Bedibê lança vídeo de “Diálogo de dois amigos” pra encerrar 2016

Pra terminar seu ano produtivo (que teve o belo clipe de animação de “Esquina“, o disco “Envelhecer” e alguns bons shows por São Paulo), a Bedibê lançou um vídeo para “Diálogo de dois amigos” cheio de gravações caseiras que contam a história da banda de 2011 até o finalzinho de 2016, com direito a casamento e filhos surgindo pelo caminho, enquanto o refrão martela o mantra “É pra parar, a vida pede pra gente parar, pra sentir o mundo girar/ A vida pede pra gente parar e não ficar sempre no mesmo lugar”.

Com elogiado clipe em animação, “De Bolso” lança “Envelhecer”, seu primeiro disco.

A banda é nova,  clipe e disco acabaram de sair do forno, mas já vem ganhando elogios e divulgação em veículos como Play TV (onde o clipe de “Esquina” estreia nesse domingo, às 20:30h) Miojo Indie, PdH e Moozyca

A “De Bolso” é uma banda formada, em São Paulo, por Diego Bravo (percussão e vocais), Fred Rocha (baixo, voz e cavaco), Karin Hueck (voz e teclados) e Tiago Van Deursen (voz, violão e gaita)

Assista ao belo clipe de “Esquina”– uma animação do artista mineiro Alisson Lima:

O disco

“São oito composições que flutuam com delicadeza entre a MPB dos anos 1970 e o folk. Um material essencialmente delicado, preciso.”, Miojo Indie

Com influências variadas que vão dos uruguaios do Perota Chingó até Novos Baianos, passando pelo punk rock, mpb e samba clássico, o grupo ficou em estúdio por quase dois anos gravando com o produtor Gabriel Nascimbeni (do disco “Cidade dos Pescadores“), no Trampolim Estúdio. A mixagem foi feita por Fábio Barros e a masterização por Arthur Joly, do RecoHead Records. “Envelhecer” conta ainda com a participação da cantora Ericah Pereira, na suingada “Cantar de Pássaro“, e com os metais de Gustavo Vellutini em “Esquina”, “Gaiola” e “Quatro Horas“. A mistura de instrumentos (charango, cavaco, violão, baixo, gaita, trompete, tuba, teclados, cajon, bateria e muita percussão) dá uma ideia do clima do disco.

Encontros e desencontros
“Eu e o Tiago começamos a nos reunir no  apartamento onde eu morava, no Largo da Batata, pra fazer um som e tocar músicas que não eram nem samba o suficiente pra banda dele, nem rock o suficiente pra minha. Um dia, a Karin tava vendo a gente ensaiando e o Tiago chamou ela pra tocar um piano em uma música. E aí viramos um trio que tocava com cavaco, violão e um teclado de iniciante em um apartamento de um quarto. Por isso DeBolso”, conta Fred.

Pra completar a banda, ele convidou um colega da universidade Unesp-Bauru, Diego Bravo, que tocava numa banda de eletrônico, chamada Strange Music. “Ele entrou pra tocar percussão e aí começamos a compor pra caramba e fazer alguns shows entre 2011 e 2012”, afirma.

Entre alguns shows intimistas, a banda abriu show para o Marcelo Perdido e Hidrocor no Cafofo, em Pinheiros, e tocou em um evento do Zona Punk, no centro. Mas em 2013, Fred e Karin pediram demissão de seus empregos e foram morar em Berlim. “A Banda ficou meio parada, mas o Tiago continuou compondo. A música ‘Esquina’ é dessa época”, conta.

