Uma pequena história do hip hop brasileiro através de 50 clássicos do estilo

Abaixo preparamos uma playlist com 50 clássicos do rap nacional. Do começo comercial com Miele e Black Juniors, passando pelos pioneirismo festivo de MC Jack, N dee Naldinho e Sampa Crew até encontrar a veia engajada de Thaíde & DJ Hum e Racionais Mc’s que definiram o estilo como conhecemos hoje. A seleção é sentimental e muita coisa boa ficou de fora, mas procuramos registrar a variedade do hip hop brasileiro contada em 50 músicas importantes e influentes.

Assista o documentário “Sabotage Nós” sobre um dos maiores nomes do rap nacional.

Enquanto a gente aguardo o lançamento do documentário “Maestro do Canão”, (que contará a história do grande rapper Sabotage com depoimentos de sua família, parceiros e gente como Mano Brown, Hector Babenco e Beto Brant), já dá pra ir assistindo outro filme sobre o cara chamado “Sabotage Nós”. Essa co-produção da Mtv e da “Guardachuva Produções”, foca na jornada de Sabotage até o lançamento do seu disco “Rap é compromisso”, um clássico do hip hop nacional. O documentário traz depoimentos de parceiros musicais do cantor  como RZO, Rappin Hood e Tejo Damasceno e, também,  de sua família.

Direção: Guilherme Xavier Ribeiro
Produção: Guardachuva Produções, MTV

Sabotage-nós-documentário

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Mano Brown, Racionais Mc’s – Galeria de Anti-Heróis

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Mano Brown, o rapper mais famoso do Brasil

Mano Brown (1970 – ), rapper. Mano Brown ficou famoso como vocalista e letrista do pioneiro grupo de hip-hop Racionais Mc’s. Suas letras falam sobre racismo, violência policial e a vida dos pobres na periferia

Duelo: “Vida louca vida” de Lobão versus “Vida Loka” dos Racionais Mc’s

Lobão x Mano Brown: que ganha esse duelo musical?

Lobão e Mano Brown andaram se estranhando via Twitter. Toda confusão começou com o livro de Lobão “Manifesto do Nada na Terra do Nunca” que gera polêmica defendendo a ditadura, criticando o governo e detonando artistas nacionais – de Racionais Mc’s até Gilberto Gil.

Mano Brown não curtiu muito ser chamado de “braço armado do PT” e partiu pro ataque. Aproveitando toda treta, resolvemos colocar os dois pra brigar musicalmente.

E aí, quem ganha? “Vida Louca  Vida” ou “Vida Loka”.

“Vida Louca Vida”, Lobão

VERSUS

“Vida Loka, parte 1”, Racionais Mc’s

“Vida Loka 2”, Racionais Mc’s

Entrevista com Nelson Triunfo: pioneiro do rap nacional fala sobre educação, Facção Central e literatura marginal

Entrevista realizada originalmente para o Zine Kaos, em 2004, feita quando o ativista do hip hop, b.boy e cantor, Nelson Triunfo, dançou ao lado da Nação Zumbi, em show no dia do trabalhador, no Sesc-Bauru.

***

Neson Triunfo dança break em show da Nação Zumbi, Bauru. Foto: Renato Bueno

1)Qual a importância dos fanzines na cultura hip hop?
Nelson Triunfo
– Ele é importante não só para o hip hop, mas pro rock, pro reggae, pra outras comunidades, outras tribos. Contanto que seja um fanzine que tenha informação e passe a informação correta.

2)O que você acha dessas novas bandas, como Facção Central, que tem uma linguagem mais pesada?

N.T.– Cara, faz parte. Eu particularmente não escuto muito não. Porque eu sou um cara que não gosta da coisa que fala só do pesado, eu já tive vários problemas e isso me lembra algumas coisas que eu não gosto muito. Então eu procuro viver o melhor da vida, eu procuro o lado mais positivo.

3)Qual a diferença do cara que só canta rap e do que atua no movimento hip hop?
N.T.- Cada um faz uma coisa. No caso do meu trabalho eu sou muito ligado ao lado educativo, ao lado cultural. Eu me sinto feliz em poder orientar as pessoas, fazer workshops. Isso é o hip hop. Tem outros que são artistas mesmo, que sobem no palco, e só fazem show e gravam cd pra lá e pra cá. Eu não sou contra eles, até porque trabalhar o social não é só querer fazer. Você tem que ter um preparo sobre isso, porque muitas vezes você querer se meter a fazer esse trabalho, sem ter o know-how, sem ter o conhecimento pode até atrapalhar a pessoa, passando a informação errada.

