Indião do Hino Mortal cantando “Desequilibrio” com o Restos de Nada

 

Indião e sua banda o Hino Mortal

Indião e sua banda o Hino Mortal

Antes mesmo dos brasileiros descobrirem exatamente o que era punk rock, Indião já estava fazendo o único show da banda de pré-hardcore N.A.I. (Nós Acorrentados no Inferno), em 1979. Logo depois, ele integrou o Condutores de Cadáver que acabou em 1981, quando Índio seguiu para o “Hino Mortal” do clássico “Câncer”, regravado pelo Ratos de Porão no disco “Feijoada Acidente? – Brasil”? Assista as ideias do cara e ouça ele cantando “Desequilíbrio” nos vídeos abaixo.

Indião cantando “Desequilíbrio” com o Restos de Nada

Entrevista com Índio do Hino Mortal – Primeira parte

Entrevista com Índio do Hino Mortal – Primeira parte

Documentário “Punks”, de 1983, conta o começo do movimento que originou bandas como Ratos de Porão e Inocentes. Assista!

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As integrantes da banda punk feminina “Golpe de Estado”

O punk rock começou a dar as caras no Brasil no final dos anos 70, principalmente em São Paulo (com várias gangues punks inspiradas no filme “Selvagens da Noite” e algumas bandas como Restos de Nadas,  AI-5 e N.A.I) e em Brasília (com bandas como o Aborto Elétrico). A coisa explodiu de fato nos anos 1980, especialmente na capital paulista e no ABC, com bandas como Ratos de Porão, Cólera, Olho Seco, Garotos Podres e Inocentes e culminou no grande festival “O Começo do Fim do Mundo” e na repressão policial que se abateu sobre o movimento – além de sua difamação na mídia depois de uma matéria sensacionalista exibida no Fantástico.

O documentário “Punks” – produzido em 1983 e dirigido por Sara Yakami e Alberto Gieco – retrata o movimento entre seu apogeu e sua primeira crise – com entrevistas com futuros famosos (como João Gordo, do Ratos de Porão, e Clemente, dos Inocentes) ainda muito jovens e antes das bandas gravarem seus principais discos. Destaque para cenas num ensaio da banda Fogo Cruzado (tocando “Desemprego”) , numa rara gravação da pioneira banda punk feminina “Golpe de Estado” que contava com Maca no baixo (que canta “Não me importo” com o Ratos de Porão nos discos “Ao vivo no Lira Paulistana” e “Sistemados pelo Crucifa”),  na loja “Punk Rock” do Fabião do Olho Seco e no Largo São Bento (que também seria o berço do hip hop paulista).

Clássico e raro. Assista antes que alguém apague do Youtube!

 

João Gordo, Marina, Mariah e Morto no começo dos anos 80. Fota de Rui Mendes

João Gordo, Marina, Mariah e Morto no começo dos anos 80. Fota de Rui Mendes

 

Documentário “Do underground ao emo” conta a história do hardcore brasileiro dos anos 90

Enquanto o documentário “Hardcore 90 – Uma história oral” não fica pronto, você pode se divertir com “Do underground ao Emo”, dirigido por Daniel Ferro. O documentário retrata a cena do hardcore brasileiro (principalmente melódico) dos anos 90 aos 2000 – finalizando com o apogeu das bandas emo como Fresno e NXZero.

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10 músicas clássicas do rap nacional

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Primeira edição da revista "Pode crê", de 1993, garimpada pelo blog "Olha onde a favela chegou"

 Sim, sim, dava pra fazer umas 3 listas com clássicos do rap nacional. A primeira poderia ser só com  as músicas do começo do movimento, de caras como Athaliba e a Firma, Pepeu e Ndee Naldinho. Outras poderiam trazer as que  fizeram mais sucesso ou com as que foram mais influentes. Eu não pretendo rabiscar nenhuma dessas. A ideia aqui não foi listar as melhores, mas 10 músicas que marcaram época e que são conhecidas(ou deveriam) por todo mundo que curte hip hop. A maioria delas conseguiu ultrapassar a barreira de gêneros e fez sucesso fora do mundo do rap também. Tentei equilibrar aquelas boas pra animar bailes, com outras mais preocupadas em passar uma mensagem.  Foquei no final dos anos 90 porque foi a época em que ouvi mais esse som, e é de lá que vem meu saudosismo com “um tempo bom que não volta nunca mais”.

-Outras listas

Diário de um detento – Racionais Mc’s
“Fim de semana no parque” foi uma das primeiras músicas dos Racionais que ouvi – no rádio mesmo – no meio dos anos 90. Eu era bem moleque e alguns anos depois eles estourariam com “Sobrevivendo no Inferno”. Ouvi esse disco diversas vezes, prestando atenção em cada detalhe das letras. “Diário de um detento” virou, provavelmente a música mais conhecida do rap nacional. Do playboy do colégio ao empacotador do supermercado, todo mundo sabia a letra de cor. Tem outras boas mais antigas(“Mulheres Vulgares”, “Hey Boy”, “Pânico na Zona Sul”), mas poucas marcaram tanto quanto esse relato do cotidiano no Carandiru.