Gravação do disco "Envelhecer"

Gravação do disco “Envelhecer”

Ouça o disco “Envelhecer” completo:

– Spotify:
https://play.spotify.com/artist/1zLViYnVi3Own0KpwNgC8R?play=true&utm_source=open.spotify.com&utm_medium=open

– Soundcloud:
https://soundcloud.com/abandadebolso

5 covers de músicas brasileiras feitos por artistas internacionais

Alegria, alegria, amiguinhos. A música brasileira está na moda entre os hipsters, indies e rebeldes de iPhone e pra comemorar tanto hype, selecionei 5 covers massas de bandas gringas tocando clássicos brazucas.

beirut-cover-mpb

 

1)”Um girassol da Cor do seu cabelo” – Mia Doi Todd + José González

RH Loft Party: Mia Doi Todd + José González from Red Hot on Vimeo.

2)”Leãozinho” – Beirut

3)”You don’t know me” – Magic Numbers

4)Panis Et Circenses – Sean Lennon

5) Ponto de Areia – Esperanza Spalding

Bônus: Garota de Ipanema – Amy Winehouse

Falando em rebeldes de iPhone, você já conhece o livro “Canções para ninar adultos”? Compra ai!

“Os últimos dias de paupéria (Do lado de dentro)” – O livro que reuniu os escritos do poeta Torquato Neto

“Existirmos, a que será que se destina?”

***

É legal que a gente encontre fácil no Brasil a edição da Conrad de “Reações Psicóticas” de Lester Bangs, famoso crítico musical americano. Seria legal termos essa facilidade com a obra de Torquato Neto (1944-1972), um dos nossos Lester Bangs.

Torquato Neto era um blogueiro dos anos 70. Escrevia a coluna “Geléia Geral” no jornal Última Hora, onde cobria a vida cultural brasileira (especialmente do Rio), com foco na música, no cinema e num pouco de literatura. Do teatro ele não gostava muito, mas anunciava as novidades, assim como uma ou outra notinha sobre artes plásticas. É legal acompanhar dia após dia, na sua “Geléia Geral”, a história da música brasileira (e mundial) nos ricos anos 71 e 72. Torquato, saudosista, reclamava que a MPB estava muito parada. Pra quem lê hoje soa como ironia. Eram os anos de “Fa-Tal” da Gal (Com “Vapor Barato” e “Pérola Negra”), “Transa” o (disco em inglês) cult do Caetano, “Construção” do Chico Buarque (com a faixa título mais “Cotidiano”, “Deus lhe pague”, “Valsinha” e meia dúzia de clássicos) e o discão do rei Roberto Carlos que trazia “Detalhes”, “Debaixo dos Caracói dos seus cabelos” e “Como dois e dois”. Lá fora, John Lennon estava de música nova: Imagine. E Torquato avisava a galera pra se ligar em uma banda inglesa que estava amadurecendo bem; o Pink Floyd. (Ainda dois anos distante de lançar seu mega-sucesso “The Dark Side of the Moon”). E os Novos Baianos começavam a se tornar íntimos de João Gilberto. (influência que daria origem ao clássico “Acabou Chorare”).

No cinema, Torquato era do time dos “undigrudis”: Ivan Cardoso, Rogério Sganzerla e, claro, Zé do Caixão. Descia a lenha no cinema novo, de Cacá Diegues e Arnaldo Jabor, que passara a ser patrocinado com grana estatal. Só poupava Glauber das críticas. E se empolgava com a tecnologia das câmeras Super 8. 40 anos antes de Youtube e das filmadoras digitais ele previa: todo mundo vai ser cineasta.

Torquato encarnando o Nosferatu Brasileiro

 

“Os últimos dias de paupéria” (organizado por Wally Salomão e Ana Maria Silva de Araújo Duarte) foi publicado postumamente. Torquato estava preparando um livro ( que devia chamar-se “Do lado de dentro”) quando se suicidou com gás de cozinha no dia do seu aniversário de 28 anos. Morreu sem publicar nenhum livrinho em vida. Deixou suas crônicas musicais, suas letras (“Geléia Geral” e “Louvação” com Gil, mais uma dezena com Caetano, Jards Macalé, Edu Lobo e a parceria póstuma de “Go Back” com os Titãs), algumas cartas (numa das quais conta como fumou haxixe com JIMI HENDRIX) e poesias – era poeta tropicalista, amigos dos concretistas e admirador da poesia marginal de Chacal, então estreante. Também dirigiu e atuou em alguns filmes Super 8. Sua empolgação com música-cinema-literatura não o segurou na vida, deprimido com a falta de liberdade da ditadura e a falta de bom gosto da esquerda. Nasceu no tempo errado. Inspirou Caetano numa de suas melhores letras; “Cajuína”, do álbum “Cinema Transcendental” (1979). Aquela que começa existencialista assim:
“Existirmos, a que será que se destina?”.

