Uma breve história do ódio (e da violência) no Brasil

Achamos que somos um bando de gente pacífica cercados por pessoas violentas”. A frase que bem define o brasileiro e o ódio no qual estamos imersos é do historiador Leandro Karnal. A ideia de que nós, nossas famílias ou nossa cidade são um poço de civilidade em meio a um país bárbaro é comum no Brasil. O “mito do homem cordial”, costumeiramente mal interpretado, acabou virando o mito do “cidadão de bem amável e simpático”. Pena que isso seja uma mentira. “O homem cordial não pressupõe bondade, mas somente o predomínio dos comportamentos de aparência afetiva”, explica o sociólogo Antônio Cândido. O brasileiro se obriga a ser simpático com os colegas de trabalho, a receber bem a visita indesejada e a oferecer o pedaço do chocolate para o estranho no ônibus. Depois fala mal de todos pelas costas, muito educadamente.”

Trabalhadores tomam geral em foto "Todos Negros" de Luiz Morier

Trabalhadores tomam geral em foto “Todos Negros” de Luiz Morier

Quando comecei a tocar o projeto Glück com a Karin Hueck, minha ideia era investigar a felicidade, esse conceito que só é levado a sério no Brasil pelos publicitários. A maior parte dos nossos textos trata sobre autoconhecimento, saúde e relações pessoais, mas é impossível ignorar o ódio, quando se fala de felicidade no Brasil. Em meio a morte de cinegrafista nas manifestações, justiceiros no Rio de Janeiro, e comentários agressivos em todos os portais de notícias, fica difícil só falar de felicidade. Por isso fiz essa breve “História do ódio no Brasil”. Acho pertinente divulgá-la aqui no Punk Brega também. Espero que vocês curtam:
http://www.gluckproject.com.br/a-historia-do-odio-no-brasil/

História do Heavy Metal em BH – Ruído das Minas

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Documentário produzido como TCC (olha só não é tão difícil, hein, molecada?) e exibido na Mtv, desvenda como a pacata BH se transformou na capital brasileiro do heavy metal exportando bandas como Sepultura, Sarcófago e Overdose. O vídeo traz depoimentos das principais bandas da cena e mais galera de fanzines e da clássica gravadora Congumelo Records. Histórias engraçadas, rancor contra o Sepultura  e vídeos e fotos raras estão na receita. Vale muito a pena pra quem se interessa pela história do rock brasileiro.
Parte 1

Parte 2

Parte 3

Parte 4

Parte 5

Parte 6

Parte 7

Parte 8

Parte 9

Parte 10

Parte 11

Veja também:

– 10 bandas clássicas do heavy metal brasileiro
-40 melhores bateristas do metal
-Documentário conta a história do punk paulistano

Assista o documentário “Sabotage Nós” sobre um dos maiores nomes do rap nacional.

Enquanto a gente aguardo o lançamento do documentário “Maestro do Canão”, (que contará a história do grande rapper Sabotage com depoimentos de sua família, parceiros e gente como Mano Brown, Hector Babenco e Beto Brant), já dá pra ir assistindo outro filme sobre o cara chamado “Sabotage Nós”. Essa co-produção da Mtv e da “Guardachuva Produções”, foca na jornada de Sabotage até o lançamento do seu disco “Rap é compromisso”, um clássico do hip hop nacional. O documentário traz depoimentos de parceiros musicais do cantor  como RZO, Rappin Hood e Tejo Damasceno e, também,  de sua família.

Direção: Guilherme Xavier Ribeiro
Produção: Guardachuva Produções, MTV

Sabotage-nós-documentário

 Leia também:

-Ouça o samba-rap-macumba “Cabeça de Nego” com Sabotage

-10 músicas clássicas do rap nacional

-Leia “Tiros, tretas e vagabundagem

O que é anarquismo?

Esse artigo foi originalmente postado em 2010
1)Anarquia é bagunça?

 

“Tio, anarquismo não é baderna?”

Bom, na verdade, anarquismo é a corrente de pensamento mais mal explicada da história. Sua origem vem do grego Anarcho que significa “sem governo” e pode tanto batizar movimentos que  queiram eliminar o poder do estado, quanto uma situação ruim em que se fica sem governo. O termo foi usado pejorativamente na época da Revolução Francesa para criticar os mais radicais. Foi em 1840, que o filósofo libertário Joseph-Pierre Proudhon aceitou o “apelido” e o transformou em doutrina. Seu livro “O que é a propriedade?” não hesitava: “A propriedade é roubo”.

2) Anarquismo é comunismo?

 



“Ah, entendi,” – pensa você – “anarquismo é, então, um tipo de cumunismo(sic)?”