4)Como é que você enxerga a literatura da periferia, que é uma coisa que vem crescendo muito?
N.T.– Isso é muito bom.Como é que nós vamos educar nossos jovens, se o livro não tem a realidade deles? Porque, então, eles vão numa oficina de hip hop por livre e espontânea vontade, mas não vão à aula. As próprias professoras pra eles às vezes são bruxas. E isso é complicado. Você vê, meu filho tem doze anos e ontem nós fizemos um show aqui, (onde) ele foi o cabeça do show todinho. Tudo isso é interessante pra ele. Ele faz o show como se estivesse jogando vídeo game. A primeira vez que eu pus ele no palco eu quase chorei de emoção. Eu digo: “Meu Deus o que eu to fazendo com ele aí. Ele quer fazer isso, mas não tem responsabilidade, será que ele vai errar?” E ele tava orientando a banda como tocar… Aí, eu fui vendo que pra ele aquilo ali era diversão, né cara?

5)Pra encerrar, o que você achou de ter participado do show com a Nação Zumbi?
N.T.– A Nação quando começou, o Chico Science gostava muito de mim. Ele sabia que eu era de Pernambuco e quando ele era moleque eu já fazia som com James Brown, Toni Tornado e todo mundo que vinha aqui. E lá (em Pernambuco) eles são pessoas que lêem muito. Eu era do interior, né? Com 15 anos, eu sabia falar sobre o mundo. Conhecia os mapas, os rios. Eu sempre fui 1o. da classe, não talvez porque eu era o mais inteligente, mas porque eu estudava. Eu era um “papa-conhecimento”, tinha isso pra mim como um desafio. E até hoje eu leio muito.

***
Reportagem Kaótica: Fred Di Giacomo, ECM e Renato Bueno(foto). 01/05/2004

Confira a performance de Nelson Triunfo no clássico clipe “Senhor Tempo Bom”, de Thaíde e DJ HUm

Confira “Capítulo 4, versículo 3” dos Racionais Mc’s ao vivo no VMB de 1998

Hoje eu acordei saudosista do tempo em que ouvia muito o genial “Sobrevivendo no Inferno” dos Racionais Mc’s, sem dúvida um dos melhores discos já gravados no Brasil. Pra matar as saudades achei esse vídeo dos caras cantando “Capítulo 4, Versículo 3” no VMB de 2008, quando Brown e cia faturaram o prêmio de “Escolha da Audiência”, que na época era o mais cobiçado da premiação da MTV.

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A letra de uma das melhores canções do grupo:

“Capítulo 4, Versículo 3”

“60% dos jovens de periferia sem antecedentes criminais já sofreram violência policial
A cada 4 pessoas mortas pela polícia, 3 são negras
Nas universidades brasileiras apenas 2% dos alunos são negros
A cada 4 horas, um jovem negro morre violentamente em São Paulo”
Aqui quem fala é Primo Preto, mais um sobrevivente

Minha intenção é ruim
Esvazia o lugar
Eu tô em cima eu tô afim
Um, dois pra atirar
Eu sou bem pior do que você tá vendo
O preto aqui não tem dó
É 100% veneno
A primeira faz bum, a segunda faz tá
Eu tenho uma missão e não vou parar
Meu estilo é pesado e faz tremer o chão
Minha palavra vale um tiro e eu tenho muito munição
Na queda ou na ascensão minha atitude vai além
E tenho disposição pro mal e pro bem

Talvez eu seja um sádico
Um anjo
Um mágico
Juiz ou réu
Um bandido do céu
Malandro ou otário
Padre sanguinário
Franco atirador se for necessário
Revolucionário
Insano
Ou marginal
Antigo e moderno
Imortal
Fronteira do céu com o inferno
Astral imprevisível
Como um ataque cardíaco
No verso
Violentamente pacífico
Verídico
Vim pra sabotar seu raciocínio
Vim pra abalar o seu sistema nervoso e sangüíneo
Pra mim ainda é pouco
Brown cachorro louco
Número 1 dia
Terrorista da periferia
Uni-duni-tê
O que eu tenho pra você
Um rap venenoso ou uma rajada de pt
E a profecia se fez como previsto
1 9 9 7 depois de Cristo
A fúria negra ressuscita outra vez
Racionais capítulo 4 – versículo 3

