“o pássaro azul”, poema de Charles Bukowski

Tatuagem inspirada no poema de Bukowski

Tatuagem inspirada no poema de Bukowski

(Tradução: Pedro Gonzaga)

há um pássaro azul em meu peito
que quer sair
mas sou duro demais com ele,
eu digo, fique aí, não deixarei que ninguém o veja.
há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas eu despejo uísque sobre ele e inalo
fumaça de cigarro
e as putas e os atendentes dos bares
e das mercearias
nunca saberão que
ele está
lá dentro.
há um pássaro azul em meu peito
que quer sair
mas sou duro demais com ele,
eu digo,
fique aí,
quer acabar comigo?
(…) há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas sou bastante esperto, deixo que ele saia
somente em algumas noites
quando todos estão dormindo.
eu digo: sei que você está aí,
então não fique triste.
depois, o coloco de volta em seu lugar,
mas ele ainda canta um pouquinho
lá dentro, não deixo que morra
completamente
e nós dormimos juntos
assim
como nosso pacto secreto
e isto é bom o suficiente para
fazer um homem
chorar,
mas eu não choro,
e você?

Jazz: Vontade de matar ao som de Count Basie – conto

Essa versão atualizada de “Jazz: Vontade de matar ao som de Count Basie” foi publicada originalmente no livro de contos “Canções para ninar adultos“, de Fred Di Giacomo, lançado pela editora Patuá no final de  2012. A história faz parte do lado B do livro.

O gênio do jazz Countie Basie

“Sangue fresco tinha gosto de Bourbon”. Gostava de lamber o sangue depois de matar. Fazia-o lembrar de suas raízes animais. Depois poderia voltar a ser o “homem bom”. Depois poderia voltar a ser Humano. Irritava-o fingir no imenso teatro de mentiras que é a vida. Na peça da sua existência representava um cirurgião-dentista. Queria ser médico, mas o vestibular era muito difícil. Queria ser médico, gostava de sangue. Isso se via logo de cara. Lambuzava-se. Deixou vinte e cinco reais no quarto, beijou a boca da puta e foi embora.

As ruas de São Paulo eram imundas e cheias de gente feia. Pessoas com cara de cocô, pareciam montes de merda ambulante. Pelo menos estavam em paz com os animais internos. Corja de assassinos e ladrões arrastando-se pelas sarjetas. Queria estar em Porto Alegre… Uma loira fenomenal do outro lado da rua. Cara de safada. Óculos escuros, batom vermelho, salto alto. Vestidinho sacana demarcando a bunda. Pernas fabulosas e seios vulcânicos. Silicone. Brasileiras não têm peitos daqueles. Talvez seja gringa. Não, as gringas não têm uma bunda daquelas. Meu Deus, como rebolava!

Odiava silicone, tinha gosto de plástico. Gostava de rasgar a carne na boca e sentir as hemácias explodindo com o contato dos dentes. Era um sádico – tinha vontade de estuprar a loiraça ali mesmo, no meio da rua. Encostá-la na parede, rasgar sua calcinha e currá-la no meio da multidão com cara de cocô. Essa ideia passava pela cabeça de metade daqueles “homens bons”. A maioria deles estupraria uma dona daquelas se a sociedade não os jogasse atrás das grades por isso. A maioria rezava para que acontecesse uma guerra ou o fim do mundo para estuprar as mulheres que nunca iriam comer.

Nosso amigo: baixo, magro, brasileiro de nascença, óculos quadrados, aros negros. Nosso amigo: ser humano do sexo masculino, cirurgião-dentista. Nosso amigo: R.G. 43.466.247-9. Nosso amigo era um cidadão respeitável. Sua mulher chamava-o de “chuchu”. Sua filha dizia que ele era o “melhor pai do mundo”. A empregada dizia que ele era justo e respeitador. Mulata sacana! Transava com todos aqueles negros, pobres e nordestinos, tinha uma porção de filhos a parideira, uma bunda gigante e ele ali segurando os testículos para não enfiar-lhe por trás quando ela estivesse abrindo o forno ou esfregando o chão de quatro. Suava só de pensar. Teve uma ereção. A loira entrou num cabeleireiro chique. “A LOIRA” entrou num cabeleireiro chique. AQUELA LOIRA FENOMENAL, OBRA PRIMA DE DEUS, entrou num cabeleireiro chique. Devia ser ricaça, a vagabunda! Uma loira daquelas se casava com quem ela quisesse. Não precisava trabalhar nem se prostituir várias vezes. Bastava vender a alma para um velho brocha… E rico!

