Os 47 livros que li em 2018

2017 não foi um ano fácil. E nem tô falando da economia que derreteu (apesar dela ter influenciado nos meus trabalhos), nem das tretas na política (que derrubam um pouco nosso humor todos os dias). Pra resumir a história, vamos dizer que a coisa começou com uma pessoa da família presa injustamente (já solta, graças) e terminou com meu filho na UTI. No meio do caminho, diversas pedras.

Pra ajudar a bicar essas pedrinhas inconvenientes pra longe, ainda bem, existem os livros. E minha retrospectiva do ano eu faço por meio deles. Mesmo com a correria do filhote pequeno e as visitas aos hospitais, deu pra ler 47 livros em 2017. Uma boa parte foi pra pesquisa do meu primeiro romance (que a princípio se chama “Desamparo”) – um pequeno épico sobre uma cidade no noroeste paulista. (Meu romance deve sair ainda no primeiro semestre e ele foi um dos ganhadores do edital da prefeitura de São Paulo. \o/.) Mas também deu pra me aprofundar na minha listinha de “clássicos pra ler”, me divertir lendo biografias de roqueiros e artistas e desbravar alguma poesia.

Abaixo vão os livros que li esse ano por categoria e classificação de corações. Como sempre, não avaliei livros de conhecidos. 😀

PS: Quem me lembrou de publicar minha lista esse ano foi meu amigo Rafael Kenski.

CLÁSSICOS
O leopardo,
Giuseppe Tomasi di Lampedusa ♥♥♥♥♥
Steppenwolf (Lobo da Estepe),
Herman Hesse ♥♥♥♥♥
Hamlet,
William Shakespeare ♥♥♥♥♥
Cem anos de solidão, Gabriel Garcia Marquez, ♥♥♥♥♥
Hunger, Knut Hamsun ♥♥♥♥
Ninguém escreve ao coronel,
Gabriel García Marquez ♥♥♥ ♥/2
Robinson Crusoe, Daniel Defoe ♥♥♥
Passagem para a Índia, E.M. Forster ♥♥♥

LITERATURA BRASILEIRA
Um defeito de cor, Ana Maria Gonçalves ♥♥♥♥ ♥/2
A Paixão segundo G.H.,
Clarice Lispector ♥♥♥♥
Os Sertões (Campanha de Canudos), Euclides da Cunha ♥♥♥ ♥/2
O analista de Bagé, Luis Fernando Veríssimo ♥♥♥

POESIA
Livro sobre nada,
Manoel de Barros ♥♥♥♥
Um amor feliz, Wisława Szymborska ♥♥♥♥
Mar absoluto e outros poemas, Cecilia Meireles ♥♥♥
Velório sem defunto,
Mario Quintana ♥♥ ♥/2.

SOBRE LITERATURA
O Cânone Ocidental, Harold Bloom ♥♥♥♥♥
Panaroma do Finnegans Wake,
James Joyce/Haroldo e Augusto de Campos. ♥♥♥♥♥
Romancista como vocação, Haruki Murakami ♥♥♥♥♥

FILOSOFIA E HUMANIDADES
 A conquista da felicidade, Betrand Russell, ♥♥♥♥♥
 Sejamos todos feministas, Chimamanda Ngozi ♥♥♥♥

QUADRINHOS
Sin City: The Hard Goodbye Curator’s Collection,
Frank Miller ♥♥♥
Habibi,
Craig Thompson  ♥♥  ♥/2 

SOBRE MÚSICA
My bloody roots,
Max Cavalera ♥♥♥
The Beatles: A história por trás de todas canções, Steve Turner ♥♥♥
Cliff Burton: a vida e a morte do baixista do Metallica, Joel Mciver ♥♥♥

BIOGRAFIAS e JORNALISMO
Prisioneiras, Drauzio Varella ♥♥♥♥♥
Abusado, Caco Barcellos ♥♥♥♥♥
Roberto Civita: O Dono da Banca, Carlos Maranhão ♥♥♥♥♥
Entre duas fileiras,
Gerald Thomas ♥♥♥♥

PESQUISA HISTÓRICA PRO MEU PRIMEIRO ROMANCE
Tenente Galinha – Caçador de homens: Eu sou a lei!,
Adherbal Oliveira Figueiredo ♥♥♥♥
A Carne e o Sangue – a Imperatriz D. Leopoldina, D. Pedro I e Domitila, a Marquesa de Santos,
Mary Del Priore ♥♥♥ ♥/2
O passado, passado a limpo,
Glaucia M. de Castilho Muçouçah Brandão ♥♥♥ ♥/2
Penápolis: História e Geografia,
Fausto Ribeiro de Barros ♥♥♥
Padre Claro Monteiro do Amaral,
Fausto Ribeiro de Barros ♥♥♥
Achêgas para a história de Penápolis,
Fausto Ribeiro de Barros ♥♥♥ 
Salto do Avanhandava: História e documentação,
Orentino Martins ♥♥ ♥/2
Minha vida de menina,
Helena Morley ♥♥  ♥/2
Andanças,
Oroncio Vaz de Arruda Filho ♥♥ ♥/2
Maria Chica: o símbolo da mulher pioneira nos campos do Avanhandava,
Adolpho Hecht e Ricardo Carneiro ♥♥
Dioguinho: o matador de punhos de renda,
João Garcia ♥♥
Maria Chica: a saga de uma heroína,
Glaucia Maria de Castilho Muçoçah Brandão ♥
Roberto Clark: meu avô,
Fernando José Clark Xavier Soares ♥
Fernando Ribeiro de Barros: o Conquistador de Paris,
Joaquim Cavalcanti de Oliveira Lima Neto ♥/2