Veja também:
– “Bandido da Luz Vermelha”, clássico do cinema marginal brasileiro

-A época em que Gal Costa foi musa dos doidões brasileiros

“Tigresa” – Ney Matogrosso & Caetano Veloso

Que o Ney Matogrosso foi o maior frontman rock n’ roll do MUNDO ninguém duvida, né? Agora, deixando de lado seu rebolado, Ney quebra tudo com sua voz nessa balada foda do Caetano, tirada do discaço “Bicho”. Se você não gosta de Caetano, ok, vai ouvir punk rock. Se você gosta de rock, e quer um bom motivo pra ouvir o baiano, baixa aí o “Transa” e o “Bicho” e depois conversa com a gente. Semana que vem tem mais #somdesexta. Ah, e a título de curiosidade: essa música é em homenagem à musa Sônia Braga.

Banda fofa faz piada com bandas fofas: “Ma Cherie” – Hidrocor

Faz muito tempo que acompanho o Marcelo Perdido e sua banda @hidrocor tendo boas ideias de como divulgar e distribuir música na internet. Os caras já tinham feito o-clipe- hipster-a-la-beirut-em-plano-sequência-muito-antes-da-Banda-Mais-Bonita-da-Cidade, e agora parecem ter conseguido emplacar um webhit com a fofinha “Ma Cherie”. O bom é que na letra os caras tiram um sarrinho com clichês da nova MPB e… DAS BANDAS FOFAS. Quem consegue fazer piada com a própria imagem tem espaço aqui no Punk Brega. E boa tarde.

Caetano Veloso é rock ‘n’ roll? Ouça “Eu quero essa mulher assim mesmo”

O ano era 1973, e Caetano Veloso já tinha gravado seus discos rock ‘n’ roll de exílio (“Transa”, “London, London”) e ainda assim conseguiu chocar os ouvintes com o experimental “Araçá Azul”, cuja melhor faixa – na minha humidel opinião – é essa versão hard rock psicodélica do samba “Eu quero essa mulher assim mesmo” de Monsueto. Destaque para a guitarra endiabrada do gênio Lanny Gordin.

-Se curtir, se joga na Gal rock ‘n’ roll

100 canções essenciais da Música Popular Brasileira

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A Bravo! lançou um especial “100 canções essenciais” com textículos e textões do amigo Gustavo Heidrich, listando as melhores músicas da MPB. Como todo lista vai gerar polêmicas: a música de escolhida de Chico Science foi a ok “Rios, Pontes e Overdrives”(uma das justificativas pra sua escolha foi ter 56 vezes a palavra mangue repetida) que não é nem seu hit, nem sua melhor letra, muito menos a melhr melodia. E tem 10 músicas do Chico Buarque(10% da lista!). Mas no geral tem vários clássics mesmos e os textos tem informações bacanas. As dez primeiras seguem abaixo:

1 – “Carinhoso”, de Pixinguinha e João de Barro


2 – “Águas de março”, de Tom Jobim
3 – “João Valentão”, de Dorival Caymmi
4 – “Chega de saudade”, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes
5 – “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso
6 – “Tropicália”, de Caetano Veloso
7 – “Último desejo”, de Noel Rosa
8 – “Asa branca”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira
9 – “Construção”, de Chico Buarque
10 – “Detalhes”, de Roberto Carlos e Erasmo Carlos

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