A banda Thee Butchers Orchestra fala sobre shows “roubada”, influências roqueiras e a falta de informação da imprensa nacional, em entrevista de 2003

Em 10 de outubro de 2003, os discípulos de Elvis (e estudantes de Jornalismo na Unesp) Renato Bueno, Marcelo “Pirajuí” Daniel e Luiz Galano foram conferir o Thee Butchers Orchestra no Audiogalaxy, em Bauru, e voltaram com essa entrevista para meu extinto zine impresso Kaos e pro site Watchtower, do amigo Eduardo “Lucio” Carli de Moraes. Reproduzo aqui a versão editada do papo com Adriano Cintra, Marco Butcher e Jonas, que foi publicada no Kaos.

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Butchers em Bauru, foto de Renato Bueno

Pirajuí:  Mainstream e alternativo. Como é que é? Vocês chegam a se incluir numa dessas ou vocês não estão nem aí pra essa etiquetas…
MARCO – Não existe isso, mainstream ou alternativo. Se você é independente você é independente, se você é mainstream você é mainstream. Não tem essa. Sei lá, cara, eu sou da opinião que aqui não existe muito essa coisa de independente. Ser independente é uma condição, não é opção. A maioria das pessoas, pelo menos, pensa assim: ser independente quando você não pode mamar na teta, que nem todo mundo. Se você puder, você ah…. então tá, que você é rockstar. Essa não é a nossa.
ADRIANO – Se te pagarem você começa a cantar em português, faz música com samba-rock, rapcore e zabumba.
MARCO – Essa não é a nossa, cara. A gente tem a nossa própria gravadora, a gente mesmo grava os nossos discos, a gente mesmo faz as nossas capas, a gente não depende de ninguém, cara. A gente é totalmente independente mesmo, a gente faz, a gente é uma família, cada um fazendo a sua parte a coisa funciona, sabe? A coisa do passo-a-passo.

Pirajuí – Já que nós tamos na seção de perguntas chatas, né… E a comparação com o Jon Spencer, anda recebendo muito?

MARCO – Cara,eu acho que é interessante porque, assim, meu, apesar de não achar que o som é parecido, prefiro ser comparado ao Jon Spencer do que sei lá, entendeu, cara, Tom Zé ou qualquer porra que o valha.
ADRIANO – Guns n’ Roses.
MARCO – É, Guns n’ Roses. Eu só acho que isso é falta de referência, assim, entendeu? É complicado. Você tem uma escola de bandas que fazem um determinado tipo de som, sei lá, X. Tem as bandas de hardcore que só cantam em francês, tem quinhentas mil. Só que dessas quinhentas mil, uma faz videoclipe, uma aparece. Aí aparece uma outra e essa outra é igual a essa, porque essa aqui é a antena, cara, é a referência.

Pirajuí – … pela obrigatoriedade da crítica tá sempre colocando…

MARCO – Eu acho que as pessoas que falam sobre música deveriam se informar melhor.
JONAS – … tá escrevendo, tem que citar alguém que o povo conheça e fale “ah, tá, então deve ser assim”. Aí eles acham mais fácil, porque o formato de duas guitarras é o mesmo, então eles falam “ah, vamos dizer que é isso, que pelo menos vão falar Jon Spencer eu conheço”.
MARCO – Não adianta ficar aqui, Hound Dog Taylor, que é um blues negro, de 38, o cara tocava duas guitarra, com batera, não vai adiantar picas, ninguém sabe quem é Hound Dog Taylor. Eu sei, você sabe, ele e mais uns dez, entendeu? Então é o caminho mais fácil, sacou? Mas hoje em dia nós não somos mais comparados com eles, nós somos comparados com os White Stripes, que é mais engraçado.

