10 livros que mudaram minha vida

publicado originalmente dia 14 de novembro de 2010

Listar os preferidos é sempre angustiante. Deixa-se de lado por comparação, esquece-se de algo inesquecível, aumenta-se o número de itens no ranking.

Alice no País das Maravilhas” não entrou porque a história já tinha chacoalhado minha vida através das versões de desenho animado e cinema, antes que eu lesse o livro. “O Homem e seus Símbolos” do Jung perdeu para o “O Poder do Mito”, que eu li algum tempo antes e foi mais impactante. Troquei na última hora “O Uivo” de Allen Ginsberg (minha introdução à literatura beat) por Paulo Leminski que mudou meu jeito de escrever poesia.

Enfim, segue abaixo – por ordem cronológica e não de importância – os dez livros que foram turn points na minha vida.

1) “A Ilha do Tesouro“, Robert Louis Stevenson
Foi o primeiro livro “de verdade” que eu li, quando tinha 7 anos. Já tinha contato com Ruth Rocha e coleção Vagalume, mas o pirata Silver e o moleque Jim foram os meus primeiros heróis literários.


2) “O Falcão Maltês”, Dashiell Hammett


Esse clássico policial de Hammett definiu muitos dos clichês que fariam minha cabeça no mundo dos livros. Personagens durões, linguagem coloquial, frases curtas, mulheres sensuais e perigosas, mundo marginal. Eu tinha entre 10 e 11 anos e comecei a copiar o jeito que “O Falcão Maltês” fora escrito. Eram minhas primeiras aulas de literatura.

 

 

3) “Vestido de Noiva“, Nelson Rodrigues

Nelson Rodrigues foi o primeiro autor que me estragou. Lembro de ler os contos e peças dele com medo que alguém me flagrasse debruçado naquelas páginas de traições, neuroses, incesto e intrigas. Eram as relações familiares e sociais desmascaradas e caricaturizadas de uma forma que deixava a vida como ela é …

 

4) “Caprichos e Relaxos”, Paulo Leminski
Drummond foi provavelmente meu primeiro poeta preferido e moldou muito do que eu escrevo hoje, mas sua fórmula modernista de humor, versos livres e algumas poesias curtas foi elevada a décima potência pelo samurai alcoólatra Paulo Leminski. O poeta paranaense era um roqueiro underground fazendo haicais que te faziam querer ser (sem vergonha) poeta.

5)”Misto Quente“, Charles Bukowski


Falar da importância deste livro sobre a infância escrito por Bukowski me tomaria dez páginas. Ele causou pra mim o impacto que “O apanhador no campo de centeio” causa na maioria das pessoas, mudou meu jeito de escrever, me ajudou a superar os complexos de uma adolescência loser e me apresentou a um dos autores dos quais eu mais devorei livros. Perto da influência causada por estas centenas de páginas, só o impacto de ter descoberto o punk rock.

 

 

 

 

6)”Trópico de Câncer”, Henry Miller
Henry Miller foi uma evolução natural depois de descobrir Bukowski, uma versão mais intelectualizada e filosófica das obras carregadas de sexo e bebedeira do velho tarado. Miller me abriu as portas para Anaïs Nin, para redescobrir Nietzsche e para reforçar a insatisfação com a vida cotidiana.

 

 

 

7)”O Poder do Mito”, Joseph Campbell

Cada livro presente nesta lista é como uma árvore em cujos galhos amadurecem os importantes frutos dessa leitura seminal. Essa longa entrevista em que o antropólogo Joseph Campbell explica as bases da sua teoria foi quem abriu minhas portas para Jung, Freud e a volta das leituras teóricas. Um livro básico e que me instigou muito na faculdade.


 

 

 

 

8)”Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas”, Robert M. Pirsig
Filosofia pop da melhor qualidade, “Zen … ” dialoga com clássicos da filosofia oriental e ocidental em meio a uma viagem de moto pelos Estados Unidos e foi best seller entre os adeptos da contracultura. Foi ele quem me empurrou para a leitura de “A Arte Cavalheiresca do Arqueiro Zen” e para uma busca maior da integração entre a racionalidade e o que chamamos de… espiritualidade. (Ok, foi admitir isso, tá?)

 


 

 

 

9) “Folhas de Relva”, Walt Whitman

Anos depois de me impressionar com “O Uivo” de Allen Ginsberg (minha porta para os beats), pude encontrar na poesia de Whitman a fonte de todos os escritores que tanto admirava. Versos livres, viris e vigorosos pregando a igualdade, a liberdade e a sexualidade. Referências ao pensamento oriental mescladas ao ritmo moderno das ruas. Item fundamental não só para quem quiser entender de poesia, mas para quem quiser entender da vida.

 

 

 

 

 

 

10) “Grande Sertão: Veredas”, Guimarães Rosa
A primeira vez que fui tentar ler “Grande Sertão”, eu – moleque metido de 11 anos – não consegui sair da primeira página. A linguagem rebuscada misturava sotaque sertanejo, com palavras nunca ouvidas e erudição homérica. Reencontrei-me com este calhamaço de mais de 600 páginas ano passado, empolgado pelo entusiasmo do meu pai ao falar sobre “um dos livros que mudou sua vida”. Embrenhar-se por esse sertão é um presente para os sentidos e uma experiência literária única.

 

 

 

 

 

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Frases: “Grande Sertão Veredas”, Guimarães Rosa

Originalmente publicado 21/09/09

“Viver é negócio muito perigoso”

“O diabo na rua no meio do redemunho…”

“Eu quase que nada não sei, mas desconfio de muita coisa”.

“Eu atravesso as coisas – e no meio da travessia não vejo! –só estava era entretido na ideia dos lugares de saída e de chegada.”

“Riobaldo, a colheita é comum, mas o capinar é sozinho…”

“Que era: que a gente carece de fingir às vezes que raiva tem, mas raiva mesma nunca se deve de tolerar de ter. Porque, quando se curte raiva de alguém, é a mesa coisa que se autorizar que essa própria pessoa passe durante o tempo governando a ideia e o sentir da gente(…)”

“Sertão é dentro da gente”.

“Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura”

-COnheça a “Odisséia”, de Homero

“Acho que Deus não quer consertar nada, a não ser pelo completo contrato: Deus é uma plantação. A gente – e as areias.”

“O horror que me deu – o senhor me entende? Eu tinha medo de homem humano.”

“Esquecer, para mim, é quase igual a perder dinheiro”.

“Vivendo, se aprende; mas o que se aprende, mais, é só a fazer outras maiores perguntas”.

“O diabo não há! É o que eu digo, se for… Existe é homem humano. Travessia”

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