Caetano Veloso conta a história da música “Cajuína” feita em homenagem ao poeta Torquato Neto

Torquato Neto foi um poeta tropicalista brasileiro (como Capinam e Wally Salomão) que participou ativamente da contracultura tupiniquim entre o final dos anos 60 e comecinho dos 70. Deprimido, ele se suicidou aos 28 anos de idade. Anos depois, Caetano visitou o pai de Torquato em Teresina e foi dessa visita que surgiu a bela “Cajuína”. A história toda você assiste abaixo

Pra quem não conhece o Torquato, um poeminha dele:

 

 

 

 

 

 

 

O Poeta é a Mãe das Armas

O Poeta é a mãe das armas
& das Artes em geral —
alô, poetas: poesia
no país do carnaval;
Alô, malucos: poesia
não tem nada a ver com os versos
dessa estação muito fria.

O Poeta é a mãe das Artes
& das armas em geral:
quem não inventa as maneiras
do corte no carnaval
(alô, malucos), é traidor
da poesia: não vale nada, lodal.

A poesia é o pai da ar-
timanha de sempre: quent
ura no forno quente
do lado de cá, no lar
das coisas malditíssimas;
alô poetas: poesia!
poesia poesia poesia poesia!
O poeta não se cuida ao ponto
de não se cuidar: quem for cortar meu cabelo
já sabe: não está cortando nada
além da MINHA bandeira ////////// =
sem aura nem baúra, sem nada mais pra contar.
Isso: ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. a
r: em primeiríssimo, o lugar.

poetemos pois

torquato neto /8/11/71 & sempre

Leia também:
-Poesia marginalzinha pra vocês
-Caetano rock ‘n’ roll

 

Caê adora falar e contar histórias

5 covers de músicas brasileiras feitos por artistas internacionais

Alegria, alegria, amiguinhos. A música brasileira está na moda entre os hipsters, indies e rebeldes de iPhone e pra comemorar tanto hype, selecionei 5 covers massas de bandas gringas tocando clássicos brazucas.

beirut-cover-mpb

 

1)”Um girassol da Cor do seu cabelo” – Mia Doi Todd + José González

RH Loft Party: Mia Doi Todd + José González from Red Hot on Vimeo.

2)”Leãozinho” – Beirut

3)”You don’t know me” – Magic Numbers

4)Panis Et Circenses – Sean Lennon

5) Ponto de Areia – Esperanza Spalding

Bônus: Garota de Ipanema – Amy Winehouse

Falando em rebeldes de iPhone, você já conhece o livro “Canções para ninar adultos”? Compra ai!

“Os últimos dias de paupéria (Do lado de dentro)” – O livro que reuniu os escritos do poeta Torquato Neto

“Existirmos, a que será que se destina?”

***

É legal que a gente encontre fácil no Brasil a edição da Conrad de “Reações Psicóticas” de Lester Bangs, famoso crítico musical americano. Seria legal termos essa facilidade com a obra de Torquato Neto (1944-1972), um dos nossos Lester Bangs.

Torquato Neto era um blogueiro dos anos 70. Escrevia a coluna “Geléia Geral” no jornal Última Hora, onde cobria a vida cultural brasileira (especialmente do Rio), com foco na música, no cinema e num pouco de literatura. Do teatro ele não gostava muito, mas anunciava as novidades, assim como uma ou outra notinha sobre artes plásticas. É legal acompanhar dia após dia, na sua “Geléia Geral”, a história da música brasileira (e mundial) nos ricos anos 71 e 72. Torquato, saudosista, reclamava que a MPB estava muito parada. Pra quem lê hoje soa como ironia. Eram os anos de “Fa-Tal” da Gal (Com “Vapor Barato” e “Pérola Negra”), “Transa” o (disco em inglês) cult do Caetano, “Construção” do Chico Buarque (com a faixa título mais “Cotidiano”, “Deus lhe pague”, “Valsinha” e meia dúzia de clássicos) e o discão do rei Roberto Carlos que trazia “Detalhes”, “Debaixo dos Caracói dos seus cabelos” e “Como dois e dois”. Lá fora, John Lennon estava de música nova: Imagine. E Torquato avisava a galera pra se ligar em uma banda inglesa que estava amadurecendo bem; o Pink Floyd. (Ainda dois anos distante de lançar seu mega-sucesso “The Dark Side of the Moon”). E os Novos Baianos começavam a se tornar íntimos de João Gilberto. (influência que daria origem ao clássico “Acabou Chorare”).

No cinema, Torquato era do time dos “undigrudis”: Ivan Cardoso, Rogério Sganzerla e, claro, Zé do Caixão. Descia a lenha no cinema novo, de Cacá Diegues e Arnaldo Jabor, que passara a ser patrocinado com grana estatal. Só poupava Glauber das críticas. E se empolgava com a tecnologia das câmeras Super 8. 40 anos antes de Youtube e das filmadoras digitais ele previa: todo mundo vai ser cineasta.