Um primo distante nas linhas de pensamento de esquerda, talvez, mas não uma filosofia marxista. Aliás, Bakunim (um dos pensadores anarquistas) rompeu com Marx (pai do comunismo) logo na época da Primeira Internacional, no século XIX. A grande diferença entre os dois é que os comunistas acreditam que antes de todos serem livres de governo precisamos de uma ditadura do proletariado. O problema é que poder vicia tanto quanto pó e jogo de bingo. Então, todas as revoluções que se autoproclamaram comunistas(Cuba, URSS, China, etc.) pararam na fase da ditadura do proletariado e nunca aboliram realmente o estado. Os anarquistas abominam qualquer tipo de governo, mesmo o do proletariado. Como dizia nosso amigo Proudhon: “Quem quer que coloque a mão sobre mim para governar-me é um usurpador e um tirano – eu o declaro meu inimigo”.


3) Anarquia é utopia?
Milicianas na Revolução Espanhola, 1936


“Anarquia é utopia, faça uma todo dia”, gritava a banda punk gaúcha Replicantes. Você pergunta: alguém já colocou o anarquismo na prática ou isso é tudo um grande sonho?

A resposta é: sim, mas por pouco tempo. Na época da Revolução Russa, o exército negro instalou uma organização anarquista na Ucrânia, também conhecido como movimento makhnovista. Depois de vencerem as forças conservadoras, foram massacrados pelas tropas comunistas de Trótski. Na época da Revolução Espanhola (1936-1939), forças anarquistas organizaram as regiões da Catalunha e Aragão, mas foram traídas pelos comunistas de orientação stalinista e vencidas pelas tropas facistas de Franco. Fazendas, comunidades e cidades de organização coletiva e autogeridas já foram criadas em diversos cantos do mundo, inclusive no Brasil.

Por aqui, o anarquismo foi a corrente mais forte entre os sindicalistas nas duas primeiras décadas do século XX, espalhado por imigrantes espanhóis e italianos. Eram os anarquistas os responsáveis pelas primeiras greves em São Paulo. Um anarquista que ficou famoso no Brasil foi o jornalista e tipógrafo Edgard Leuenroth (1881-1968).

 

4) Anarquismo é coisa de velho?
A banda Crass

Kroprotkin, Malatesta, Tolstoi, Max Stirner… Todos nomes que parecem cobertos de pó para o jovem moleque dos anos 2010. Mas o fascínio pela bandeira negra e o A de anarquia continuou vivo nos últimos anos. Renasceu junto com os punks nos anos 70, primeiro como piada marqueteira dos Sex Pistols, e depois levado a sério por bandas com o Crass e o movimento hardcore dos anos 80. Voltou à tona com a geração rebelde pós-muro de Berlim: deu as caras em blogs, coletivos e “Fóruns Sociais Mundiais” da vida. Influenciou até o lado negro da força, que criou o anarcocapitalismo, mais próximo das tradições liberais que do anarquismo clássico. E continua confundindo cabeças, inspirando sonhadores e servindo como uma opção num mundo onde a briga “capitalismo VS comunismo” parece ter perdido o sentido.

Veja também:
-A censura invisível que cala os jornalistas brasileiros

-ELZN e o Zapatismo

-Conheça o punk anarquista da banda Crass

PARA SABER MAIS

Livros
“História das ideias e movimentos anarquistas”, George Woodcock
“O que é comunismo?”, Caio Túlio Costa
“O anarquismo e a democracia burguesa”, vários
“O movimento anarquista em São Paulo(1906-1917)”, Sílvia Ingrid Lang Magnani

Filmes
“Terra e Liberdade”, Ken Loach
“Libertarias”, Vicente Aranda

Cena do filme "Libertarias"

“Essa menina”, Little Quail and the Mad Birds

O Litlle QUail and de Mad Birds foi uma banda de psychobilly bem-humorada formada na Brasília dos anos 90 (na verdade em 1988), no mesmo calderião punk que cozinhou os Raimundos e outras bandas de rock pesado do serrado. O trio era composto por Gabriel Thomaz (hoje no Autoramas), Zé Ovo (baixista) e o baterista Bacalhau (ex-Rumbora e atual Ultraje a Rigor). Lançaram dois discos e um EP e acabaram suas atividades em 1996. Foram descobertos pela gravadora Banguela (de propriedade dos Titãs) que também lançou outras bandas “candangas” como Pravda! e Maskavo Roots.

