5 discos para começar a ouvir rap nacional

Eu nunca fui “do” hip hop, mas sempre gostei de rap – principalmente rap nacional. Ouvi Racionais Mc’s pela primeira vez na rádio, lá em Penápolis, a música era “Fim de Semana no Parque”, do disco “Raio X – Brasil”. Depois, um amigo do meu irmão aprensentou pra gente Ndee Naldinho, D Menos Crime e Xis. Pavilhão 9, Doctors Mc’s e Thaíde e DJ Hum eu conheci pela Mtv mesmo, no finado programa “Yo”. Meus amigos punks não gostavam de rap, os roqueiros e os manos não se davam muito bem nas quebradas de Penápolis.

Fiz a lista abaixo pensando num cara como eu era em 1996, um cara que está a fim de ouvir rap, mas não é um grande especialista no estilo. Tem muitas bandas nacionais que acabaram sendo “one hit bands”, tem muito disco nacional que sofre por produção tosca. Esses abaixo são grandes discos não só do hip hop mas da música popular brasileria. Podem ser apreciados por qualquer fã de boa música e servem pra quem não tem muita intimidade com o gênero abrir sua cabeça.

1) Sobrevivendo no Inferno – Racionais Mc’s


Se eu pudesse salvar só um disco de rap pra alguém ouvir no futuro, esse disco seria “Sobrevivendo no Inferno”, dos Racionais Mc’s – um dos melhores álbuns já gravados no Brasil. “Sobrevivendo…” foi lançado em 1997 e traz uma série de hits (“Diário de um detento”, “Capítulo 4, versículo 3”, “Mágico de Oz”, entre outros), uma produção seca e classuda e o Racionais momentos antes de se tornar um fenômeno nacional. Depois de “Sobrevivendo no Inferno” qualquer moleque sabia cantar de cabo a rabo as longas letras de Mano Brown e Edy Rock, repetindo suas rimas e tentando imitar a entonação grave de suas vozes.  As letras, estrelas principais do disco, alternam crônicas da vida cotidiana com contos do mundo do crime que prendem o ouvido do fã na caixa de som, palavra por palavra , ávido pra saber o final de cada “história”. Destaque ainda para a versão de “Jorge da Capadócia”, do mestre Jorge Ben, com sampler de “Ike’s Rap II” do Isaac Hayes (a mesma que o Portishead usou em Glory Box) . Ah, o disco vendeu absurdos um milhão e meio de cópias (:-O) e o clipe de “Diário de um Detento” foi o grande campeão no VMB, prêmio da Mtv Brasileira
Ano: 1997
Uma música:
“Diário de um detento”


2)Rap é compromisso – Sabotagem


Sabotage é uma dessas figuras em que é difícil separar o mito do artista. Morto jovem, com um passado misterioso no crime e uma carreira multimídia em ascensão (tinha participado de dois filmes, “Carandiru” e “O Invasor”), ele partiu cedo demais, mas deixou esse clássico do rap, comparável só aos Racionais em culto e ao Criolo em hype. Agradando playboys e manos, com uma mistura de ritmos – natural para quem curtira Pixinguinha e Chico Buarque – e uma bela produção de Zé Gonzales e Ganjaman, Sabotage deixou esse clássico que inclui “Respeito é pra quem tem”, “Rap é compromisso”, “Um bom lugar”, entre outras pérolas. A participação da família RZO é fundamental na construção dos refrões poderosos e até alguns famosos dão as caras na vocal como Black Alien (Planet Hemp) e Chorão (Charlie Brown Jr.).
Ano: 2000
Uma música: “Um bom lugar”


3)Traficando informação – MV Bill


Por muito tempo o Rio de Janeiro ficou um pouco à margem dos holofotes do rap nacional. Enquanto bandas de Brasília e de São Paulo dominavam a cena, o Rio assistia bondes de funk e grupos que misturavam o rock com o rap dominando o cenário. E aí MV Bill chegou com esse disco seco, pesado e com ótimas rimas que contava histórias longas e cruas em letras como “Soldado do Morro”, “Traficando Informação” e “Um crioulo com uma arma na mão”. Lançado em 2000, ele faturou o Prêmio Hútuz de álbum do ano e revelou em Bill uma espécie de Mano Brown mais disposto a dialogar com a mídia: dando entrevistas, participando de programas da Globo (mesmo que descendo a lenha na emissora durante a apresentação) e lançando o respeitado documentário “Falcão” que conta a história dos jovens solados do morro, cuja infância foi perdida na guerra das drogas.
Ano: 2000
Uma música: “Soldado do morro”

