Coração Envenenado: Minha Vida com os Ramones, Dee Dee Ramone, com Veronica Kofman

-Que tal um pouco de literatura punk?

Mini-Resenha da autobiografia do principal compositor dos Ramones

Capa do livro "Coração Envenenado" de Dee Dee Ramone

Capa do livro “Coração Envenenado” de Dee Dee Ramone

“Coração Envenenado” não traça um panorama completo da cena que deu início ao punk como “Mate-me por favor”. Não é uma biografia detalhada do quilate do “Anjo Pornográfico” sobre Nelson Rodrigues ou “Vale Tudo”, sobre Tim Maia. É principalmente um livro para fãs de Ramones. Narrado em primeira pessoa, como se fosse uma longa entrevista cedida por Dee Dee Ramone, “Coração Evenenado” é subjetivo, um pouco ingênuo e sem muitas firulas. Como as músicas de Dee Dee, principal compositor e ex-baixista dos Ramones.-Leia resenha do primeiro disco dos RamonesEle vai narrando, sem tomar muito fôlego, como foi sua infância infeliz na Alemanha, como eram seus pais, sempre bebendo e brigando, como foi sua adolescência na Nova York de “Taxi Driver”, seu envolvimento com crime e drogas, muito antes de ter pelos na cara. Dee Dee Ramone era um junkie marginal, para quem a única salvação era a música. Se tivesse nascido no Brasil de hoje, ele faria Rap mais violento que “Facção Central”. Ele não tocava bem, mas compôs alguns dos maiores clássicos do punk como “Blitzkrieg Bop”, “Pet Seamatery” e “Poison Heart”, só para ficar entre os mais conhecidos. Ele parece não ter noção da importância das coisas que ia vivendo. Para Dee Dee, cada dia é só mais um dia que ele conseguiu sobreviver, seja o primeiro show dos Ramones na Inglaterra, influenciado toda uma geração de bandas que vão de Sex Pistols à Clash, seja uma noitada com membros do New York Dolls ou do Blondie.

Em todo livro ele avisa que se acha muito sortudo por estar vivo. Que a história de um Ramone não pode ter um final feliz. E ela não tem. No epílogo somos lembrados que Douglas Calvin, o Dee Dee, morreu num quarto de hotel, em 2002, aos 49 anos. Os Ramones eram caras fodidos e durões, mas que conseguiram fazer músicas enérgicas que passam longe da depressão bundona. Eles enfrentaram seus demônios com distorção e velocidade. E isso é o mais importante de toda história.

 

Guidable – Documentário sobre o RDP

entradaFui conferir a pré-estréia de “Guidable” junto com o @brunodias, do site Urbanaque e da Abril.com. Lá estavam Ariel(ex-Restos de Nada, ex-Inocentes e Invasores de Cérebro), Clemente(Inocentes, Plebe Rude e ex-Restos de Nada), vários ex-integrantes do Ratos de Porão e um monte de punks das antigas.O pessola do CQC também estava lá. Teve até coquitel, olhe só, com salgadinhos fritos e cerveja barata, para manter o espírito punk.

O documentário mostra o Ratos nu e cru, fazendo um contraponto com “Botinada” do Gastão Moreira, que mostra a galera do movimento punk sentada e comportada, falando mais sério. Aqui drogas, vagabundagem e tretas aparecem sem pedir licença em meio a turnês pela Europa, apresentações no programa do Gugu e shows pelo undeground brasileiro. Pra quem curte rock ‘n’ roll vale sentar a bunda na cadeira e assistir.

