Guns N’ Roses, Velvet Revolver)
  • 91. John Dolmayan (System of a Down)
  • 92. Chad Sexton (311)
  • 93. Mark Zonder (Fate’s Warning)
  • 94. Gary Husband (Level 42)
  • 95. John Densmore (The Doors)
  • 96. Jon Fishman (Phish)
  • 97. Al Jackson (MG’s)
  • 98. Jim Gordon (Derek and the Dominos)
  • 99. Dave Abbruzzese (Pearl Jam)
  • 100. Sean Kinney (Alice in Chains)

    Veja também:
  • -10 melhores bateristas do Brasil
    -10 melhores guitarristas dos últimos 10 anos
    -10 bandas clássicas do metal nacional
    -10 melhores baixistas do heavy metal
    -100 melhores guitarristas, segundo a Rolling Stone
    -100 melhores baixistas

Umbabarauma 2010 – Mano Brown, Jorge Ben, Pupillo, Céu, Thalma de Freitas e grande elenco

Como amiguinhos muito bem informados, vocês sabem que a Nike já cagou bastante no mundo. Seja na Copa de 98( :-P, hehehe), seja colocando criancinha nos confins da Ásia pra costurar bola e tênis. Mas ok, se era pra eles fazerem alguma coisa decente, eles bancaram esse clipe + música + documentário que tirou Mano Brown do isolamento musical e o jogou cara a cara com Jorge Ben, Pupillo da Nação Zumbi, DJ Zegon, Daniel Ganjaman e as cantoras Negresko Sis (Anelis Assumpção, Céu e Thalma de Freitas).Parece que o negócio ficou bom. Vamos esperar pra ouvir.

10 músicas clássicas do rap nacional

-Mais notícias de música
-Mano Brown fala sobre  Serra, Dilma, Lula e PCC

Primeira edição da revista “Pode crê”, de 1993, garimpada pelo blog “Olha onde a favela chegou”

 Sim, sim, dava pra fazer umas 3 listas com clássicos do rap nacional. A primeira poderia ser só com  as músicas do começo do movimento, de caras como Athaliba e a Firma, Pepeu e Ndee Naldinho. Outras poderiam trazer as que  fizeram mais sucesso ou com as que foram mais influentes. Eu não pretendo rabiscar nenhuma dessas. A ideia aqui não foi listar as melhores, mas 10 músicas que marcaram época e que são conhecidas(ou deveriam) por todo mundo que curte hip hop. A maioria delas conseguiu ultrapassar a barreira de gêneros e fez sucesso fora do mundo do rap também. Tentei equilibrar aquelas boas pra animar bailes, com outras mais preocupadas em passar uma mensagem.  Foquei no final dos anos 90 porque foi a época em que ouvi mais esse som, e é de lá que vem meu saudosismo com “um tempo bom que não volta nunca mais”.

-Outras listas

Diário de um detento – Racionais Mc’s
“Fim de semana no parque” foi uma das primeiras músicas dos Racionais que ouvi – no rádio mesmo – no meio dos anos 90. Eu era bem moleque e alguns anos depois eles estourariam com “Sobrevivendo no Inferno”. Ouvi esse disco diversas vezes, prestando atenção em cada detalhe das letras. “Diário de um detento” virou, provavelmente a música mais conhecida do rap nacional. Do playboy do colégio ao empacotador do supermercado, todo mundo sabia a letra de cor. Tem outras boas mais antigas(“Mulheres Vulgares”, “Hey Boy”, “Pânico na Zona Sul”), mas poucas marcaram tanto quanto esse relato do cotidiano no Carandiru.

Senhor Tempo Bom – Thaíde e DJ Hum
Muita gente acha que o grande clássico de Thaíde é “Corpo Fechado” que saiu  na coletânea “Hip Hop Cultura de Rua”, de 1988. Ela tem sua importância pioneira,  mas “Senhor tempo bom” se tornou um hino, uma homenagem funkeada aos clássicos black power que acabou se tornando, ela mesma, um clássico, animando bailes por todo o Brasil desde que foi lançada em 1996.


