Entrevista com Laerte, maior quadrinista do Brasil

sunglassesNessa minha pequena grande carreira de jornalista, pude entrevistar alguns grandes ídolos da minha vida. Se falei com Zé do Caixão e João Gordo pessoalmente, alguns desses bate-papos foram apenas virtuais. Esse foi o caso  da entrevista com @ grande quadrinista Laerte – ídol@ de minha infância e adolescência com seus quadrinhos geniais dos Piratas do Tietê e Los Três Amigos.

Com o amadurecimento de sua carreira, o trabalho de Laerte só melhora. E com sua saída do armário, encarando o mundo de peito aberto como transgênero, minha admiração por sua coragem e originalidade se redobra.

Chegam de blá-blá-blá. Leiam a entrevista da Laerte no Glück. Mas já aviso: ela não acredita em felicidade.

“O socialismo é uma doutrina totalmente triunfante no mundo”, afirma Antonio Candido

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Antonio Candido (1918 – ) é considerado um dos maiores intelectuais brasileiros. Sociólogo, literato e professor universitário ele acumula prêmios como 3 Jabutis (premiação máxima da literatura brasileira). Em uma entrevista ao site Brasil de Fato, Candido defende a teoria de que o socialismo é a doutrina triunfante no mundo. Confira a argumentação de Candido no trecho abaixo:

Antonio Candido – Ah, claro, inteiramente. Aliás, eu acho que o socialismo é uma doutrina totalmente triunfante no mundo. E não é paradoxo. O que é o socialismo? É o irmão-gêmeo do capitalismo, nasceram juntos, na revolução industrial. É indescritível o que era a indústria no começo. Os operários ingleses dormiam debaixo da máquina e eram acordados de madrugada com o chicote do contramestre. Isso era a indústria. Aí começou a aparecer o socialismo. Chamo de socialismo todas as tendências que dizem que o homem tem que caminhar para a igualdade e ele é o criador de riquezas e não pode ser explorado. Comunismo, socialismo democrático, anarquismo, solidarismo, cristianismo social, cooperativismo… tudo isso. Esse pessoal começou a lutar para o operário não ser mais chicoteado, depois para não trabalhar mais que doze horas, depois para não trabalhar mais que dez, oito; para a mulher grávida não ter que trabalhar, para os trabalhadores terem férias, para ter escola para as crianças. Coisas que hoje são banais. Conversando com um antigo aluno meu, que é um rapaz rico, industrial, ele disse: “O senhor não pode negar que o capitalismo tem uma face humana”. O capitalismo não tem face humana nenhuma. O capitalismo é baseado na mais-valia e no exército de reserva, como Marx definiu. É preciso ter sempre miseráveis para tirar o excesso que o capital precisar. E a mais-valia não tem limite. Marx diz na “Ideologia Alemã”: as necessidades humanas são cumulativas e irreversíveis. Quando você anda descalço, você anda descalço. Quando você descobre a sandália, não quer mais andar descalço. Quando descobre o sapato, não quer mais a sandália. Quando descobre a meia, quer sapato com meia e por aí não tem mais fim. E o capitalismo está baseado nisso. O que se pensa que é face humana do capitalismo é o que o socialismo arrancou dele com suor, lágrimas e sangue. Hoje é normal o operário trabalhar oito horas, ter férias… tudo é conquista do socialismo. O socialismo só não deu certo na Rússia.

Fernando Meirelles (diretor de “Cidade de Deus”) entrevista Rogério Sganzerla (diretor de “Bandido da Luz Vermelha”), no programa Antenas, em 1983.

Em 1983, os cineastas Joel Yamaji e Fernando Meirelles (diretor de “Cidade de Deus“)  entrevistaram, para o programa “Antenas” na TV Gazeta, o  grande diretor brasileiro Rogério Sganzerla (de “O Bandido da Luz Vermelho” e “A Mulher de Todos”).  É interessante observar na entrevista que  Meirelles já mostra sua preocupação com um cinema brasileiro mais “pop”, comentando com Sganzerla sobre o sucesso do filme “ET”, que “levou 50 milhões de espectadores ao cinema”.

O programa “Antena” foi um marco do experimentalismo na época da abertura brasileira. Ele era produzido pela “Olhar Digital”, de Meirelles, e foi o lugar onde nasceu o personagem “Ernesto Varella”, vivido por Marcelo Tas.

Leia também:

-“Cidade de Deus”: a realidade em ritmo de videoclipe

-O terceiro mundo vai explodir: conheça o genial filme “O Bandido da Luz Vermelha”

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Max Cavalera esculacha a banda Sarcófago e diz que por ele a volta do Sepultura original já teria rolado

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Max Cavalera anda falando faz tempo que gostaria de se reunir com a formação original do Sepultura para novos shows. Pela última entrevista que o vocalista do Soulfly  deu, parece que o mais reticente com a proposta agora é o baixista Paulo Jr. Procurando mais informações sobre esse assunto, me deparei com a ótima entrevista de Max Cavelara para o programa “Heavy Nation” – podcast que completou 100 edições em abril deste ano. Além de falar sobre uma possível volta do Sepultura, sobre seus projetos e sobre o Soulfly; Max Cavalera desceu o cacete no Wagner da banda de black metal Sarcófago. O programa ainda lista um “top 10” clássicos do metal nacional muito bacana. Vale ouvir na íntegra! (E torcer pra que o Paulo Jr. tope a volta do Sepultura com sua formação original)