LIVROS DE AMIGOS E CONHECIDOS
 Se eu quiser falar com Deus, Dimas Mietto
Amorte chama semhora, Jr. Bellé
Penápolis: nativos, povoamento, ferrovia e os ciclos econômicos, Alessandra Jorge Nadai e Cladivaldo A. Donzelli

 

 

 

 

 

Ainda que eu falasse a língua dos livros

O amor pelos livros eu herdei dos meus pais,
Essa era a única riqueza que eles estocavam em casa
Enquanto colecionavam pequenas dívidas e davam aulas
Em escolas públicas da periferia de Penápolis.

Ler era a língua deles
E eu precisava ler, se quisesse tocá-los
Especialmente meu pai
Que não falava a língua dos homens
Apenas a língua datilografada das páginas pintadas de pigmento preto.

Então, eu ambicionei mais
Eu quis ser parte daquele clube que chegava em casa, impresso a quilômetros de distância em gráficas de São Paulo e do Rio de Janeiro
Eu quis escrever meu nome na pedra que o tempo come
Mas come mais lento e com mais amor que os demais
O tempo tem carinho pelos escritores
Porque eles dedicam sua vida a recordar
E gravar pequenos acontecimentos extraordinárias em cápsulas invioláveis que chamam de livros
E eu chamo de vida.

Escrever era minha única opção
Para sobreviver
Para não enlouquecer
Para continuar.

Antes de ter dinheiro para pagar terapia
Eu escrevia
Por todos 18 anos de virgindade casta
Eu escrevia
Por todos aqueles anos sem dinheiro no bolso
Sim, eu escrevia
E ainda escrevo
Ainda que as palavras
Arredias
Insistam em soar vazias.

Escritor multimídia Fred Di Giacomo lança “Guia poético e prático para sobreviver ao século XXI”

Capa do livro "Guia poético e prático para sobreviver ao século XXI", de Fred Di Giacomo

Capa do livro “Guia poético e prático para sobreviver ao século XXI”, de Fred Di Giacomo

Guia poético e prático para sobreviver ao século XXI” é uma tentativa poética de construir pontes literárias entre mundos distantes, numa época em que o ódio ergue muros e nos isola. São poemas caipira punk que revezam lirismo com pancadaria, Mano Brown com Walt Whitman, Penápolis com Pinheiros, Konstantinos Kaváfis com Beyoncé – delicadas fotos do interior (do Estado e do poeta) com coquetéis molotov que explodem “na cabeça do século”.

Fred Di Giacomo procura transformar a sensação desconfortável de solidão e não pertencimento em um santuário de versos e samplers de rimas, que emulam a mítica casa da Tia Ciata, onde escritores modernistas, como Manuel Bandeira e Mario de Andrade, ouviam a música revolucionária de Ismael Silva, Pixinguinha e Donga com impacto transformador para nossa antropofágica cultura.

Se interessou pelo livro? Adquira o seu aqui! 😀

Caipira punk de Penápolis, cidade do sertão paulista; o escritor e artista multimídia Fred Di Giacomo já foi chamado de “polymath” (algo como “renascentista”) pela Vice americana e elogiado por fazer ” um free-jazz que junta o repertório de vasta leitura com a velocidade fragmentada da sua geração (…) rápido nos diálogos como um devasso de pornô-chat” pelo jornalista Xico Sá (que assina a orelha do seu primeiro livro). Fred usa plataformas como livros, games, poemas, sites, músicas e infográficos para contar histórias, se comunicar com os leitores e produzir arte.

 

Entrevista sobre o livro:

Joguei meu iPhone nas águas sujas do Tietê – conto

um conto de Fred Di Giacomo, publicado no livro “Canções para ninar adultos” (Editora Patuá)

Joguei meu iPhone no meio das águas sujas do Tietê. Era o que precisava ser feito. Era o que eu tinha que fazer.

***
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— Você foi feliz?
— Como assim, Alex? Pergunta estranha…
— Não, vô, queria saber se você foi feliz, de verdade. Se sua vida valeu a pena.