Renato – Não tem baixo já é uma…

MARCO – Pô, The Doors não tinha baixo, Led Zepellin gravou uma porrada de coisa sem baixo…. The Cramps… só foi ter baixo depois de 12 anos de banda…

Pirajuí – Fica aquela mágoa, né? Tem algum sindicato dos baixistas…
MARCO – O Brasil sofre de uma carência de revistas especializadas que possam…
ADRIANO – … de jornalistas, né? … preguiçoso…
MARCO – Porque os caras ganham bem, entendeu? Os caras precisam parar de pegar os discos que eles ganham e trocar por cocaína na galeria e ouvir a porra de fato… antes de sair falando merda.

Pirajuí – E de revista nacional? Já que você citou a questão da imprensa, o que vocês acompanham, do que que vocês gostam?
ADRIANO – Olha, ano passado, teve um jornalista da Folha, chama Thiago Ney. Chamou a gente, falou que ele gostava da gente, que ele queria fazer uma entrevista nossa, ia colocar na capa da Ilustrada. Daí ele levou a gente prum… você (Marco) não foi, era eu e o Rodrigo, o sorveteiro crente. Ele levou a gente prum restaurante mexicano, a gente ficou conversando até quatro horas da manhã, o cara gravou cinco fitas, falou “ah, vai ser ducaralho. Vai sair dia tal”. Aí dia tal a gente comprou o jornal, tinha o quê na capa? Jon Spencer na capa. Tinha o Jon Spencer na capa, com um disco que já tinha lançado fazia um ano, foi o Lucio Ribeiro que assinou. Aí, depois, o cara ligou, falou “não, vai sair depois, mas não vai mais ser capa, vai ser contra-capa”. Falei “ah, beleza, né?”. Fomos lá, num saiu. Daí passou duas semanas, ele ligou falou “vai ser amanhã”. A gente comprou, saiu tipo assim uma notinha, tipo desse tamanho, tipo dentro de uma outra reportagem que falava nem sei o quê.
MARCO – Acho que do Objeto Amarelo…
ADRIANO – É, é, saiu alguma coisa dos independentes, daí a gente foi citado numa matéria do Objeto Amarelo. Daí o cara virou e falou assim “Ah, é que tem uma pessoa lá dentro da ilustrada que boicotou vocês”.
JONAS – Pra imprensa grande assim, de Folha de São Paulo, de jornal, é muito mais fácil falar de bandas gringas e lançamentos da última semana, que ninguém vai ver o show, entendeu?, ninguém vai saber. O cara tem o papel de falar o que tá aparecendo e ninguém vai ver, ninguém vai julgar se ele falou ou não. O cara não tem a manha de ir no show do Butchers… o Lucio Ribeiro ia…

Pirajuí – E grana, Marco, rola?
MARCO – Não… não. Rola o suficiente pra gente fazer a manutenção da banda, assim.

Renato – Se der pra vocês continuarem do jeito que tá: vocês fazendo, fazendo disco, produzindo, tocando, dando pra levar…
MARCO – Claro… eu não sei, eu tô falando por mim…
ADRIANO – Não, lógico! Por mim eu continuo fazendo isso o resto da vida. Entendeu? Porque eu não faço isso pra ganhar dinheiro, eu faço porque eu gosto de fazer.
MARCO – Sei lá, acho que é meio… sacal  você pensar que uma coisa só toma 100% do seu tempo. Acho que você precisa ter tempo pra sair com a sua mina, você precisa ter tempo pra dar um rolê com os seus cachorros, sabe? Acho que o cidadão normal precisa sair na rua sem uma pá de pentelho “aaaiii, ele é lindo!!”…