Ouça aqui: http://www.radio.uol.com.br/programa/heavy-nation/edicao/14421631

 

 

Em entrevista, João Gordo – do Ratos de Porão – fala sobre o sucesso, rap nacional, drogas e a cena punk atual

Se eu tinha um objetivo nos idos de 2003, quando tocava o Zine Kaos com meu irmão e o amigo TiTi Montanari, esse era entrevistar João Gordo – vocalista do Ratos de Porão e VJ da Mtv. Gordo ainda não tinha assinado contrato com a emissora do Bispo, mas era alvo de críticas de anarcopunks e dadosdollabelas da vida. Foi uma das melhores entrevistas por e-mail que eu fiz.

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O Ratos de Porão nos tempos do clássico disco "Descanse em Paz"

– João Gordo comenta polêmica com Los Hermanos

Apesar dos vários problemas de saúde e das constantes críticas ao seu trabalho de VJ na MTV, João Gordo continua com seu espírito crítico e debochado. Vocalista de uma das maiores bandas do punk brasileiro, o Ratos de Porão, o músico destilou em entrevista concedida por e-mail no dia 24 de março de 2003 comentários mordazes que escarram em alvos desde a cena punk paulista até a atual guerra no Iraque.

por Fred Di Giacomo

O Ratos de Porão é talvez a banda mais perseguida pelos auto-intitulados “anarco-punks”, o que vocês acham desse patrulhamento ideológico? Tem hora que a “cena”
enche o saco?
João Gordo Perseguida? Perseguida nada …. Não me sinto perseguido… Op rotestinho desses caras é tão insignificante que nunca causou efeito nenhum. Estou na estrada pondo minha cara pra bater há mais de 20 anos e sempre vi gerações e mais gerações de idiotas aparecer e sumir. Moleques que nos criticam hoje serão absorvidos pelo sistema de amanhã. Hoje anarco, amanhã casado, P.M., pai de família, crente, soro positivo, etc.

Como rolou essa volta no “Onisciente Coletivo” ao som mais trash com letras politizadas?
João Gordo Bem, pra fazer esse disco foi mó embaço, tivemos vários problemas, tocamos pra caralho e quando desencantou saiu tudo de uma vez. Não planejamos “o grande retorno ao trashcore” saiu tudo naturalmente… As letras também, não forçamos barra nenhuma para parecer politizados.

Dá pra perceber pelas letras do último cd que o atentado ao World Trade Center marcou bastante a banda, o que vocês pensam a respeito do ataque e da atual possibilidade de guerra entre Estados Unidos e Iraque?
João Gordo  O plano dos cowboys republicanos do Texas esta dando certo, Bush está conquistando o mundo e usaram o 11 de setembro como pretexto para iniciar a sua doutrina fascista de imperialismo radical. Quem será o próximo? A Coréia do Norte? O Brasil? Vale lembrar que os caras só metem o bedelho onde há interesse econômico. A Coréia do Norte não tem porra nenhuma e nós temos a Amazônia .

O que vocês têm ouvido atualmente? Tem alguma banda nova com a qual vocês se identificam?
Tenho ouvido uma pá de bagaceira tipoLimpwrist que é uma banda sex gay do ex-vocalista dos Los Crudos, fudido, velha escola de primeira, Asesino disco solo do guitarrista do Brujeria (leia-se Dino Cezares). Detão dos infernos as vezes lembra ratos. World Burns To Death crustão desgraçado dos U.S.A. parece que os caras tão tocando por aqui…. Sem contar as bandas nacionais como Descarga, Presto? Mukeka di Rato, Forgotten Boys, muito punk antigo e rock pauleira dos anos 70, yeah!

Gordo, todo mundo sabe que você é um grande fã de rap. Você acha que o hip hop brasileiro foi o “punk” dos anos 90? Como você vê o movimento hoje em dia?
Olha, eu nunca vi nada de construtivo feito pelos punks de SP em toda minha vida a não ser violência gratuita, inveja, despeito, hipocrisia, fascismo… Pode até ter caras legais e bem intencionados por aí com boas idéias e o caralho, mas é a minoria … Nos anos 90 tudo aquilo de contestação revolta que vinha da periferia foi agitado pelos manos do rap com um movimento forte e o objetivo social voltado contra o racismo e melhorias na comunidade onde eles vivem. Pode se dizer que o rap salvou muito carinha

por aí.

Há possibilidade do lançamento do Split com o Cólera e de uma edição nacional do “Sistemados pelo Crucifa”?
O Split com o Cólera é um disco raríssimo, que o charme dele é ser fora de catálogo… Prefiro ele difícil assim mesmo. O “Sistemados pelo Crucifa” em abril estará nas bancas com uma revista colorida com pôster gigante do Ratos. Era pra ter saído em 2000, mas ce tá ligado que sempre pinta um embaço.