Rap é compromisso
– Sabotage
Infelizmente, Sabotage só lançou um disco em vida. Foi o suficiente para entrar pro pódio do hip hop nacional com uma cadência chapada nas rimas e influências de samba, chorinho e MPB que faziam a diferença em seus raps. Ao lado de “Respeito é pra quem tem” e “Um bom lugar”, “Rap é compromisso” é uma das melhores composições que Sabota deixou antes de ser assassinado.


Fogo na Bomba
– De Menos Crime
“Fogo na Bomba” ultrapassou os limites do rap, virou grito de guerra de maconheiros espalhados por todo Brasil, ganhou espaço em show de rock e foi um dos grandes hits de 1999. Ralando desde 1987 em São Mateus, os manos do De Menos Crime fizeram muita gente que nem curtia hip hop ter o refrão dessa música na ponta da língua. Pra quem gostar vale ouvir “Burguesia” e “A Bola do Mundo”


Tic Tac
– Doctors Mc’s
Tic Tac deve ter sido um dos clipes de rap mais exibidos no extinto Yo!,  da Mtv. Pra mim ela tem um puta gosto de nostalgia. O Doctors normalmente fazia um som mais animado, bom pra galera bater cabeça, mas foi nessa baladinha bem-humorada que os caras conseguiram criar um clássico maior que a própria banda.

Us mano e as mina – Xis
Outro megahit que ultapassou os limites do hip hop, “Us Mano e as mina” tinha a força de um refrão de torcida e fez a galera começar os anos 2000 cantando rap. Xis já estava na correria há anos, tocava a gravadora 4P com KL Jay, tinha passado pelo DMN e gravado “De Esquina”, com Dentinho. Mas foi na simplicidade divertida dessa faixa que ele encontrou o caminho pro sucesso.

O Trem – RZO
O RZO é respeitado por toda sua história, gravou diversas músicas, fez parcerias com artistas que vão de Charlie Brown Jr a Sabotage, passando pelo Instituto. A banda de Pirituba, revelou – também – o talento de Sabotage e Negra Li pro mundo. Mas pra mim, o grande momento dos caras é essa música, presente no disco “Todos são manos”, de 1999.

Cada um por sim – Sistema Negro
O Sistema Negro foi o responsável por colocar Campinas no mapa do rap. Em 1994, “Cada um por si” virou um clássico instântaneo das festas de hip hop – e do já citado Yo!. Diziam que o som dos caras era gangsta, mas as letras eram muito mais retrato e crítica da violência, do que a apologia que os rappers gringos faziam. Faz parte do disco “Ponto de Vista”.

Casa Cheia – Detentos do Rap
Antes de 509-E e outras bandas formadas na cadeia fazerem sucesso, o Detentos do Rap abriu caminho com “Apologia ao crime”, gravado em 1998 na Casa de Detenção de São Paulo. O disco vendeu 30.000 cópias e tornou o refrão “É o Carandiru está de casa cheia/Muito veneno no ar/ e muita droga na veia” um crássico.


De Esquina
– Dentinho e Xis
Em 1997, os rappers Dentinho e Xis(então no DMN) se juntaram pra gravar esse rap que fala sobre a paranoia da cocaína. A faixa foi produzida pelo Thaíde, abriu caminho pra carreira solo de Xis e ganhou até versão samba na voz da cantora Cássia Eller.

Veja também:
– 5 discos para quem quer começar a ouvir rap brasileiro
-5 músicas pioneiras do hip hop brasileiro
-5 discos injustiçados do rap nacional
-Sabotage cantando a bela “Cabeça de Nêgo”
-Leia mais sobre hip hop

10 bandas clássicas do heavy metal brasileiro – anos 80

Nos anos 80 o mundo viu o metal se popularizar e multiplicar-se em diversas vertentes. Foi nessa década também que o gênero começou no Brasil. Haviam três cenas no país: BH com suas bandas agressivas, o isolamento do resto do Brasil e a Cogumelo Records servindo como gravadora, loja e ponto de econtro; São Paulo com som mais trabalhado, tretas com punks e skinheads e as grandes galerias; e o Rio de Janeiro que era uma cena menor, mas tinha os pioneiros do Dorsal Atlântica, o Azul Limão e o Caverna 2 – pico dos headbangers locais. Outras sons pipocavam aqui e ali, como o Stress, que surgiu no Pará, mas o grande foco era em Minas Gerais e em São Paulo.

