Dos gênios e dos astros só compartilho o fracasso – Fred Di Giacomo

-Mais poesias

Bukowski bebe no meio de uma entrevista

Bebi tanto quanto Bukowski
Mas não escrevi nada próximo a ele
Carrego o pavor de aviões do Scorsese
Mas isso não me fez filmar como ele
Tive as taras e fetiches de Crumb
Mas nunca desenhei como ele
Tenho o toque e o pânico do Rei
E nunca encantarei como ele

Dos gênios e dos astros
Só compartilho os defeitos e o fracasso
Suas qualidades
Eu passo.

08/2010

Meu plano maquiavélico é transformar o Punk Brega no depósito dos meus rabiscos, contos e poesias. Quem cair aqui por acaso será obrigado a se defrontar com essas porcas linhas. Vou diminuir o ritmo de publicação das matérias, listas e resenhas. Esse poema faz parte do livro que terminei de escrever agora “O melhor de mim mesmo“.

Leia também:
-Dos heróis de hoje
-Insônia

publicado originalmente em 23 de Janeiro de 2011

Das possibilidades abortadas

Eu poderia ser mais generoso,
Mais gentil
Mais descritivo
Mais reto

Mais correto

Poderia ser mais educado
Mais refinado
Mamãe ia gostar um bocado

Ser mais fraco
Ter mais asco
Mas decidi ser só

                        um chute no saco

 

Chute_nas_Bolas_by_MaKaM

-Mais poesias

Fred Di Giacomo é jornalista multimídia e autor dos livros “Canções para ninar adultos” e “Haicais Animais”. Ele insiste em escrever poesia há anos. Esse pequeno atentado aos testículos alheios faz parte do livro inédito “Poemas para quem não gosta de poesia”.

Leia também:
-Tem um Drummond no meio do caminho
-Dos orgasmos que pintei

TIC-TAC, o maior anão do mundo.

publicado originalmente em 2 de Outubro de 2007

Tic-Tac, tic-tac. O anão. Ah, não! Não cabia mais em seu próprio corpo. Sentia medo, sentia amor, sentia idéias novas e sentia muito.
Tic-Tac, tic-tac. Era o coração do anão batendo. Coração gigante, que já não cabia naquele peitozinho frágil.
Tic-Tac, tic-tac. O maior anão do mundo era o menor gigante também. Um pequeno homem com alma de titã.
Tic-Tac, tic-tac. A cabeça doendo, o sexo querendo. O coração desejando. Era os minutos no relógio , a batida do Carnaval, os tiros no morro.
Tic-Tac, tic-tac. Seu corpo já não agüentava o peso da alma, a força das asas. O espírito queria lhe fugir pela boca. O pequenino o segurava com as mãos. Fechava os dentes para não cuspir o âmago.
Tic-Tac, tic-tac.Caminhava rápido pela rua, virando depressa como sempre. Sentia-se mal, sentia-se…
Tic-Tac, tic-tac. E finalmente aconteceu, como um orgasmo eletrônico. Agora feliz percebeu: crescia sem parar.
Tic-Tac, tic-tac. BUM! Explodiu numa noite carioca o primeiro homem bomba do subúrbio fluminense.
06/02/05.

Um anão terrorista do mundo real

 

Guido deve morrer: meu filme

Eu tenho um filme guardado na gaveta de casa. Pra quando eu for velhinho escreverem: “aos 20 anos fez um filme com seu irmão, Gabriel Rocha. Uma mistura de Tarantino com Hermes e Renato. ”
É trash mas me enche de orgulho. Cultura Racional, mistério policial, rock ‘n roll, Gabinete do Dr Caligari, tudo filmado com uma câmera high 8 e 50 reais no bolso.

Gioavana Franzolin em cena do filme "Guido deve morrer"

Gioavana Franzolin em cena do filme “Guido deve morrer”

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