O incrível encontro de Allen Ginsberg e Jello Biafra

 

Jello Biafra em foto de Allen Ginsberg

Jello Biafra em foto de Allen Ginsberg

O escritor Allen Ginsberg foi uma espécie de embaixador da cultura alternativa mundial. Um dos criadores da literatura beat; Ginsberg foi processado por seu livro “O Uivo”, virou personagem no clássico “On The Road” de Jack Kerouac, montou uma banda de punk rock, virou amigo de Bob Dylan e apoiou o papa do LSD Timothy Leary. O poeta beat também ficou ao lado da banda Dead Kennedys, quando eles foram processados sob a acusação de distribuir pornografia, e tirou essa foto acima do vocalista dos Kennedys, Jello Biafra. Biafra é um dos maiores nomes do punk rock mundial, famoso – também – por ter se candidatado a prefeito de San Francisco com uma plataforma que incluía obrigar os políticos a trabalharem com roupas de palhaço.

Você pode saber mais sobre a amizade do punk e do beat nesse incrível site sobre Allen Ginsberg aqui.

Veja também:

-O pico de Allen Ginsberg com Sid Vicious no inferno

-Mais fotos tiradas por Allen Ginsberg

Jack Kerouack – Galeria de anti-heróis

-Uma imagem fala mais que mil segundas-feiras

Jack Kerouack em foto de Allen Ginsberg

Jack Kerouac (12 de Março de 1922 – 21 de Outubro de 1969), escritor.

Veja também:
-Mulheres inteligentes e sensuais na nossa galeria de musas cerebrais
-Outros anti-heróis do Punk Brega
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O dia em que o poeta beat Allen Ginsberg virou cantor de punk rock

Que o escritor William S. Burroughs era ídolo junkie de metade dos punks 77 eu sabi. Mas, em minha pobre ignorância, nunca tinha ouvido falar que o poeta beat Allen Ginsberg tinha passado alguns anos encantado pelo punk rock, frequentara o CBGB’s e era conhecido do Joe Strummer (The Clash). Descobri no blog bacana Allen Ginsberg Project, que trouxe revelador sobre essa fase hardcore do escritor.  (Que também teve parcerias com Bob Dylan.)

Bom, então esse fica sendo nosso #somdesexta e voltamos semana que vem com mais garimpagem musical.

Veja também:
– Livro “Beat Memories” reúne fotos de escritores beats tiradas por Allen Ginsberg

-Conheça a obra-prima de Allen Ginsberg: “O Uivo”.

punk-rock-StevenTayloriAllenGinsberg

 

Allen Ginsberg – Galeria de anti-heróis

-Uma imagem fala mais que mil segundas-feiras

Na foto: Allen Ginsberg (direita) agarra o namorado Perter Orlovsky

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Allen Ginsberg (1926-1997), poeta e ativista social.

-Mais fotografias da nossa galeria de anti-heróis

“Beat Memories” – Allen Ginsberg

Burroughs e Kerouac trocam ideia no sofá

Toda quinta, selecionamos artistas underground e projetos pulsantes

O poeta Allen Ginsberg tinha o poder de captar imagens fotográficas com palavras. Mas a caneta não foi seu único instrumento artístico. Munido de uma máquina fotográfica ele retratou seus amigos e companheiros de copo e versos, ninguém menos que Burroughs, Jack Kerouac, Neal Cassidy e outros nomes fodas da geração beatnik.

Jack Kerouac em foto que virou capa do livro

-Conheça a obra-prima “O uivo” de Allen Ginsberg

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Neal Cassady posa na frente do cinema com a mulher

O pico de Allen Ginsberg com Sid Vicious no Inferno

(Ficou assim)

O pico de Allen Ginsberg com Sid Vicious no Inferno
Existe coisa mais junkie,
Que poesia beat
E música punk?