Discografia da banda:
1993 – Lírou Quêiol en de Méd Bârds
1996 – A Primeira Vez Que Você Me Beijou
1998 – EP

Caetano Veloso conta a história da música “Cajuína” feita em homenagem ao poeta Torquato Neto

Torquato Neto foi um poeta tropicalista brasileiro (como Capinam e Wally Salomão) que participou ativamente da contracultura tupiniquim entre o final dos anos 60 e comecinho dos 70. Deprimido, ele se suicidou aos 28 anos de idade. Anos depois, Caetano visitou o pai de Torquato em Teresina e foi dessa visita que surgiu a bela “Cajuína”. A história toda você assiste abaixo

Pra quem não conhece o Torquato, um poeminha dele:

 

 

 

 

 

 

 

O Poeta é a Mãe das Armas

O Poeta é a mãe das armas
& das Artes em geral —
alô, poetas: poesia
no país do carnaval;
Alô, malucos: poesia
não tem nada a ver com os versos
dessa estação muito fria.

O Poeta é a mãe das Artes
& das armas em geral:
quem não inventa as maneiras
do corte no carnaval
(alô, malucos), é traidor
da poesia: não vale nada, lodal.

A poesia é o pai da ar-
timanha de sempre: quent
ura no forno quente
do lado de cá, no lar
das coisas malditíssimas;
alô poetas: poesia!
poesia poesia poesia poesia!
O poeta não se cuida ao ponto
de não se cuidar: quem for cortar meu cabelo
já sabe: não está cortando nada
além da MINHA bandeira ////////// =
sem aura nem baúra, sem nada mais pra contar.
Isso: ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. a
r: em primeiríssimo, o lugar.

poetemos pois

torquato neto /8/11/71 & sempre

Leia também:
-Poesia marginalzinha pra vocês
-Caetano rock ‘n’ roll

 

Caê adora falar e contar histórias

“Ramones” – Ramones, 1976

ramones-1976-1

-Conheça algumas bandas do punk 77 inglês
-Já leu poesia punk?

Para a revista Rolling Stone ele é o 33º melhor disco da história. Para qualquer moleque de calça rasgada e all star ele é seu motivo de existir. Uma dos pedaços de vinil mais influentes da música pop. Sua duração é de 29:04s. Seu custo total de produção foram míseros $ 6400, numa época onde, segundo o próprio Joey Ramone no livro “Mate-me, por favor”, gastava-se meio milhão para produzir um álbum. E esse não era qualquer álbum; ele criou o punk, revolucionou o rock do final dos anos 70 e deu origem a centenas de bandas. Dos Sex Pistols ao Metallica, do Red Hot Chili Peppers aos Ratos de Porão, a influência do primeiro disco dos quatro magrelos de Nova York foi devastadora.

É difícil explicar hoje a importância desse amontoado de 3 acordes tocado com velocidade e paixão, sem riffs difíceis, solos de guitarra ou viradas de bateria. Aqui no Brasil, seria como se os Racionais Mc’s tivessem um som tão agressivo quanto o Sepultura e criassem, em seu primeiro disco, a Bossa Nova ou a Tropicália. Estávamos nos Estados Unidos, em 1974. O que existia de mais agressivo no rock era o som de MC5, Stooges e New York Dolls. As três bandas tinham um sucesso mediano, mais undeground, e seu som era uma transição do hard rock para o que se chamou punk. O que mais lembrava o que os Ramones viriam a fazer era o primeiro (e cru) disco dos Stooges. Mas nesse, você encontra uma música de mais de dez minutos (“We Will Fall”) e aqui a música mais comprida tem 2:39s(“I don’t Wanna Go Down to The Basement”). E as rádios? Eram dominadas pelo progressivo de Yes e Genesis, pelo hard rock virtuoso de Led Zeppelin e pela discoteca do saltitante John Travolta. O sonho hippie tinha acabado, os Beatles também. A América Latina, o leste Europeu e grande parte da Ásia viviam sob ditaduras. O mundo em constante ameaça atômica era uma ressaca claustrofóbica.