Recentemente o RDP excursionou com a formação original (Jão, Betinho e Jabá), de onde veio essa idéia? Vocês ainda mantém contato com todos os ex-membros do Ratos?
Estamos parados desde agosto do ano passado quando fiquei doente com problemas de obesidade…

Então os caras cada um foi fazer alguma coisa, enquanto eu me tratava. O Boka foi tocar bagaceira no I Shot Cyrus, o Fralda foi tocar no Forgotten Boys e o Jão montou o Ratos original pra ganhar um pixo com os caras que são camaradas lá da vila Piauí. O RDP monstro volta em junho para lançar o “Onisciente Coletivo” por aí.

Como andam Sexo Drogas e Rock N’ Roll na vida do RDP? Os problemas de saúde mudaram sua opinião sobre as drogas?
Não uso mais porra nenhuma e estou bem melhor assim . Sem drogas o sexo e o rock`n roll fluem bem melhor.

Cara, agora voltando um pouco no tempo. A entrada do Boka mudou o som da banda? Porque o cara realmente é o melhor batera de hardcore do Brasil… O Spaghetti saiu tretado com vocês? 
O Boka já toca com agente á 12 anos ele é foda, uma máquina de hardcore. Ele é a mola mestra da “fudidês” do Ratos. Nunca mais vi o Spagheti….

Dá pra comparar a cena punk dos anos 80 com a “cena” punk atual? A qualidade das primeiras bandas era bem mais precária, os instrumentos eram todos vagabundos, mas o punk era bem mais forte (pelo menos em São Paulo)
Era tosco mas era verdadeiro. Havia romantismo porque era tudo era mais difícil, era época da ditadura e a repressão da policia era foda. Hoje em dia é o mó boi, tá tudo aí mastigadinho na internet .

Como foi transformar-se de mais um punk fodido de SP num dos mais populares VJ’s da MTv, apresentador de alguns dos maiores sucessos de audiência do canal? Como o resto da banda lida com isso? Às vezes você não se cansa dos jornalistas te procurarem mais pra falar da sua vida que do Ratos?
Eu estou cagando pro trabalho na MTV. Como você que trabalha na Ford ou em qualquer outra multinacional, para mim é apenas um trampo que pintou mais nada…. Como não sou trouxa agarrei, mas veja bem, não tive que mudar um milímetro para conquistar esse espaço e querendo ou não nunca deixei de dar força ao underground. Se não pode derrotá-los, junte-se a eles e comece uma infecção…

O sucesso te incomoda?
Sim, mas incomoda mais outras pessoas.

Agora as infames questões rápidas. O que vocês pensam a respeito de:
a)”Cena PunkPrefiro falar sobre cena underground…..
b)Legalização da Maconha Sou contra . Só ia beneficiar as companhias de tabaco.
c)Rock Nacional Farsa comercial 
d)Assassinato do Sabotage Chorei…

Vale a pena fazer rock n’ roll no Brasil?
João Gordo – Não.

Veja também:

-Leia resenha sobre o primeiro disco dos Garotos Podres, “Mais podres do que nunca”

-As melhores frases punk

-Entrevista com a banda punk Garotos Podres

 

A banda Thee Butchers Orchestra fala sobre shows “roubada”, influências roqueiras e a falta de informação da imprensa nacional, em entrevista de 2003

Em 10 de outubro de 2003, os discípulos de Elvis (e estudantes de Jornalismo na Unesp) Renato Bueno, Marcelo “Pirajuí” Daniel e Luiz Galano foram conferir o Thee Butchers Orchestra no Audiogalaxy, em Bauru, e voltaram com essa entrevista para meu extinto zine impresso Kaos e pro site Watchtower, do amigo Eduardo “Lucio” Carli de Moraes. Reproduzo aqui a versão editada do papo com Adriano Cintra, Marco Butcher e Jonas, que foi publicada no Kaos.

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Butchers em Bauru, foto de Renato Bueno

Pirajuí:  Mainstream e alternativo. Como é que é? Vocês chegam a se incluir numa dessas ou vocês não estão nem aí pra essa etiquetas…
MARCO – Não existe isso, mainstream ou alternativo. Se você é independente você é independente, se você é mainstream você é mainstream. Não tem essa. Sei lá, cara, eu sou da opinião que aqui não existe muito essa coisa de independente. Ser independente é uma condição, não é opção. A maioria das pessoas, pelo menos, pensa assim: ser independente quando você não pode mamar na teta, que nem todo mundo. Se você puder, você ah…. então tá, que você é rockstar. Essa não é a nossa.
ADRIANO – Se te pagarem você começa a cantar em português, faz música com samba-rock, rapcore e zabumba.
MARCO – Essa não é a nossa, cara. A gente tem a nossa própria gravadora, a gente mesmo grava os nossos discos, a gente mesmo faz as nossas capas, a gente não depende de ninguém, cara. A gente é totalmente independente mesmo, a gente faz, a gente é uma família, cada um fazendo a sua parte a coisa funciona, sabe? A coisa do passo-a-passo.

Pirajuí – Já que nós tamos na seção de perguntas chatas, né… E a comparação com o Jon Spencer, anda recebendo muito?

