Cidade de Deus: Realidade em ritmo de videoclipe.

Publicado em: 24 de Novembro de 2007

(Em 2003, eu tinha 19 anos, estudava jornalismo na Unesp-Bauru e tinha saído pela primeira vez do Brasil. Minha tia tinha me pagado uma viagem de um mês pros States com direito a curso intensivo de inglês. Lá eu me deparei com o fenômeno “City of God”. Alguns meses depois escrevi a resenha abaixo pro meu extinto zine Kaos)

Dois moleques chorando com a mão estendida à espera de um tiro. Seu crime : roubar um frango pra comer. A sentença: um dos dois não vai sair de lá vivo. O carrasco: um garoto pouco mais velho, aspirante a traficante. O cenário: uma ruela estreita da Cidade de Deus, no entanto, podia ser qualquer outro buraco miserável do Brasil, mudam-se os atores e o enredo é o mesmo.

Muito já deve ter sido escrito sobre Cidade de Deus, não só em português, mas em todas as línguas do mundo. Lembro quando estava nos Estados Unidos de ter lido resenhas elogiosas na Rolling Stone e no Washington Post, “City of God” “seria o que Martin Scorcese teria tentado fazer em Gangues de Nova York e não conseguira”. Um misto de Pulp Fiction e Pixote. Um crossover de realidade e videoclipe.

A história todo mundo já sabe, baseada na obra mezzo ficção, mezzo realidade de Paulo Lins, narra a saga da favela Cidade de Deus no Rio de Janeiro de seus início nos anos 60 até o final dos anos 70, contando também a evolução do tráfico de drogas e a trajetória de Buscapé, um garoto que leva “vida de otário” tentando se virar sem entrar pro crime.

Crianças assassinas, jovens estupradas, policiais corruptos, o horror do Conrad, o nível mais baixo de miséria e violência. O que assusta em Cidade de Deus é que tudo ali é real, qualquer um pode trombar com um Zé Pequeno (o traficante sociopata do filme) pela frente, qualquer um pode perder a vida por um motivo idiota. A situação de calamidade não é problema só dos “pobres”. Os ricos são seqüestrados, tem seus filhos , usam drogas ou são assaltados no semáforo. Contratam-se seguranças, blindam-se carros, erguem-se muros. Milhares de dólares gastos à toa, o mal tem que ser cortado pela raiz, apesar de nossa elite burra ignorar, sem justiça social a situação só vai piorar.

“Eu fumo, eu cheiro, já roubei e já matei. Sou homem feito”. Essa é a lei que rege o cotidiano de milhares de jovens brasileiros que se envolvem com o crime por falta de oportunidade. Eu poderia falar aqui das tomadas de câmera, revolucionárias.da forma de narrativa empolgante, do uso de atores amadores, da excelente trilha sonora(uma capítulo à parte que inclui clássicos que vão de Cartola à Carl Douglas, passando por Tim Maia na fase Racional), mas o que vale a pena mesmo no filme é a história. É a chance do povo brasileiro se olhar no espelho.Sejamos sinceros, nosso mundo não é a realidade branca, classe média do Leblon assistida nas novelas da Globo. Somos um povo pobre, favelado,mestiço. Acho muito importante que cada vez mais o negro seja protagonista no cinema nacional. Madame Satã, Cidade de Deus, Carandiru, O Homem que Copiava, cada vez mais o negro consegue espaço nas telas.

Tive a experiência de assistir Cidade de Deus duas vezes no cinema, uma em Bauru, aqui no Brasil, e outra nos EUA. Nos dois lugares o filme foi um sucesso, em Washington a sala estava lotada, as pessoas faziam fila pra assistir City of God. Acho que pra eles tudo aquilo era uma realidade distante, o filme valia como obra de arte. Ai está o mérito de Fernando Meirelles como diretor. Para mim, brasileiro que me criei do lado de uma “quebrada” e tive oportunidade de conhecer um ou outro Buscapé ou Benê, tudo aquilo era um documentário. Fiquei orgulhoso, Cidade de Deus era o filme “que Scorcese não fizera”. E fiquei aliviado por muitos ainda conseguirem sobreviver a tudo seguindo “o caminho do bem” da música de Tim Maia…

Fred Di Giacomo, jornalista e autor do livro de contos “Canções para ninar adultos”. 27/07/03

Assista o traile de Cidade de Deus:

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Cartaz do filme "Cidade de Deus"

4 filmes punk rock

Nesta sexta punk rock. Nossa tv exibe trailers de filmes que viraram referência pro estilo.