4)Preste atenção – Thaíde e DJ Hum

Pioneiros do hip hop nacional desde os tempos das rodas de break no metrô São Bento, Thaíde e Dj Hum formaram uma dupla respeitadíssima que teve vários bons momentos e pelo menos esse grande clássico – redondo de cabo a rabo. Com um som mais positivo e dançante que muitos de seus pares, a dupla emplacou o grande hit “Senhor Tempo Bom” sobre o movimento black power brasileiro e mantém o ritmo swingado na enérgica “Afro Brasileiro”. A mensagem mais social vem em “Malandragem dá um tempo”, outra grande canção do disco cheio de introduções e vinhetas que revelam o talento nas pick ups do DJ Hum.
Ano: 1996
Uma música:
 “Senhor Tempo Bom”

5)Nó na orelha – Criolo


Lançado em 2011, “Nó na Orelha” não é um disco típico do rap nacional, mas é um bom exemplo do alcance musical que o gênero pode atingir. Espécie de continuação do que o coletivo de produtores Instituto estava fazendo com Sabotage antes do artista ser assassinado, esse belo disco traz rap, samba, reggae e música brega, tudo com arranjos de primeira, bases de qualidade internacional e as rimas cadenciadas de Criolo, um carismático vocalista disposto a fazer a ponte entre o rap e outros estilos sonoros. Entre as várias faixas boas destacam-se “Subirusdoistiozin”, “Não exister amor em SP”, “Linha de Frente” e  “Lion Man”
Ano: 2011
Uma música: “Subirusdoistiozim”

Veja também:
-5 sons pioneiros do hip hop brasileiro
– 10 músicas clássicas do rap nacional
-5 discos injustiçados do rap nacional

“Ramones” – Ramones, 1976

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-Conheça algumas bandas do punk 77 inglês
-Já leu poesia punk?

Para a revista Rolling Stone ele é o 33º melhor disco da história. Para qualquer moleque de calça rasgada e all star ele é seu motivo de existir. Uma dos pedaços de vinil mais influentes da música pop. Sua duração é de 29:04s. Seu custo total de produção foram míseros $ 6400, numa época onde, segundo o próprio Joey Ramone no livro “Mate-me, por favor”, gastava-se meio milhão para produzir um álbum. E esse não era qualquer álbum; ele criou o punk, revolucionou o rock do final dos anos 70 e deu origem a centenas de bandas. Dos Sex Pistols ao Metallica, do Red Hot Chili Peppers aos Ratos de Porão, a influência do primeiro disco dos quatro magrelos de Nova York foi devastadora.

É difícil explicar hoje a importância desse amontoado de 3 acordes tocado com velocidade e paixão, sem riffs difíceis, solos de guitarra ou viradas de bateria. Aqui no Brasil, seria como se os Racionais Mc’s tivessem um som tão agressivo quanto o Sepultura e criassem, em seu primeiro disco, a Bossa Nova ou a Tropicália. Estávamos nos Estados Unidos, em 1974. O que existia de mais agressivo no rock era o som de MC5, Stooges e New York Dolls. As três bandas tinham um sucesso mediano, mais undeground, e seu som era uma transição do hard rock para o que se chamou punk. O que mais lembrava o que os Ramones viriam a fazer era o primeiro (e cru) disco dos Stooges. Mas nesse, você encontra uma música de mais de dez minutos (“We Will Fall”) e aqui a música mais comprida tem 2:39s(“I don’t Wanna Go Down to The Basement”). E as rádios? Eram dominadas pelo progressivo de Yes e Genesis, pelo hard rock virtuoso de Led Zeppelin e pela discoteca do saltitante John Travolta. O sonho hippie tinha acabado, os Beatles também. A América Latina, o leste Europeu e grande parte da Ásia viviam sob ditaduras. O mundo em constante ameaça atômica era uma ressaca claustrofóbica.