O nosso amigo tinha problemas de ereção. Com a mulher não conseguia nada há um ano; suspeitava que ela tivesse um amante. O eletricista ou o velho amigo de nosso amigo, Marcos. Não importava! Alguém estava comendo a Márcia e não era ele. Com as outras gozava rápido demais, tinha fimose. Queria ficar mais tempo para elas não irem embora tão rápido. Queria transar gostoso, para depois ganhar um abraço carinhoso e poder dormir de conchinha. Mas elas nunca gozavam, fingidas, mulher que não goza fica mal-humorada e arruma um amante. Eram as leis da vida. Por isso queria estar em Porto Alegre, tinha visitado a cidade apenas uma vez, mas lhe parecia um bom lugar. Agradável. Gostava de imaginá-la como Pasárgada. Sem negros com paus enormes comendo suas mulheres, só um negrinho que tocava piano e cantava jazz. Lá num barzinho gaúcho. Montes de bichas moderninhas, artistas intelectuais e ele, o último dos homens comuns. Homo sapiens sapiens heterossexual, espécie em extinção. Tomando Black Label pela primeira vez após trinta anos de trabalho fixo e carteira assinada. O negrinho até que tocava bem: Count Basie, Benny Goodman. Um baixista o acompanhava, tocaram uma do Mingus. Sim, Charles Mingus, seu moleque ignorante! O rei do contrabaixo! Aqueles moleques e veados não conheciam nada. Ouviam as notas para parecerem bem cool, mas não viam a hora de aquilo acabar para correrem para casa e escutarem um pouco de rock‘n’roll. Ou rap! Ou algum ritmo novo e sem alma. Ou qualquer merda que esses jovens enfiavam em nossos ouvidos achando que era arte. A arte morreu com o último romântico. Hoje só existiam barulho e velhos broxas, lentos demais para seu tempo.

Pegou um ônibus, depois o metrô. Nem os dentistas ganhavam bem naqueles tempos de crise nas infinitas terras. Aliás, alguns ganhavam, mas ele não, era o clássico exemplo de classe média em queda livre, que já tinha descido pra classe média baixa e continuava despencando. No ônibus tinha um cara enconchando uma morena de bunda enorme. Não parava de se esfregar na mulher, aproveitando-se da superlotação, do balanço do “busão” e da falta de cavalheirismo dos homens sentados. Às vezes o nosso amigo queria dar lugar para uma senhora, mas não sabia como fazê-lo, não tinha iniciativa. Ficava pensando no que falar e, quando se dava conta, já era seu ponto e tinha que se levantar de qualquer jeito. A morena desceu com uma mancha na calça jeans, e o tarado tinha um sorriso de satisfação na cara. Bastardo! No metrô um velho segurava a Bíblia sagrada e disparava a palavra de Deus como se fosse receita de bolo ou aula de ginástica em academia. A gente não deveria ficar velho, era cruel demais. Deveriam matar a gente antes… Tinha um negro lá no fundo. Com cara de suspeito. Nosso amigo passou a carteira pro bolso da frente e segurou firme. Era um cirurgião-dentista prevenido.

Enfim em casa. Cheiro de comida fresca e perfume barato da mulher. A menina brincava em frente à TV. Beijou a mulher. Comeu, tomou banho, mandou a menina ir para a cama. Assistiu ao telejornal. Pensou na vida. E pensou que a morte já não era tão má, àquela altura do campeonato. A mulher disse que ia se deitar. Gelou. Queria estar em Porto Alegre. Passou a mão no seu peito e perguntou se ele não iria com ela. Falou daquele jeito que só a “nossa mulher” sabe falar. Talvez ela não tivesse um amante. Ouviu um “naipe de metais” alto. Devia ser o Count Basie tocando pra ele. Ligou a vitrola, colocou um vinil do Nat King Cole. Fazia tempo que não dançavam. Apertou-a forte contra o peito. Ela riu, estava feliz. Bonita. Nem parecia que tinha quarenta e cinco. Como era linda! E tinha cheiro de felicidade. Foram para a cama, com vinte anos a menos de idade. Apagaram a luz, escovaram os dentes. Fizeram todas as preliminares, sem sacanagem. Só com amor.