Marco Butcher tietado por Janis Joplin em Bauru. Foto de Renato Bueno


Renato – Vocês já foram lançados lá fora, em coletânea ou coisa assim?
ADRIANO – A gente tem um EP lançado pela Estrus, o EP tem três músicas, foi lançado o ano passado e e esse ano saiu, por uma gravadora de Detroit, uma versão dos nossos dois primeiros cds copilados num só.
MARCO – Esse ano sai um disco nosso na Argentina, também, a gente saiu numa coletânea em Barcelona, por um selo chamado Butterfly Records, que é especializado em 7 polegadas, só vinilzinho, compactinho… desde a década de 60, super tradicional. Acho que é um dos selos mais antigos da Espanha, assim..
ADRIANO – É, e tem um pirata nosso no Japão. Um dia eu tava andando na Galeria, chegou um japonês assim “ô, você é do Butchers, né?”, eu falei “sou”. “É, meu irmão mora em Nagoya, ele tava lá num clube, tocou uma música de vocês, ele falou que conhecia, foi ver…”. Tinha o nosso primeiro CD, só que com a capa xerocada e tudo escrito em japonês.

Pirajuí – E a pirataria, como vocês encaram? Já emendando com internet..
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MARCO – Eu quero que se foda, eu quero ver minha música rodando.
JONAS – Nossos discos não são caros, entendeu? Se o nego ouviu as músicas, ele gostou, ele vai comprar porque, porra, custa 15 pau a porra do CD. A gente não vai querer arrancar dinheiro de ninguém, vender por 50, fudeu porque… perdeu pro MP3. O cara pode ouvir quanto ele quiser, se ele precisar do cdzinho, quinze mangos ele comprou, acabou, sabe? Mais barato que uma camiseta de surf, sabe?
MARCO – É, mais barato que uma camiseta de surf, cara, nosso CD.

Pirajuí – E da galera que toca, assim, quem são os amigos? Só pra gente contextualizar, assim, quem é a galera que vocês convivem?
MARCO – Cara, todas as bandas… de São Paulo. Forgotten Boys, Borderlinerz, Polara… Cara, a gente já tocou com todo tipo de banda…
ADRIANO – A música que a gente faz não tem um nicho… a gente não é garagem, a gente não é hard rock… A gente foi tocar no Hangar pruns molequinho fã de emocore… foi muito legal. Tocamos pra mil e duzentas pessoas que curtem emo em português, assim… E é legal, aí a gente vai lá e toca pros punks…
MARCO – Cara, acho que foi a sensação mais próxima que eu já tive na minha vida de vislumbrar o que foi ser um Beatle. Quando eu entrei no palco, vi aquele monte de gente muito novinha: “AAAAAAAHHHHHHHHHH!!!!!!” Eu falei “gente do céu! Onde eu vim parar?”. As meninas assim “Ai, depois do show vamos tirar foto junto…”. Legal! Super…

Butchers tocando “Break It” no programa Musikaos (TV Cultura)

Pirajuí – Nunca rolou aquele erro total? Marcaram um show, vocês viram era um churrasco…
ADRIANO – Ontem, por exemplo, teve festa da 89. Pô, “ducaralho”, a 89 chamar uma banda tipo o Butchers pra tocar… Só que era num lugar que tem show do Zeca Pagodinho e do Jair Rodrigues, assim.
MARCO – Não é o tipo de lugar que é usual as pessoas do rock irem.
ADRIANO – Daí o lugar é gigantesco, parece o Olímpia. Mano, a gente tocou um show de merda. Custava vinte reais pra entrar no lugar… Tinha 100 pessoas, mas parecia que tinha 5. Porque era muito grande, assim. Então você olhava o salão, você via assim as pessoas…Todo mundo meio constrangido…
MARCO – Parecia que a festa não tinha começado…
ADRIANO – A gente não tem como virar mainstream. O nosso mainstream é isso aqui (show no Audiogalaxy). Não dá pra abrir o show do Los Hermanos no Palace, sabe?

Pirajuí – No ritmo que tá, então, o Butchers continua ainda por muito tempo?

