Clube de Ideias – Sabrina Barrios

Quinta-feira, um respiro para arte aqui nesse espaço Punk

Clube de Ideias foi um blog coletivo que reuniu escritores, artistas, cineastas e vagabundos bem(mal)intencionados. O belo topo do blog foi uma colaboração da artista e designer Sabrina Barrios.

-Mais trabalhos da Sabrina Barrios
-Imagens Multiestáveis, da fotógrafa Nati Canto

Antônio Casamenteiro – Loading Myself

Vire e mexe, vou até a gaveta do velho Clube de Ideias e pesco um conto de jovem autor:

Antônio Casamenteiro(Bobagem Assertativa de Passagem II)

No bar
– “Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”, já dizia Caetano.
– Exato!

No táxi
– O caminho que for mais curto e rápido até minha casa.
– Farei o possível. Mas eu não posso encurtar o caminho. Ele existe assim, do jeito que é. Vou por este aqui, tudo bem?!
– Sim, pode ser. Não… espere! Vai por esse.
– Mas esse é mais longo.
– E não é o mais fácil. Digo quando parar. Se parar.
– Tudo bem…
– Já andou com passageiro assim?!
O taxista sorri.

– Nessa rua?!
– Sim. Pára. Ele mora aqui. O que eu faço?!
– Você vai descer aqui?
– Não sei. Estávamos entre amigos naquele bar. Queria ficar com ele, mas nem disse nada. Agora não sei é tempo.
– Entendi. Você é jovem. Solteira?
– Sim.
– E ele?
– Também.
– Então pode fazer dessas coisas! Peça para dormir aqui quando ele chegar. Não se arrependa, porque o tempo passa rápido.
– A vida que é curta.

– E então, moça?!
– Mais cinco minutos.
– Tudo bem.

– Por que não disse a ele que queria vir?
– Porque tive medo. Opinião dos outros.
– Não precisava. A vida é sua e não dos outros.
– É. Droga de dúvida! Ficou esse nó entalado. Pareço louca. Já teve passageira louca?
O taxista sorri.

– E se ele não vier, moça?!
– Só mais um tempo. Então, vamos embora.
– Tudo bem.

O taxista liga o rádio
Roberto Carlos – De que vale tudo isso?

– Gosta de Roberto Carlos?
– Espera. É ele! Vou lá. Me deseje sorte.
– Vai lá, menina. Boa sorte!

De volta ao táxi
– …E então?!
– Bota. O caminho que for mais curto e rápido, por favor.
– Você é jovem, simpática, bonita. Não entendo ele, não…
– E maluca. Eu o entendo.
– É nada. Teve coragem de fazer o que sentia.
Disfarçando, ela sorri.

– Não fica triste.
– Ficar triste faz parte disso. Dói, depois passa. Que passe rápido…
– Não fica triste, não. Já amei muito. Casei sete vezes! Agora estou solteiro. Pois quer saber como é um casamento?
– Pois, fale.
– Casamento é assim: começa embarcando tranquilo na Paraíso e sai sufocado na Consolação!
Eles sorriem.

– Qual é o seu nome?
– Antônio! E o seu?
– Maria.
– Maria Aparecida?!
– Não. Maria Elena.
– Nome bonito.
– Que ironia. Você tem o nome de Santo Antônio. Justo o santo casamenteiro.
– Verdade, logo eu. Mas acho que se é assim é para dar conselho por experiência própria. Esquece esse que logo vem outros para você conhecer. E será muito amada, viu?!
– É?!
– Sim. Confie no que falo! Mas não se case por enquanto. Namore daqui, junte dali. Depois para separar é mais fácil.
– Livres assim.
– E assim que é.

– Chegamos! É aqui. O dinheiro.
– Espere! Balas do taxista para adoçar a vida.
– Não, obrigada, Santo Antônio.
– É uma delícia! Leve.
– É, levarei de leve.

*Agradecimos ao Antônio, o casamenteiro-santo-conselheiro-taxista.