MARCO – Cara,eu acho que é interessante porque, assim, meu, apesar de não achar que o som é parecido, prefiro ser comparado ao Jon Spencer do que sei lá, entendeu, cara, Tom Zé ou qualquer porra que o valha.
ADRIANO – Guns n’ Roses.
MARCO – É, Guns n’ Roses. Eu só acho que isso é falta de referência, assim, entendeu? É complicado. Você tem uma escola de bandas que fazem um determinado tipo de som, sei lá, X. Tem as bandas de hardcore que só cantam em francês, tem quinhentas mil. Só que dessas quinhentas mil, uma faz videoclipe, uma aparece. Aí aparece uma outra e essa outra é igual a essa, porque essa aqui é a antena, cara, é a referência.

Pirajuí – … pela obrigatoriedade da crítica tá sempre colocando…

MARCO – Eu acho que as pessoas que falam sobre música deveriam se informar melhor.
JONAS – … tá escrevendo, tem que citar alguém que o povo conheça e fale “ah, tá, então deve ser assim”. Aí eles acham mais fácil, porque o formato de duas guitarras é o mesmo, então eles falam “ah, vamos dizer que é isso, que pelo menos vão falar Jon Spencer eu conheço”.
MARCO – Não adianta ficar aqui, Hound Dog Taylor, que é um blues negro, de 38, o cara tocava duas guitarra, com batera, não vai adiantar picas, ninguém sabe quem é Hound Dog Taylor. Eu sei, você sabe, ele e mais uns dez, entendeu? Então é o caminho mais fácil, sacou? Mas hoje em dia nós não somos mais comparados com eles, nós somos comparados com os White Stripes, que é mais engraçado.

Renato – Não tem baixo já é uma…

MARCO – Pô, The Doors não tinha baixo, Led Zepellin gravou uma porrada de coisa sem baixo…. The Cramps… só foi ter baixo depois de 12 anos de banda…

Pirajuí – Fica aquela mágoa, né? Tem algum sindicato dos baixistas…
MARCO – O Brasil sofre de uma carência de revistas especializadas que possam…
ADRIANO – … de jornalistas, né? … preguiçoso…
MARCO – Porque os caras ganham bem, entendeu? Os caras precisam parar de pegar os discos que eles ganham e trocar por cocaína na galeria e ouvir a porra de fato… antes de sair falando merda.

Pirajuí – E de revista nacional? Já que você citou a questão da imprensa, o que vocês acompanham, do que que vocês gostam?
ADRIANO – Olha, ano passado, teve um jornalista da Folha, chama Thiago Ney. Chamou a gente, falou que ele gostava da gente, que ele queria fazer uma entrevista nossa, ia colocar na capa da Ilustrada. Daí ele levou a gente prum… você (Marco) não foi, era eu e o Rodrigo, o sorveteiro crente. Ele levou a gente prum restaurante mexicano, a gente ficou conversando até quatro horas da manhã, o cara gravou cinco fitas, falou “ah, vai ser ducaralho. Vai sair dia tal”. Aí dia tal a gente comprou o jornal, tinha o quê na capa? Jon Spencer na capa. Tinha o Jon Spencer na capa, com um disco que já tinha lançado fazia um ano, foi o Lucio Ribeiro que assinou. Aí, depois, o cara ligou, falou “não, vai sair depois, mas não vai mais ser capa, vai ser contra-capa”. Falei “ah, beleza, né?”. Fomos lá, num saiu. Daí passou duas semanas, ele ligou falou “vai ser amanhã”. A gente comprou, saiu tipo assim uma notinha, tipo desse tamanho, tipo dentro de uma outra reportagem que falava nem sei o quê.
MARCO – Acho que do Objeto Amarelo…
ADRIANO – É, é, saiu alguma coisa dos independentes, daí a gente foi citado numa matéria do Objeto Amarelo. Daí o cara virou e falou assim “Ah, é que tem uma pessoa lá dentro da ilustrada que boicotou vocês”.
JONAS – Pra imprensa grande assim, de Folha de São Paulo, de jornal, é muito mais fácil falar de bandas gringas e lançamentos da última semana, que ninguém vai ver o show, entendeu?, ninguém vai saber. O cara tem o papel de falar o que tá aparecendo e ninguém vai ver, ninguém vai julgar se ele falou ou não. O cara não tem a manha de ir no show do Butchers… o Lucio Ribeiro ia…

Pirajuí – E grana, Marco, rola?
MARCO – Não… não. Rola o suficiente pra gente fazer a manutenção da banda, assim.

Renato – Se der pra vocês continuarem do jeito que tá: vocês fazendo, fazendo disco, produzindo, tocando, dando pra levar…
MARCO – Claro… eu não sei, eu tô falando por mim…
ADRIANO – Não, lógico! Por mim eu continuo fazendo isso o resto da vida. Entendeu? Porque eu não faço isso pra ganhar dinheiro, eu faço porque eu gosto de fazer.
MARCO – Sei lá, acho que é meio… sacal  você pensar que uma coisa só toma 100% do seu tempo. Acho que você precisa ter tempo pra sair com a sua mina, você precisa ter tempo pra dar um rolê com os seus cachorros, sabe? Acho que o cidadão normal precisa sair na rua sem uma pá de pentelho “aaaiii, ele é lindo!!”…