Meu avô era um self-made man. Eu era um bundão. Ela tinha saído do sertão do Ceará, trampado como porteiro, peão, engraxate, estudado engenharia, passado em concurso público, ganhado dinheiro, criado os filhos, comprado dois apartamentos (um na praia, claro) e uma dezena de carros e pagado as contas de todos os almoços da família. TO-DOS. Porque meu pai não tinha grana. Ele era formado em sociologia e trabalhava em ONG. E isso tinha sido a grande luta da família desde que eu me entendo por gente. Meu avô era um cabra ferrado na vida que ganhou dinheiro. Meu pai era um cara que perdeu dinheiro. Pra ser feliz. Mas agora estava decepcionado. Trabalhar com menor abandonado não é fácil. Eu sei, eu o vi chegar a vida toda esmagado em casa, fazendo dívidas, se atolando no cartão de crédito e, muitas vezes, ele fazia tudo isso para tentar ajudar quem não queria ser ajudado. As histórias eram tristes:

— Essa semana a Rota aprontou de novo.
— Rodrigo, precisa desses assuntos na mesa? – minha mãe achava que na hora de comer não devia se falar de fofoca, doença ou tragédia. Era uma mulher sábia.
— Foi uma execução sem motivo. Pegaram seis moleques, lá no centro. Os seis cheirando cola, benzina, alguma dessas químicas. Os policiais fizeram a molecada beber tudo. E depois ficaram esperando pra ver a pivetada estrebuchar. Teve um que demorou pra apagar. E aí eles botaram no carro e ficaram dando volta com ele, até morrer. Os comerciantes da área acharam certo. Na verdade, essa era a piada do dia.

***
De volta ao almoção de domingo na casa da minha avó. Macarrão, frango, Coca-Cola e doce-de-leite.

— A vida foi boa comigo, Alex. Eu comprei carro, casa, e, se não tivesse feito o que fiz, não tava podendo ajudar seu pai.
— Eu sei que o senhor foi bem sucedido, vô. Tô perguntando se o senhor foi feliz. O senhor fez o que queria da vida? Hum… Não “da vida”. Fez o que queria “pra vida”?
— Se a gente faz o que quer da vida, morre de fome, menino. Olha o seu pai… Eu falei pra ele cursar engenharia, sabia que ninguém vivia de fazer ciências sociais. Isso é hobby de rico. Mas ele não me escutou, agora tá aí…

Eu devia ter defendido meu pai? Sei lá, acho que isso quis dizer que o vô não era feliz. Eu não era feliz. Eu tinha momentos de felicidade. Li numa entrevista na revista Trip que a felicidade é uma distorção de humor, assim como a tristeza. Que o melhor é ser sereno. Eu acho bom ser sereno, tranquilo. Mas prefiro ser feliz. Tentar ser, pelo menos.

Todos meus amigos estavam tentando ser felizes. Mas o mais próximo disso que conseguíamos alcançar era ficar bêbado, mesmo. Por isso todo mundo – os manos e os hipsters – gostavam da música nova do Criolo. Ela dizia: “Os bares estão cheios de almas tão vazias”, e também dizia que não existia amor em SP. Eu tinha escrito antes num verso: “São Paulo, eu queria te abraçar”. Acho São Paulo a cidade mais incrível e mais triste do mundo. Parece uma musa banguela. Uma prostituta por quem o freguês se apaixona e insiste em querer tirar da vida. Eu sempre gostei de mulheres tristes. Tristes e loucas. Eu queria tomar conta delas e queria que elas tomassem conta de mim.

— Entendi, vô. Eu acho muito importante o que você fez. Sua história é bonita, mas… Eu tava pensando na minha vida…
— Não pensa não, filho. Pensar não enche barriga de ninguém.
— Alex, para de ficar tão preocupado e come mais. Nunca vi meu netinho tão magrinho… Você sabe que a vó te ama, né, filho?

Minha avó parecia feliz. Até que começaram a aparecer os primeiros sintomas do Alzheimer. Isso foi despertando o lado mais cruel dela. Uma raiva forte do meu avô, que nunca lhe deu muita atenção, nunca estava em casa, nunca tinha tempo para o filho. Mas teve tempo para arrumar amante, né? E ela ali, sempre tão fiel, sempre tão correta…

E meu pai? Foi feliz? Não sei, não tenho coragem de perguntar ao velho. O que sei é que ele foi um idealista, um exemplo, e agora chora porque teve que cortar seus canais de TV a cabo. Todo mundo vai querer comprar roupas boas quando ficar velho? Não faço ideia; hoje o buraco que carrego não é esse. Um colega de trabalho queria muito dirigir um filme, mas tem medo. A outra queria viajar por seis meses pelo mundo, mas tem medo também. Muita gente não sabe o que quer, mas acha que vai conseguir. Eu sinto falta de fazer algo relevante. O que eu posso fazer para melhorar o mundo, sem virar um político feladaputa ou um pregador messiânico? Às vezes parece que a única opção para viver bem é fazer propaganda de sabonete e margarina.

Nessas propagandas, as pessoas sempre são felizes.

***

— Alex, isso é muito chato.
— Por quê, Sabrina?
— Porque é muito duro, muito sujo. Poesia é muito brega.
— Ha, ha, ha. É mesmo. Ninguém lê poesia.
— Lê o que então, Jeferson?
— Pô, conto. Sei lá, coisas mais bem-humoradas.
— É, Alex, o Jeferson falou uma coisa que é verdade. A arma da nossa geração é o humor. A revolução vai vir dos memes e dos tumblrs.
— Se você for ver, Alex, hoje em dia quem manda no mundo são os blogueiros. Não tem mais esse negócio de Globo, Abril….
— Porra, a internet mudou tudo.

(Mudou?)

— Sei lá, vocês devem estar certos. Acho que tô bêbado.