Fabiane Z. é atriz, libriana, designer multimídia e escreve textos zaizers no seu Loading Myself

Pedro Bell, o gênio da arte psicodélica negra e autor de várias capas do Funkadelic, está quebrado

Quinta-feira, novos artistas ou clássicos doidões têm seu espaço em nosso vernissage Punk Brega.
pedro-bell-funkadelic-arte
Pedro Bell está quebrado. O criador das marcantes capas de discos do “Parliament-Funkadelic” vive sem grana e quase cego, e pensa em vender suas obras originais para pagar as dívidas. Mas quem é Pedro Bell?

Pedro Bell é um genial artista e ilustrador afro-americano que teve seu auge entre os anos 70 e 80.

O responsável por levar a psicodelia para os guetos negros, misturando a arte lisérgica hippie com a cultura de rua e criando uma forte identidade visual para o combo funk liderado por George Clinton. Bell também escreveu vários dos textos presentes nos discos do “Parliamente-Funkadelic” e criou o “scartoon” “Larry Lazer” transmitido pela Mtv.

Este é Pedro Bell. E ele está sem um puto no mundo das Mp3.

pedro-bell-funkadelic

Bansky – Grafite e Murais

“Maid in London”

Quem é Bansky? Um grafiteiro. Um ativista. Um artista e um marginal. Quando nasceu? Uns dizem 1974, outros 1975, é quase certo que sua cidade natal ainda seja seu lar – a inglesa Bristol. Reza a lenda que o moleque era filho de um operador de fotocopiadora, que foi expulso da escola aos 14 anos e preso por pequenos delitos. Começou a grafitar nos muros britânicos ainda nos anos 80, mas pra economizar e não ser pego pela polícia, adotou a técnica de Stencil. Talvez essa seja apenas uma versão romanceada para justificar um estilo que tem entre seus similares Blek Le Rat e os trabalhos gráficos dos músicos anarco-punks do Crass.

“Girl and Soldier”, Palestina

Seus murais têm em geral conotações de crítica política, social ou culturais. O semi-anônimo arti(vi)sta já passou por diversos lugares do mundo como New Orleans(EUA) e a Palestina, deixando belas marcas nas paredes relacionadas a história local. Bansky não vende fotos de seus trabalhos, ele sugere que os compradores de suas obras se virem com os donos da parede para levá-las.

Mais Bansky:
-80 belos crimes urbanos de Bansky
-Site oficial

“Rat and Girl”, New Orleans

Jamie Livingston – Photo of the Day: 1979-1997

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Algumas pessoas fotografaram o próprio rosto ou o mesmo lugar por anos. O personagem principal do poético “Cortina de Fumaça” (Smoke) clica a faixada de sua loja diariamente, lembram? Jamie Livingston (1956-1997) – fotógrafo, cineasta e artista circense – registrou por 18 anos uma foto do seu cotidiano com uma Polaroide. De 1979 até o dia da sua morte por câncer, Jaimie guardou um clique da vida. Algo  banal, o retrato dos amigos, o trabalho e até alguns famosos. Através da infinidade de poses, você vai descobrindo um pouco quem é aquela pessoa e como ela vive. Em 1997, Jaimie luta contra o câncer – cenas de hospitais tornam-se frequentes. Ele perde o cabelo, se casa e fatalmente morre. Você já está íntimo de Livingston e sente sua perda como se fosse um velho amigo.
Tudo isso virou uma exposição e um site organizado pelos amigos de Livingston, Hugh Crawford e Betsy Reid.Se é a arte imitando a vida ou a vida imitando a arte eu não sei. Só sei que é bonito pra cacete.
Saiba mais sobre o projeto(em inglês):

Miranda July – Hallway

Treine seu sotaque francês e sua cara blasé, porque quinta aqui é dia de arte!

Miranda July foi cuspida na mesma fornada que cozinhou Bikini Kill, Sleater-Kinney e a cena punk dos anos 90, no Noroeste do Pacífico. Artista multimídia, performer undeground, diretora de cinema cult por causa de “Me and You and Everyone We Know”, musa dos moderninhos… Ufa! Poucos artistas levaram o do it yourself tão a  ferro e fogo. E a menina americana de olhões azuis conseguiu com isso produzir seus próprios vídeos, sua própria arte e suas turnês de performances por clubes undeground. Separamos aqui  a instalação “The Hallway”, de 2008, mas vale um pulo no site da moça para conhecer a imensidão de sua criatividade.

Acompanhe a instalação “The Hallway”

The Hallway from The Hallway on Vimeo.

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