Marco Butcher tietado por Janis Joplin em Bauru. Foto de Renato Bueno


Renato – Vocês já foram lançados lá fora, em coletânea ou coisa assim?
ADRIANO – A gente tem um EP lançado pela Estrus, o EP tem três músicas, foi lançado o ano passado e e esse ano saiu, por uma gravadora de Detroit, uma versão dos nossos dois primeiros cds copilados num só.
MARCO – Esse ano sai um disco nosso na Argentina, também, a gente saiu numa coletânea em Barcelona, por um selo chamado Butterfly Records, que é especializado em 7 polegadas, só vinilzinho, compactinho… desde a década de 60, super tradicional. Acho que é um dos selos mais antigos da Espanha, assim..
ADRIANO – É, e tem um pirata nosso no Japão. Um dia eu tava andando na Galeria, chegou um japonês assim “ô, você é do Butchers, né?”, eu falei “sou”. “É, meu irmão mora em Nagoya, ele tava lá num clube, tocou uma música de vocês, ele falou que conhecia, foi ver…”. Tinha o nosso primeiro CD, só que com a capa xerocada e tudo escrito em japonês.

Pirajuí – E a pirataria, como vocês encaram? Já emendando com internet..
.
MARCO – Eu quero que se foda, eu quero ver minha música rodando.
JONAS – Nossos discos não são caros, entendeu? Se o nego ouviu as músicas, ele gostou, ele vai comprar porque, porra, custa 15 pau a porra do CD. A gente não vai querer arrancar dinheiro de ninguém, vender por 50, fudeu porque… perdeu pro MP3. O cara pode ouvir quanto ele quiser, se ele precisar do cdzinho, quinze mangos ele comprou, acabou, sabe? Mais barato que uma camiseta de surf, sabe?
MARCO – É, mais barato que uma camiseta de surf, cara, nosso CD.

Pirajuí – E da galera que toca, assim, quem são os amigos? Só pra gente contextualizar, assim, quem é a galera que vocês convivem?
MARCO – Cara, todas as bandas… de São Paulo. Forgotten Boys, Borderlinerz, Polara… Cara, a gente já tocou com todo tipo de banda…
ADRIANO – A música que a gente faz não tem um nicho… a gente não é garagem, a gente não é hard rock… A gente foi tocar no Hangar pruns molequinho fã de emocore… foi muito legal. Tocamos pra mil e duzentas pessoas que curtem emo em português, assim… E é legal, aí a gente vai lá e toca pros punks…
MARCO – Cara, acho que foi a sensação mais próxima que eu já tive na minha vida de vislumbrar o que foi ser um Beatle. Quando eu entrei no palco, vi aquele monte de gente muito novinha: “AAAAAAAHHHHHHHHHH!!!!!!” Eu falei “gente do céu! Onde eu vim parar?”. As meninas assim “Ai, depois do show vamos tirar foto junto…”. Legal! Super…

Butchers tocando “Break It” no programa Musikaos (TV Cultura)

Pirajuí – Nunca rolou aquele erro total? Marcaram um show, vocês viram era um churrasco…
ADRIANO – Ontem, por exemplo, teve festa da 89. Pô, “ducaralho”, a 89 chamar uma banda tipo o Butchers pra tocar… Só que era num lugar que tem show do Zeca Pagodinho e do Jair Rodrigues, assim.
MARCO – Não é o tipo de lugar que é usual as pessoas do rock irem.
ADRIANO – Daí o lugar é gigantesco, parece o Olímpia. Mano, a gente tocou um show de merda. Custava vinte reais pra entrar no lugar… Tinha 100 pessoas, mas parecia que tinha 5. Porque era muito grande, assim. Então você olhava o salão, você via assim as pessoas…Todo mundo meio constrangido…
MARCO – Parecia que a festa não tinha começado…
ADRIANO – A gente não tem como virar mainstream. O nosso mainstream é isso aqui (show no Audiogalaxy). Não dá pra abrir o show do Los Hermanos no Palace, sabe?

Pirajuí – No ritmo que tá, então, o Butchers continua ainda por muito tempo?

MARCO – Não sei, cara, essa é uma pergunta impossível de responder. Eu espero que sim. Por enquanto a gente tá ótimo, mas tem que estar assim pra coisa funcionar, entendeu? É diversão mesmo… Tesão. Se um dia isso acabar, acho que a banda, obviamente, vai acabar se desmanchando. Sei lá, agora que a gente tá achando o nosso som, sacou? Essa é que é a real.

Jonas na bateria, Marco coçando o nariz e Adriano Cintra à direita. Foto: Renato Bueno

Pirajuí – E pra terminar, queria que a banda se juntasse pra escolher os cinco mais. Assim, de supetão.
ADRIANO – “Marquee Moon”, do Television. “Diamond Dogs” do David Bowie. Vai, já dei dois…
MARCO – John Lee Hooker, “Back to America”. “All Nights”…. é, como é que é… O primeiro do Ike Turner com a Tina Turner…
ADRIANO – “Stick Fingers”, dos Stones…
MARCO – “Right Now”, do Pussy Galore.
ADRIANO – “Love Corpse”, do Pussy Galore.
MARCO – Puta… o segundo dos MC5… como é que é? “Back in USA”.
JONAS – “Blank Generation”, do Richard Hell. “Express Yourself”, do Charles Wright. Eu tinha pensado em um muito bom…” A Divina Comédia, dos Mutantes”… e eu tinha pensado em um muito bom que tá faltando pra terminar… é “Popular Favourite”, do Oblivians.

