Bedibê lança vídeo de “Diálogo de dois amigos” pra encerrar 2016

Pra terminar seu ano produtivo (que teve o belo clipe de animação de “Esquina“, o disco “Envelhecer” e alguns bons shows por São Paulo), a Bedibê lançou um vídeo para “Diálogo de dois amigos” cheio de gravações caseiras que contam a história da banda de 2011 até o finalzinho de 2016, com direito a casamento e filhos surgindo pelo caminho, enquanto o refrão martela o mantra “É pra parar, a vida pede pra gente parar, pra sentir o mundo girar/ A vida pede pra gente parar e não ficar sempre no mesmo lugar”.

10 perguntas que a Strange Music sempre quis responder, mas ninguém teve coragem de perguntar

Preguiçoso como só esse blog pode ser, criamos essa seção de entrevistas musicais em que as bandas respondem as perguntas que sempre sonharam ouvir sair da boca de jornalistas inteligentes e informados. Preguiçoso como só esse blog pode ser, enrolamos mais de um mês pra publicar essa entrevista com o trio instrumental Strange Music que mistura três guitarras, groove e programação eletrônica. Deixemos a palavra com quem deve falar, vou pegar mais uma cerveja na geladeira e já volto.

Show da Strange Music em São Paulo


 

Vocês já pensaram em obrigar as pessoas, impondo algum tipo de ameaça, a ouvirem a música de vocês?
Penso nisso todos os dias. Quer dizer, de certa forma nós fazemos isso, mas vamos mais pelo lado da caridade. Insistimos tanto com a pessoa, que cedo ou tarde ela acaba cedendo. O problema é que demora, e isso nos cansa bastante. Estou falando de amigos, porque blogueiros, jornalistas, curadores, mecenas ou qualquer outro tipo de “guardião” não se dá ao trabalho nem de reclamar da quantidade de e-mails que mandamos, eles simplesmente ignoram.

Por que você acha que a Strange Music enfrenta essa dificuldade?
Não é exclusividade da Strange Music, sabe? Acho que qualquer banda que tenta percorrer seu caminho com as próprias pernas, ou com a ajuda de amigos passa por isso. As pessoas estão prontas para compras as ideias que já estão no ar. Elas fazem isso a todo momento quando escolhem qual água vão beber pela embalagem, por exemplo. Pouca gente está de fato disposta a descobrir coisas novas. O limite é o quanto aquilo fará com que ela pareça descolada entre os amigos. E a Strange Music tem pouco a oferecer nesse sentido. O bom é ouvir primeiro as novas indicações dos críticos e blogueiros hypes.

Juliano da Strange no dia em que a banda abriu para Lulu Santos e Frejat, em Bauru.


Mas até onde vocês gostariam de chegar com a banda?
Não queremos nada de especial, apenas poder tocar por aí sem ter que gastar dinheiro pra isso e com um certo público interessado no nosso som. Obviamente nós odiamos nossos empregos, mas até mesmo por isso preferimos manter a banda como segunda atividade, para não corrermos o risco de odiá-la também.


Nesse cenário, você não acha que a Internet é uma grande farsa e não ajuda ninguém em nada?

Concordo plenamente. Imagino que a repercussão seria maior se gravássemos centenas de CD-R e distribuíssemos por aí. O corpo a corpo e a materialização da música inserida em uma mídia talvez tivessem um apelo maior. As pessoas chegam cedo ao trabalho, abrem suas caixas de e-mail e lá está uma mensagem nossa comunicando o lançamento de uma nova música. A resposta padrão a este estímulo é apagar aquilo sem nem tomar conhecimento.

Que tal pararmos com as perguntas um pouco? 
Vamos apenas beber nossas cervejas.

Vocês bebem quando tocam?
Constantemente. Não digo que o álcool libera nosso processo criativo, ele apenas nos torna capazes de encarar nossas vidas de frente, com alguma dignidade. Tocamos, bebemos, damos risadas, tudo como deve ser. É como se estivéssemos num boteco qualquer, mas estamos num apartamento no Cambuci, intercalando nossas próprias músicas com outras diversas, que eventualmente servem para desopilar os tímpanos.

Quais outros elementos vocês gostariam de incluir no som de vocês?
Tudo o que fosse possível, mas já é tão difícil para nós três, que somos comprometidos com a banda, produzirmos regularmente, que não vejo como regularizar a participação de outras pessoas. Mas estamos totalmente abertos. Se alguém chegar dizendo que quer gravar um solo de flauta doce pra uma música nossa, ficaremos bem empolgados pra realizar o lance. Espero inclusive que isso de fato aconteça.

Obviamente vocês não se preocupam em usar vozes em todas as músicas, como as pessoas reagem a isso?
Quase sempre que mostramos o som para alguém, ouvimos algum comentário em relação às vozes. Boa parte das nossas músicas são instrumentais, e isso parece incomodar as pessoas. Às vezes parece que elas se sentem incomodados pela gente. Elas colocam como se a banda devesse sentir algum desconforto por fazer música instrumental. Quando criamos uma música, ela sai naturalmente com voz ou não.

Quais bandas vocês gostam de verdade, mas tem vergonha de admitir para parecerem cool?

Outro dia começamos a fazer uma música com sampler da Chritina Aguilera. Fora todos esses webhits como Garota na Chuva e Larica dos Molekes, que são realmente legais.

Depois que nossos numerosos leitores acabarem essa entrevista que ficarem loucos para ouvir o som de vocês, por quais 5 músicas eles devem começar?
Cada um da banda vai ter sua lista. Eu sei que o Bruno diria para não começar por Pernas, eu nunca recomendaria Country Fly e Juliano sequer aceita tocar Valsa de um Bobo nos shows. Brincadeira, às vezes ele aceita! Acho que o consenso é indicarmos as músicas mais novas. Acabamos nos apegando mais a elas. Então, eu recomendaria: Vai, Nova em Março, “Run, King, Run”, Club e 20-05. Sendo que arbitrariamente deixei de fora duas que poderiam facilmente entrar na lista: My Sweetest Enemy e Renaissance Style. Para ouvir, as mais recentes estão em nosso set do Soundcloud e as mais antigas na página da Strange Music no TramaVirtual.

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