A cena teria um grande empurrão com a realização do festival Rock in Rio, em 1985, que trouxe Ozzy e AC/DC, mas também rendeu a infame alcunha de “metaleiros”, dada aos cabeludos pela rede Globo. Segundo o polêmico João Gordo, vocalista do Ratos de Porão, no livro “Sepultura: Toda a História”: (…) em São Paulo, metaleiro era tudo riquinho, filhinho de papai, que andava de carrinho bacana e óculos espelhado. Cheguei na casa do Paulo(do Sepultura, em BH) e não acreditei: era uma puta favela!(…) Os moleques eram muito mendigos, usavam tênis rasgados com o dedão aparecendo.(…)Depois fui na casa do Max e do Igor. Juro que nunca vi tanta zona: tinha uns 50 metaleiros espalhados pela casa”.

Azul Limão: clássico dos anos 80

 

***

A seleção de bandas abaixo é só uma amostra das  dezenas que rolavam nos anos 80. Os vídeos históricos são divertidos e inusitados, mas muitos pecam pela má qualidade de som e imagem. Sim, alguns grupos ficaram de foram: Holocausto, Chakal, Anthares, etc, mas os que entraram na lista já dão um bom panorama do que rolou nos anos 80.

Azul Limão
Satã Clama Metal” era o hit! Banda formada entre 1981 e 1982, no Rio de Janeiro por Marcos Dantas e o baixista Vinícius Mathias, lançou dois discos: “Vingança” e “Ordem e Progresso”. Cantavam em português e faziam um som mais tradicional com influências da NWOBHM,  do Judas Priest e AC/DC.
Curiosidade:Se utilizavam do nome bizarro para tocar em lugares onde uma banda de metal nunca pisaria.(O que rendeu algumas tretas com organizadores de show inconformados com o peso da banda.)

Dorsal Atlântica
Pioneiros da fusão de metal e hardcore, esse trio carioca, liderado por Carlos “Vândalo” Lopes, foi uma influência seminal pro Sepultura. Gravaram seu primeiro disco, “Ultimatum”,em 1984, ao lado da banda Metalmorphose.Em 1998, um abaixo assinado com 40 mil assinaturas os levou a tocar no Monsters of Rock.  Curiosidade: Sua singela marca registrada é a música PCD(Pau no cu de Deus).

Overdose
Se o Korzus se aproximava mais da cena mineira pelo seu som pesado, no começo o Overdose estava mais próximo musicalmente dos headbangers de São Paulo. Cantando em português, com um som mais melódico e guitarras virtuosas, o grupo foi o primeiro a se destacar na cena de BH. Formado em 1983, debutaram num split ao lado do Sepultura e depois passariam a cantar em inglês, tornando seu som mais pesado. Em 1993, assinaram com uma gravadora internacional, o que lhes rendeu turnês pelos EUA, Canadá e Europa.
Curiosidade: Tiveram o som sabotado, quando abriam o show para Ramones e Sepultura, em BH, o que provocou rusgas com a banda dos irmãos Cavalera. 

Stress
É curioso que a possível primeira banda de heavy metal do Brasil tenha surgido em 1974, no Pará. O Stress foi formado por roqueiros de Belém, numa época em que bandas como Casa das Máquinas e O Terço eram o que havia de mais pesado no Brasil. Fizeram seu primeiro show em 1977, e foram deixando seu som mais pesado e próximo do que seria o New Wave of British Heavy Metal. Em 1982, gravaram o primeiro disco solo de uma banda de heavy brasileira. E em 1985, lançaram o segundo pela Polygram.
Curiosidade: Levaram 20.000 pessoas  ao estádio “Cururu”, no lançamento de seu disco, em 1982.