Pussy Galore tocando “Dick Johnson” do disco “Right Now”

Entrevista com Nelson Triunfo: pioneiro do rap nacional fala sobre educação, Facção Central e literatura marginal

Entrevista realizada originalmente para o Zine Kaos, em 2004, feita quando o ativista do hip hop, b.boy e cantor, Nelson Triunfo, dançou ao lado da Nação Zumbi, em show no dia do trabalhador, no Sesc-Bauru.

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Neson Triunfo dança break em show da Nação Zumbi, Bauru. Foto: Renato Bueno

1)Qual a importância dos fanzines na cultura hip hop?
Nelson Triunfo
– Ele é importante não só para o hip hop, mas pro rock, pro reggae, pra outras comunidades, outras tribos. Contanto que seja um fanzine que tenha informação e passe a informação correta.

2)O que você acha dessas novas bandas, como Facção Central, que tem uma linguagem mais pesada?

N.T.– Cara, faz parte. Eu particularmente não escuto muito não. Porque eu sou um cara que não gosta da coisa que fala só do pesado, eu já tive vários problemas e isso me lembra algumas coisas que eu não gosto muito. Então eu procuro viver o melhor da vida, eu procuro o lado mais positivo.

3)Qual a diferença do cara que só canta rap e do que atua no movimento hip hop?
N.T.- Cada um faz uma coisa. No caso do meu trabalho eu sou muito ligado ao lado educativo, ao lado cultural. Eu me sinto feliz em poder orientar as pessoas, fazer workshops. Isso é o hip hop. Tem outros que são artistas mesmo, que sobem no palco, e só fazem show e gravam cd pra lá e pra cá. Eu não sou contra eles, até porque trabalhar o social não é só querer fazer. Você tem que ter um preparo sobre isso, porque muitas vezes você querer se meter a fazer esse trabalho, sem ter o know-how, sem ter o conhecimento pode até atrapalhar a pessoa, passando a informação errada.

4)Como é que você enxerga a literatura da periferia, que é uma coisa que vem crescendo muito?
N.T.– Isso é muito bom.Como é que nós vamos educar nossos jovens, se o livro não tem a realidade deles? Porque, então, eles vão numa oficina de hip hop por livre e espontânea vontade, mas não vão à aula. As próprias professoras pra eles às vezes são bruxas. E isso é complicado. Você vê, meu filho tem doze anos e ontem nós fizemos um show aqui, (onde) ele foi o cabeça do show todinho. Tudo isso é interessante pra ele. Ele faz o show como se estivesse jogando vídeo game. A primeira vez que eu pus ele no palco eu quase chorei de emoção. Eu digo: “Meu Deus o que eu to fazendo com ele aí. Ele quer fazer isso, mas não tem responsabilidade, será que ele vai errar?” E ele tava orientando a banda como tocar… Aí, eu fui vendo que pra ele aquilo ali era diversão, né cara?

5)Pra encerrar, o que você achou de ter participado do show com a Nação Zumbi?
N.T.– A Nação quando começou, o Chico Science gostava muito de mim. Ele sabia que eu era de Pernambuco e quando ele era moleque eu já fazia som com James Brown, Toni Tornado e todo mundo que vinha aqui. E lá (em Pernambuco) eles são pessoas que lêem muito. Eu era do interior, né? Com 15 anos, eu sabia falar sobre o mundo. Conhecia os mapas, os rios. Eu sempre fui 1o. da classe, não talvez porque eu era o mais inteligente, mas porque eu estudava. Eu era um “papa-conhecimento”, tinha isso pra mim como um desafio. E até hoje eu leio muito.

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Reportagem Kaótica: Fred Di Giacomo, ECM e Renato Bueno(foto). 01/05/2004

Confira a performance de Nelson Triunfo no clássico clipe “Senhor Tempo Bom”, de Thaíde e DJ HUm

Em entrevista, a banda Forgotten Boys fala sobre influências musicais, drogas e… política

Posso dizer que fui um jovem jornalista sortudo. Consegui entrevistar vários dos meus ídolos juvenis ainda na faculdade. A maioria por email, é verdade, mas no caso do Forgotten Boys pude falar com os caras pessoalmente também, na segunda vez que a banda tocou em Bauru. Eles eram uma mistura de Iggy Pop, Guns n’ Roses, Ramones e eram bons. Era alto, sujo e não parecia em nada com Tihuana e CPM que bombavam nas rádios. Essa entrevista é de 2003, época em que o quarteto tinha acabado de gravar o “Gimme More”, Chuck tinha passado pra guitarra e Fralda(ex-RDP) assumia o baixo. A fase que os caras deixaram o “estrelato do quartinho” para se tornarem uma promessa do rock tupiniquim. E meu fanzine daqueles tempos, o KAOS,  falou com o guitarrista Chuck Hipolito.

