Documentário “AfroPunk” retrata participação dos negros no punk rock

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Apesar do rock n’ roll ter sido criado por negros como Chuck Berry e Little Richards que aceleraram e eletrificaram o blues, aos poucos o gênero foi absorvido pelo mainstream caucasiano ao ponto de ter virado para muitos “coisa de branco”. Negros fazendo rock eram uma “excentricidade”, mesmo com gênios como Jimi Hendrix destoando da fórmula.

Afro-Punk
Quando surgiu nos anos 70, o punk rock – apesar do discurso anti-sistema – era basicamente branco (com uma pequena exceção para Pat Smear do Germs que depois tocou no Foo Fighters e no Nirvana). A coisa mudou (um poquinho) nos anos 80 com a lenda do hardcore Bad Brains, formada completamente por negros, Jean Beauvoir do Plasmatics e D.H. Peligro na batera dos Dead Kennedys.

Assista ao documentário “AfroPunk” completo (sem legendas)

O ótimo documentário “Afro-Punks” (que você pode assistir acima) debate o tema de maneira sensível e crítica. Ele acompanha 4 jovens punks negros e mescla cenas de suas vidas com depoimentos de músicos de grandes bandas (como Dead Kennedys, TV on the Radio, Fishbone,  Cro-Mags, entre outras) e performances ao vivo que vão de Bad Brains aos “novatos” do Cipher. A ideia aqui não é contar uma história “cronológica”, nem mostrar músicos comentando como seus discos foram compostos; o buraco é mais embaixo e o filme acabou se transformando em um movimento “Afro-Punk“, que envolve desde um site legal até um festival anual com bandas que incluem afro-descendentes em seus line ups.

Os punks (e roqueiros negros) do Brasil
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Da esquerda pra direita: Clemente dos Inocentes, Gritando HC, Clemente e Renato Rocha a frente da Legião Urbana

O documentário me fez pensar em como temos proporcionalmente menos negros no punk (e no rock em geral) brasileiro. Nos anos 80 basicamente só os Inocentes (liderados pelo grande Clemente) , o baixista Renato Rocha (do Legião Urbana) e o Crânio (punk e segurança do Madame Satã, que faz uma ponta no filme “Cidade Oculta“).  A partir dos anos 90 a coisa fica um pouco mais plural com bandas como  Gritando H.C. (liderada pelo falecido Donald), Devotos do Ódio (criado em 1988) e Gangrena Gasosa no lado mais punk e  Planet Hemp, Funk Fuckers, Nação Zumbi e O Rappa dando as caras no rock nacional. Sem falar nas bandas que fundiam rap com rock pesado como o Pavilhão 9 e o Câmbio Negro. Vale lembrar, também, que em 1997, Max Cavalera deixou o Sepultura e foi substituído pelo afro-americano Derrick Green, uma grande fã do hardcore do Bad Brains.

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Da esquerda pra direita: Canibal dos Devotos, Derrick Green do Sepultira, B.Negão e o Planet Hemp ainda com Skunk

Talvez, no Brasil, o rock/punk seja menos “branco”. Que vocês acham?

Veja também:

– Assista ao show do Bad Brains no CBGB, em 1982
-Mais um pouco da história dos negros no punk rock

Chester Himes: o pai dos detetives negros mais invocados da literatura

“Não ri pra mim. Eu não sou dentista. Dentista arruma dentes. Eu arrebento dentes”. Grave Digger Jones, personagem criado por Chester Himes

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Poucas vezes eu compro um livro sem ter uma referência. Sem que alguém tenha me indicado, que eu tenha lido uma boa reportagem sobre o autor ou visto um filme legal inspirado nele. Comprei “O Harlem é escuro” do Chester Himes (1909-1984), edição de bolso da L&PM, completamente às cegas. Gostei do título, da capa e da orelha e arrisquei. Isso foi no ano passado. Achei do caralho. Os personagens principais, os detetives Jones Coveiro e Ed Caixão(os nomes em inglês são muito mais legais), são dois policiais negros durões do Harlem que investigam crimes comuns nos Estados Unidos racista dos anos 50 e 60. As histórias fluem no ritmo do Jazz, dos conflitos raciais e do uísque barato. Acabei de ler agora “Um jeito tranqüilo de matar”. Tão bom quanto o anterior. O final é até melhor e tem a gangue com o melhor nome da história “Os Mulçumanos Supermaneiros”.

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Uma história de detetives não mexia tanto comigo desde o clássico “O Falcão Maltês”, de Dashiell Hammet  (um de meus livros favoritos). Algum dia ainda faço uma análise mais demorado dos livros do Himes. Por enquanto, só gostaria de lembrar um pouco da história do escritor: Himes nasceu numa família de classe média negra na época em que os Estados Unidos ainda era separado por leis racistas. Sua vida se desestruturou quando seu irmão sofreu um acidente (que o deixou cego) e os médicos de um hospital de brancos se recusaram a tratá-lo. Depois disso Himes foi expulso da faculdade e preso por assalto. Na cadeia, passou a escrever contos que foram publicados em grandes revistas americanas. Nos anos 50, Himes mudou para França com sua esposa.

É, amigos, esqueçam o Shaft, os agentes mais legais do pedaço são Coffin Ed e Grave Digger Jones. E tenho dito.

PS: Ah, vale lembrar que algumas das histórias de Himes viraram filme, inclusive o “Perigosamente Harlem” com Danny Glover

Cartaz do filme "Perigosamente Harlem"

Cartaz do filme “Perigosamente Harlem”

Veja também:
– “Afro-Punk”: documenta a participação de músicos negros no punk rock

-Conto: Vontade de matar ao som de Count Basie

-Confira o Bad Brains quebrando tudo em Nova York

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