Sarcófago
Sarcófago é uma das bandas mais peculiares da cena metal brasileira. Nunca chegaram a grande mídia como Sepultura, Ratos de Porão ou Viper, mas mantiveram uma áurea cult e grande influência em toda cena black metal mundial. Formada, em 1985, por Gerald “Incubus” Minelli, a banda longo contou com a entrada de Wagne”Antichrist” Lamounier, nos vocais e guitarra, recém saído do Sepultura em um treta que muitas vezes  seria motivo pra porrada. Arquinimigos do Sepultura ou não, as duas bandas acabaram sendo as maiores expoentes da cena de BH. Umas mais undeground, a outra mais mainstream. Uma mais ligada as tendências, a outra fiel as raízes. As duas com seguidores no mundo inteiro e sua contribuição registrada no cenário internacional.
Curiosidade: Mesmo sendo ignorados pelo mainstream tupiniquim, são considerados uma das primeiras bandas de black metal e um dos primeiros grupos a usar a batida “blast beat”, contribuição do batera D.D. Crazy. 

Viper
Nos começo dos anos 90, o Viper foi a “segunda maior banda de metal do Brasil”, com direito a excursão e disco ao vivo gravado no Japão. Formada em São Paulo, em 1985, pelos irmãos Passarell  e o, então pirralho, André Mattos no vocal, o Viper chegou a ser chamado de “Iron Maiden Brasileiro”, everedando depois para um metal mais melódico.
Curiosidade: Com a saída de Mattos, o som do grupo teve fases mais simples e pesadas e acabou num disco obscuro, quase pop/rock, com direito a cover de Legião Urbana.


Korzus

É uma das bandas mais tradicionais do thrash metal brasileiro, trazendo fortes influências de Slayer ao longo de sua carreira. Começaram em 1983, lançando os dois primeiros discos em português. Fizeram um show histórico no “Monsters of Rock”, em São Paulo, em 1998, cuja gravação virou um disco ao vivo em 2000.
Curiosidade: O guitarrista Silvio Golfetti, que teve que deixar a banda por causa de um problema no braço, substituiu Andreas Kisser, durante alguns shows do Sepultura na Europa.

Harppia
O Harppia foi fundado em São Paulo, em 1984, e contou sempre com o baterista Tibério Correa Neto nas baquetas. É uma das dezenas de bandas que se candidatar a “primeira gravação de um disco de metal”, por “A Ferro e Fogo”, lançado pela Baratos Afins.
Curiosidade: Por sua formação passaram diversos músicos da cena hard rock/metal paulistana, como o vocalista Percy Weiss, ex-Made in Brazil.

Sepultura
Ok, talvez o Sepultura devesse ser hours concours e nem entrar nessa lista. Banda brasileira mais bem sucedida no mercado internacional, nome que virou sinônimo de som pesado no Brasil, o Sepultura começou de forma mambembe, em 1984, com os irmãos Cavalera e o amigoWagner Lamounier(Sarcófago)  de cara pintada, braceletes nos braços e até uma peruca e capacete nazista – na cabeça de Igor. Logo passaram a cantar em inglês, gravaram um split com o Overdose em 1985(Bestial Devastation/Século XX) e o resto é  história da Cinderela headbanger que todos conhecem.
Curiosidade: Porra, o vídeo abaixo, onde você assiste a primeira formação clássica com Jairo T na guitarra.

Salário Mínimo
Veteranos da cena paulistana, os caras do Salário Mínimo começaram a ralação em 1977 e participaram da crássica coletânea SP Metal Vol.1, em 1984. Liderados pelo vocalista figura China Lee, desde os anos 80, lançaram o disco Beijo Fatal em 1987, pela RCA e voltaram a ativa em 2004.
Curiosidades: O fã clube da banda chegou a receber uma média de 2000 cartas por mês

Aguentou ler tudo isso? Parabéns! Você é um true banger! Leia mais abaixo:
 -Chaos A.D: o disco que mudou o Sepultura
-10 melhores guitarristas dos últimos 10 anos
-10 melhores baixistas do heavy metal

ou compre
-INRI: clássico do Sarcófago lançado em vinil

-Morbid Visions do Sepultura lançado em vinil

Modern Guitar Hero – Melhores guitarristas dos últimos 30 anos

Tá, que merda, eu adoro uma lista. Lista de música então…E a BBC lançou agora o resultado da enquete que escolheu os melhores guitarristas dos últimos 30 anos. Abaixo os vencedores, votados por mais de 30.000 pessoas.