Blietzkrieg bop

A primeira coisa que chama a atenção no disco é a capa. Quatro cabeludos, com jaquetas de couro pretas – como as de Marlon Brando e James Dean – calças rasgadas, tênis surrados e caras desafiadoras estão encostados numa parede pichada. Eles parecem te provocar, loucos pra te dar uma porrada. A única coisa escrita lá é o nome da banda “Ramones” – uma referência ao nome que Paul Mccartney usava para se registrar em hotéis. O disco começa. A porrada vem em forma de grito de guerra. Hey ho let’s go. Um ataque relâmpago fala de blitzgrieg, estratégia militar que fez os nazistas dominarem metade da Europa no começo da Segunda Guerra Mundial. Ah, vale lembrar, o alemãozinho Dee Dee Ramone tem fascinação pelo nazismo. O desengonçado Joey Ramone – já internado em clínicas psiquiátricas – berra “espanque o moleque com um taco de beisebol”. Da onde vem tanta raiva? Dee Deefoge de uma família problemática, Johnny ralava como pedreiro. O lirismo se esconde nos backing vocals que fazem referência a grupos vocais dos anos 60. “I Wanna Be Your Boyfriend” quebra o clima, uma balada romântica já pavimenta o caminho que os Buzzcocks, e mais pra frente os emos, vão seguir. “Os punks também amam”. “Now I Wanna Sniff Some Glue” repete milhares de vezes a mesma frase. Os moleques entediados lá de “1969” de Iggy Pop agora gastam o tempo cheirando cola, arrumando brigas e fazendo barulhos com suas guitarras toscas, ou serras elétricas, em “Chain Saw”. A contagem para todo mundo entrar junto – que se tornou marca registrada do grupo – aparece pela primeira vez em “Listen To My Heart”. “1,2,3,4” grita Dee Dee, baixista e principal compositor. Ele vai voltar a urrar em uma das partes de “53rd and 3rd” uma das mais sérias e tristes do álbum. É sobre o tempo em que o músico ficava nas esquinas de Nova York fazendo michês. O disco ainda traz como destaque o cover “Let’s Dance”(e gravar clássicos do rock ‘n’ roll em versões cruas seria uma marca da banda) e “Today your Love, Tomorrow the World”.

Havana Affair/Listen To my Heart

-Entrevista com os Garotos Podres

Pronto, menos de meia-hora e a surra acabou. Aqueles punks saídos do filme “O Selvagem”(com Marlon Brando), que soavam como uma canção de Iggy Pop e queriam cantar como se fossem os Beach Boys devem estar cheirando cola em outro lugar. Seu álbum não fez nenhum sucesso nos EUA. Só foi bem recebido quando o quarteto excursionou pela Europa e influenciou meio mundo – Clash e Sex Pistos incluídos, dando origem ao movimento punk e todo hype em cima da coisa. Dessa árvore cairiam os frutos podres do hardcore, trash, crossover, grunge, emo e outros estilos musicais.

Era isso. Letras diretas sobre o cotidiano do mundo white trash – os brancos pobres e desajustados dos EUA. Som distorcido, rápido e sem firulas. Refrões fortes. Backing vocals melodiosos. E o rock nunca mais seria o mesmo.

Leia para saber mais:
“Mate-me, por favor”, “Legs” McNeil e Gilliam McCain
“Coração envenenado” – Dee Dee Ramne e Veronica Kofman

Pin Ups: Fotos, ilustrações e a história de musas como Bettie Page e Dita Von Teese

-Nossas musas

Pin Up de Joyce Ballantine:Ilustrações de pin ups em pose sensual faziam sucesso nos anos 50


É, pessoal, tem coisas que estão naquela nossa cestinha “cool stuff” sem muita explicação, né? Só de pensar nelas, você já fica feliz, como um filme que você assiste várias vezes e é sempre divertido. Filmes do Tarantino são assim (pelo menos “Pulp Fiction” e “Cães de Aluguel”). O jogo “The Warriors” pro PS2 também. Ramones seus três acordes e jaquetas de couro. Marlon Brando. Sorvete de creme. Livros do Bukowski. Pin ups.

Pin Up de Joyce Ballantine

 

Sempre achei foda. Mesmo minha mãe, feminista de carteirinha, que vivia criticando a Playboy por “transformar as mulheres em objeto”, achava as Pin Ups legais. Eram um símbolo de mulheres sexy, mas comuns, com curvas e dobrinhas a mais. Podiam estar no banho ou limpando a casa e mesmo assim eram poderosas. E suas roupas retrô e cortes de cabelo acabaram influenciando um monte de meninas rockers e punks.

Cena da graphic novel "Rockteer" , de Dave Stevens

 

A primeira vez que me deparei com uma Pin Up foi quando ganhei do meu tio a Graphic Novel do Rockteer. A mocinha tinha o rosto inspirado na Bettie Page, maior ícone das Pin Ups. Agora, nesse feriado, li uma matéria que dizia que dançarinas estilo “Burlesque” estavam na crista da onda, lideradas pela ex-senhora Marilyn Manson, Dita Von Teese.

Bettie Page em pose sadomasô

 

Será a volta das curvas? Vou achar bom se o padrão de modelos anoréxicas for pro saco.