(Era assim)
Existe coisa mais junky,
Que música beat
E poesia punk?

sidtoy

 

Fred Di Giacomo é jornalista multimídia e autor dos livros “Canções para ninar adultos” e “Haicais Animais

O Uivo – Allen Ginsberg

Escrevi isso pro site do Eduardo(ECM ou Lúcio), o extinto Watchtower. Tinha lá meus 19 anos, mas ainda concordo:
Sobrevivendo no Inferno.
Resenha do clássico beat “O Uivo e outros poemas” de Allen Ginsberg.

“Eu vi os expoentes da minha geração, destruídos pela loucura, morrendo de fome, histéricos, nus…”.

Willian Borroughs é adorado no rock n’ roll, tomou picos com os punks e gravou uma música com o U2, mas a literatura beatnik se abriu pra mim com “O Uivo e outros poemas”, obra que conquistou milhões de leitores e tornou seu autor mundialmente famoso. Ginsberg pode ter conhecido a aprovação e a popularidade de um autor consagrado, mas nunca deixou de lado seu estilo “pervertido”, seus versos longos, sua acidez que o enquadram na poesia marginal. Homossexual, usuário de drogas, filho de uma comunista com que teve uma relação delicada, o autor escreveu sua obra num período pré-libertação hippie, segunda metade da década de cinqüenta, quando ainda se sentiam os ecos do Macarthismo e toda paranóia da Guerra Fria. Perseguido e processado pela direita puritana americana e sem o apoio dos ortodoxos da esquerda, Ginsberg escrevia tudo em ritmo de fluxo psicológico, versos grandes que eram na verdade um apanhado de versos menores,como se cada uma de suas poesias fosse um conjunto de pequenos poemas representados por cada parágrafo. De um lado há a escrita coloquial, com uso de linguagem crua, referências a órgãos sexuais, sodomia, drogas e muito jazz, do outro as diversas citações de autores e trechos da liturgia hebraica que demonstram a erudição do poeta,ou como Cláudio Willer escreve em sua apresentação, que os beats se tornaram escritores por serem antes de tudo leitores.

“O Uivo” é um grito de derrota, de revolta, um relato autobiográfico de quem passou por internações em hospitais, de quem viu o horror com os olhos. Autobiográficos são todos os poemas do autor como “Kaddish para Naomi Ginsberg”, escrito para sua própria mãe, um longo poema marcado pela dor, onde ele relata sua conturbada relação edipiana, desde os tempos da militância no Partido Comunista, depois enlouquecida e paranóica, entrando e saindo de instituições psiquiátricas(destino repetido pelo filho), até sua morte. Tudo escrito sem pudor, com a caneta espirrando sangue, a ironia impregnando o papel, pintando o irmão, Eugene, como um advogado fracassado, a figura paterna distante, a mãe hora motivo de repúdio, ora de desejo.
Ginsberg foi um autor que aprendeu a escrever, não só com a literatura, mas também com a vida. Escreveu “O Uivo” depois de sair de Nova York, ter conhecido o mundo trabalhando em um navio e ter chegado à Califórnia onde conheceu Ferlinghetti e Gary Snider, entre outros. Foi internado em instituições psiquiátricas, andou com traficantes e junkies pelas ruas dos Estados Unidos. Seus versos têm o lirismo das calçadas sujas, dos becos, as rimas alteradas pelas drogas, os (anti) heróis são seus amigos beats, seu companheiro no hospício Carl Solomon e Neal Cassady, o “NC”, amante de Ginsberg e Kerouac (com quem viveu um triângulo amoroso, envolvendo a mulher do escritor) e morto de overdose.

A poesia anárquica de Ginsberg é revolucionária, sem ser partidária, retrata a morte sem lamentações, como uma superação. O poeta passa por toda realidade como um sobrevivente. A vida é curta e ele a viveu da forma mais intensa, o que importa é o instante, já que como Ginsberg diz “o universo morre conosco”.

Fred Di Giacomo 09/08/03
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