Frusciante foi eleito o melhor guitarrista dos últimos 30 anos


-Rolling Stone elege os maiores guitarristas da história

1. John Frusciante – Red Hot Chili Peppers
2. Slash – Guns n’ Roses
3. Matt Bellamy – Muse
4. Johnny Marr – The Smiths
5. Tom Morello – Rage Against The Machine
6. Kirk Hammett – Metallica
7. Jonny Greenwood – Radiohead
8. Prince

9. Jack White – White Stripes
10. Peter Buck – REM

6 discos para começar a ouvir jazz

Essa lista não pretende ser um top 6 melhores discos de jazz.

Eu não sou “entendido” em jazz.

Fui um adolescente punk e ,em geral, gosto de música redonda, feliz e cantarolável. Na verdade, quando era moleque eu odiava jazz. Era o som que meu pai colocava de manhã quando acordávamos para ir à escola. Eram os discos que ele deixava sempre rodando no carro. Não tinham distorção, refrões e muitas vezes nem vocal.

Mas quando vim pra São Paulo, o amigo Gabriel Gianordoli me apresentou alguns clássicos do jazz que me fizeram gostar da coisa. “Love Supreme”, “Kind of Blue”, “Time Out” e “She was to good to me” entram nessa conta. “Porgy and Bess” é um disco cantarolável e reúne dois gigantes que quem quer começar a se aventurar no estilo deve conhecer. Bom, era pra ser um top 5, mas resolvi incluir o primeiro solo do Jaco aqui. Deste eu gostei quando ainda era “roqueiro”. O cara é pro baixo o que o Hendrix é pra guitarra, então pode agradar quem tem resistência a pianos e raízes blues.

Espero que ajude quem quer conhecer este estilo considerado “chato” e “difícil”. Você também pode usar os nomes de discos para parecer cool numa conversa. You choose.

“A Love Supreme” – John Coltrane(1965)


A Love Supreme” conseguiu ser o único disco de jazz a se tornar meu álbum favorito por um certo tempo. A viagem espiritual do saxofonista Coltrane com seu quarteto genial se resume a 4 faixas: “Acknowledgement“(com uma linha de baixo hipnótica e o coro repetindo “a love supreme” no final), “Resolution”, “Pursuance” e “Psalm”, essa última uma versão musicada de uma oração registrada por Coltrane no encarte do álbum. Acho que é o som mais espiritual que fizeram, desde a invenção do mantra “om”.

Kind Of Blue” – Miles Davis(1959)


Miles Davis é o maior adversário de Louis Amstrong na briga pelo trono de rei do jazz. O trompetista passeou por diversos estilos, lançou meia dúzia de discos essenciais e se tornou unanimidade com “Kind of Blue”, álbum que tem até um livro inteiro dedicado só pra ele. Disco de platina quádrupla, sempre liderando listas de melhores do jazz, a bolacha ficou em 12º lugar na lista pop de “500 melhores álbuns da história” da revista Rolling Stone . A influência da bolachinha modal escapa dos terrenos do jazz e se espalha por rock e música clássica.

“She Was To Good To Me” – Chet Baker(1974)

Um trompete tocando a nota certa a cada segundo, compondo melodias assobiáveis mesmo nos improvisos. Algumas canções orquestradas, algumas cantadas numa voz bossanovista. Um dos caras mais cool do jazz no comando do som. Ouça só o começo com “Autumn Leaves” e “She Was to Good to Me” e tente não se apaixonar.