Blietzkrieg bop

A primeira coisa que chama a atenção no disco é a capa. Quatro cabeludos, com jaquetas de couro pretas – como as de Marlon Brando e James Dean – calças rasgadas, tênis surrados e caras desafiadoras estão encostados numa parede pichada. Eles parecem te provocar, loucos pra te dar uma porrada. A única coisa escrita lá é o nome da banda “Ramones” – uma referência ao nome que Paul Mccartney usava para se registrar em hotéis. O disco começa. A porrada vem em forma de grito de guerra. Hey ho let’s go. Um ataque relâmpago fala de blitzgrieg, estratégia militar que fez os nazistas dominarem metade da Europa no começo da Segunda Guerra Mundial. Ah, vale lembrar, o alemãozinho Dee Dee Ramone tem fascinação pelo nazismo. O desengonçado Joey Ramone – já internado em clínicas psiquiátricas – berra “espanque o moleque com um taco de beisebol”. Da onde vem tanta raiva? Dee Deefoge de uma família problemática, Johnny ralava como pedreiro. O lirismo se esconde nos backing vocals que fazem referência a grupos vocais dos anos 60. “I Wanna Be Your Boyfriend” quebra o clima, uma balada romântica já pavimenta o caminho que os Buzzcocks, e mais pra frente os emos, vão seguir. “Os punks também amam”. “Now I Wanna Sniff Some Glue” repete milhares de vezes a mesma frase. Os moleques entediados lá de “1969” de Iggy Pop agora gastam o tempo cheirando cola, arrumando brigas e fazendo barulhos com suas guitarras toscas, ou serras elétricas, em “Chain Saw”. A contagem para todo mundo entrar junto – que se tornou marca registrada do grupo – aparece pela primeira vez em “Listen To My Heart”. “1,2,3,4” grita Dee Dee, baixista e principal compositor. Ele vai voltar a urrar em uma das partes de “53rd and 3rd” uma das mais sérias e tristes do álbum. É sobre o tempo em que o músico ficava nas esquinas de Nova York fazendo michês. O disco ainda traz como destaque o cover “Let’s Dance”(e gravar clássicos do rock ‘n’ roll em versões cruas seria uma marca da banda) e “Today your Love, Tomorrow the World”.

Havana Affair/Listen To my Heart

-Entrevista com os Garotos Podres

Pronto, menos de meia-hora e a surra acabou. Aqueles punks saídos do filme “O Selvagem”(com Marlon Brando), que soavam como uma canção de Iggy Pop e queriam cantar como se fossem os Beach Boys devem estar cheirando cola em outro lugar. Seu álbum não fez nenhum sucesso nos EUA. Só foi bem recebido quando o quarteto excursionou pela Europa e influenciou meio mundo – Clash e Sex Pistos incluídos, dando origem ao movimento punk e todo hype em cima da coisa. Dessa árvore cairiam os frutos podres do hardcore, trash, crossover, grunge, emo e outros estilos musicais.

Era isso. Letras diretas sobre o cotidiano do mundo white trash – os brancos pobres e desajustados dos EUA. Som distorcido, rápido e sem firulas. Refrões fortes. Backing vocals melodiosos. E o rock nunca mais seria o mesmo.

Leia para saber mais:
“Mate-me, por favor”, “Legs” McNeil e Gilliam McCain
“Coração envenenado” – Dee Dee Ramne e Veronica Kofman

20 melhores discos nacionais dos anos 90 – Showbizz

Capa da edição da Bizz que listava os 100 melhores discos da década de 90

Em 1999, a minha revista favorita era a Showbizz.(Sim, naquele tempo a clássica Bizz tinha mudado de nome). Como a internet discada (???)  era uma carroça, era na Showbizz que eu acompanhava o que rolava na música, descobria discos novos e lia entrevistas com os ídolos nacionais e gringos.

Com esse revival dos anos 90 que está pintando, resolvi resgatar esse top 20 dos discos nacionais daquela década. Ele foi publicado numa revista com o aviso “edição histórica” (número 172)  e a foto do rosto de Kurt Cobain estourada na capa P&B.

1) “Raimundos” (1994) – Raimundos

2) “Calango” (1994) – Skank
calango-skank-capa

3) “Samba esquema noise” (1994) – mundo livre s/a

4) “Roots” (1996) – Sepultura
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5) “… Cor-de-Rosa e Carvão” (1994) – Marisa Monte

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6) “Manual Prático para festas, bailes e afins” (1997) – Ed Motta


7) “Da Lama ao Caos” (1994) – Chico Science & Nação Zumbi

8 ) “Sobrevivendo no Inferno” (1997) – Racionais MC’s

9) “Usuário” (1995) – Planet Hemp

10) “Hey Na Na” (1997) – Paralamas do Sucesso

11) “Preste Atenção” (1996) – Thaíde & DJ Hum
12) “Eu e Memê, Memê e Eu” (1995) – Lulu Santos
13) “Sobre todas as forças” (1994) – Cidade Negra
14) “Bebadosamba” (1996) – Paulinho da Viola
15) “Samba pra Burro” (1998) – Otto
16) “Gol de Quem?” (1995) – Pato Fu
17) “Na calada da noite” (1990) – Barão Vermelho
18) “Rappa-Mundi” (1996) – O Rappa
19) “Mamonas Assassinas” (1995) – Mamonas Assassinas
20) “O descobrimento do Brasil” (1993) – Legião Urbana