Senhor Tempo Bom – Thaíde e DJ Hum
Muita gente acha que o grande clássico de Thaíde é “Corpo Fechado” que saiu  na coletânea “Hip Hop Cultura de Rua”, de 1988. Ela tem sua importância pioneira,  mas “Senhor tempo bom” se tornou um hino, uma homenagem funkeada aos clássicos black power que acabou se tornando, ela mesma, um clássico, animando bailes por todo o Brasil desde que foi lançada em 1996.


Rap é compromisso
– Sabotage
Infelizmente, Sabotage só lançou um disco em vida. Foi o suficiente para entrar pro pódio do hip hop nacional com uma cadência chapada nas rimas e influências de samba, chorinho e MPB que faziam a diferença em seus raps. Ao lado de “Respeito é pra quem tem” e “Um bom lugar”, “Rap é compromisso” é uma das melhores composições que Sabota deixou antes de ser assassinado.


Fogo na Bomba
– De Menos Crime
“Fogo na Bomba” ultrapassou os limites do rap, virou grito de guerra de maconheiros espalhados por todo Brasil, ganhou espaço em show de rock e foi um dos grandes hits de 1999. Ralando desde 1987 em São Mateus, os manos do De Menos Crime fizeram muita gente que nem curtia hip hop ter o refrão dessa música na ponta da língua. Pra quem gostar vale ouvir “Burguesia” e “A Bola do Mundo”


Tic Tac
– Doctors Mc’s
Tic Tac deve ter sido um dos clipes de rap mais exibidos no extinto Yo!,  da Mtv. Pra mim ela tem um puta gosto de nostalgia. O Doctors normalmente fazia um som mais animado, bom pra galera bater cabeça, mas foi nessa baladinha bem-humorada que os caras conseguiram criar um clássico maior que a própria banda.

Us mano e as mina – Xis
Outro megahit que ultapassou os limites do hip hop, “Us Mano e as mina” tinha a força de um refrão de torcida e fez a galera começar os anos 2000 cantando rap. Xis já estava na correria há anos, tocava a gravadora 4P com KL Jay, tinha passado pelo DMN e gravado “De Esquina”, com Dentinho. Mas foi na simplicidade divertida dessa faixa que ele encontrou o caminho pro sucesso.

O Trem – RZO
O RZO é respeitado por toda sua história, gravou diversas músicas, fez parcerias com artistas que vão de Charlie Brown Jr a Sabotage, passando pelo Instituto. A banda de Pirituba, revelou – também – o talento de Sabotage e Negra Li pro mundo. Mas pra mim, o grande momento dos caras é essa música, presente no disco “Todos são manos”, de 1999.

Cada um por sim – Sistema Negro
O Sistema Negro foi o responsável por colocar Campinas no mapa do rap. Em 1994, “Cada um por si” virou um clássico instântaneo das festas de hip hop – e do já citado Yo!. Diziam que o som dos caras era gangsta, mas as letras eram muito mais retrato e crítica da violência, do que a apologia que os rappers gringos faziam. Faz parte do disco “Ponto de Vista”.

Casa Cheia – Detentos do Rap
Antes de 509-E e outras bandas formadas na cadeia fazerem sucesso, o Detentos do Rap abriu caminho com “Apologia ao crime”, gravado em 1998 na Casa de Detenção de São Paulo. O disco vendeu 30.000 cópias e tornou o refrão “É o Carandiru está de casa cheia/Muito veneno no ar/ e muita droga na veia” um crássico.


De Esquina
– Dentinho e Xis
Em 1997, os rappers Dentinho e Xis(então no DMN) se juntaram pra gravar esse rap que fala sobre a paranoia da cocaína. A faixa foi produzida pelo Thaíde, abriu caminho pra carreira solo de Xis e ganhou até versão samba na voz da cantora Cássia Eller.

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Hardcore 90 – Uma História Oral

-Quer ler mais sobre punk rock?

Descobri, lendo o Zona Punk, um projeto de documentário bem legal que o Marcelo Fonseca está tocando. Trata-se de “Hardcore 90 – Uma história Oral”, que pretende contar a história do hardcore brasileiro nos anos 90(de 1989-2000). É segunda geração do punk tupiniquim, depois que Ratos de Porão e Cia abriram as portas pro estilo a coturnados nos anos 80.

Street Bulldogs - um dos destaques dos anos 90

 

Vivi um pouco dessa época quando estava começando a tocar(tive bandas punk entre 1999-2002, comecei a ouvir o estilo lá por 97). Lembro de baixar músicas do Blind Pigs e Gritos de Ódio na net, assistir um show do Mukeka di Rato em Bauru, e esperar ansioso que meu amigo Marcão trouxesse os últimos discos do Dead Fish, Street Buldogs e Gritando HC direto da Galeria do Rock, em São Paulo. Galeria que pra gente era a Dineylândia punk, o sonho de todo moleque roqueiro que se escondia no meio do mato.

Abaixo separei duas entrevistas feiras pelo Marcelo para o documentário. São de membros de duas bandas que, apesar de bem diferentes, eu ouvi bastante na época. Eles falam sobre os primeiros shows e a Verdurada

Túlio(DFC)

Leonardo Kobbaz (Street Buldogs)

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