“Singin’ Alone”: Disco independente dá graça a tristeza profunda de Arnaldo Baptista

“Não sei se tenho o rei na barriga, mas um frango não faz mal”. Arnaldo Baptista.

Arnaldo Baptista estava numa pior quando gravou o disco “Sigin’ Alone” no final de 1981 e inaugurou as gravações indies no Brasil. Fazia um bom tempo desde que ele tinha lançando o genial “Loki?”, em 1974, mais dois discos com a Patrulha do Espaço no final dos anos 70.  A volta a ativa seria o show “Shining Alone”, organizado com a ajuda de Luis Calanca, da Baratos Afins, que criaria sua gravadora independente só pra lançar o trabalho de Baptista. Os Mutantes e Rita Lee já eram passado e Arnaldo tinha entrado fundo em drogas e depressão. O show deu origem ao disco “Singin’ Alone”, no qual Arnaldo gravou todos os instrumentos. (Como Paul McCartney fez em seus dois primeiros solos). Antes de lançar o disco, nosso anti-herói passou pela famosa (e triste) internação em um hospital psiquiátrico de onde saiu caindo de uma janela do terceiro andar e entrando em coma por três meses.

A obra foi lançada em vinil em 1982 e teve um reedição em cd  nos anos 90 – atualmente fora de catálogo. O disco é bem menos pop que o trabalho com os Mutantes, e segue o tom melancólico de outros solos do artista, em belas músicas como “O Sol” e “I Fell in Love One Day”. Arnaldo faz uso de todos seus trocadilhos geniais para dar graça a dor pulsante. Quer fotografia mais precisa de um gênio sem dinheiro que a frase que abre essa resenha: “Não sei se tenho o rei na barriga, mas um frango não faz mal”?

-Entrevista exclusiva com Arnaldo Baptista sobre “Lóki?” e a tristeza
-Leia resenha do disco publicado no “Mofo”.

Faixa a faixa:
Lado A
01. I Feel In Love One Day
02. O Sol
03. Bomba H Sobre São Paulo
04. Hoje de Manhã Eu Acordei
05. Jesus, Come Back To Earth
06. The Cowboy

Lado B
01. Sitting On The Road Side
02. Ciborg
03. Corta Jaca
04. Coming Through The Waves of Silence
05. Young Blood
06. Train

Arnaldo Baptista – entrevista: líder dos Mutantes fala sobre

-Ouça música da nova fase dos Mutantes


Bilhete do Kurt Cobain pro Arnaldo Baptista, enviado com a entrevista.


Em 2004, eu estava começando no jornal laboratório da Unesp(Contexto), na editoria de cultura. A Dani Lima era minha editora e a gente estava fazendo uma matéria relacionando tristeza e a arte. Pra isso precisávamos entrevistar o Arnaldo Baptista (fundador dos Mutantes) pra falar sobre seu álbum solo “Lóki?”. Consegui achar o cara pelo e-mail, e ele respondeu essa micro-entrevista, do seu jeito “meio desligado”

Ando meio desligado

por Fred Di Giacomo e Renato Bueno

1)Teu disco Lóki está cercado de elementos extra-disco que remetem a isolamento e tristeza (separação dos Mutantes, “conflitos pessoais”…) Mas ali mesmo dá pra perceber que quem canta tudo aquilo parece estar à vontade, parece ter se encontrado. Você o considera um disco triste?
O lado triste revela o “blues”, que consegue um som, só… Será que a tristeza não é de quem ouve???

2) Qual a importância da participação dos antigos parceiros no disco?
A importância foi nula… Eles eram meus parceiros na época, só isso…

3) Nelson Rodrigues disse que, se a vida não impõe sofrimento ao artista, ele deve buscar seu próprio sofrimento. Funciona assim na música? E na pintura?
Na música menos que na pintura.

O músico Arnaldo Baptista, que liderou a banda Mutantes em sua fase mais genial

4)Você chegou a trocar idéias com Kurt Cobain. Pelas letras do Nirvana e muitos comentários sobre o trabalho deles, percebemos uma angústia constante. Que impressão você teve do Kurt como amigo e fã dos Mutantes?
Eu não o conheci pessoalmente, mas gosto dele… Ele é que parece não Kurtiu bem a vida… Segue anexo o bilhete que ele me mandou…(Veja no começo da entrevista)

5)O que você acha do filho de seu ídolo(John Lennon), Sean Lennon, ser seu fã? Como surgiu o contato com ele?
Foi uma maravilha… Ele me convidou para participar do FreeJazz com ele na música “Panis et Circenses”. Com ele eu troquei bastante idéias. Nunca poderia imaginar que o filho do meu ídolo seria meu fã.

6) Quais são seus projetos pro futuro? Música? Literatura? Pintura?
É ser melhor Arnaldo e não exageraldo.. Aguarde novo CD… Breve….

 Arnaldo Baptista e Sean Lennon tocam juntos no Free Jazz Festival:


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