Dita Von Teese em seu clássico show de strip tease

Eu até fiz uma poesia pras Pin UPs(e pra minha pin up) no começo do ano:

Pin up Way of Life
Minha gata anda carne e osso – mais carne do que osso
Minha musa anda – tléc tléc – Largo da Batata, Leblon, mulher colosso
Tléc, tléc – de salto Anabela, plataforma, sandalinha ou All Star
Tléc, tléc – só não vai de salto fino, porque a nega tem que andar

Unhas vermelhas, pés pequenos, pernas fartas
Dos meus dedos fortes ficam roxas as marcas
Seu seios são duas montanhas que escalo
Roberto Carlos canta, cavalgo cavalo

Minha gata está viva! Sim, viva e corada
A anoréxica modelo não a lembra em nada
Cadáver ossudo, pele pálida,olhos mortos
Não!Seu corpo tem curvas, seus caminhos são tortos

Minha musa não é top model; é pin-up
Minha musa não é madrinha da bateria; é destaque
No meio da ala, seios fartos e nus – samba de verdade
Seu corpo todo exala perfume, me enche de vontade

É a rainha do povo, rosário da nação
Dos bebuns do boteco, dos operários na construção.
Enche meus olhos, meus desejos perversos
Me inspira a rima, colore meus versos

Ah, Bettie!

E pra quem estava procurando a descrição da Wikipedia:
Uma pin-up é uma modelo cujas imagens sensuais produzidas em grande escala exercem um forte atrativo na cultura pop. Destinadas à exibição informal, as pin-ups constituem-se num tipo leve de erotismo. As mulheres consideradas pin-ups são geralmente modelos e atrizes.

Bettie Page:
Bettie Mae Page (Nashville, 22 de abril de 1923 – Los Angeles, 11 de dezembro de 2008) foi uma modelo fotográfica dos anos 50. Faleceu aos 85 anos em 11 de dezembro de 2008 às 18 horas e 41 minutos, de pneumonia, uma semana após sofrer um ataque cardíaco do qual não recobrara a consciência e permaneceu em coma.

Bettie Page estilo bondage

Veja também:
-Outras musas nuas do nosso blog

-Musas rock n’ roll
– Pin Ups clássicas em fotos vintage

Coração Envenenado: Minha Vida com os Ramones, Dee Dee Ramone, com Veronica Kofman

-Que tal um pouco de literatura punk?

Mini-Resenha da autobiografia do principal compositor dos Ramones

Capa do livro "Coração Envenenado" de Dee Dee Ramone

Capa do livro “Coração Envenenado” de Dee Dee Ramone

“Coração Envenenado” não traça um panorama completo da cena que deu início ao punk como “Mate-me por favor”. Não é uma biografia detalhada do quilate do “Anjo Pornográfico” sobre Nelson Rodrigues ou “Vale Tudo”, sobre Tim Maia. É principalmente um livro para fãs de Ramones. Narrado em primeira pessoa, como se fosse uma longa entrevista cedida por Dee Dee Ramone, “Coração Evenenado” é subjetivo, um pouco ingênuo e sem muitas firulas. Como as músicas de Dee Dee, principal compositor e ex-baixista dos Ramones.-Leia resenha do primeiro disco dos RamonesEle vai narrando, sem tomar muito fôlego, como foi sua infância infeliz na Alemanha, como eram seus pais, sempre bebendo e brigando, como foi sua adolescência na Nova York de “Taxi Driver”, seu envolvimento com crime e drogas, muito antes de ter pelos na cara. Dee Dee Ramone era um junkie marginal, para quem a única salvação era a música. Se tivesse nascido no Brasil de hoje, ele faria Rap mais violento que “Facção Central”. Ele não tocava bem, mas compôs alguns dos maiores clássicos do punk como “Blitzkrieg Bop”, “Pet Seamatery” e “Poison Heart”, só para ficar entre os mais conhecidos. Ele parece não ter noção da importância das coisas que ia vivendo. Para Dee Dee, cada dia é só mais um dia que ele conseguiu sobreviver, seja o primeiro show dos Ramones na Inglaterra, influenciado toda uma geração de bandas que vão de Sex Pistols à Clash, seja uma noitada com membros do New York Dolls ou do Blondie.

Em todo livro ele avisa que se acha muito sortudo por estar vivo. Que a história de um Ramone não pode ter um final feliz. E ela não tem. No epílogo somos lembrados que Douglas Calvin, o Dee Dee, morreu num quarto de hotel, em 2002, aos 49 anos. Os Ramones eram caras fodidos e durões, mas que conseguiram fazer músicas enérgicas que passam longe da depressão bundona. Eles enfrentaram seus demônios com distorção e velocidade. E isso é o mais importante de toda história.

 

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