***

Um resumo nada empolgante da vida deste cronista até aqui: nasceu pobre. Bem, pobre não. Classe média baixa. Estudou muito. Fez uma boa faculdade. Começou a trabalhar. Ganhou dinheiro. Subiu alguns degraus na vida. Trabalha em algo que não faz sentido pra ele. Mas paga iPhone, viagem pra Europa, cerveja artesanal, balada descolada. Na Europa, viu um grafite no banheiro: “Capitalism is dead, sent from my iPhone”.

Sentiu-se, ele também, um rebelde de iPhone.

***

Não sei para onde vou, mas hoje pedi demissão do meu emprego. Minha chefe me chamou de imaturo, disse que a geração Y não aguenta o tranco. Que o que eu estava fazendo era coisa de riquinho mimado. Que desse jeito o Brasil nunca iria pra frente mesmo. Eu sorri para ela. Não sabia por quê, mas me sentia terrivelmente bem e leve.

Como não me sentia desde o dia em que fiz um crachá naquela multinacional.

***

Joguei meu iPhone no meio das águas sujas do Tietê. Era o que precisava ser feito. Era que eu tinha que fazer.

Para ouvir ao som de:

Leia também:
-Assista entrevista com o escritor Fred Di Giacomo falando sobre “Canções para ninar adultos”
– Leia o conto “Sexo virtual, pop e desencontros”
 -Leia o conto “Preto no Branco” sobre um palhaço triste e pobre e sua musa indecisa

“A Ilha” – um conto do livro “Canções para ninar adultos”, ilustrado por Sabrina Barrios e escrito por Fred Di Giacomo

por Fred Di Giacomo

Eu escrevi  “A Ilha” em 2005, quando estava na faculdade. Tive a ideia central pro conto deitado na cama, um pouco antes de pegar no sono. Originalmente ele faria parte de um livro que chamaria “Amor em Tempos de Aids” e acabou dando origem ao “Canções para ninar adultos“, lançado em 2012 pela Editora Patuá. “A Ilha” é uma pequena fábula sobre amor, controle, desejo e utopia – influenciada pelo mestre Saramago – e é também um dos contos que acabou me dando a ideia pro título do livro, um dos que se encaixa no conceito de “conto de fadas para adultos”.

As ilustrações foram feitas pela minha amiga e artista plástica Sabrina Barrios, quando participávamos de um coletivo chamado Clube de Ideias.  Esse versão de “A Ilha” é um pouco diferente da que estava publicada neste blog. Ela passou por uma revisão do pessoal da Editora Patuá, que modificou alguns parágrafos e deixou o texto mais claro e menos truncado.

Se você curtir o conto, experimente a bela edição publicada pela Patuá, você pode comprar online aqui.

***

Desejo

Fazia muito tempo que estavam ali: o jovem e a menina. Tanto tempo que já nem sabiam mais o que tinha acontecido direito. Eram os únicos sobreviventes de um naufrágio, disso tinham certeza, do resto não lembravam muito: se eram parentes, se haviam se conhecido no acidente, se viajavam de barco ou avião. Nem do seu nome recordavam-se, perderam-se, assim, sem passado, sem memória e sem nomes, tendo de inventar novamente a vida. Às vezes, a menina sonhava com a mãe. Não lembrava direito, mas entendia o que era uma mãe; quando sonhava sentia o cheiro de proteção e o calor do afeto. Ela devia ter por volta de cinco anos e ele quinze. A diferença de idade os afastava. Não podia ser seu pai, e nem seu amante – estava no ápice das descobertas sexuais e sentia muita vontade de ter uma mulher. Decidiram que quando ela fizesse quinze anos poderiam casar; até lá, seriam como irmãos.

A menina inventou que o jovem se chamava Desejo e ele a chamou de Utopia. Viviam sozinhos, com as árvores e os peixes, alimentavam-se de cocos e frutas e andavam nus. Desejo era loiro de cabelos encaracolados e Utopia tinha cabelos negros curtos e uma pinta na bochecha. Desejo ensinava tudo que sabia a Utopia sobre o pouco que lembrava da vida antiga e sobre o que aprendia a cada dia na ilha. No início ele brincava com ela também, mas, quanto mais Desejo crescia, menos queria ser criança. Quando Desejo completou dezoito anos, começou a sonhar que Utopia era uma moça grande, com boca carnuda e seios fartos, e que os dois dormiam juntos e tinham uma porção de filhos. Às vezes, o rapaz  acordava excitado pelo sonho e sentia vergonha. Resolveu, então, que era melhor os dois dormirem separados e construiu uma divisória na cabana. A menina não entendeu direito por que Desejo tinha feito uma divisória e por que Desejo se cobria, agora, com uma folha. Foi por esses tempos que ela conheceu dois amigos imaginários: A Vergonha e o Pudor. Mas, logo, Utopia se encheu dos amigos; ela não gostava da Vergonha e achava o Pudor muito sério. Ficou mais alguns anos amiga de Ninguém, até que se irritou, porque Ninguém nunca estava lá quando ela precisava e Ninguém falava muito com ela. Ninguém sabia por que Desejo tinha coberto seu corpo e Ninguém contava para ela. Utopia achou que Desejo e Ninguém eram bobos e foi brincar com outros amigos.