Outras listas:
-5 discos injustiçados do rap nacional
-6 disco para começar a ouvir jazz
-10 melhores discos dos anos 2000

5 discos injustiçados do rap nacional

Existem algumas unanimidades do hip hop nacional: mídia e fãs adoram Racionais Mc’s, todos respeitam a história doThaíde, Sabotage virou herói, etc. Nada contra, os três são excelentes artistas brasileiros, mas sempre senti um pouco de preconceito com as grupos que incorporaram elementos de rock ao seu som, ou contra MC’s que não tenham vindo diretamente das comunidades pobres. Por isso fiz a lista abaixo. Talvez, daqui uns anos, ela seja bem indexada no Google e gere polêmica. Muita gente pode reclamar: “Pô, o que esse cara entende de rap, deve ser mó playboy, etc.” A intenção aqui não é cagar regra, mas provocar reflexão e tentar resgatar discos bons que não seguem a cartilha do hip hop nacional clássico. Quem não tiver preconceito vai se surpreender.

-Mais listas
-Sabotage cantando a bela “Cabeça de Nêgo”

Faces do Subúrbio – Faces do Subúrbio

Lançado originalmente de forma independente, o disco de estreia dos recifenses do Faces do Subúrbio misturava não só o rock com rap, mas também embolada(ritmo tradicional brasileiro que lembra o hip hop), acrescentando pandeiros à pick up e guitarras. A banda teve bastante destaque na onda do Mangue Beat, mas nunca chegou a ser popular em São Paulo. É um bom disco pra quem se interessa pela fusão de hip hop com ritmos nacionais.

Ouça:Homens Fardados“, “Os Tais” e “P.P.O.R”
Eu tiro é onda – Marcelo D2


Seguindo na mistura de ritmos nativos com as batidas do rap, encontramos “Eu tiro é Onda”, primeiro álbum solo de D2 e pioneiro na mistura de hip hop com samba e bossa nova. “Pô, cara, mas D2 injustiçado?”, você pergunta. Obviamente o MC carioca fez muito sucesso com seu segundo álbum(“A procura da batida perfeita”), mas muita gente do hip hop mais tradicional ainda torce o nariz pro D2, tanto por seu som ser mais pop, quanto por ele ter um passado roqueiro/mainstream.

Ouça:1967“, “Samba de Primeira”, “Eu tive um sonho”
3)Cadeia Nacional – Pavilhão 9


Antes do fenômeno “Sobrevivendo no Inferno”, o Pavilhão 9 foi o grupo de rap mais comentado de São Paulo. Venderam 10.000 discos rapidamente, foram capa da Veja SP e contaram com a participação de Marcelo D2, Nação Zumbi e Sepultura em seu terceiro disco. O grupo se apresentava mascarado e se servia de fartas doses de rock pesado para compor seu som. O problema é que a aproximação com o rock os afastou dos puristas do hip hop, mas não os habilitou para o sucesso no mundo rock ‘n’ roll. Perdidos entre duas tribos, o grupo deixou essa pancada clássica para quem não se importa com rótulos.

Ouça: Mandando Bronca“, “Opalão Preto” e “Otários Fardados”.

4)Gabriel, o Pensador – Gabriel, o Pensador

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A importância do primeiro disco de Gabriel, o Pensador pro rap brasileiro é análoga ao surgimento dos Beastie Boys nos EUA: “Rapper branco de classe média, em um momento em que o hip hop era visto com preconceito pela sociedade, consegue destaque com o som negro e abre caminho para as grandes bandas do gênero”. É bobagem ficar menosprezando o trabalho do Pensador por sua classe social ou sua cor. Crítica, com rimas espertas e bases cruas, essa é uma das estreias mais impactantes da música brasileira e merecia ser respeitada como uma das boas bolachas do rap brasuca.

Ouça: “Lôraburra”, “Retrato de um Playboy”, “Tô Feliz(Matei o presidente)

5)Câmbio Negro – Câmbio Negro

Saída das quebradas de Ceilândia, a banda liderada pela voz grave de X teve uma trajetória parecida com o Pavilhão 9. Começaram fazendo hip hop tradicional com DJ e depois acrescentaram guitarra, baixo, bateria e influências de rock pesado. Além dos grooves de “Esse é meu país” e “Círculo Vicioso”, o disco conta com a sinistra “Um tipo acima de qualquer suspeita” sobre um tarado que ataca mulheres de todas as cidades até acabar na cadeia “chupando de todo mundo, chamando de meu bem”. Um dos melhores e mais criativos álbuns de rap nacional

Ouça: “Esse é meu país”, “Círculo Vicioso” e “Um tipo acima de qualquer suspeita“.

