Ouça o disco novo “mundo livre s/a vs Nação Zumbi”

Capa do disco "Mundo Livre s/a vs Nação Zumbi"

Quando a Deck Disk lançou o álbum “Raimundos vs Ultraje a Rigor” (com uma banda fazendo covers de sucessos da outra), eu confesso que achei um lance meio caça-níqueis. Talvez porque o Ultraje já tenha regravado diversas músicas em álbuns ao vivo, acústicos e de covers. Ou talvez tenha sido só preconceito mesmo. Acontece que agora a Deck está lançando esse lindo e sensacional “Mundo livre s.a. vs Nação Zumbi” com as duas bandas fundadoras do movimento mangue beat gravando covers uma da outra. Vai ouvindo enquanto eu falo:

Bom, o lado do Mundo Livre s/a abre a bolachinha e é uma das coisas mais energéticas e “jovens” que eles gravaram em anos. E olha que eu acho o último disco de inéditas deles (“Novas Lendas da Etnia Toshi Babaa”) bem bom. Mesmo sendo um disco de regravações (de muitas das melhores canções da da fase Chico Science e algumas da Nação Zumbi), eles não seguiram o caminho fácil do cover e investiram em ótimas versões com arranjos criativos e psicodélicos – ora muito pops, ora porradas punks como as que gravaram em seu segundo disco “Guentando a Ôia”. É engraçado que influências do começo de carreira deles como Clash e Titãs parecem ressurgir quando Fred 04 e cia regravam músicas de seus velhos chapas de Recife. O lado da Nação Zumbi também é bom, com destaque para primeira música (“Livre Iniciativa”) que ficou mais “hit” que a original e traz coloridos novos para a tradicional fórmula da Nação. O mal desse lado da bolacha é um mal antigo: o vocal do Jorge du Peixe continua lá monocromática e um pouco cansativo. Pra quem é fã, maravilha. Já quem acha o estilo do cantor repetitivo vai enjoar rápido. Destaque também para  a safada”Bolo de Ameixa” que abre com um riffão de guitarra pesada.

O clima todo do disco – apesar da ótima e intrincada produção – é de uma grande celebração entre amigos. Uma celebração pelos mais de 20 anos de mangue beat e de amizade entre as bandas. E funciona pro movimento pernambucano como os discos “O Barulho dos Inocentes” e “Feijoada Acidente?” (do Ratos de Porão) funcionaram para o punk nacional. Compra aí que vale a pena!

Chico Science – Galeria de Anti-Heróis

Uma imagem fala mais que mil segunda-feiras

Chico Science revolucionou a música brasileira inventando o Mangue Beat

 Chico Science (1966 – 1997): compositor, músico e um dos criadores do movimento Mangue Beat. Influenciou quase todas bandas brasileiras dos anos 90 e deixou dois discos gravados antes de sua morte prematura: “Da Lama ao Caos” e “Afrociberdelia”.

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Nação Zumbi: Da lama ao (zine) KAOS, entrevista com a banda em Bauru.

Eu estava no terceiro ano de jornalismo na Unesp-Bauru, e tocava o zine Kaos! com meu irmão. Tínhamos um site(criado pelo Thiago Montanari) e uma edição impressa- ou melhor, xerocada -, que sempre trazia uma entrevista musical nas páginas centrais. Em 2004, a Nação Zumbi veio tocar no Sesc com o dançarino Nelson Triunfo. Eu e o amigo Eduardo Moraes fomos até lá entrevistar os caras. Conseguimos falar com os percussionistas Toca Ogam e Marquinhos, que estavam, digamos, no “caminho do Blunt of Judah”. A entrevista chapada não ficou 100%(tinha um monte de estudante querendo entrevistar os caras pra vários trabalhos e jornaizinhos), mas resolvi ressuscitá-la aqui ao lado de outras entrevistas do KAOS que já republiquei.