 

Time OutThe Dave Brubeck Quartet(1959)

Um dos álbums de jazz mais vendidos da história, “Times Out” quebra o ritmo do jazz brincando com ritmos turcos, valsas e swing. Bruebeck era da turma do jazz branco da costa oeste – assim como Chet Baker – e sua composições eram mais aceitas que o bebop ácido da costa leste. “Take Five”(que era pra ser só um solo de bateria de Joe Morello) entrou nas paradas da Billboard e é citado como influência até de bandas de rock como “Os Mutantes”.


“Porgy and Bess”
– Louis Amstrong e Ella Fitzgerald(1957)

“Porgy and Bess” é a versão jazz mais famosa da ópera de Geroge Gershwin e reúne dois dos maiores nomes do estilo: o carismático e genial Louis Amstrong e a diva Ella Fitzgerald. É um bom começo para quem não tem saco para som instrumental e ainda incluí o clássico “Summertime”.

Mesmo que não consiga a unanimidade de outros figurões dessa listinha, o primeiro disco solo de Jaco Pastorius é bem popular entre os fãs de jazz e seu som costuma agradar quem está mais acostumado com rock ‘n’ roll. Contando com Herbie Hancock nos teclados e Wayne Shorter no sax soprano, as 9 faixas incluem sons mais funks, uma faixa com vocais e a genialidade que levaria Jaco ao posto de maior baixista da história.

-Compre o primeiro disco de Jaco Pastorious

Se ainda assim você achar jazz um saco, se liga nos nossos posts de punk rock

Veja também:
-O evangelho segundo Louis Amstrong
-Lista com documentários legais sobre rock ‘n’ roll
-Ilustração de Charles Mingus por denisdme

Melhores baixistas do metal – Parte 2

Pra não deixar o post tão pesado dividi a lista em duas partes. Aí vai a segunda parte. Agradeço a colaboração do Diego Sanches, guitarrista, “rédibengue” e dono do blog “FuckYouI’mFromHell”.

PS:Como é uma lista de baixistas de metal, preferi não incluir gente mais identificada com outros estilos, mas que podem ter sua presença sentida.(Roger Glove, John Paul Jones, Geddy Lee, etc).

-100 melhores baixistas da história.
-Melhores baixistas do heavy metal – primeira parte da lista

Geezer Butler (Black Sabbath)

O pai do peso do baixo no heavy metal. Butler foi um pioneiro tanto nos solos, quanto nas linhas elaboradas, destacando-se em meio aos gênios de Iommi e Ozzy, por sua técnica e estilos próprios. Seu solo antes de NIB(com a novidade do uso de efeitos) é sempre apontado como um dos melhores do rock ‘n’ roll.

Steve DiGiorgio(Death, Testament, Sadus, Iced Earth)

Mestre do fretless (ouça “Dracula” do Iced Earth), talvez um dos baixistas menos conhecidos dessa lista, DiGiorgio tem uma grande gama de serviços prestados ao metal, e um grande número de vídeos em que aparece fritando as cordas de seu baixo em prol do melhor som. Quando não está detonando em bandas como o Death, ele ainda tem um projeto paralelo de jazz.

Ryan Martinie (Mudvayne)

Não adianta tocer o nariz, não dá pra ignorar que o new metal trouxe novidades nos terrenos do contrabaixo. Martnie conseguiu uma das coisas mais difíceis para um músico que é imprimir sua marca registrada, sendo facilmente reconhecido nas músicas do Mudvayne, misturando groove de slaps com peso do seu baixo grave e muita velocidade na mão direita. Ignore a maquiagem e ouça o trabalho de Ryan com atenção.

Billy Gould(Faith No More)

Les Claypool é muito experimental e Flea muito pop para estarem nesta lista. Então, o representante do funk metal aqui é Billy Gould, o responsável pelo peso e balanço da maluquice sonora que é o Faith No More. Gould fez toda uma geração de fãs de rock pesado se preocupar com o swing e sem ele não existiriam trabalhos como de Ryan Martnie e Fieldy, do Korn.

