Desenhar com palavras – Poeminha

-Compre meu livro “Canções para ninar adultos”

Desenhar com as palavras
Quisera eu
Desenhar com as palavras
Num jorro criativo
Da força de um Manara

Quisera eu
pintar com minha guitarra
Como Crumb com nanquim
Mais cruel que Che Guevara

Quisera eu
Ter nascido cigarra
deixar de ser formiga
Pra pintar a nossa saga.

08/2010

Mais um poeminha que quero um dia publicar num livrinho com nome, mas sem editora, chamado “O melhor de mim mesmo”. Sigam-me os bons em @freddigiacomo.

 

Arte do mestre Milo Manara

 

publicado originalmente 4 de Fevereiro de 2012

ZAP Comix – Robert Crumb, Gilbert Shelton e outros

Ele (Crumb falou com todo mundo , e teve culhões para fazer esse gibis. Reinventou o gibi. Ele tomou isso como outros de sua geração tomaram a música. Existem poucas pessoas que você pode dizer que literalmente se tornaram o ponto de partida para todo um mundo. Crumb teve a grande visão, a visão ardente”. Bill Griffith, colaborador da Zap Comix!

Capa da edição brasileira da Zap Comix

 

Os beats já eram homens maduros quando o Flower Power explodiu no final dos loucos anos 60. Os hippies ainda eram muito ingênuos pra escrever seus livros na mesma época. Enquanto Jimi Hendrix tacava fogo na guitarra, Timothy Leary pregava a expansão da mente através do LSD e Zé Celso revolucionava o teatro no Oficina, quem escrevia a literatura daquela geração desbundada? Os livros eram o registro em papel daqueles ecos lisérgicos?

Não. A literatura não era apenas a poesia dos velhos (e bons) beats. Ela era composta pelas resenhas musicais de caras como Lester Bangs e pelos rabiscos malucos de quadrinistas underground como o gênio Robert Crumb. Crumb era só um desenhista de cartões postais, vindo de uma família desajustada e com gosto por músicas e roupas antigas, quando começou a fazer seus primeiros quadrinhos. Não é o tipo de gente que você imagina que seria chamado para desenhar a clássica capa de “Cheap Thrills” da Janis e que depois se negaria a desenhar uma para os Stones. Mas lá vai nosso nerd, vindo de Cleveland para desenhar sozinho o número zero da Zap Comix. As ruas da Califórnias estavam prontas para aquele petardo? Bom, acontece que o cara que deveria imprimir a ZAP sumiu do mapa com os originais e lá foi Crumb desenhar a edição número 1 inteira, sozinho novamente, e revolucionar a indústria dos quadrinhos. Desde a Mad original não se via tamanha afronta. Sexo, drogas, nonsense, gírias. Tudo fazendo rir. Críticas sociais, morais, e culturais que vinham em formato de humor sacana e barato. Edições tiradas em impressoras off set baratas que estavam revolucionando a indústria. E distribuídas inicialmente no carrinho de bebê da mulher de Crumb.

Começo da polêmica e incestuosa HQ "Joe Blow"

E outros artistas foram se unindo a Crumb. Cada um representando uma subcultura. Spain Rodriguez (operário membro de uma gnague latina), Rick Griffin (surfista e ilustrador), Robertt Williams (marginalzinho e aspirante a artista), Victor Moscoso (espanhol que já tinha experiência na indústria de HQs), Gilbert Shelton (dividia o tempo entre uma gangue de motoqueiros e uma revista underground), Siclay Wilson (cursava Belas Artes e servia o exército a contragosto). Aos poucos aquela gangue de surfistas, hippies, latinos e freakies ia ligando suas histórias na tomada e eletrocutando os leitores. A Zap não tinha periodicidade fixa, mas vendia surpreendentemente bem. Dizia-se até que ela iria matar Super-Homem e Cia.

Crumb, o gênio tarado

A coletânea publicada no Brasil pela Conrad reúne 14 números publicados entre 1967 e 1998. É um delicioso aperitivo para quem quer se introduzir no mundo da ZAP. Conta ainda com uma primorosa introdução escrita por Rogério de Campos, o homem por trás da Conrad. E uma experiência inspiradora de produção independente que ajudou a subverter e transformar a indústria que a rodeava.