Torquato encarnando o Nosferatu Brasileiro

 

“Os últimos dias de paupéria” (organizado por Wally Salomão e Ana Maria Silva de Araújo Duarte) foi publicado postumamente. Torquato estava preparando um livro ( que devia chamar-se “Do lado de dentro”) quando se suicidou com gás de cozinha no dia do seu aniversário de 28 anos. Morreu sem publicar nenhum livrinho em vida. Deixou suas crônicas musicais, suas letras (“Geléia Geral” e “Louvação” com Gil, mais uma dezena com Caetano, Jards Macalé, Edu Lobo e a parceria póstuma de “Go Back” com os Titãs), algumas cartas (numa das quais conta como fumou haxixe com JIMI HENDRIX) e poesias – era poeta tropicalista, amigos dos concretistas e admirador da poesia marginal de Chacal, então estreante. Também dirigiu e atuou em alguns filmes Super 8. Sua empolgação com música-cinema-literatura não o segurou na vida, deprimido com a falta de liberdade da ditadura e a falta de bom gosto da esquerda. Nasceu no tempo errado. Inspirou Caetano numa de suas melhores letras; “Cajuína”, do álbum “Cinema Transcendental” (1979). Aquela que começa existencialista assim:
“Existirmos, a que será que se destina?”.

Veja também:
– “Bandido da Luz Vermelha”, clássico do cinema marginal brasileiro

-A época em que Gal Costa foi musa dos doidões brasileiros

Videoteca do Brega: “Cadeira de Rodas”, Fernando Mendes

Seguindo com nossa seleção de músicas crássicas do cancioneiro brega, hoje pincei para vocês “Cadeira de Rodas” do Fernando Mendes. É uma ideia  de som bem legal que o cantor teve depois de ver uma fã cadeirante no seu show. Coloca a portadora de necessidades especiais como musa, mostrando como a música brega popular pode ser moderna em suas temáticas. E isso bem antes de Roberto Carlos achar que estava agrando as minorias fazendo música pra míope, baixinha e gordinha. 🙂

Sucesso nos anos 1970, Paulo Mendes foi redescoberto quando Caetano Veloso gravou a sua “Você Não Me Ensinou a Te Esquecer”, para a trilha sonora do filme “Lisbela e o Prisioneiro”.

Cadeira de Rodas – Letra:

Sentada na porta,
Em sua cadeira-de-rodas ficava.
Seus olhos tão lindos,
Sem ter alegria,
Tão triste chorava.

Mas quando eu passava
A sua tristeza chegava ao fim.
Sua boca pequena,
No mesmo instante,
Sorria pra mim.

Aquela menina era a felicidade
Que eu tanto esperei,
Mas não tive coragem e não lhe falei
Do meu grande amor e agora,
Por onde ela anda, eu não sei.

Hoje eu vivo sofrendo e sem alegria.
Não tive coragem bastante pra me decidir.
Aquela menina em sua cadeira-de-rodas
Tudo eu daria pra ver novamente sorrir.

Caetano cantando Paulinho

Veja também:
-Wander Wildner e minhas bandas gaúchas preferidas
-Rock indie brega de primeira qualidade
-Punk Brega Nerd

“Tigresa” – Ney Matogrosso & Caetano Veloso

Que o Ney Matogrosso foi o maior frontman rock n’ roll do MUNDO ninguém duvida, né? Agora, deixando de lado seu rebolado, Ney quebra tudo com sua voz nessa balada foda do Caetano, tirada do discaço “Bicho”. Se você não gosta de Caetano, ok, vai ouvir punk rock. Se você gosta de rock, e quer um bom motivo pra ouvir o baiano, baixa aí o “Transa” e o “Bicho” e depois conversa com a gente. Semana que vem tem mais #somdesexta. Ah, e a título de curiosidade: essa música é em homenagem à musa Sônia Braga.

Caetano Veloso é rock ‘n’ roll? Ouça “Eu quero essa mulher assim mesmo”

O ano era 1973, e Caetano Veloso já tinha gravado seus discos rock ‘n’ roll de exílio (“Transa”, “London, London”) e ainda assim conseguiu chocar os ouvintes com o experimental “Araçá Azul”, cuja melhor faixa – na minha humidel opinião – é essa versão hard rock psicodélica do samba “Eu quero essa mulher assim mesmo” de Monsueto. Destaque para a guitarra endiabrada do gênio Lanny Gordin.

-Se curtir, se joga na Gal rock ‘n’ roll

João Gordo relembra brigas com Los Hermanos e Caetano Veloso e conta histórias de sua vida punk – primeira parte da entrevista

João Gordo desce a lenha nos Los Hermanos em entrevista

João Gordo fala sobre briga com Los Hermanos (“Quem gosta de Ramones tem mais é que apanhar mesmo”), esculacha Caetano Veloso (“Alguém tem que matar o Caetano Veloso”), elege seus ídolos (Adoniran Barbosa e Bezerra da Silva) e relembra os tempos em que comia Churrasco Grego direto da boca de lobo de esgoto.

Entrevista que fizemos (Fred Di Giacomo, Bárbara dos Anjos, Artur Louback, Gustavo Heidrich e Felipe Van Deursen) para o site da revista Mundo Estranho, no extinto programa “5 contra 1”

João Gordo expulsando os Los Hermanos do seu programa

 

Veja também:
-Segunda parte da entrevista com João Gordo
-Mais notícias sobre João Gordo
-Todas entrevistas do Punk Brega 

 

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...