Dez perguntas que a Barra Funda Fighters sempre quis responder, mas ninguém tinha coragem de perguntar

Barra Funda Fighters, o mito, a lenda, a banda instrumental que faz piada em títulos e entrevistas de blogs punks. Estreando nossa seção (X perguntas que a banda X sempre quis responder, mas ninguém teve coragem de perguntar) em que as próprias bandas se entrevistam, o trio paulistano selecionou as 10 perguntas que sempre quiserem responder e saracotearam a valer em suas respostas. Duvida? Lê aí!

PS: Próximo show dos manos
Quando: Sábado dia 22/10, a partir das 16h
Onde: Cerveja Azul (Praça Ciro Pontes, 26, próximo a Universidade São Judas – Mooca), Quanto: Dez real! Os dez primeiros que mandarem e-mail pra barrafundafighters@gmail.com querendo comprar o ingresso, ganham uma camiseta da banda.

-Leia mais entrevistas rock ‘n’ roll

PB: Vamos começar esclarecendo o nome da banda. O “Fighters” vem do fato de vocês  serem arruaceiros e maus elementos, que arrumam briga aonde quer que vão?
Marco: Quero que se foda quem pensa assim. Se eu catar quem vem falando essas
merdas, enfio uma tesoura cega no @#. Se um dia alguém apanhou da gente foi por
motivos justos, tipo mexer com a namorada, olhar torto ou falar mal do nosso som em
qualquer aspecto. De resto, somos tranquilos.
Vinny: Tem “Fighters” no nome?
Bernardo: Antigamente chamava-se Bernardo’s Trio Band, mas…

PB: OK. E quem da banda mora na Barra Funda?
Marco: Sua vó, filho duma %*$&.
Vinny: É só brincadeira, Bagual! Na banda tem gaúcho, carioca, cearense, goiano
e argentino. Às vezes, enxergo alguns romenos no palco também, mas só quando
misturo mate no absinto.

PB: Cite as influências estético-musicais da banda.
Vinny: Bah! Heineken e Sur Cabernet 750 ml, principalmente…
Marco: Com um pouco de 8-bit.
Bernardo: E jazz fusion, claro!

PB: Quando o vocalista de vocês vai voltar?
Marco: A banda é instrumental, palhaço. Tá querendo engolir esse gravadorzinho de
merda?
Bernardo: Tínhamos um vocalista, mas ele dominava muito a atenção da plateia.
Preciso evidenciar o timbre abstrato-virtuoso do guitarrista misterioso em primeiro
plano (pausa). Chutei ele da banda.

PB: Ouvi dizer que vocês procuram outros músicos para participações em músicas e shows. Se eu quiser tocar com a Barra Funda Fighters, como devo proceder?
Bernardo: Antes de mais nada, deve ser um músico virtuoso e que tenha pelo menos
65% da discografia do Malmsteen. Depois, precisa obedecer todas as minhas ordens
e seguir à risca meu ideal do que é bom ou ruim, musicalmente e filosoficamente
falando.
Marco: Ou a pessoa também pode mandar um e-mail pra
barrafundafighters@gmail.com, ou conversar com a gente num show…

PB: Gostaria de saber como vocês nomeiam suas músicas, já que é instrumental. Por exemplo, por que aquela música se chama União Soviética II?
Marco: Essa iria se chamar punheti–
Bernardo: Todas as músicas têm um conceito do qual desenvolvemos os arranjos
e melodias. No caso de União Soviética II é uma reflexão sobre o sublime ideal
comunista, marcado pela guitarra inicial, a revolução e o declínio, as 3 partes da
música. Elas se repetem para marcar um possível surgimento de um outro bloco
socialista, tudo abraçado pela ideia do Eterno Retorno de Nietzsche.

PB: Certo! Um sonho?
Bernardo: Levar a todo planeta a verdadeira música instrumental-rock, claro.
Infelizmente para a população mundial, somos a única banda viva que carrega essa
bandeira e tem a competência necessária pra realizar tal missão, que pode ser
comparada à busca de sir Lancelot pelo Cálice Sagrado.
Marco: Sexo, drogas e rock’n’roll.
Vinny: Drogas? Onde?!

PB: Vocês possuem algum material gravado, disco, EP?
Marco: Ainda não. Mas estamos nos preparando para gravar algumas músicas em
estúdio, com a produção de um amigo nosso, Gabriel Gonzo, que tem uma banda de
reggae, mas tem hardcore na veia.
Bernardo: No começo da banda gravávamos vídeos dos ensaios para postar no
mySpace da banda, sendo
o único material gravado. Paramos por falta de tempo. Mas, a pedido dos milhares de
fãs, iremos retomar.