– Entrevista com João Gordo

 

Chester Himes: o pai dos detetives negros mais invocados da literatura

“Não ri pra mim. Eu não sou dentista. Dentista arruma dentes. Eu arrebento dentes”. Grave Digger Jones, personagem criado por Chester Himes

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Poucas vezes eu compro um livro sem ter uma referência. Sem que alguém tenha me indicado, que eu tenha lido uma boa reportagem sobre o autor ou visto um filme legal inspirado nele. Comprei “O Harlem é escuro” do Chester Himes (1909-1984), edição de bolso da L&PM, completamente às cegas. Gostei do título, da capa e da orelha e arrisquei. Isso foi no ano passado. Achei do caralho. Os personagens principais, os detetives Jones Coveiro e Ed Caixão(os nomes em inglês são muito mais legais), são dois policiais negros durões do Harlem que investigam crimes comuns nos Estados Unidos racista dos anos 50 e 60. As histórias fluem no ritmo do Jazz, dos conflitos raciais e do uísque barato. Acabei de ler agora “Um jeito tranqüilo de matar”. Tão bom quanto o anterior. O final é até melhor e tem a gangue com o melhor nome da história “Os Mulçumanos Supermaneiros”.

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Uma história de detetives não mexia tanto comigo desde o clássico “O Falcão Maltês”, de Dashiell Hammet  (um de meus livros favoritos). Algum dia ainda faço uma análise mais demorado dos livros do Himes. Por enquanto, só gostaria de lembrar um pouco da história do escritor: Himes nasceu numa família de classe média negra na época em que os Estados Unidos ainda era separado por leis racistas. Sua vida se desestruturou quando seu irmão sofreu um acidente (que o deixou cego) e os médicos de um hospital de brancos se recusaram a tratá-lo. Depois disso Himes foi expulso da faculdade e preso por assalto. Na cadeia, passou a escrever contos que foram publicados em grandes revistas americanas. Nos anos 50, Himes mudou para França com sua esposa.

É, amigos, esqueçam o Shaft, os agentes mais legais do pedaço são Coffin Ed e Grave Digger Jones. E tenho dito.

PS: Ah, vale lembrar que algumas das histórias de Himes viraram filme, inclusive o “Perigosamente Harlem” com Danny Glover

Cartaz do filme "Perigosamente Harlem"

Cartaz do filme “Perigosamente Harlem”

Veja também:
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“Mais podres do que nunca”, como primeiro disco dos Garotos Podres se tornou o álbum independente mais vendido no Brasil

Capa do clássico disco "Mais podres do que nunca"

Capa do clássico disco “Mais podres do que nunca”

por Fred Dio Giacomo
-Leia entrevista exclusiva com os Garotos Podres

Na capa um menino saudável brinca com uma mamadeira, na contra um pequeno africano desnutrido chora esperando a morte chegar. Mais Podres do que Nunca, produzido pelo Redson (Cólera), primeiro disco de Oi! do Brasil, é um clássico do rock brazuca. Todos citam “Dois” do Legião Urbana, “Nós Vamos Invadir Sua Praia” do Ultraje à Rigor ou, “para quem curte um som mais agressivo”, “Cabeça Dinossauro” dos Titãs, mas se esquecem dessa pérola tosca que vendeu mais de 50.000 cópias independentes, ganhou as rádios rock com “Johnny” e “Vou fazer cocô” e ainda cravou dois clássicos no punk nacional: “Papai Noel, Velho Batuta” e “Anarquia Oi!”.

