Assista ao festival cRássico de rock/punk “Destruindo a Rotina” – realizado em Penápolis, em 2001, no Bar do Nori

Era uma atípica noite fria em Penápolis (uma cidade no interior paulista que costuma ser MUITO quente), quando um festival atípico cheio de músicas esquisitas começou a se desenrolar no antigo “Bar do Nori” (localizado na rua conhecida como “Avenida”, onde se localizavam os barzinhos das cidades.)

Assista ao festival “Destruindo a Rotina”

A organização do festival “Destruindo a Rotina” começou meses antes pelas mãos dos irmãos Fred (no caso, eu) & Gabriel Di Giacomo e do baterista André “Ramone” Gubolin. Nós rodamos Penápolis atrás de patrocínio, alugamos som, descolamos uma lona tosca, emprestamos a bateria do brother Gilvan (que tocava na banda Militantes do clássico politicamente incorreto “Mulher burra só serve pra meter”) e divulgamos o festival na imprensa local. Conseguimos também uma parceria com o tatuador Pombal que sorteou tatoos e estava com sua banca montada na hora e também um esquema de venda de camisetas de rock. As bandas convidadas eram de Rio Preto, Araçatuba e Penápolis – mas, claro, algumas furaram na hora. Pelo que lembro o pessoal de Araçatuba foi comprar cigarro e nunca mais voltou, hehehe.

Os irmãos Fred e Gabriel Di Giacomo momentos antes do festival "Destruindo a Rotina", em 2001.

O começo dos anos 2000 era uma época de renascimento pro  rock de Penápolis. Depois de uma primeira geração de bandas bem legais  (como o Hëllisch, a Tuna,  o HellFire – que deu origem ao Necroriser – e o Dr. Ratazana), surgiam novos grupos, fanzines, festivais em colégio e até um programa de rádio da União Municipal dos Estudantes (que tocava Ratos de Porão pela manhã, intercalado com poemas do Augusto dos Anjos e piadas internas da pior qualidade). Entre as várias bandas de garagem que pipocavam havia uma vertente punk representada por Praga de Mãe, Militantes, Cretin Family e Grito Feminino que foi responsável por organizar os primeiros festivais que dariam origem ao que hoje é o grande organizado “Plis Rock” . O primeiro festival que eu ajudei a organizar tinha o simpático nome de “1º Massacre da Guitarra Elétrica”. Depois vieram o “Carna Rock”, “Carna Rock 2” (já no Bar do Nori) e o 1º Encontro Regional de Rock que ficou mais nas mãos do Gilvan e marcou a “profissionalização” da parada, com apoio da prefeitura e tudo. Aliás, lembro de quando eu, o Gabriel Di Giacomo, o Gilvan e o Marcão do Valle entramos no gabinete do prefeito de Penápolis (acho que era o Firmino na época) com calças rasgadas, spike e coturnos pra negociar “apoio” pro movimento. Saímos todos de lá com “bandeirinhas” de Penápolis como brinde, hehehe,

Tosqueira aguda: primeira e única demo da banda Praga de Mãe que fez seu primeiro show no "Destruindo a Rotina"

Entre os destaques do “Destruindo a Rotina” rolou a volta da banda Dr. Ratazana (que tinha registrado um show foda no Colégio “Coração de Maria”, em 1997, e me fez  querer montar banda e começar a consumir coisas pesadas como o punk rock), a estreia do “Praga de Mãe” (uma das poucas bandas da “cena” que investia em músicas próprias) e os shows das bandas de Rio Preto “Xios Porks” e “Caso Geral”. Também rolaram shows do Militantes (a banda de Penápolis que mais tocou pelas cidades da região, na época) e do Garage Metallica. Não lembro ao certo, se foi nesse dia que o Cretin Family estreou, ainda como “Ramones Brasil”.
Enfim, as filmagens acima não mentem: as condições eram precárias, o som era estourado, a maioria das bandas era pedreira, MAS havia uma paixão juvenil que fazia tudo soar lindo. Era um festival de rock pesado viabilizado por moleques de 16 anos no meio de uma cidade movida à sertanejo e baladas eletrônicas. Pra quem não tinha lojas de instrumentos decentes, nem rádios rocks, nem Hangar 110, nem “Galeria do Rock”, aquele foi um dos dias mais legais das nossa vida.

Veja também:
– Uma breve história do rock de Penápolis

-Carlão: um dos nomes que fizeram o rock de Penápolis

Dave Matthews fala português e elogia Seu Jorge em festival ecológico

About Us também contou com dueto de Ben Harper e Vanessa da Mata

originalmente publicado em Abril.com

O About Us que aconteceu na última sexta-feira(26), em Manaus, e no domingo (28), em São Paulo, fugiu do padrão dos festivais que costumam tomar conta da programação dos brasileiros no segundo semestre do ano. Nada de bandas hype e jovens indies, público típico de eventos como Tim Festival e Skol Beats. O About Us, que reuniu cerca de 40.000 pessoas, resolveu apostar em nomes consagradas (Dave Matthews Band e Ben Harper) e deixar o hype para o tema: a sustentabilidade.

Sustentabilidade virou a palavra preferida de publicitários e políticos, que vendem produtos e ganham campanhas prometendo salvar o verde. No caso do About Us, a sustentabilidade ficava nos “porta-bitucas” distribuídos na entrada e no projeto do site do festival, que incentivava o público e plantar uma árvore e mandar a foto da ação. Também incluía uma exposição com móveis feitos com embalagens tetra pack e tubos de pasta de dente ao lado de luminárias feitas com copos de plástico. Uma horta demonstrava o processo de compostagem e a loja oficial vendia camisetas do Ben Harper ao lado de sandálias feitas de pneu velho. Lixo vira luxo e você salva o planeta com estilo.