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Chuck e Gustavo do Forgotten Boys

1. Primeiro de tudo eu gostaria que vocês falassem sobre a entrada do Fralda na banda.
Como foi que rolou? Ele ainda está com o Ratos?
Ele ainda esta com o Ratos, mas eles estão, digamos… De ‘férias’… Ele toca baixo mesmo, e eu estou tocando a segunda guitarra.

2. O que vocês acham da cena brasileira hoje em dia? Tem alguma banda com a qual o Forgotten Boys se identifica?

A gente se identifica de alguma maneira com o (Thee) Butcher’s (Orchestra) por causa do rock básico. A gente gosta muito deles, mas também tem outras como o Hurtmold, o Againe e o próprio Ratos de Porão. São as melhores de hoje em dia. Esqueça o que toca na rádio.

3. O que vocês têm ouvido ultimamente? 
Cheap Trick, Rolling Stones, Ramones, AC/DC, Ratos, Hellacopters, Red Hot Chili Peppers…

4. Com a entrada do Flavio no lugar do Arthur(Franquini, fundador da banda) na bateria,houve alguma mudança no som? Vocês acham que o Forgotten está se afastando do punk rock e caminhando pro hard rock?
Em primeiro lugar a gente nunca foi punk, e a gente ta indo para o lado que a gente quer mesmo, o hard rock… O Flavio claro que deu uma bela mudada, e para melhor. Ele é um dos melhores bateristas de rock do Brasil e é o melhor que existe para a gente.

5. Certa vez eu li numa entrevista do Chuck, acho que foi na Rock Press, que o RDP era a melhor banda nacional. Vocês concordam?
Claro, mas eu também amo os Paralamas do Sucesso, e de mais uma que eu não me lembro.
Ninguém sabe, mas o Ratos é umas das mais importantes bandas daqui, se não a mais de todas, ao lado do Sepultura.

6. Daria pra vocês listarem alguns cds pro moleque que está interessado nesse tipo de som(fusão de hard rock e punk) que vocês fazem?
“ LAMF” – Johnny Thunders and the Heartbreakers
“Apetitte for destruction” – Guns ‘n’ Roses
“End of the century” – Ramones
“Ace of Spades” – Motörhead
A lista é longa…

Assista ao clipe de “Babylon” do split do Forgotten Boys com o Killer Dolls

7. Quais são as diferenças desse novo cd do Forgotten(Gimme More)? Como vocês definiriam o som?
A gente toca rock pauleira. É isso… Estamos soando mais hard rock agora, mas, mais pop também, de um lado bom.

8. Vocês tem alguma posição política? Votam?
Votamos, mas temos o básico para não fazer merda. Se todo mundo tivesse pelo menos o básico, seria tudo muito melhor. Não misturamos política com música, nem saberíamos fazer isso. Para política tem que ir para a escola e estudar história.

9. Alguma vez vocês consideraram cantar em português? Acham que se o fizessem poderiam ter estourado nacionalmente?
Acho que sim, concordamos. Já consideramos sim, e temos algumas músicas de fato, versões em português de umas que já existem… Quem sabe.
[A partir do disco seguinte “S.T.A.N.D by the dance”, a banda passaria a sempre gravar algumas músicas em português.]

10. Sobre o estilo da banda: Tem toda uma cena estourando agora,principalmente na Suécia, com bandas que tem a proposta de fundir punk setentista com rock ‘n’roll. Os caras foram uma influência pra vocês ou são mais contemporâneos? O fato de a maioria do público undeground no Brasil curtir hc melódico ou metal acaba prejudicando a banda?
Não fazemos som para público nenhum, fazemos para a gente. Acho que quem se prejudica gostando desse tipo de som, é o próprio publico… Tem muito mais coisa legal e de verdade rolando nesse lado de rock que você citou, mas também gosto de algumas coisas adolescentes como hardcore melódico, mas em geral, não tenho a mínima paciência. E, sim, tudo mudou na nosso vida depois de ver um vídeo ao vivo dos Hellacopters. É isso!

Forgotten Boys tocam “Can You Love?”, em 2001, no programa Musikaos da TV Cultura


11. Qual o tipo de público que vai ao show do Forgotten Boys?
Cara, todo mundo… Acho que não tem um tipo especifico, mas teve uma época em que a maioria era meninas. Era engraçado.

12. Agora as rapidinhas,o que vocês pensam a respeito de :
MTV – É a única que temos.
Mötlei Crue e Guns n’Roses – Básicos.
Drogas – Hum… Sim.
Rock Nacional. – Teve muita coisa boa, mas hoje em dia ta deprê.

13. Vale a pena fazer rock n’roll no Brasil? Que mensagem vocês tem pra garotada que está começando a tocar agora? 
Cara, vale a pena tocar rock em qualquer lugar do mundo, as pessoas deveriam saber disso.
Entrem no nosso site para mais informações, para poder comprar o disco e para ficarem em contato.
www.forgottenboys.com.br

Em breve a gente volta para Bauru, foi um dos nossos melhores shows.

Um abraço!!!!