Aqui não há nada que lembre o punk cheiroso de CPM22 e Blink 182, a produção é suja, os instrumentos amadores, a gravação era pra ser uma demo, mas acabou virando disco independente “devido ao resultado surpreendente” pra época. Três faixas gravadas nunca foram lançadas devido à péssima qualidade, as 11 que ficaram trazem a marca dos Garotos Podres; punk simples, mais lento e candenciado que o feito por seus contemporâneos (Ratos de Porão, Olho Seco, Cólera…) e letras críticas/ sarcásticas carregadas de humor negro. Afinal, quem nos dias de hoje teria a manha de fazer uma letra como a de “Papai-Noel”: “Papai- Noel, filho da Puta/ Rejeita os miseráveis/ Eu quero mata-lo/ Aquele porco capitalista/ Presenteia os ricos/ Cospe nos Pobres.” Ou “Vou fazer cocô”: “Enquanto você, de paletó e gravata/ Aparece na tv/ E diz coisas que eu não consigo entender/ O que que eu faço?/ Vou fazer cocô.” Não, não, muito sujo, politicamente incorreto, prejudicaria as vendas. Rock sem esse espírito de contestação tem o mesmo valor que axé. Mesmo porque, tanto faz ter na rádio É o Tchan e Art Popular ou LS Jack e B5. O lixo é o mesmo, aí talvez até seja melhor o Tchan porque é lixo 100% nacional, os caras das “bandas de pop/rock” de hoje em dia ainda tem a moral de copiar lixo dos gringos. Cada país tem a trilha sonora que merece…

-Leia resenha do disco “Pela Paz em Todo Mundo”, do Cólera

-Leia resenha do disco “Camisa de Vênus”

Bom, voltando aos Garotos Podres, seu disco de estréia gravado em 1985 e relançado com a música “Meu Bem” (uma daquelas 3 que tinham ficado “péssimas”) é o retrato dos anos 80, conturbados, marcados pelo fim da ditadura (que censurou duas faixas do disco), pelas greves de metalúrgicos (ali perto dos Garotos que são do ABC) e pela hegemonia do Brock. Uma história retratada nas 11 faixas desse disco. Uma curiosidade é a música Füher (“Os imundos querem dominar o mundo, com o poder de suas armas/ Sob suas estrela maldita/ Fanáticos religiosos, assassinos malditos/ Eu quero mata-los”). A letra acabou gerando acusações aos Garotos Podres (socialistas) de nazismo. Essa acusação ainda ecoa nos meios anarcopunks. Em uma entrevista concedida a mim por e-mail, Mau explica o assunto. “A intenção da música é colocar no mesmo saco os nazistas e a extrema direita israelense que defende a matança indiscriminada e a deportação em massa dos palestinos”. E a história segue dezoito anos depois do lançamento do disco, os palestinos continuam sendo massacrados pela extrema direita israelense e os Garotos Podres ainda são uma das poucas bandas interessantes do rock nacional…

ÁLBUM: Mais podres do que nunca.
ARTISTA: Garotos Podres
ANO: 1985

GRAVADORA: Independente(Rocker)

-Mais punk rock aqui!

Jimi Hendrix: a dramática história de uma lenda do rock, Sharon Lawrence

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Triste como um blues
A biografia de Jimi Hendrix, escrita por sua amiga pessoal Sharon Lawrence, não é uma leitura leve. Narrada de forma seca, carregada de citações de grupos e músicos dos anos 60 e 70 que podem confundir os leigos, traz uma nova versão da vida do maior guitarrista do mundo. Nada do doidão divertindo-se com sexo e drogas. O que vemos é um homem de infância pobre e difícil, manipulado por empresários no seu auge e que teve os direitos de sua obra disputados por parentes gananciosos que mal o conheceram. Triste como um blues, daqueles bonitos que Jimi tocava como ninguém.

Jimi Hendrix: A dramática história de uma lenda do rock
Sharon Lawrence
Jorge Zahar Editor.

Reformando a casa

Antigo logo do site Punk Brega criado pelo André HP

Antigo logo do site Punk Brega criado pelo André HP

Agora que eu descobri que meia dúzia de pessoas lêem esse amontoado de palavras, resolvi arrumar o ninho de rato. Pedi pro meu companheiro de casa T. Lacaz(um minimalista inteligente) umas dicas pra “fonte e fundo” e achei mais bonitinho assim. Fundo branco com letra cinza escura parece fanzininho punk e os títulos roxos dão o tom mais brega.
Além disso, achei o título do blog(que eu criei em 2005, quando estava escrevendo umas memórias sobre a infância) muito emo. Punk Brega é mais legal!
AWAY!

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