Brochou. Como sempre.

Ela disse que não tinha problema. Quando nosso amigo fechou os olhos, ela começou a se tocar. Tinha um amante, com certeza. Ele queria estar em Porto Alegre.

Hoje, no começo do dia, tinha provado aquela xota cheia de sangue de menstruação. Um dia iria matar de verdade. Até lá, tinha que reconquistar sua mulher. Tocava jazz na sua cabeça. Uma big band liderada por Humphrey Bogart. Estaria sonhando? Casablanca. Fitava sua mulher e dizia: “Estou de olho em você, garota”. Sublime. Como diziam os Ramones: “Hoje seu amor, amanhã o mundo”.

20/02/05, ouvindo Count Basie.

Para ler ao som de: “One o’ Clock Jump”

Veja também:

-Joguei meu iPhone nas águas sujas do Tietê

-Leia “A Ilha” conto do livro “Canções para ninar adultos”

-Assista entrevista com Fred Di Giacomo, autor de “Canções para ninar adultos”

Dos gênios e dos astros só compartilho o fracasso – Fred Di Giacomo

-Mais poesias

Bukowski bebe no meio de uma entrevista

Bebi tanto quanto Bukowski
Mas não escrevi nada próximo a ele
Carrego o pavor de aviões do Scorsese
Mas isso não me fez filmar como ele
Tive as taras e fetiches de Crumb
Mas nunca desenhei como ele
Tenho o toque e o pânico do Rei
E nunca encantarei como ele

Dos gênios e dos astros
Só compartilho os defeitos e o fracasso
Suas qualidades
Eu passo.

08/2010

Meu plano maquiavélico é transformar o Punk Brega no depósito dos meus rabiscos, contos e poesias. Quem cair aqui por acaso será obrigado a se defrontar com essas porcas linhas. Vou diminuir o ritmo de publicação das matérias, listas e resenhas. Esse poema faz parte do livro que terminei de escrever agora “O melhor de mim mesmo“.

Leia também:
-Dos heróis de hoje
-Insônia

publicado originalmente em 23 de Janeiro de 2011

“É tão fácil ser poeta, e tão difícil ser um homem”, Charles Bukowski

Risada do velho safado

40,000 flies – Charles Bukowski 

torn by a temporary wind
we come back together again

check walls and ceilings for cracks and
the eternal spiders

wonder if there will be one more
woman

now
40,000 flies running the arms of my
soul
singing
I met a million dollar baby in a
5 and 10 cent
store

arms of my soul?
flies?
singing?

what kind of shit is
this?

it’s so easy to be a poet
and so hard to be
a man.

Colaborem, por favor!

Aceito doações de felicidade instântanea

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

originalmente postado 30 de Outubro de 2011 por @freddigiacomo

-Coisas sobre Bukowski
-Leia POESIA que dá azia

Veja também:
-Quer comprar meu livro?

-Dos gênios e dos astros eu só compartilho o fracasso
-Conheça o meu primeiro livro
-Curte contos e crônicas? Leia alguns aqui!

10 livros que mudaram minha vida

publicado originalmente dia 14 de novembro de 2010

Listar os preferidos é sempre angustiante. Deixa-se de lado por comparação, esquece-se de algo inesquecível, aumenta-se o número de itens no ranking.

Alice no País das Maravilhas” não entrou porque a história já tinha chacoalhado minha vida através das versões de desenho animado e cinema, antes que eu lesse o livro. “O Homem e seus Símbolos” do Jung perdeu para o “O Poder do Mito”, que eu li algum tempo antes e foi mais impactante. Troquei na última hora “O Uivo” de Allen Ginsberg (minha introdução à literatura beat) por Paulo Leminski que mudou meu jeito de escrever poesia.

Enfim, segue abaixo – por ordem cronológica e não de importância – os dez livros que foram turn points na minha vida.