Zap foi o start. Mas a coisa teria acontecido mesmo sem o Crumb, porque todos os artistas underground estavam caminhando nessa direção – Griffin, Mouse, Kelley, eu no sul da Califórnia, Gilbert Shelton. Havia um grande ódio contra a autoridade e o governo, e os quadrinhos eram uma tremenda forma de expressão”, Robert Williams.

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Crumb, Terry Zwigoff

Sexta-feira: trailers, vídeos e besteirol na TV Punk Brega

Uma breve história da América – Trecho do filme “Crumb”

Esqueça a imagem de um hippie doidão chefiando a psicodélica HQ “Zap Comix” nos loucos anos 60. Crumb era um jovem feio e esquisito, espancado pelo pai (que quebrou sua clavícula quando ele era um moleque de 5 anos), criado por uma mãe viciada em anfetaminas e rodeado de dois irmãos malucos – um que se suicidaria um ano depois das gravações do filme e outro pego molestando mulheres asiáticas. Desse ambiente fantasmagórico, que se parece uma versão de comercial de margarina estrelada por zumbis é que sai o gênio dos quadrinhos Robert Crumb. E – supresa geral – um gênio dos quadrinhos de HUMOR.

Sempre me perguntei o que tinha levado o quadrinista a ilustrar o livro póstumo do Bukowski – “O Capitão saiu e os marinheiros tomaram conta do navio”. Depois de ver este documentário não restaram dúvidas. A infância dos dois, tão similar em sua série de desgraças, a arte usada como fuga, a relação complicada com as mulheres e a sensação de impotência diante delas convertida em fantasias de dominação…  A história desses dois perdedores parece uma trágica repetição.

Produzido por David Lynch e dirigido por Terry Zwigoff, “Crumb”, de 1994, detalha a infância e adolescência e escancara as taras sexuais do pai de “Fritz, the Cat” e “Mr Natural”. Sua vida em família é mostrada, suas obras analisadas por críticos e trechos dos quadrinhos expostos. Também são exibidas diversas cenas do processo de trabalho do artista que converteu o “Gênesis” para os quadrinhos.

Reconsidere seu conceito de humor negro ao ver Robert contando aos risos que seu irmão confessou ter se controlado na infância para não lhe enfiar uma faca no coração. (Isso com o irmão chapado de antidepressivos na sua frente.)

Crumb: um nerd obcecado por mulheres voluptuosas

-Mais sobre quadrinhos

3 quadrinhos que você tem que ler!

3 quadrinhos que eu acho que não agradam só aos fãs de quadrinhos, mas são universais.


1)Maus, Art Spielgeman:

É a única unanimidade dessa lista. Pra mim “Maus” é a melhor obra a retratar o nazismo, melhor que qualquer filme ou seriado de tv. “Maus” também é o único quadrinho que ganhou o Prêmio Pulitzer. Como diz o Gabes, fodaço!

 

Capa da HQ "Maus" de Art Spielgman

Capa da HQ “Maus” de Art Spielgman

 

2)Epilético,David B:
História autobiográfica do quadrinista francês David B., que cresceu ao lado do irmão epilético e acompanhou toda a luta da família para tentar dar ao garoto uma vida normal. Desenhos simples, mas com estilo onírico e simbólico único. Só li o volume 1 até agora e confesso que não segurei a lagriminha que insistia a cair do olho. Vale guardar o dinheiro da breja do fim de semana pra comprar esse aqui.

3)Avenida Dropsie, Will Eisner:
Pensei em finalizar com o “Minha Vida” do Crumb, mas é muito escatlógico e foge a essa categoria de “quadrinhos” universais. Se você curte Bukowski, ou contracultura, ou tem complexo de Édipo, ou gosta de acidez, fetiches e mulhers gordinhas leia o Crumb. Se você é normal leia Avenida Dropsie, porque Will Eisner é os “Bitou(Betle)” dos quadrinhos(Crumb é os Stones). A narrativa do cara é cinematográfica e suas histórias já foram adaptadas até pro teatro. Avenida Dropsie é sobre uma vizinhança, um bairro, mas não deixa de ser sobre o que as melhores histórias são feitas: seres-humanos

-Conheça a revista Chiclete com Banana do Angeli
-Quadrinhos eróticos

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