MARCO – Não sei, cara, essa é uma pergunta impossível de responder. Eu espero que sim. Por enquanto a gente tá ótimo, mas tem que estar assim pra coisa funcionar, entendeu? É diversão mesmo… Tesão. Se um dia isso acabar, acho que a banda, obviamente, vai acabar se desmanchando. Sei lá, agora que a gente tá achando o nosso som, sacou? Essa é que é a real.

Jonas na bateria, Marco coçando o nariz e Adriano Cintra à direita. Foto: Renato Bueno

Pirajuí – E pra terminar, queria que a banda se juntasse pra escolher os cinco mais. Assim, de supetão.
ADRIANO – “Marquee Moon”, do Television. “Diamond Dogs” do David Bowie. Vai, já dei dois…
MARCO – John Lee Hooker, “Back to America”. “All Nights”…. é, como é que é… O primeiro do Ike Turner com a Tina Turner…
ADRIANO – “Stick Fingers”, dos Stones…
MARCO – “Right Now”, do Pussy Galore.
ADRIANO – “Love Corpse”, do Pussy Galore.
MARCO – Puta… o segundo dos MC5… como é que é? “Back in USA”.
JONAS – “Blank Generation”, do Richard Hell. “Express Yourself”, do Charles Wright. Eu tinha pensado em um muito bom…” A Divina Comédia, dos Mutantes”… e eu tinha pensado em um muito bom que tá faltando pra terminar… é “Popular Favourite”, do Oblivians.

Pussy Galore tocando “Dick Johnson” do disco “Right Now”

Samba do Mercado – Letra e história

Pra mim um dos sambas mais simples, modernos e divertidos dos últimos 10 anos foi composto (e se mantém anônimo) pelo Rodrigo Lobo (vulgo Pantera) com ajuda do Danilo Lagoeiro, em Bauru, por volta de 2005. A música fazia parte da extinta banda Cuecas Rosas.

Cuecas Rosas em ação

Exagero pra chamar a atenção – é claro. Mas é um sambinha com letra atual, refrão grudento e sucesso nas rodas da faculdade, que nunca teve uma gravação decente. As duas abaixo são sofríveis, mas é o que temos pra hoje…

Quem quiser fazer uma boa ação, grave esta canção.

Samba do Mercado
Quando eu era pequeno e ia fazer compras
Achava aquilo tudo do caralho
MAs agora nas prateleiras, ao invés de chocolates
Eu encontro os meus colegas de trabalho

Mercado, mercado, mercado eu tenho medo de você
Mercado, mercado, sou um produto bem barato pra vender

Fiquei sabendo de uma vaguinha pra fazer estágio
Com João Bidu, mas não deu em nada
Preciso sair dessa vida, dar uma virada
Deixar de ser um hippie com mesada

Pantera cantando o “Samba do Mercado” em reencontro de Bauru

Cover da música feito pela banda Milhouse

Nação Zumbi: Da lama ao (zine) KAOS, entrevista com a banda em Bauru.

Eu estava no terceiro ano de jornalismo na Unesp-Bauru, e tocava o zine Kaos! com meu irmão. Tínhamos um site(criado pelo Thiago Montanari) e uma edição impressa- ou melhor, xerocada -, que sempre trazia uma entrevista musical nas páginas centrais. Em 2004, a Nação Zumbi veio tocar no Sesc com o dançarino Nelson Triunfo. Eu e o amigo Eduardo Moraes fomos até lá entrevistar os caras. Conseguimos falar com os percussionistas Toca Ogam e Marquinhos, que estavam, digamos, no “caminho do Blunt of Judah”. A entrevista chapada não ficou 100%(tinha um monte de estudante querendo entrevistar os caras pra vários trabalhos e jornaizinhos), mas resolvi ressuscitá-la aqui ao lado de outras entrevistas do KAOS que já republiquei.