PB: Vocês possuem algum projeto paralelo?
Vinny: Bah! Claro, eu toco guitarra.
Marco: Eu estou aprendendo bateria com o Rock Band.
Bernardo: Fico com o baixo, mas toco qualquer instrumento que me for apresentado.
Até mesmo inventei alguns… O resultado é nosso projeto paralelo. Geraldo98, talvez.

PB: Barra Funda Fighters em poucas palavras.
Bernardo: Bernardo.
Marco: Soco na sua cara.
Vinny: Drinks grátis!

-Conheça a antiga banda do Bernardo, os infames CUECAS ROSAS
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“Não devemos nada você” – Resenha do livro de Daniel Sinker

-Conheça a autobiografia de Dee Dee Ramone

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As coisas à sua volta acontecem muito rápido, você está ansioso pra fazer alguma coisa, mas não sabe por onde começar? Calma! Respire, compre (baixe ou roube) o livro “Não devemos nada a você” e leia todas as 30 entrevistas até o final. Pronto, agora você pode montar sua banda, seu coletivo, sua ONG ou sua própria gravadora. Você pode até mesmo sonhar em mudar o mundo e ter exemplos concretos de gente que trabalhou pra isso.

Inspiração é o que transborda das quase 300 páginas de conversas com figuras importantes da cena punk/alternativa americana que falaram com a revista Punk Planet, em seus 13 anos de vida. E lá estão veteranos do punk rock como Jello Biafra(ex-Dead Kennedys) e Ian Mackaye(ex-Minor Threat e Fugazi), mas também grupos novos como The Gossip e Los Crudos. Artistas hype como Miranda July, pensadores como Noam Chomsky e produtores como Steve Albini. Todos unidos pela vontade de fazer as coisas de forma independente, de achar uma alternativa ao status quo. “Do it yourself” grita para o leitor cada entrevista.

É bacana conhecer uma cena onde punk ou atitude alternativa não são coisas só de meninos rebeldes ou de figuras uniformizadas com moicanos e coturnos(nada contra moicanos, só contra padrões). Muitas das vozes de “Não devemos nada a você” saem de pessoas que vivem daquilo há anos. Que realmente fazem coisas práticas – como ajudar mulheres a abortar ou levar mantimentos para o Iraque – para mudar nossa sociedade. Pra quem se interessa por imprensa alternativa, rock, punk ou cultura independente é item obrigatório. Pra quem não se interessa por nada disso, é uma forma inspiradora de começar.

Leia alguns contos punks, se tiver coragem.

Capa da edição gringa – bem mais bacanuda que a nossa, né?

 

É só isso?
Não, também tem entrevistas com Thurston Moore(Sonic Youth), Bob Mould(Hüsker Dü & Sugar), Black Flag, Kathleen Hanna(Bikini Kill & Le Tigre), Sleater-Kinney, Porcell(Shelter), entre vários outros.


NÃO DEVEMOS NADA A VOCÊ

Organização e edição: Daniel Sinker
Edições Ideal
308 p. / R$ 40
www.idealshop.com.br

Daniel Sinker, criador da Punk Planet

Hardcore 90 – Uma História Oral

-Quer ler mais sobre punk rock?

Descobri, lendo o Zona Punk, um projeto de documentário bem legal que o Marcelo Fonseca está tocando. Trata-se de “Hardcore 90 – Uma história Oral”, que pretende contar a história do hardcore brasileiro nos anos 90(de 1989-2000). É segunda geração do punk tupiniquim, depois que Ratos de Porão e Cia abriram as portas pro estilo a coturnados nos anos 80.

Street Bulldogs - um dos destaques dos anos 90

 

Vivi um pouco dessa época quando estava começando a tocar(tive bandas punk entre 1999-2002, comecei a ouvir o estilo lá por 97). Lembro de baixar músicas do Blind Pigs e Gritos de Ódio na net, assistir um show do Mukeka di Rato em Bauru, e esperar ansioso que meu amigo Marcão trouxesse os últimos discos do Dead Fish, Street Buldogs e Gritando HC direto da Galeria do Rock, em São Paulo. Galeria que pra gente era a Dineylândia punk, o sonho de todo moleque roqueiro que se escondia no meio do mato.

Abaixo separei duas entrevistas feiras pelo Marcelo para o documentário. São de membros de duas bandas que, apesar de bem diferentes, eu ouvi bastante na época. Eles falam sobre os primeiros shows e a Verdurada

Túlio(DFC)

Leonardo Kobbaz (Street Buldogs)

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