1) “A Ilha do Tesouro“, Robert Louis Stevenson
Foi o primeiro livro “de verdade” que eu li, quando tinha 7 anos. Já tinha contato com Ruth Rocha e coleção Vagalume, mas o pirata Silver e o moleque Jim foram os meus primeiros heróis literários.


2) “O Falcão Maltês”, Dashiell Hammett


Esse clássico policial de Hammett definiu muitos dos clichês que fariam minha cabeça no mundo dos livros. Personagens durões, linguagem coloquial, frases curtas, mulheres sensuais e perigosas, mundo marginal. Eu tinha entre 10 e 11 anos e comecei a copiar o jeito que “O Falcão Maltês” fora escrito. Eram minhas primeiras aulas de literatura.

 

 

3) “Vestido de Noiva“, Nelson Rodrigues

Nelson Rodrigues foi o primeiro autor que me estragou. Lembro de ler os contos e peças dele com medo que alguém me flagrasse debruçado naquelas páginas de traições, neuroses, incesto e intrigas. Eram as relações familiares e sociais desmascaradas e caricaturizadas de uma forma que deixava a vida como ela é …

 

4) “Caprichos e Relaxos”, Paulo Leminski
Drummond foi provavelmente meu primeiro poeta preferido e moldou muito do que eu escrevo hoje, mas sua fórmula modernista de humor, versos livres e algumas poesias curtas foi elevada a décima potência pelo samurai alcoólatra Paulo Leminski. O poeta paranaense era um roqueiro underground fazendo haicais que te faziam querer ser (sem vergonha) poeta.

5)”Misto Quente“, Charles Bukowski


Falar da importância deste livro sobre a infância escrito por Bukowski me tomaria dez páginas. Ele causou pra mim o impacto que “O apanhador no campo de centeio” causa na maioria das pessoas, mudou meu jeito de escrever, me ajudou a superar os complexos de uma adolescência loser e me apresentou a um dos autores dos quais eu mais devorei livros. Perto da influência causada por estas centenas de páginas, só o impacto de ter descoberto o punk rock.

 

 

 

 

6)”Trópico de Câncer”, Henry Miller
Henry Miller foi uma evolução natural depois de descobrir Bukowski, uma versão mais intelectualizada e filosófica das obras carregadas de sexo e bebedeira do velho tarado. Miller me abriu as portas para Anaïs Nin, para redescobrir Nietzsche e para reforçar a insatisfação com a vida cotidiana.

 

 

 

7)”O Poder do Mito”, Joseph Campbell

Cada livro presente nesta lista é como uma árvore em cujos galhos amadurecem os importantes frutos dessa leitura seminal. Essa longa entrevista em que o antropólogo Joseph Campbell explica as bases da sua teoria foi quem abriu minhas portas para Jung, Freud e a volta das leituras teóricas. Um livro básico e que me instigou muito na faculdade.


 

 

 

 

8)”Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas”, Robert M. Pirsig
Filosofia pop da melhor qualidade, “Zen … ” dialoga com clássicos da filosofia oriental e ocidental em meio a uma viagem de moto pelos Estados Unidos e foi best seller entre os adeptos da contracultura. Foi ele quem me empurrou para a leitura de “A Arte Cavalheiresca do Arqueiro Zen” e para uma busca maior da integração entre a racionalidade e o que chamamos de… espiritualidade. (Ok, foi admitir isso, tá?)

 


 

 

 

9) “Folhas de Relva”, Walt Whitman

Anos depois de me impressionar com “O Uivo” de Allen Ginsberg (minha porta para os beats), pude encontrar na poesia de Whitman a fonte de todos os escritores que tanto admirava. Versos livres, viris e vigorosos pregando a igualdade, a liberdade e a sexualidade. Referências ao pensamento oriental mescladas ao ritmo moderno das ruas. Item fundamental não só para quem quiser entender de poesia, mas para quem quiser entender da vida.

 

 

 

 

 

 

10) “Grande Sertão: Veredas”, Guimarães Rosa
A primeira vez que fui tentar ler “Grande Sertão”, eu – moleque metido de 11 anos – não consegui sair da primeira página. A linguagem rebuscada misturava sotaque sertanejo, com palavras nunca ouvidas e erudição homérica. Reencontrei-me com este calhamaço de mais de 600 páginas ano passado, empolgado pelo entusiasmo do meu pai ao falar sobre “um dos livros que mudou sua vida”. Embrenhar-se por esse sertão é um presente para os sentidos e uma experiência literária única.