A tristeza da menina se dava porque, naquela ilha, ela sem Ninguém só tinha o Desejo e o Mar, e então começou a ficar amiga do Mar. Às vezes ela queria que o Mar fosse seu pai, porque não se lembrava dele direito. Às vezes ela sonhava que era filha do Vento ou da Terra, e que sua mãe era uma virgem como Nossa Senhora, seja lá o que isso significasse… O Mar era seu amigo, e sempre a abraçava e lhe contava segredos; o Mar tinha segredos que não acabavam nunca, e quanto mais fundo ela ia com o Mar, mais ela aprendia. Desejo ignorava que Utopia tivesse tantos amigos. Na sua cabeça de quase adulto, ele via a menina brincando sozinha, e ficava com pena. Às vezes, construía algum brinquedo pra ela com madeira e bambu. Sempre que completava um ano do acidente eles comemoravam o aniversário dos dois. Desejo fazia uma festa e pescava um peixe; ficavam ele, Utopia e mais Ninguém na praia contando as estrelas. Quanto mais Utopia crescia, mais o moço se apaixonava por ela. Desejo sempre falava do tempo em que os dois se casariam – ele esperava por aquilo com muito afinco. Quando Utopia menstruou pela primeira vez, Desejo começou a construir uma casa maior para os dois morarem juntos. E Desejo aprendeu a fazer uma rede pra poder amar Utopia. Utopia parecia não se empolgar muito com isso, mas o rapaz achava que era normal por causa da idade dela.

Utopia estava então com doze anos e começara a virar “mocinha”. Ficava muito curiosa com seu novo corpo: sangrava uma vez por mês, tinha alguns pelos ralos lá embaixo e sofria com dores nos peitos. Um dia acordou com uns biquinhos e, de uma hora pra outra, seus seios começaram a crescer. Sentiu-se mal porque estava ficando diferente de Desejo. Perguntou a ele e ele riu, dizendo que ela estava virando uma mocinha. Utopia não gostava de envelhecer e, quanto mais Desejo crescia, mais ela tinha medo dele. Queria ser criança pra sempre. O único que a entendia era o Mar; olhava pra ele e via seu reflexo, uma moça igual a ela, com seios e pelos lá embaixo. Desejo era tão diferente e incontrolável, enquanto o Mar era tão calmo e sábio… Um dia ela contou ao Mar que estava apaixonada, e que não ia se casar com Desejo. Iria fugir de Desejo o quanto fosse possível.

Utopia

Desejo já estava se tornando um homem. Faltava um ano para se casar – então ele contava vinte e quatro. Já aprendera a pescar, plantar e construir utensílios de madeira, nadava como um peixe e o Mar era seu amigo. Aprendera tudo o que sabia com a Natureza; a única coisa que faltava era poder amar uma mulher. O rapaz podia sentir o amor dentro dele, queimando-o como fogo, mas era só uma ideia vaga, não algo prático. Queria compartilhar aquele sentimento com alguém, mas parecia que Utopia nunca era grande o suficiente. Agora, a menina passava os dias nadando e sempre voltava com um caranguejo ou estrela marinha.  Dizia que eram presentes que o Mar lhe dava, e se enfeitava com pedrinhas e corais. Desejo sabia que o Mar era traiçoeiro e tinha medo de que um dia ele levasse Utopia. Quando Utopia menstruou pela primeira vez, Desejo fez uma roupa para ela. Seu objetivo era controlar Desejo, porque ele era um rapaz de palavra e só queria possuí-la depois que se casassem. Nesses tempos Utopia já estava apaixonada – o Mar a enchia de presentes e, em troca, ela passava horas dentro dele.

— Desejo vai ficar muito surpreso quando descobrir que eu não sou mais mocinha. Por mais que Desejo me tente, eu me entreguei, antes, para o Mar.

O Mar sabia que a moça era dele; ela havia fugido uma vez, mas devia voltar algum dia. Só Desejo poderia levar a moça para outro destino. Quando Utopia completou quinze anos, o Mar deu a ela uma pérola, que lhe serviu como um anel de noivado. A menina, agora moça, jurou ao Mar que só amaria ele e mais Ninguém. O Mar pediu que ela somente o amasse e ponto. E assim fez.

Desejo estava muito feliz porque aquele era o dia do aniversário dos dois. Ele havia preparado tudo muito bem: fizera o aguardente com as frutas da ilha e pescara siris, camarões e caranguejos. Construíra sua casa com um quarto grande e uma rede confortável, além de fazer uma coroa de flores para que Utopia ficasse ainda mais linda no dia de seu aniversário. Mas parecia que Utopia se perdia, quanto mais velha ficava. A moça já mal conversava com Desejo, e os dois nem pareciam irmãos. No dia de seu casamento, a menina ficou no Mar toda a manhã e só voltou para casa à noitinha.