Dave Matthews Band

O line-up “nacional” do festival incluía Afro Lata/Mangue(de Vigário Geral), NX Zero(a banda mais deslocada do conjunto “bicho-grilo”), Seu Jorge(que foi elogiado por Dave Matthews tanto em seu Twitter, quando durante o show) e Vanessa da Mata(que tocou “História de uma gata” de Chico Buarque e seu hit onomatopéico “Ai,ai,ai”). Dois dias antes, em Manaus, a banda O Rappa entrou no lugar de Seu Jorge e Afro Lata.Antes do show do guitarrista e cantor Ben Harper, eram exibidos vídeos ecológicos, que intercalavam depoimentos de personalidades como o ministro do Meio Ambiente Carlos Minc com desenhos engraçadinhos sobre emissão de CFC.Tocando pela terceira vez no Brasil, o músico californiano Ben Harper e sua banda, Innocent Criminals, começaram o show com o groove do baixo do reggae “Jah Work”, do disco “The Will to Live” de 1997. Ben gastou seu português com um simpático “Obrigado” ao final da música e deixou a guitarra de lado para assumir o violão em “Don’t Take That Attitude to Your Grave”, primeira de uma série de baladas folk. O público aplaudia gentilmente ao final de cada canção, mas só se empolgou mesmo quando Harper mandou “Fight Outta You” do disco “Lifeline” (2007) e “Diamonds On The Inside” do disco homônimo de 2003. Em “Forgiven” Harper assumiu a guitarra slide tocada no colo e disparou seu primeiro solo que empolgou o público.

A mistura de reggaes com “mensagem” a la Bob Marley com solos “hendrixianos” e baladinhas folk seguiu sem grandes surpresas até “Better Way”. Antes desta, Harper disse em inglês que viajava bastante e onde quer que estivesse sempre via uma bandeira do Brasil em seus shows. Para encerrar, “With My Own Two Hands” e o convite para “uma amiga querida, uma das maiores cantoras do mundo”, Vanessa da Mata, subir ao palco e cantar “Boa Sorte/Good Luck”. A balada bilíngüe foi a mais bem recebida pelo público, cantada em uníssono belas milhares de pessoas que se aglomeravam na Chácara do Jockey. Harper saiu do palco sem bis e deu lugar a mais alguns vídeos ecológicos, que eram ignorados pela maioria do público. Apesar do tema engajado, as pessoas que foram ao About Us estavam muito mais para “Daslu” do que para “Fórum Social Mundial”. Em meio a patricinhas e famílias, podia se ver uma camiseta solitária de apoio ao candidato americano Barack Obama.

O show de Dave Matthews Band começou cinco minutos antes do previsto em meio a gritos e palmas do público empolgadíssimo. Os moderninhos que apostaram que Dave Matthews não seria páreo para concorrência do Skol Beats na noite anterior se enganaram. O combo liderado pelo violonista sul-africano teve o público na palma da mão durante as duas horas e meia de sua apresentação que mesclava country, jazz, funk e folk com refrões pop e improvisos instrumentais virtuosos.

Cumprimentando o público em português, o carismático Matthews começou a show com “Two Steps”, marcada por solo de bateria de Carter Beauford. O dono das baquetas da banda americana era um show à parte recebido por gritos do público toda hora que aparecia no telão, fazendo bolas de chiclete enquanto alternava ritmos quebrados e solos. A banda concentrou seu repertório em músicas mais antigas como “Crash Into Me” e “Too Much”. A quarta música foi “Satellite” do álbum “Under The Table and Dreaming” que causou comoção geral. Atrás de mim uma menina gritou “essa é a banda que vai tocar no meu casamento”, do meu lado, outra moça chorava abraçada pelo namorado. Fãs de Dave Matthews são tão fanáticos quanto fãs de Los Hermanos, para ficar com um exemplo doméstico. Eles lotaram a Chácara do Jockey, cantando a cada refrão, rindo com as dancinhas malucas de Matthews e aplaudindo o final de cada solo de violino ou saxofone.

Ben Harper fez uma participação cantando e tocando guitarra em “All Along The Watchtower” de Bob Dylan(em uma versão mais empolgante do que a que Dylan tocou no Brasil), citando Jimi Hendrix no solo. No final de duas de horas de show, o público pediu bis e a trupe de Matthews voltou depois de alguns minutos para três músicas, sempre agradecendo e tentando falar em português. A primeira foi “41”, pedida em coro pelos milhares presentes. Depois de meia hora cheia de improvisações, o About Us foi encerrado com o hit “Stay(Wasting Time”).

>3 coisas que eu adoro e uma que eu odeio

>Achei o disco do Foo Figthers novo bom. E eu nem sou super fã da banda, as músicas mais leves tão muito fodas.

Achei o disco da Nação Zumbi novo bom. Eu sou fã da banda, mas tinha achado o Futura regular. A faixa Inferno (com participação da Céu) tem vocais e texturas interessantes e a guitarra do Lúcio Maia ta mais foda que o normal.

Adoro listas. Vi duas agora: a dos 100 melhores discos de música brasileira da Rolling Stone e dos 100 melhores filmes da Bravo!

Odeio emos que sentam no meio dos shows, impedindo a passagem de todos. Principalmente em festivais com milhares de pessoas como o Tim Festival. Se você queria comprar água do outro lado tinha que chutar uns 10 moleques bundões que não agüentam 4 horas de show.

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