“Conversas com Woody Allen”, resenha do livro de Eric Lax

publicado originalmente em 04/10/2009

“O único conselho em que posso pensar é que só o trabalho conta”.

“Não influenciei ninguém de forma significativa”, afirma Woody Allen no final do livro de entrevistas conduzidas por Eric Lax.  Woody parece reticente em dar qualquer tipo de aula ou lição para as novas gerações, ou mesmo em reconhecer sua grande influência para o cinema mundial.  (Ele provavelmente nunca assistiu “Apenas o Fim” filme brasileiro inspirado em “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa”, ou, então, “Harry e Sally” que deu origem a dezenas de comédias sobre relacionamento). É engraçado essa reticência, porque todo o livro “Conversas com Woody Allen” é uma grande aula sobre cinema, escrita e processo criativo.

Vamos lá: todo bom livro é um bom professor, muito melhor do que os que você vai encontrar – na maioria das vezes – nas faculdades. Afinal, quem poderia ter aula de existencialismo com Sartre ou lingüística com Guimarães Rosa? Nessa série de entrevistas, que vai dos anos 70 até o final dos anos 2000(O único filme de Woody que não é comentado é o recente “Vicky Cristina Barcelona”), Eric Lax conversou com Allen, assistiu suas gravações e acompanhou seu processo de edição. Dividiu as conversas, então, em 7 temas: “ A ideia”, “Escrever”, “Casting, Atores e Atuação”, “Filmagens, sets, locações”, “Direção”, “Montagem”, “Trilha Sonora” e “A Carreira”. Lá está tudo que você queria saber do tio Allen, mas tinha medo de perguntar: “Como Woody escolhe a ideia que vai filmar?” “Como ele faz um roteiro?” “A trilha sonora entra só no final da edição?” Além de todos os detalhes do seu método de criação, Allen fala de suas influências (Bob Hope e Ingmar Bergman, entre outros) e de sua filosofia de vida: vivemos num mundo sem deus, onde se nós não nos policiarmos, ninguém vai nos vigiar ou punir.

Entre um excesso de autocrítica aqui e um pouco  de pessimismo ali, Allen confessa que seu grande sonho era ser um diretor de cinema “sério”, e mostra sua frustração por ser reconhecido apenas como cômico. Vale a pena ler e se deparar com a quantidade de angústia por trás da cara de baixinho-nerd-engraçado.

“Conversas com Woody Allen: seus filmes, o cinema e a filmagem”
Editora Cosac Naify
512 páginas

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...