Conheça as histórias por trás do livro “Canções para ninar adultos”, em entrevista para a TV São Judas

Foi ao ar, no final de 2012, minha primeira entrevista para TV sobre o livro “Canções para ninar adultos”. A entrevista foi feita pela Maria José Petri da TV São Judas. Foi um espaço bem bacana (27 minutos) pra discutir sobre os contos, a influência da música na minha escrita, as histórias reais por trás da ficção… Enfim, assiste ai:

Fred Di Giacomo e Maria José Pretti no programa “Arte Letra”

Sexo virtual, pop e desencontros – extraído do livro “Canções para ninar adultos”

Esse conto foi originalmente divulgado no blog do escritor e jornalista Edward Pimenta.  Ele faz parte do meu primeiro livro “Canções para ninar adultos“, disponível na livraria Cultura e no site da editora Patuá. O livro está sendo bem recebido com resenhas em revistas como Playboy, Vida Simples, Contigo! e sites da revista Gloss e Alfa, além de blogs independentes.

A sacanagem rolando solta no Chatroulette para alegria dos nerds…

Sexo virtual, pop e desencontros
Ela, pink, queria ir na “Post It”. Ele, preto, queria acordar cedo para conhecer o Mosteiro de São Bento.

— Os cantos gregorianos – sentenciava Alex, dedo no óculos, achando-se o maior intelectual do mundo – são uma das poucas heranças boas da igreja para a humanidade.

— Mas eu gosto de dançar, gatinho. E o único padre que dança é o Marcelo. Missa me lembra velório, gente velha e final de domingo…

— Olha, Amanda, não sei por que as pessoas decidiram que Britney Spears e Beyoncé sãocult. Todo indie agora é fã de Lady Gaga. Nos anos 90…

— Blá, blá, blá. Que papo de indie velho! Ninguém dança ouvindo Sonic Youth e Pavement.

— Escuta aqui, por que mulher acha tanta graça em dançar, hein?

— E por que homem só dança pra conseguir trepar?

— Era uma boa, né?

— O quê?

— A gente trepar, ué! Já faz uns dois dias…

— To meio machucadinha, Alex, te falei… Amanhã a gente faz, tá?

Ela vai dançar Mariah Carey. Ele entra fundo na pornografia. Fiquemos com ele: www.XVideos.com; velhos fetiches, closes ginecológicos entediantes. Será que tá rolando alguma coisa no Chatroulette? Só entrando pra descobrir quem está do outro lado da webcam:

1) Pica

2) Pica

3) Pica

4) Mina

Opa, uma mina!!!

Até Paris Hilton deu as caras no Chatroulette

 

Macho moderninho se mordendo de ciúmes: Where are you from?

Ninfeta americana atrás de aventuras virtuais: Washington – DC

Macho moderninho se mordendo de ciúmes: How old are you?

Ninfeta americana atrás de aventuras virtuais: 17

“Putz, dezessete? Mas que gostosinha… Ruiva de piercing no nariz e decote!”

Ninfeta americana atrás de aventuras virtuais: I like your beard!

“Que significa beard mesmo? Beard, beard… Ah, é: barba”. A maçaneta range. “Cazzo!” Fecha o laptop correndo. O pau duríssimo.

— Nossa, amor, tá feliz assim de me ver?

— Vem cá, vem…

— Tô machucadinha, você sabe, Alex. E morrendo de sono…

— Tava legal, lá?

— Muito! Tocaram uns hits mega-antigos da Cher e da Christina Aguilera. Ninguém lembrava as letras, só eu.

— Que orgulho!

— Ah… Subi no palco.

— Porra, você não se segura, né? Tem que subir no palco só por que eu não tô junto?

— Ai, amor, no Vegas só tem gay.

— Pô, eu te conheci lá…

— Não surta, tá bom? Deixa de ser noiado, eu te amo muito! Vou tomar um banho agora… Depois tenho que comer alguma coisa, tô com uma master fome.

Por que para ela o amor era tão fácil? As coisas não eram tão eternas e seguras assim. Um dia ela poderia entrar no Vegas e se apaixonar por outro. Quem sabe se ela achasse um hetero que curtisse Barbra Streisand? Chega! Pensar em outra coisa para sufocar o ciúme… Queria começar a fumar charuto. Procura no Google: “charutos baratos”. Site de macumba. Vontade de ir num terreiro. Mas um pouco de medo. A americana era bem gostosinha. Queria fazer um pouco de sexo virtual. Masturbação já perdeu a graça. Só é legal quando tem algum vídeo bem escroto. No celular da Amanda, uma música da Rihanna. Só pode ser a mala da sogra ligando a essa hora da madrugada…

— Alô, a Amanda está?

— Quem gostaria?

— É o Chico, da festa “Post It”. Achei seu número na…

Desligou o celular gritando mentalmente. “Filha da puta! Quem era esse Chico ligando bêbado pra minha mulher? Mal o cadáver tinha esfriado e o desgraçado já estava testando o número da Amanda?”

Tudo bem, agora era a vez dele ir à forra. Bateu a porta amarela do apartamento, levando no bolso as chaves do carro dela, o cartão estourado, 50 pila em dinheiro e as piores intenções possíveis.

***

Quando, faminta, Amanda voltou ao quarto, a cama estava vazia. Só então percebeu que esquecera a carteira na balada.

Outros contos:
– Preto no Branco: um palhaço triste apaixonado pela mulher mais indecisa do mundo
– Minha cidade era pequena como minhas ambições
– Trailer do livro “Canções para ninar adultos”

Cartaz da festa Post It

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