***

Toca Ogam no caminho do Blunt of Judah
O dia do trabalhador(01/05) foi comemorado com um dos melhores shows já vistos em Bauru-SP. Dez anos após tocarem no Sesc local pela primeira vez(acompanhando Chico Science), a Nação Zumbi voltou quebrando tudo em uma performance eletrizante. Contaram ainda com a participação especial de um dos primeiros ativistas do hip hop; Nelson Triunfo. Após o show, Fred Di Giacomo e Eduardo Moraes participaram de entrevistas com os artistas, de onde voltaram com hip hop, turnês internacionais e fotos inspiradas de Renato Bueno.

Vamos começar falando da turnê. Onde vocês tocaram no ano passado(2003)?

Marquinhos: A gente saiu do Brasil e tocou num festival conhecido como Omex, tocamos em Sevilha, né, Toca?

Toca Ogam: Sevilha, fizemos Madri também e outras cidades da Europa….

E os discos, foram lançados lá fora?
T.O. :
Sim, o “Rádio S.amb.A.” foi lançado lá, o “Afrociberdelia”…

M:O “Nação Zumbi”…

Como é que o público reage lá?
T.O.: Quando você vai tocar pra gringo, nas 5 primeiras músicas eles começam só a balançar a cabeça, mas depois eles vão se soltando e começam a dançar, gritar. Lá eles fazem muita ligação da gente com o Olodum.

O que você acha do potencial de misturar a música tradicional com a música eletrônica?
T.O.:
Misturar todo mundo mistura, o negócio é misturar e dar um bom gosto. Não pode ficar amargo.

M.:Misturar e criar um som que continue na estrada não é fácil. Cada dia estão surgindo coisas novas, ideias novas. Você tem que ficar ligado. Ouvindo música, lendo muito, pra poder fazer um trabalho legal. O mercado hoje no Brasil é muito difícil.

Vocês têm uma preocupação social nas letras, o que acham da explosão do movimento hip hop, dos Racionais?
T.O.:
Racionais eu acho foda. Eles têm mesmo que falar, é o trabalho deles.

M.: Eles falam das coisas que acontecem realmente na periferia, na cidade. Eu acho isso maravilhoso.

Como está a cena de Recife hoje?
M.:
Rolou o Abril Pro Rock agora, vocês ficaram sabendo, né? Não deu pra gente estar lá, mas sempre têm festivais. A gente mora em Peixinhos e tem um movimento grande lá. A gente faz festa e está sempre movimentando o bairro. A coisa no nordeste está crescendo cada vez mais, estão aparecendo bandas novas.

Tem bandas novas legais?
M.:
Tem alguns caras que a qualidade da música… Não é só fazer música por moda, sabe? Nego vê a gente tocando, fazendo som e trabalhando pelo mundo e acha que vai ser legal fazer isso, mas não é só isso. Tem que ter a vibe, o groove…

T.O.(interrompendo): O comércio da música é muito grande. Hoje qualquer um grava e eu acho que não é por aí. Tem que ter um respeito pra se fazer música. Tem banda que tem um puta bom trabalho, mas não tem condições, que toca com guitarra emprestada. Você tem que ter coragem, encarar, e no final têm 10.000 nego te aplaudindo. Foda-se o resto. Tem várias bandas que vão atrás de rádio, pra que ir na rádio? Deixa a rádio ir até você.

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 -10 bandas clássicas do rap nacional
– Entrevista exclusiva com Arnaldo Baptista, o genial líder dos Mutantes

mundo livre s/a lança disco “Novas lendas da etnia Toshi Babaa” – Ouça “Ela é indie”

Uma das bandas mais fodas do Brasil, mundo livre s/a lança o disco “Novas lendas da etnia Toshi Babaa”. Já dá pra ouvir algumas no Youtube, como a suingada “Ela é indie”.

Este é o 7º álbum de inéditas da banda (incluindo o EP “Bebadogroove”) e foi inspirado em diversas denúncias de biopirataria na Amazônia. O mundo livre s/a, liderado por Fred 04, foi uma das bandas fundadoras do Mangue Beat, ao lado de Chico Science e Nação Zumbi.

– Mais música

mundo livre

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