Milagre na rua Augusta

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A lésbica gorda e a bichinha fashion estavam tricotando numa esquina da Augusta próxima ao centro, quando um bando de carecas se aproximou. A bichinha fahion travou o cú e achou melhor sair andando, mas a lésbica gorda disse que a treta não era com eles. O bando de carecas se aproximava e seus olhos estavam injetados de ódio. A bichinha e a lésbica começaram a correr e o rebolado da bichinha só enfurecia mais os nazistas. Com a aproximação da gangue percebia-se que eles portavam pedaços de pau, barras de ferro e socos ingleses. A lésbica gorda já estava parada, arfando, enquanto se apoiava nos joelhos e pensava “se eles matarem o Michel, a culpa vai ser minha”, quando a mão forte de um careca alcançou o ombro franzino do pobre fashionista. O esquálido e bem-vestido rapaz imaginou as barras de aço rachando o seu crânio ou os caralhos duros rachando lhe o rabo. Mas uma mão ainda mais forte agarrou seu braço e livrou a vítima do algoz, erguendo-a rumo ao céu. Diante do semi-Deus alado, que exibia seu torso musculoso e lustroso, a bichinha fashion gaguejou “Isso é um milagre?”.

E seu salvador: “Quem disse que veado não tem anjo da guarda”?

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Fred Di Giacomo é jornalista multimídia e autor dos livros “Canções para ninar adultos” e “Haicais Animais”. Ele toca, também, na Banda de Bolso.

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