***

Toca Ogam no caminho do Blunt of Judah
O dia do trabalhador(01/05) foi comemorado com um dos melhores shows já vistos em Bauru-SP. Dez anos após tocarem no Sesc local pela primeira vez(acompanhando Chico Science), a Nação Zumbi voltou quebrando tudo em uma performance eletrizante. Contaram ainda com a participação especial de um dos primeiros ativistas do hip hop; Nelson Triunfo. Após o show, Fred Di Giacomo e Eduardo Moraes participaram de entrevistas com os artistas, de onde voltaram com hip hop, turnês internacionais e fotos inspiradas de Renato Bueno.

Vamos começar falando da turnê. Onde vocês tocaram no ano passado(2003)?

Marquinhos: A gente saiu do Brasil e tocou num festival conhecido como Omex, tocamos em Sevilha, né, Toca?

Toca Ogam: Sevilha, fizemos Madri também e outras cidades da Europa….

E os discos, foram lançados lá fora?
T.O. :
Sim, o “Rádio S.amb.A.” foi lançado lá, o “Afrociberdelia”…

M:O “Nação Zumbi”…

Como é que o público reage lá?
T.O.: Quando você vai tocar pra gringo, nas 5 primeiras músicas eles começam só a balançar a cabeça, mas depois eles vão se soltando e começam a dançar, gritar. Lá eles fazem muita ligação da gente com o Olodum.

O que você acha do potencial de misturar a música tradicional com a música eletrônica?
T.O.:
Misturar todo mundo mistura, o negócio é misturar e dar um bom gosto. Não pode ficar amargo.

M.:Misturar e criar um som que continue na estrada não é fácil. Cada dia estão surgindo coisas novas, ideias novas. Você tem que ficar ligado. Ouvindo música, lendo muito, pra poder fazer um trabalho legal. O mercado hoje no Brasil é muito difícil.

Vocês têm uma preocupação social nas letras, o que acham da explosão do movimento hip hop, dos Racionais?
T.O.:
Racionais eu acho foda. Eles têm mesmo que falar, é o trabalho deles.

M.: Eles falam das coisas que acontecem realmente na periferia, na cidade. Eu acho isso maravilhoso.

Como está a cena de Recife hoje?
M.:
Rolou o Abril Pro Rock agora, vocês ficaram sabendo, né? Não deu pra gente estar lá, mas sempre têm festivais. A gente mora em Peixinhos e tem um movimento grande lá. A gente faz festa e está sempre movimentando o bairro. A coisa no nordeste está crescendo cada vez mais, estão aparecendo bandas novas.

Tem bandas novas legais?
M.:
Tem alguns caras que a qualidade da música… Não é só fazer música por moda, sabe? Nego vê a gente tocando, fazendo som e trabalhando pelo mundo e acha que vai ser legal fazer isso, mas não é só isso. Tem que ter a vibe, o groove…

T.O.(interrompendo): O comércio da música é muito grande. Hoje qualquer um grava e eu acho que não é por aí. Tem que ter um respeito pra se fazer música. Tem banda que tem um puta bom trabalho, mas não tem condições, que toca com guitarra emprestada. Você tem que ter coragem, encarar, e no final têm 10.000 nego te aplaudindo. Foda-se o resto. Tem várias bandas que vão atrás de rádio, pra que ir na rádio? Deixa a rádio ir até você.

Veja também:
 -10 bandas clássicas do rap nacional
– Entrevista exclusiva com Arnaldo Baptista, o genial líder dos Mutantes

Guido deve morrer: meu filme

Eu tenho um filme guardado na gaveta de casa. Pra quando eu for velhinho escreverem: “aos 20 anos fez um filme com seu irmão, Gabriel Rocha. Uma mistura de Tarantino com Hermes e Renato. ”
É trash mas me enche de orgulho. Cultura Racional, mistério policial, rock ‘n roll, Gabinete do Dr Caligari, tudo filmado com uma câmera high 8 e 50 reais no bolso.

Gioavana Franzolin em cena do filme "Guido deve morrer"

Gioavana Franzolin em cena do filme “Guido deve morrer”

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