— Onde você estava, Utopia? Eu preparei nosso casamento com tanto carinho, pesquei caranguejos, siris e camarões, teci uma rede e até lhe fiz uma coroa de flores…
— Eu estava com o Mar.
— Você deveria ter cuidado com o Mar, ele é traiçoeiro. Não esqueça que foi ele quem levou a nossa gente.
— Eles devem estar num lugar melhor do que essa ilha maldita. Não aguento mais ver sua cara todo dia; não aguento mais você, Desejo. Desejo me querendo, Desejo me tentando… Eu tenho nojo do Desejo! Eu quero sumir com o Mar!
— Não diga isso, Utopia! Eu te amo tanto… Como você pode falar assim comigo? Eu sempre te cultivei, Utopia, como uma flor, e você me despreza como se eu fosse o mais vil dos homens? Minha Utopia, onde eu errei? Quando eu te perdi?
— Eu não sou sua Utopia, eu não sou de Ninguém! Eu não tenho dono, eu não tenho destino traçado, foi tudo um acidente…
— Como um acidente? Você me traiu, Utopia!
— Um acidente, pois por acaso eu conheci o Mar, e com ele descobri o mundo. Me apaixonei pelo Mar e seus mistérios, o Mar e seus presentes. Eu preciso do Mar. Me identifico com ele, que também tem seu lado feminino, no qual vejo meu reflexo, a Mar. Não só “o Mar”, como a Mar é linda também.
— Minha Utopia, completamente perdida, minha Utopia está morta! Onde se escondeu aquele sonho? Onde se perdeu minha menina? Cuidei de você como o mais valioso dos tesouros, a pus numa redoma de vidro. Num mundo em que só existíamos você e eu, como evita me amar?
— Entenda, Desejo, que você é muito importante para mim, mas que eu quero o Mar. Entenda que nasci para Mar e dele sou parte, nele encontrarei minha família, meus pais… Não suporto mais morar nesta prisão!
— Impossível, eu não vou aceitar isso! Você tem que ser minha, eu esperei muito por esse momento!

E Desejo partiu para cima de Utopia, agarrou-a pelos cabelos, agora compridos, e beijou sua boca vermelha e carnuda. Sentiu seu peito contras os seios da menina, e um calor correu por seu corpo. Desejo enlouqueceu. Desejo estava cego, atirou a menina na areia e pulou sobre ela. Arrancou a folha que cobria os pelos, já não mais ralos, de Utopia e colocou a mão em sua parte de baixo: estava molhada, com água salgada.

Mar

— Mas como? Quem?
— O Mar! O Mar entrou em mim, Desejo. Ele me transformou em mulher, antes de você! Há tanto Mar dentro de mim que você nunca vai poder tirar… Por isto estou molhada: por causa do Mar. São dele as lágrimas que saem dos meus olhos, salgadas também. Eu sou do Mar, Desejo. Você pode me possuir agora, mas eu nunca vou te amar.

Desejo havia quebrado a Utopia, que estava deitada no chão chorando, encolhida. Abraçada aos joelhos em posição fetal, de seus olhos saíam pequenos pedaços de água do Mar. A pérola que havia ganhado reluzia, presa aos seus cabelos negros. Desejo perdeu, então, o controle – começou a chorar e notou que o Mar também o contaminara. Tentou conter as gotas salgadas que saíam de seus olhos. Odiava o Mar, pois ele lhe roubara tudo: seu passado, sua memória, seu amor, seu tempo. Fez-se amigo do Mar, mesmo sabendo que o Mar o destruiria. O Desejo estava dentro do Mar, e o Mar dentro do Desejo. Ficou louco de vez. Saiu correndo e gritando, vermelho, enquanto arrancava os tufos loiros da cabeça,
desesperado. Gritou muito alto e Ninguém ouviu. Aquele dia o Mar estava bravo, agitado. Desejo pulou no Mar com ódio, mas o Mar o abraçou e o estrangulou. As lágrimas de Desejo fundiram-se com o Mar, e o Mar entrou em Desejo pelos pulmões, sufocando-o. Desejo sumiu, então, no meio da noite e do Mar.

Utopia ficou perdida na Ilha, a noite toda, e vagou sozinha sem Ninguém. Estava apaixonada pelo Mar, mas sentia-se mal por ter perdido Desejo. No dia seguinte o Mar já estava calmo, e Utopia, solitária, resolveu que era hora de ficarem juntos para sempre. Entrou no Mar e ali se deixou, sentindo-o dentro do seu corpo, descobrindo o amor. As ondas levaram-na para longe – finalmente o Mar recuperara o que era dele.

Da ilha nada mais restou, nenhuma testemunha, Ninguém soube o que aconteceu. Ninguém ficou lá. Só.

“3 livros sobre…” reúne listas, resenhas e curiosidades bacanas sobre literatura

Resenhas curtas que não dão sono instigam o leitor a roubar comprar o livro em questão, listas com capas lindas e curiosidades sobre literatura (como a polêmica envolvendo o suposto plágio de “A Vida de Pi” em cima do brasileiro “Max e os Felinos”); esses são alguns dos temas que vocês vão encontrar no novo site que criei em parceria com a jornalista e esposa Karin Hueck – o 3 livros sobre.

Eu e a Karin sempre fomos apaixonados por livros – destes que fazem listas do que lemos no ano, grifam frases e ficham as obras favoritas. Resolvemos, então, transformar nossos papos de bar num site puxado pelas listas de “3 livros sobre”. Nesse formato você já encontra lá “3 livros sobre… o Holocausto“, “3 livros sobre… sexo“, “3 livros sobre… drogas“, entre outros.