 

 

 

 

 

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“Viagem ao fim da noite” – Louis-Ferdinand Céline

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Pessimista. Futuro colaboracionista do nazismo. Ácido. Dono de uma escrita crua e erudita ao mesmo tempo. Essa, carregada de neologismo, gírias, palavrões e exclamações em excesso jogadas ali, no meio das palavras. Assim é Céline e assim se desenrola “Viagem ao fim da noite“, seu primeiro e cáustico romance lançado em 1932. Influência seminal de Bukowski, dos beats e, principalmente, de Henry Miller – que rescreveu “Trópico de Câncer” após ler a “Viagem”, Céline inaugura uma nova fase na literatura mundial, dando voz às massas pobres – sem idealizá-las – e escrevendo de uma forma extremamente autobiográfica.
“Quase todos os desejos do pobre são punidos com prisão.”

“Os pobres são privilegiados. A miséria é gigantesca, utiliza para limpar as misérias do mundo a sua cara, como um pano de chão.”

Céline: celebrado pela esquerda no começo de carreira, acabou virando simpatizante dos nazistas

Seu alter-ego, Ferndinand Bardamu, também luta na Primeira Guerra Mundial, vai trabalhar em plantações na África colonial, mora nos EUA e depois – médico formado – clinica nos subúrbios da França. Numa versão mais trágica da vida do autor, Bardamu é medíocre, perde pacientes para as moléstias, vive sem dinheiro, não conhece o amor – só guardando sentimentos carinhosos para a americana Molly e algumas crianças que aparecem no livro.

“Nunca estamos muito pesarosos que um adulto se vá, é sempre um pulha a menos na face da terra, é o que pensamos, ao passo que uma criança é, afinal, mais incerto. Há o futuro.”

Seu companheiro de viagem ao fim da noite é Robinson, trapaceiro que se envolverá até no assassinato de uma senhora, crime muito mais perverso e menos sofrido que o de Raslkolnikov, em “Crime e Castigo”. Robinson e Bardamu fazem dos protagonistas de “On The Road” heróis cheios de glamour. Dão caráter a Macunaíma, o herói que não tinha nenhum. O absurdo da guerra que Hemingway retrata em “Adeus às armas” nunca foi tão nonsense como no começo de “Viagem…” – quando o quase anarquista Bardamu se alista sem nenhum motivo em especial. O retrato da exploração colonial de “Coração das Trevas” de Conrad, parece lírico diante do cinismo e crueza com que Céline descreve o preconceito, a escravidão e o comércio entre brancos e negros. Cada palavra escrita por Céline é uma arma; uma pílula de revolta, ódio e horror.

“Os ricos não precisam matar uns aos outros para comer”.

A de se destacar que este francês está no seleto rol de escritores que realmente inventaram uma linguagem própria. Sua prosa – mesmo traduzida – soa como um dialeto particular, uma tentativa de reproduzir a oralidade e o fluxo de consciência, sem perder a erudição. Um Guimarães Rosa dos becos. O romance explicita o absurdo do imperialismo, do taylorismo e da guerra, sem propor grandes mudanças, saídas ou esperanças. Talvez seja por isso que, para desilusão da esquerda que aclamou seus dois primeiros romances, Céline tenha se tornado colaborador do nazismo na ditadura de Vichy. Sua crítica, ódio incurável e insatisfação niilista o levariam de encontro às soluções populistas de Hitler.

“É triste as pessoas se deitando, a gente percebe muito bem que não ligam a mínima se as coisas andam como gostariam, a gente vê muito bem que não tentam compreender o porquê de estarmos aqui.”

“Quando não se tem imaginação, morrer não é nada; quando se tem, morrer é demais. É essa minha opinião”.

“Nós dois não chorávamos. Não tínhamos nenhum lugar onde pegar lágrimas”.

Outros malditos que a gente adora:

-Henry Miller e o sexo como razão de viver
-Bukowski: o genial bêbado brigão
-Leia algumas poesias marginais

Frases

-Leia frases punks aqui!

