Eu odeio a minha geração

hipss

Tentei ser uma boa pessoa

Meditei
Refleti
Fiz análise
Tomei psicotrópicos
Desbundei
Fumei maconha
Viajei

Mas continuo um merda.

***
Eu odeio minha geração
Toda bundamolice, egoísmo, choradeira e egolatria
Eu canto minha geração e vomito na minha geração
Porque cada átomo que pertence a vocês
Pertence a mim
E isso me dá náusea.

Hoje arranquei os olhos da televisão
Queimei os campos de futebol
Flanei pelas farmácias espaciais que vendem alegria artificial
Ri das revistas que prometem corpos perfeitos para o verão
E das universidades que preparam moleques para vender seus sonhos no mercado de mentiras

Eu peguei todos meus sonhos, embrulhei num pacotinho reciclado
e troquei por uma plaqueta escrita “empreendedor”
um amigo que era DJ fez a trilha sonora ideal para que inscrevêssemos tudo isso num edital do governo
Perdemos o prazo porque um pequeno grupo de caraspintadas fez um protesto relâmpago que parou a rua

Protestavam contra a erupção do Vulcão
Protestavam contra o passar veloz do tempo
Protestavam contra as árvores que fazem striptease no outono violento
Protestavam contra os rios que se despedem sem dizer adeus

***
O mundo entorta os certos
e premia os cuzões

O mundo alimenta seu ego
E te faz crer que você é especial

Não acredite

Você é bosta
Adubo de plantas
Poeira cósmica
Carbono
água

acaso

O poema mais bonito
que Deus jamais escreveu

Fred Di Giacomo é escritor e jornalista multimídia. O conto “O homem que colecionava dedicatórias” abre seu primeiro livro “Canções para ninar adultos“, lançado em 2012 pela editora Patuá. “Canções” foi publicado  em um formato inspirado nos velhos compactos de vinil e é dividido entre Lado A (com contos fantástico) e lado B (com contos mais marginais). Fred também é autor do infantil “Haicais Animais“, criador do projetoGlück – uma investigação sobre a felicidade e autor do roteiro de diversos jogos e newsgames.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...