 

Guerreiros, venham brincar…

 

Laranja Mecânica

Warriors – Selvagens da Noite

-Mais sobre o filme “The Warriors”

Rock N Roll High School

Sid and Nacy

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-Documentários legais sobre rock ‘n’ roll

Cachalote – Teaser animado da HQ de Daniel Galera e Rafael Coutinho

Teaser animado da fodástica HQ “Cachalote” de Rafael Coutinho e Daniel Galera. Foi o melhor quadrinho que li esse ano, vale muito a pena comprar!

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Machete – Trailer do novo filme sangrento de Robert Rodriguez

Esse trailer novinho e cheio de sangue não pôde pra esperar até sexta pra ser postado

Mano, eu gosto de “Sin City”, “El Mariachi” e “Balada do Pistoleiro”, então eu já esperava alguma coisa boa de um novo filme do Robert Rodriguez, mas esse trailer tá prometendo doses cavalares de sangue e mulheres machonas armadas até os dentes. O Trejo além de ator estrelou um dos jogos mais legais do PS2( Def Jam Fight) e talvez essa seja a chance de Steven Seagal estrelar um filme decente. (Tá “Força em Alerta” era legal).

Achou muito violento? Chora aqui!

-Top 5: Filmes mais violentos da história

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Rita Cadillac – Musas Pin Ups

Rita Cadillac foi uma das pin ups brasileiras mais famosas e menos reconhecidas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Rita Cadillac é a maior pin up do Brasil. Alguém duvida? Mesmo tendo feito carreira em ensaios sensuais, Vera Fisher, Xuxa e Sônia Braga seguiram outras carreiras de sucesso. Feiticeira e Tiazinha não duraram uma década. Algumas vedetes da era do Rádio foram esquecidas, mas, por uma série de motivos, Rita continuou. E sua carreira é relembrada agora no documentário “Rita Cadillac: A Lady do Povo”, de Toni Venturini.

Antes das fotos explícitas e dos filmes pornôs, Cadillac era dançarina, tirava fotos ingenuamente sensuais e estrelava pornochanchadas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cadillac tem uma história muito parecida com a de Bettie Page – maior pin up da história. Adolescentes simples, com um corpo cheio de curvas precoces, as duas foram vítimas de violência sexual ainda jovens. Rita foi violentada pelo próprio marido. Separada e sem dinheiro, utilizou os conhecimentos das aulas de dança para estrelar shows, nos quais aprendeu com a transformista Rogéria os segredos da sensualidade. Do posto de chacrete passou a estampar pôsteres e capas de revista, de onde não saiu até hoje. Deve ser uma das pin ups com mais anos de atividade da história. A sensualidade de Rita, a princípio, era implícita. Fotos eróticas, rebolado de maiô, pornochanchadas. Foi nos anos 2000, da geração de mulheres frutas, que a veterana Lady do Povo teve que se adaptar aos novos tempos de plástico. Siliconada, gravando filmes de sexo explícito, Rita chorou.

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-Musas rock n’ roll
– Pin Ups clássicas em fotos vintage

Trailer: “Rita Cadillac, a Lady do Povo”

No currículo, a musa carrega o título de Rainha do Bumbum(o que no Brasil vale mais que o sobrenome Orleans e Bragança), os filmes “Aluga-se Moças”(assim mesmo com erro de português) “Asa Branca” e “Carandiru”, ensaios para revistas “Status” e “Sexy”, o hit thrash “É bom para o moral” e sucesso em presídios e garimpos. Uma carreira que merece admiração? Bom, merece respeito, e é respeito que a nossa pin up ganha no documentário de Toni Venturini.

>Um Homem de Moral – Trailer

>

Como cinema, “Um Homem de Moral” é um filme feio. Esteticamente sua produção lembra mais um extra de DVD do que um longa-metragem feito para o cinema. Mas a obra tem a vantagem de trazer o compositor e zoólogo Paulo Vanzolini(Nascido em São Paulo, em 25 de Abril de 1924) como (ótimo) personagem. A trilha sonora do documentário também é excelente, com as belas composições do veterano paulista cantadas por Martinho da Vila, Chico Buarque Paulinho da Viola e dezenas de outros artistas, conhecidos ou não.

Vanzolini é ao lado de Andoniran Barbosa um dos compositores mais importantes do samba paulistano. Uma pena que o diretor de “Um Homem de Moral” não explore mais as histórias saborosas que o octagenário conta como um avô que todos gostariam de ter.

Sem dúvida, não é a biografia definitiva do autor de “Ronda” e “Volta por cima”, mas já é uma homenagem merecida a esse homem cuja obra é muito mais conhecida pelo povo do que sua pessoa.

Mas não é assim que tem que ser?

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