Mike Lepond(Symphony X)

Pra não deixar essa lista só com virtuoses técnicos, alternamos baixistas criativos, caras que inovaram no estilo e alguns “nerds progressivos”. O trabalho de Lepond se encaixa na última definição, com incrível domínio de variadas técnicas, o cara teve a responsa de substituir outro monstro do contrabaixo, Thomas Miller. Influenciado inicialmente por Gene Simmons, Lepond não precisa de mais do que as 4 cordas do seu PEAVEY Zodiac para detonar.

Menções honrosas pela atitude e importância:
David Ellefson (Megadeth)
Joey DeMaio (Manowar)
Fieldy(Korn)
Lemmy Kilmister (Motörhead)
Tom Araya (Slayer)

-Melhores baixistas do heavy metal – primeira parte da lista

Melhores baixistas do heavy metal

Sim, todo mundo gosta de saber quem são os melhores e maiores. Aí vai nossa listinha de 10 baixistas que cravaram sua marca no heavy metal. Agradeço a colaboração do Diego Sanches, guitarrista, “rédibengue” e dono do blog “FuckYouI’mFromHell”.

-Segunda parte da lista

PS:Como é uma lista de baixistas de metal, preferi não incluir gente mais identificada com outros estilos, mas que podem ter sua presença sentida.(Roger Glove, John Paul Jones, Geddy Lee, etc).

-100 melhores baixistas da história.

Steve Harris (Iron Maiden)

Se o Geezer Butler é o pioneiro, Steve Harris foi o responsável por definir de vez a importância do baixo no heavy metal. Além de compor a maioria das músicas do Iron, o cara criou um estilo copiado por muitos até hoje, mesclando “cavalgadas” movidas a mão direita ultra-rápida e riffs criativos. Unanimidade em todas as listas do estilo.

Cliff Burton (Metallica)

Menino prodígio, Cliff Burton só deixou 3 discos gravados antes de morrer num trágico acidente de ônibus. Que nível técnico ele teria alcançado, nunca vamos saber, mas seus solos, uso de distorção, riffs e gosto pela música clássica deixaram saudades nos fãs do Metallica. Numa banda com egos tão grandes quanto a qualidade musical, o espaço que Burton arrumou para fazer solos – em um instrumento normalmente fadado ao acompanhamento rítimico – é incrível.

John Myung(Dream Theater)

Quando o parâmetro é técnica, tem sempre alguém que vai superar o mestre em velocidade e eficiência. Por enquanto, ninguém destronou o virtuose John Myung, um dos pilares do metal progressivo do Dream Theater. Dominando uma infinidade de estilos, seu baixo de 6 cordas(que pode chegar a 12 cordas) parece pequeno quando ele o ataca usando o tapping.


Billy Sheehan(Mr. Big, Steve Vai, David Lee Roth)


Sheehan talvez tenha passado pelas bandas menos “metal” dessa lista, mas deixá-lo de fora seria uma heresia. Seu estilo virtuoso e agressivo em solos de quase dez minutos nas apresentações ao vivo pode ser substituído por linhas cheias de ritmo e harmonia, em canções mais calmas. Sheehan pode não ser tão cerebral quanto Myung, mas compete no mesmo nível técnico que o baixista do Dream Teather.

Robert Trujillo (Metallica, Ozzy, Suicidal Tendencies)

Muito antes de ocupar o lugar que foi de Cliff Burton no Metallica, Trujillo já prestava bons serviços ao metal. Primeiro fundindo groove, peso e velocidade nas bandas Suicidal Tendencies e Infectious Groove. Seus slaps deram lugar a linhas pesadas quando foi tocar com Ozzy. Versátil, Trujillo se adapta a cada novo projeto, sem perder o brilho e a pegada característicos de seu trabalho.

Menções honrosas pela atitude e importância:
David Ellefson (Megadeth)
Joey DeMaio (Manowar)
Fieldy(Korn)
Lemmy Kilmister (Motörhead)
Tom Araya (Slayer)

-Segunda parte da lista de grandes baixistas do metal

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