Anjos Tortos

Ontem, enxerguei os olhos da fome e fiquei louco.
Hoje, não vejo o dia, mas assisto em sufoco
O nascimento de tantos anjos tortos,
Que já nascem fadados, doentes ou mortos,
Nascem com a marca da fome talhada em seus rostos,
Só dão às suas mães despesas e desgostos
Só oferecem ao mundo a força anêmica de seus corpos,
Só oferecem as suas verdades aos porcos.

Desenterrei esse poema do meu livro imaginário “Vômito, sangue, lirismo e poemas tortos“, que escrevi entre 1997 e 2005. Foi uma das primeiras poesias razoáveis que fiz, obviamente influenciada por Drummond e sua figura do “anjo torto”.  Eu ainda morava numa quebrada em Penápolis e era um utópico militante anarquista. Apesar do tempo, ainda gosto dele.

Leia também:
-Pirâmide Social
-L.S.D.

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