Uma das palavras mais procuradas nesse brog é “frases“. Atendendo o desejo do internauta, copio aqui as melhores frases que eu e Thiago Montanari, tínhamos coletado pro zine Kaos.  Ao longo do tempo vou atualizando com conteúdo novo..

 

Antigo logo do site Punk Brega criado pelo André HP

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“Só se morre à toa quando é de fome. De bala não.” do filme “Os Fuzis” de Ruy Guerra.

“Eu cheguei aonde cheguei porque tudo que planejei deu errado”, Rubem Alves.

“Eu quero fazer esse mundo bom, não apenas melhor. Bom!”, Isabel Allende, escritora

“(…) como acontece para qualquer um, num certo instante, não querer trocar de lugar com rei ou rainha nenhuns de reino nenhum do planeta.” Valter Hugo Mãe, O filho de mil homens.

“Deve nutrir-se carinho por um sofrimento sobre o qual se soube construir a felicidade, (…)” Valter Hugo Mãe, O filho de mil homens.

“Os filhos, pensava ele, são modos de estender o corpo e aquilo a que se vai chamando alma”. Valter Hugo Mãe, O filho de mil homens.

“Quase todos os desejos do pobre são punidos com prisão.” Céline, Viagem ao fim da noite.

“Os bares estão cheios de almas tão vazias.” Criolo

“Não se lamente. Organize-se”. John Hill, militante anarquista – pouco antes de ser fuzilado

Abraços são impotentes“. Daniel Galera, Mãos de Cavalo

“Qualquer homem vivo é melhor que qualquer homem morto”. William Faulkner, O Som e a Fúria

“O dinheiro é um bom servo, mas um péssimo senhor”. Francis Bacon

“(…) a força moral de um único homem que insiste em ser livre é maior do que a de uma multidão de escravos silenciosos.” George Woodcock.

” Os livros não precisam ser proibidos pela polícia: os preços já os proíbem.”, Eduardo Galeano.

“Os que fazem da objetividade uma religião, mentem. Eles não querem ser objetivos, mentira: querem ser objetos, para salvar-se da dor humana”. José Coronel Urtecho, citado por Eduardo Galeano em O Livro dos Abraços

“Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura”. Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas

“Não toque o que o público quer. Toque o que você quer e deixe o público chegar lá”. Thelonius Monk, músico de jazz.

“Ele, casualmente, conferiu-me a liberdade de quem não se sente só.” F. Scott Fitzgerald, O Grande Gatsby

“Mais honra meu estilo quem aprende a destruir o mestre”. Walt Whitman, Folhas de Relva

“Se as portas da percepção estivessem limpas, tudo apareceria ao homem como é, infinito.” William Blake, Uma Visão Memorável

“Somente o tempo é capaz de mostrar um homem honesto, enquanto basta um dia para desmascarar um traidor”. Sófocles, em Édipo Rei

“É tão fácil ser poeta, e tão difícil ser um homem”.
Charles Bukowski.

“Tudo que peço da vida é um punhado de livros, um punhado de sonhos e um punhado de vulvas”.
Henry Miller, Trópico de Câncer.

“Até as piores pessoas praticam ao menos uma boa ação na vida. Hitler suicidou-se.”
Manuel Lachtermacher

“O pior inimigo do cinema é a indústria”
Jean Renoir.

“Quem não quer matar seu pai?”
Dostoiéviski, Os irmãos Karamazov.

“O cinema é o meio mais direto de entrar em competição com Deus.”
Federico Felline

“Se meus filmes não dão lucro, sei que estou fazendo a coisa certa.”
Woody Allen

“Um artista está sempre sozinho, se é artista”.
Henry Miller, Trópico de Câncer.

“As convicções são cárceres.”
F. Nietzsche, O Anti-Cristo.

“A mentira é uma verdade que se esqueceu de acontecer.”
Mario Quintana

“Minha mãe não pariu nenhum punk, no entanto aqui estou eu”
Fred 04

“Música não é política, mas traz em si a idéia de liberdade”.
Lou Reed

“Sou um artista assalariado, obrigado a interpretar toda noite uma farsa intelectual sob seus estúpidos narizes”.
Henry Miller, Trópico de Câncer.

“Alguns nascem póstumos”.
F. Nietzsche, O Anti-Cristo.