Chuck Hipolito, o guitarrista gente boa que nos deu a entrevista

Wander Wildner – o pai do punk brega – dá entrevista na época de sua volta para os Replicantes

Wander Wildner foi a primeira pessoa a ficar incomodada comigo numa entrevista. E olha que, em 2003, praticamente todas as entrevistas pro zine KAOS! eram feitas por e-mail. Lembro que, quando recebi as respostas dele, percebi que o cara não gostou muito das perguntas sobre a “cena punk dos anos 80”. Na época, o KAOS! era um zininho punk e ingênuo e eu sempre queria passar a limpo algumas polêmica que lia em fanzines e sites toscos. Uma delas eu matei na entrevista com o Mau dos Garotos Podres, que se defendeu das acusações de serem uma banda nazista.

Eu, com minha experiência de segundo ano de faculdade, achei a entrevista do Wander meio mal-humorada e só publiquei no site, não coloquei no zine impresso. Hoje, acho que foi bem boa, ele respondendo com ironia o que não gostava, mas também soltando perolinhas de sua filosofia punk brega como: “A vida é muito simples, é só achar algo legal pra fazer! “.  Wander é sem dúvida uma das grandes figuras do rock nacional.
Certo, Wander, a vida é muito simples e, reajustando as contas com o cara que deu nome pra este blog, aí vai a entrevista com o Punk Brega em carne e osso, na época em que tinha voltado a tocar com os Replicantes:
***

1.Bom, os Replicantes estão com uma turnê internacional marcada, quais as expectativas? Vocês têm alguma noção de quanto o trabalho de vocês é conhecido lá fora?

Acho que eu não tenho expectativas. Vou para fazer shows. Creio que será uma grande aventura, vou para lugares que nunca fui, mas não fico imaginando coisas, apenas me preparo física e psicologicamente para uma série de shows e viagens, acho que vai ser bem legal.

2.Vamos voltar um pouco no tempo. Por que o Wander Wildner saiu da banda e como foi que rolou essa volta?

Saí porque fiquei a fim. Voltei porque eles me convidaram, eu aceitei porque gosto da banda, das músicas, sou um cantor, é uma das minhas profissões.

3.O fato de vocês virem do sul atrapalhou no início da carreira, já que a cena punk mais forte rolava em São Paulo?

Como assim virem do sul? Nós não saímos do sul e fomos para algum lugar. A banda sempre viveu em Porto Alegre e saía para fazer shows, gravar, divulgar. Vocês parecem ter alguma ideia pré-concebida sobre bandas, os Replicantes são uma banda original, criamos a nossa própria estrada, somos independentes, mesmo as vezes gravando numa grande gravadora.

4.Hoje em dia como vocês vem o movimento punk dos anos oitenta? Dá pra fazer uma comparação com a cena hardcore atual?

Eu não vejo. Nunca fizemos parte de movimentos deste tipo. O único movimento em que acredito é o meu próprio, de ir e vir.

5. É verdade que rolava um preconceito de bandas punks como RDP e Olho Seco em relação aos Replicantes? Isso ainda acontece?

Não sei. Como não nos preocupamos com isso, não sei. Prefiro usar meu tempo trabalhando.

6. O que tem rolado no aparelho de som de vocês ultimamente?

Walverdes, Os Pistoleiros, Stuart, Beck, Qassis, Bob Dylan, Neil Young, Sonic Youth…

7. Como anda a carreira solo do Wander Wildner? Há planos pra mais lançamentos do “Punk Brega”?

Estou com um disco pronto, procurando parceria para lançamento – chama-se PÁRA-QUEDAS DO CORAÇÃO – e tenho outros projetos.

8. Os discos originais dos Replicantes nunca foram lançados em cd (Só uma coletânea com 20 Hits) , há chance de vermos esses clássicos relançados?

Acho que sim, vamos entrar em contato com a gravadora mais tarde para ver isso.

-Todas as entrevistas postadas aqui

9. Que sons não poderiam faltar na “Festa Punk” dos Replicantes?
Sex Pistols!!!

10. Várias letras antigas da banda tinham uma temática meio apocalíptica, bem Guerra Fria. O que vocês acham dessa volta do clima de tensão depois do 11 de setembro e a Guerra no Iraque?

Acho que o acontecimento do dia 11 serviu para mostrar as possibilidades de futuro que podem acontecer, que a maioria das pessoas não estavam se dando conta.

11. Agora as infames questões rápidas, o que vocês pensam a respeito de :
a) George Bush – UM AMERICANO TÍPICO
b) MPB – ADORO OS CLÁSSICOS E O CORDEL DO FOGO ENCANTADO
c) Engenheiros do Havaí – HUMBERTO É UM MESTRE
d) Anarquismo – LEGAL

12. Vale a pena fazer rock no Brasil?Claro! Se não valesse eu não faria, vivo disso.

Qualquer mensagem ou recado pra molecada sintam-se a vontade…
A vida é muito simples, é só achar algo legal pra fazer!

Replicantes na Alemanha, 2006

Conheça as histórias por trás do livro “Canções para ninar adultos”, em entrevista para a TV São Judas

Foi ao ar, no final de 2012, minha primeira entrevista para TV sobre o livro “Canções para ninar adultos”. A entrevista foi feita pela Maria José Petri da TV São Judas. Foi um espaço bem bacana (27 minutos) pra discutir sobre os contos, a influência da música na minha escrita, as histórias reais por trás da ficção… Enfim, assiste ai:

Fred Di Giacomo e Maria José Pretti no programa “Arte Letra”

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