6 discos para começar a ouvir jazz

Essa lista não pretende ser um top 6 melhores discos de jazz.

Eu não sou “entendido” em jazz.

Fui um adolescente punk e ,em geral, gosto de música redonda, feliz e cantarolável. Na verdade, quando era moleque eu odiava jazz. Era o som que meu pai colocava de manhã quando acordávamos para ir à escola. Eram os discos que ele deixava sempre rodando no carro. Não tinham distorção, refrões e muitas vezes nem vocal.

Mas quando vim pra São Paulo, o amigo Gabriel Gianordoli me apresentou alguns clássicos do jazz que me fizeram gostar da coisa. “Love Supreme”, “Kind of Blue”, “Time Out” e “She was to good to me” entram nessa conta. “Porgy and Bess” é um disco cantarolável e reúne dois gigantes que quem quer começar a se aventurar no estilo deve conhecer. Bom, era pra ser um top 5, mas resolvi incluir o primeiro solo do Jaco aqui. Deste eu gostei quando ainda era “roqueiro”. O cara é pro baixo o que o Hendrix é pra guitarra, então pode agradar quem tem resistência a pianos e raízes blues.

Espero que ajude quem quer conhecer este estilo considerado “chato” e “difícil”. Você também pode usar os nomes de discos para parecer cool numa conversa. You choose.

“A Love Supreme” – John Coltrane(1965)


A Love Supreme” conseguiu ser o único disco de jazz a se tornar meu álbum favorito por um certo tempo. A viagem espiritual do saxofonista Coltrane com seu quarteto genial se resume a 4 faixas: “Acknowledgement“(com uma linha de baixo hipnótica e o coro repetindo “a love supreme” no final), “Resolution”, “Pursuance” e “Psalm”, essa última uma versão musicada de uma oração registrada por Coltrane no encarte do álbum. Acho que é o som mais espiritual que fizeram, desde a invenção do mantra “om”.

Kind Of Blue” – Miles Davis(1959)


Miles Davis é o maior adversário de Louis Amstrong na briga pelo trono de rei do jazz. O trompetista passeou por diversos estilos, lançou meia dúzia de discos essenciais e se tornou unanimidade com “Kind of Blue”, álbum que tem até um livro inteiro dedicado só pra ele. Disco de platina quádrupla, sempre liderando listas de melhores do jazz, a bolacha ficou em 12º lugar na lista pop de “500 melhores álbuns da história” da revista Rolling Stone . A influência da bolachinha modal escapa dos terrenos do jazz e se espalha por rock e música clássica.

“She Was To Good To Me” – Chet Baker(1974)

Um trompete tocando a nota certa a cada segundo, compondo melodias assobiáveis mesmo nos improvisos. Algumas canções orquestradas, algumas cantadas numa voz bossanovista. Um dos caras mais cool do jazz no comando do som. Ouça só o começo com “Autumn Leaves” e “She Was to Good to Me” e tente não se apaixonar.

 

Time OutThe Dave Brubeck Quartet(1959)

Um dos álbums de jazz mais vendidos da história, “Times Out” quebra o ritmo do jazz brincando com ritmos turcos, valsas e swing. Bruebeck era da turma do jazz branco da costa oeste – assim como Chet Baker – e sua composições eram mais aceitas que o bebop ácido da costa leste. “Take Five”(que era pra ser só um solo de bateria de Joe Morello) entrou nas paradas da Billboard e é citado como influência até de bandas de rock como “Os Mutantes”.


“Porgy and Bess”
– Louis Amstrong e Ella Fitzgerald(1957)

“Porgy and Bess” é a versão jazz mais famosa da ópera de Geroge Gershwin e reúne dois dos maiores nomes do estilo: o carismático e genial Louis Amstrong e a diva Ella Fitzgerald. É um bom começo para quem não tem saco para som instrumental e ainda incluí o clássico “Summertime”.

Mesmo que não consiga a unanimidade de outros figurões dessa listinha, o primeiro disco solo de Jaco Pastorius é bem popular entre os fãs de jazz e seu som costuma agradar quem está mais acostumado com rock ‘n’ roll. Contando com Herbie Hancock nos teclados e Wayne Shorter no sax soprano, as 9 faixas incluem sons mais funks, uma faixa com vocais e a genialidade que levaria Jaco ao posto de maior baixista da história.

-Compre o primeiro disco de Jaco Pastorious

Se ainda assim você achar jazz um saco, se liga nos nossos posts de punk rock

Veja também:
-O evangelho segundo Louis Amstrong
-Lista com documentários legais sobre rock ‘n’ roll
-Ilustração de Charles Mingus por denisdme

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