Também tem trechos legais de livros, como o que você confere abaixo, enfim, cola lá e confere 🙂

Aliás, a Karin é editora da SUPERINTERESSANTE e eu coordeno a equipe responsável pelos sites jovens da Abril. Eu também sou autor do livro “Canções para ninar adultos

"On the Road" no post "Capas para os melhores livros do mundo"

Conheça as histórias por trás do livro “Canções para ninar adultos”, em entrevista para a TV São Judas

Foi ao ar, no final de 2012, minha primeira entrevista para TV sobre o livro “Canções para ninar adultos”. A entrevista foi feita pela Maria José Petri da TV São Judas. Foi um espaço bem bacana (27 minutos) pra discutir sobre os contos, a influência da música na minha escrita, as histórias reais por trás da ficção… Enfim, assiste ai:

Fred Di Giacomo e Maria José Pretti no programa “Arte Letra”

Gaiola

por Fred Di Giacomo

 

gaiola-foto-fred-giacomo-sevilha

A cada despedaço meu que arrancas
Eu choro mais completo
E só seu cheiro sangra
Próximo e por perto.
O ódio,
o óbvio
o óbito

É saber que a cada rasgo
Que tua língua faz
leva a amar mais

leve querer mais

que minhas asas se quebrem
Pra eu poder entrar quente e
cru
na tua gaiola.

aberta

Veja também:

-Compre meu livro “Canções para ninar adultos”

– Leia mais poesias
-Conheça “Gaiola” da Banda de Bolso 

O ombudsman do universo lança as dores do mundo ao mar

Todas as histórias tristes
Que botaram nas minhas costas para carregar
Queria deixar
No mar
E que, como lágrimas de desengano,
Elas passassem também a ser
Oceano

Às vezes choro nos ombros alheios, mas muitas vezes meus ombros pesam, por servirem como Ombudsman do universo. Alivio a tensão neste bloguinho e seus textos chorões e seresteiros. Mais disso no livro ainda não publicado “O Melhor de mim mesmo“.

foto by @freddigiacomo

Veja também:

-Compre meu livro “Canções para ninar adultos”

– Leia mais poesias
-Conheça “Gaiola” da Banda de Bolso 

 

Publicado originalmente em 23 de Outubro de 2011

Frases

-Leia frases punks aqui!

Uma das palavras mais procuradas nesse brog é “frases“. Atendendo o desejo do internauta, copio aqui as melhores frases que eu e Thiago Montanari, tínhamos coletado pro zine Kaos.  Ao longo do tempo vou atualizando com conteúdo novo..

 

Antigo logo do site Punk Brega criado pelo André HP

Antigo logo do site Punk Brega criado pelo André HP

“Só se morre à toa quando é de fome. De bala não.” do filme “Os Fuzis” de Ruy Guerra.

“Eu cheguei aonde cheguei porque tudo que planejei deu errado”, Rubem Alves.

“Eu quero fazer esse mundo bom, não apenas melhor. Bom!”, Isabel Allende, escritora

“(…) como acontece para qualquer um, num certo instante, não querer trocar de lugar com rei ou rainha nenhuns de reino nenhum do planeta.” Valter Hugo Mãe, O filho de mil homens.

“Deve nutrir-se carinho por um sofrimento sobre o qual se soube construir a felicidade, (…)” Valter Hugo Mãe, O filho de mil homens.

“Os filhos, pensava ele, são modos de estender o corpo e aquilo a que se vai chamando alma”. Valter Hugo Mãe, O filho de mil homens.

“Quase todos os desejos do pobre são punidos com prisão.” Céline, Viagem ao fim da noite.

“Os bares estão cheios de almas tão vazias.” Criolo

“Não se lamente. Organize-se”. John Hill, militante anarquista – pouco antes de ser fuzilado

Abraços são impotentes“. Daniel Galera, Mãos de Cavalo

“Qualquer homem vivo é melhor que qualquer homem morto”. William Faulkner, O Som e a Fúria

“O dinheiro é um bom servo, mas um péssimo senhor”. Francis Bacon

“(…) a força moral de um único homem que insiste em ser livre é maior do que a de uma multidão de escravos silenciosos.” George Woodcock.

” Os livros não precisam ser proibidos pela polícia: os preços já os proíbem.”, Eduardo Galeano.

“Os que fazem da objetividade uma religião, mentem. Eles não querem ser objetivos, mentira: querem ser objetos, para salvar-se da dor humana”. José Coronel Urtecho, citado por Eduardo Galeano em O Livro dos Abraços

“Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura”. Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas

“Não toque o que o público quer. Toque o que você quer e deixe o público chegar lá”. Thelonius Monk, músico de jazz.

“Ele, casualmente, conferiu-me a liberdade de quem não se sente só.” F. Scott Fitzgerald, O Grande Gatsby

“Mais honra meu estilo quem aprende a destruir o mestre”. Walt Whitman, Folhas de Relva

“Se as portas da percepção estivessem limpas, tudo apareceria ao homem como é, infinito.” William Blake, Uma Visão Memorável

“Somente o tempo é capaz de mostrar um homem honesto, enquanto basta um dia para desmascarar um traidor”. Sófocles, em Édipo Rei

“É tão fácil ser poeta, e tão difícil ser um homem”.
Charles Bukowski.

