Era uma vez no oeste: a ópera com enredo de western de Sérgio Leone. (E os 5 melhores filmes que vi em DVD)

 

Cartaz brasileiro para o clássico "Era uma vez no Oeste"

Cartaz brasileiro para o clássico “Era uma vez no Oeste”

Final de ano prolífico no quesito filmes de DVD, ai vai minha listinha de melhores filmes que assisti pela primeira vez dm 2007(Não valem os do cinema)

1.Era uma vez no oeste – Sergio Leone
2.A felicidade não se compra – Frank Capra
3.A um passo da eternidade – Fred Zinnemann
4.Noivo neurótico e Noiva Nervosa – Woody Allen
5. Sid e Nancy – Alex Cox

***

Era uma vez no Oeste
Acabei de assistir Era uma vez no oeste. E fiquei de boca aberta. O filme de Sérgio Leone é uma ópera com enredo de western, um épico que reúne diversos mitos do gênero de caubóis num ritmo próprio e com um cinismo ausente nos clássicos de John Wayne e Cia. Um exemplo: Henry Fonda, que sempre vivia mocinhos nos filmes americanos e era um herói dos yankees, vive o vilão da história, um assassino frio que executa uma família inteira. O próprio Fonda ficou preocupado com sua imagem ao fazer esse “son of bitch” como ele diz nos extra do DVD.

As quase três horas de filme fluem de maneira imperceptível, a tensão se mantém durante toda a película desde a primeira e maravilhosa cena: três pistoleiros esperam alguém numa estação de trem aos pedaços. Pouquíssimas falas, closes transformam os rostos dos bandidos(todos atores de westens clássicos) em paisagens que se fundem com o deserto americano(Na verdade a cena foi filmada na Espanha). Cada movimento dos três é mostrado em detalhes construindo com a trilha sonora(composta apenas por ruídos da natureza, sem nenhum instrumento musical) um clima de tensão constante. O trem está atrasado. Quando chega, aparentemente ninguém desce. Os bandidos estão lá em vão. Eles se viram para ir embora, e então o barulho de uma gaita chama sua atenção. É Charles Bronson, um misterioso personagen sem nome, que vai matar os três. E nós estamos apenas nos momentos iniciais.

Seguem-se dezenas de diálogos antológicos, onde cada palavra é milimetricamente esculpida. Não há gordura aqui. Cada movimento, cada sílaba tem um significado. As referências aos velhos westerns são constantes, resultado de um roteiro escrito por cinéfilos como o diretor italiano Bernardo Bertolucci. Mas há sempre um elemento moderno que atualiza as tradições do gênero. A belíssima Claudia Cardinale é a protoganista. Ela é ao mesmo tempo a mãe e a prostituta. Uma mulher bondosa que não hesita em deitar-se com o bandido para salvar sua pele. Além dela, outro personagem central é a ferrovia: o progresso chega ao oeste despertando a cobiça e massacrando famílias de trabalhadores. “Então, você descobriu que não é um homem de negócios, afinal de contas”, pergunta Charles Bronson a Henry Fonda. “Somente um homem” responde Fonda. “Uma raça antiga. Virão outros Mortons(o homem de negócios) e acabarão com ela”.

È ao mesmo tempo uma homenagem e uma crítica, um épico e uma tragédia. Uma grande sinfônia de morte orquestrada ao som da genial trilha de Enio Morricone. Sérgio Leone diz que tentou impor ao filme o ritmo dos últimos suspiros que uma pessoa exala antes de morrer e que todos os personagens, exceto Cláudia Cardinale têm consciência de que não chegarão vivos até o final.

Assista o filme completo (enquanto o Youtube liberar):

3 filmes essenciais: “Ladrões de Bicicleta”, “A felicidade não se compra” e “A General”.

Inspirado pela listinha da Bravo! de “100 filmes essenciais”, passei meu fim de semana chuvoso em Penápolis assistindo alguns clássicos preto e branco do acervo do meu velho pai:

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-A General, Buster Keaton, 1927(EUA).
Buster Keaton ficou por muito tempo na sombra de Charles Chaplin com que o comparavam pelo estilo de humor que faziam nos tempos de cinema mudo. Mas Keaton é diferente, seu humor é mais físico e acrobático(uma espécie de Jackie Chan do começo do século), seus personagens são mais sérios e seu roteiro menos crítico. A General é uma história passada na Guerra Civil americana, em que Keaton é um maquinista Confederado que se mete em uma aventura para resgatar sua locomotiva(A General) e sua amada. As cenas de perseguição envolvendo vários trens impressionam, ainda mais tendo sido gravadas na década de 20.

Ladrões de Bicicleta, Vittorio de Sica, 1948(Itália).
Ambientado na Itália pós-Segunda Guerra Mundial, o filme de Sica mostra um país miserável, onde homens desesperados fazem qualquer coisa por um trabalho ou mesmo um biscate. Antonio precisa de uma bicicleta para conseguir um emprego colando cartazes. Para isso sua mulher(personagem muito mais obstinada que ele, sempre meio apático) vende todo enxoval do casal. Logo na primeira semana o azarado Antonio tem sua bicicleta roubada e saí numa busca desesperada pela cidade acompanhado de seu filho Bruno(o ator mirim Enzo Staiola, grande destaque do filme).

-A felicidade não se compra, Frank Capra, 1946(EUA).
Até hoje “It’s a Wonderful Life” era pra mim o filme que fazia meu pai durão chorar. Assisti esperando algo barra-pesada, mas trata-se de um clássico de natal, com ritmo que envolve o espectador até nos dias hoje narrando a história de George Bailey.(Americano que passou a vida em prol dos outros e afogado em dívidas pensa em se matar.) Não senti nem sinal de nó na garganta até o final que realmente tem um puta impacto emocional

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