“Mas há a vida que é para ser intensamente vivida, há o amor.Que tem que ser vivido até a última gota.Sem nenhum medo. Não mata.”
Clarice Lispector

“E bom ter sempre dois advogados á disposição… um pra livrar a gente do outro.”
Alfred E. Neuman.

“Seria responsável somente perante a Deus, se Ele existisse”.
Henry Miller, Trópico de Câncer.

” Eu era como um lixo que atraía moscas, em vez de uma flor desejada por borboletas e abelhas.”
Charles Bukowski, Ham on Rye.

“Nunca me ensinaram a arte da solidão, tive de aprendê-la sozinho. Ela se tornou tão necessária para mim quanto Beatles, tanto quanto beijos na nuca e carinho”.
Intimidade, de Hanif Kureishi

“Éramos uma piada, mas as pessoas tinha medo de rir na nossa frente”.
Charles Bukowski, Ham on Rye.

O escritor Charles Bukowski

O escritor Charles Bukowski

“Se uma nação crê que pode ser ignorante e livre, crê no que nunca foi e nunca será… O Povo não pode estar em segurança sem informação. Quando a Imprensa for livre e quando todos os homens souberem ler, tudo será seguro.”
Thomas Jefferson

“A história continua a mesma: quem mais reflete no Brasil, ainda é o espelho.”
Claúdio Parreira

“O que os presidentes não fazem com suas esposas acabam fazendo com o país.”
Mel Brooks.

“Eu sou completamente contra as drogas, por isso eu não
assisto nem ao SBT, Globo ou Record”
Marcelo Nova.

“Só ha dois fatos irreversíveis no mundo contemporâneo:
A morte e a mediocridade. Com a clonagem só restará a
mediocridade. ”
Marcelo Nova.

“De cem favoritos dos reis, 95 morrem enforcados.”
Napoleão Bonaparte.

“Minha visão política é a visão dos cronistas. Se ele estiverem errados, eu tô fodido.”
Mauro Rasi.

“Todos dançam ou ninguém dança.”
Slogan dos Tupamaros.

“O Capitalismo roubou minha virgindade.”
International Noise Conspiracy.

“Um instante de pânico converte mais gente que muitas horas de pregação.”
Marcelo Lopes.

“Só sei que nada sei.”
Sócrates

“Soltar bombas para tentar manter a paz é o mesmo que fazer sexo pra tentar manter a virgindade.”
Professora de Sociologia da UNESP.

“O mais rico é quem se contenta com o mínimo.”
Sócrates

“Nunca tive problemas com drogas. Só com a polícia.”
Keith Richards

– As melhores frases do Tim Maia
-Frases do Bukowski
-Frases do filme “Tropa de Elite”

“A Liberdade é um bem tão apreciado que cada qual quer ser dono até da alheia.”
Montesquieu

“Você faz suas escolhas e suas escolhas fazem você.”
Steve Beckman

“A doença grave do Brasil é social, não econômica.”
Celso Furtado, em entrevista a Revista Caros Amigos.

“O Problema dos juros é que eles só caem quando a gente não consegue mais se levantar.”
José Carlos Aragão

“Poderia ser pior. Em vez de dupla, quarteto sertanejo.”
José Teles

“As mulheres jamais serão iguais aos homens. Serão sempre mais gostosas.”
José Teles

“Brasileiro pelado não é exibicionismo – é a situação.”
Syvio Abreu

“Se você acha que a educação custa caro, tente a ignorância.”
Berek Bok

Uma única ação é melhor que mil suspiros.
Rabino Shalom Dov Ber

“Fome e guerra não obedecem a qualquer lei natural – são criações humanas.”
Josué de Castro, médico e geógrafo, fundador da FAO.

“O Brasil está condenado a eleger José Serra ou a mergulhar no caos.”
George Soros, megaespeculador.

publicado originalmente em 30/04/2008

“The Man With Beautiful Eyes” – Charles Bukowski

Originalmente publicado no blog Clube de Ideias, um espaço para novos artistas cuspirem suas pretensões.

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Um belo poema de Charles Bukowski transformado em animação por Jonathan Hodgson

Dica do Gabriel Gianordoli.

Não sabe quem é o Bukowski? Descubra aqui!

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