“Tudo que peço da vida é um punhado de livros, um punhado de sonhos e um punhado de vulvas”.
Henry Miller, Trópico de Câncer.

“Até as piores pessoas praticam ao menos uma boa ação na vida. Hitler suicidou-se.”
Manuel Lachtermacher

“O pior inimigo do cinema é a indústria”
Jean Renoir.

“Quem não quer matar seu pai?”
Dostoiéviski, Os irmãos Karamazov.

“O cinema é o meio mais direto de entrar em competição com Deus.”
Federico Felline

“Se meus filmes não dão lucro, sei que estou fazendo a coisa certa.”
Woody Allen

“Um artista está sempre sozinho, se é artista”.
Henry Miller, Trópico de Câncer.

“As convicções são cárceres.”
F. Nietzsche, O Anti-Cristo.

“A mentira é uma verdade que se esqueceu de acontecer.”
Mario Quintana

“Minha mãe não pariu nenhum punk, no entanto aqui estou eu”
Fred 04

“Música não é política, mas traz em si a idéia de liberdade”.
Lou Reed

“Sou um artista assalariado, obrigado a interpretar toda noite uma farsa intelectual sob seus estúpidos narizes”.
Henry Miller, Trópico de Câncer.

“Alguns nascem póstumos”.
F. Nietzsche, O Anti-Cristo.

“Mas há a vida que é para ser intensamente vivida, há o amor.Que tem que ser vivido até a última gota.Sem nenhum medo. Não mata.”
Clarice Lispector

“E bom ter sempre dois advogados á disposição… um pra livrar a gente do outro.”
Alfred E. Neuman.

“Seria responsável somente perante a Deus, se Ele existisse”.
Henry Miller, Trópico de Câncer.

” Eu era como um lixo que atraía moscas, em vez de uma flor desejada por borboletas e abelhas.”
Charles Bukowski, Ham on Rye.

“Nunca me ensinaram a arte da solidão, tive de aprendê-la sozinho. Ela se tornou tão necessária para mim quanto Beatles, tanto quanto beijos na nuca e carinho”.
Intimidade, de Hanif Kureishi

“Éramos uma piada, mas as pessoas tinha medo de rir na nossa frente”.
Charles Bukowski, Ham on Rye.

O escritor Charles Bukowski

O escritor Charles Bukowski

“Se uma nação crê que pode ser ignorante e livre, crê no que nunca foi e nunca será… O Povo não pode estar em segurança sem informação. Quando a Imprensa for livre e quando todos os homens souberem ler, tudo será seguro.”
Thomas Jefferson

“A história continua a mesma: quem mais reflete no Brasil, ainda é o espelho.”
Claúdio Parreira

“O que os presidentes não fazem com suas esposas acabam fazendo com o país.”
Mel Brooks.

“Eu sou completamente contra as drogas, por isso eu não
assisto nem ao SBT, Globo ou Record”
Marcelo Nova.

“Só ha dois fatos irreversíveis no mundo contemporâneo:
A morte e a mediocridade. Com a clonagem só restará a
mediocridade. ”
Marcelo Nova.

“De cem favoritos dos reis, 95 morrem enforcados.”
Napoleão Bonaparte.

“Minha visão política é a visão dos cronistas. Se ele estiverem errados, eu tô fodido.”
Mauro Rasi.

“Todos dançam ou ninguém dança.”
Slogan dos Tupamaros.

“O Capitalismo roubou minha virgindade.”
International Noise Conspiracy.

“Um instante de pânico converte mais gente que muitas horas de pregação.”
Marcelo Lopes.

“Só sei que nada sei.”
Sócrates

“Soltar bombas para tentar manter a paz é o mesmo que fazer sexo pra tentar manter a virgindade.”
Professora de Sociologia da UNESP.

“O mais rico é quem se contenta com o mínimo.”
Sócrates

“Nunca tive problemas com drogas. Só com a polícia.”
Keith Richards

– As melhores frases do Tim Maia
-Frases do Bukowski
-Frases do filme “Tropa de Elite”

“A Liberdade é um bem tão apreciado que cada qual quer ser dono até da alheia.”
Montesquieu

“Você faz suas escolhas e suas escolhas fazem você.”
Steve Beckman

“A doença grave do Brasil é social, não econômica.”
Celso Furtado, em entrevista a Revista Caros Amigos.

“O Problema dos juros é que eles só caem quando a gente não consegue mais se levantar.”
José Carlos Aragão

“Poderia ser pior. Em vez de dupla, quarteto sertanejo.”
José Teles

“As mulheres jamais serão iguais aos homens. Serão sempre mais gostosas.”
José Teles

“Brasileiro pelado não é exibicionismo – é a situação.”
Syvio Abreu

“Se você acha que a educação custa caro, tente a ignorância.”
Berek Bok

Uma única ação é melhor que mil suspiros.
Rabino Shalom Dov Ber

“Fome e guerra não obedecem a qualquer lei natural – são criações humanas.”
Josué de Castro, médico e geógrafo, fundador da FAO.

“O Brasil está condenado a eleger José Serra ou a mergulhar no caos.”
George Soros, megaespeculador.

publicado originalmente em 30/04/2008

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