Aleluia…aleluia..racionais no ar, filha da puta, pá, pá, pá

Faz frio em São Paulo
Pra mim tá sempre bom
Eu tô na rua de bombeta e moletom
Dim dim dom
Rap é o som
Que emana no opala marrom
E aí
Chama o Guilherme
Chama o Vander
Chama o Dinho
E o Gui
Marquinho chama o éder, vamo aí
Se os outros manos vem, pela ordem tudo bem
Melhor
Quem é quem no bilhar no dominó

Colô dois manos
Um acenou pra mim
De jaco de cetim
De tênis, calça jeans

Ei Brown, sai fora
Nem vai, nem cola
Não vale a pena dar idéia nesses tipo aí
Ontem à noite eu vi na beira do asfalto
Tragando a morte, soprando a vida pro alto
Ó os cara só a pó, pele o osso
No fundo do poço, mó flagrante no bolso

Veja bem, ninguém é mais que ninguém
Veja bem, veja bem, eles são nosso irmãos também
Mas de cocaína e crack,
Whisky e conhaque
Os manos morrem rapidinho sem lugar de destaque

Mas quem sou eu pra falar
De quem cheira ou quem fuma
Nem dá
Nunca te dei porra nenhuma
Você fuma o que vem
Entope o nariz
Bebe tudo o que vê
Faça o diabo feliz
Você vai terminar tipo o outro mano lá
Que era um preto tipo a
E nem entrava numa
Mó estilo
De calça Calvin Klein
E tênis puma
Um jeito humilde de ser
No trampo e no rolê
Curtia um funk
Jogava uma bola
Buscava a preta dele no portão da escola
Exemplo pra nós, mó moral, mó ibope
Mas começou colar com os branquinhos do shopping
“Aí já era”
Ih mano outra vida, outro pique
Só mina de elite
Balada, vários drink
Puta de butique
Toda aquela porra
Sexo sem limite
Sodoma e gomorra

Faz uns nove anos
Tem uns quinze dias atrás eu vi o mano
Cê tem que vê
Pedindo cigarro pros tiozinho no ponto
Dente tudo zoado
Bolso sem nenhum conto
O cara cheira mal
As tia sente medo
Muito louco de sei lá o quê logo cedo
Agora não oferece mais perigo
Viciado,
Doente,
Fudido:
Inofensivo

Um dia um PM negro veio embaçar
E disse pra eu me pôr no meu lugar
Eu vejo um mano nessas condições: não dá
Será assim que eu deveria estar?
Irmão, o demônio fode tudo ao seu redor
Pelo rádio, jornal, revista e outdoor
Te oferece dinheiro, conversa com calma
Contamina seu caráter, rouba sua alma
Depois te joga na merda sozinho
Transforma um preto tipo A num neguinho
Minha palavra alivia sua dor
Ilumina minha alma
Louvado seja o meu senhor
Que não deixa o mano aqui desandar ah
E nem sentar o dedo em nenhum pilantra
Mas que nenhum filha da puta ignore a minha lei
Racionais capítulo 4 versículo 3

Aleluia…aleluia…racionais no ar filha da puta, pá, pá, pá

Quatro minutos se passaram e ninguém viu
O monstro que nasceu em algum lugar do Brasil
Talvez o mano que trampa de baixo de um carro sujo de óleo
Que enquadra o carro forte na febre com sangue nos olhos
O mano que entrega envelope o dia inteiro no sol
Ou o que vende chocolate de farol em farol
Talvez o cara que defende o pobre no tribunal
Ou que procura vida nova na condicional
Alguém num quarto de madeira lendo à luz de vela
Ouvindo um rádio velho no fundo de uma cela
Ou da família real de negro como eu sou
Um príncipe guerreiro que defende o gol

E eu não mudo mas eu não me iludo
Os mano cu-de-burro têm, eu sei de tudo
Em troca de dinheiro e um carro bom
Tem mano que rebola e usa até batom
Varios patrícios falam merda pra todo mundo rir
Ah ah, pra ver Branquinho aplaudir
É, na sua área tem fulano até pior
Cada um, cada um: você se sente só
Tem mano que te aponta uma pistola e fala sério
Explode sua cara por um toca-fita velho
Click plá plá pláu e acabou
Sem dó e sem dor
Foda-se sua cor
Limpa o sangue com a camisa e manda se fuder
Você sabe por quê? pra onde vai pra quê?
Vai de bar em bar
Esquina em esquina
Pegar 50 conto
Trocar por cocaína

Enfim, o filme acabou pra você
A bala não é de festim
Aqui não tem dublê
Para os manos da Baixada Fluminense à Ceilândia
Eu sei, as ruas não são como a disneylandia
De Guaianazes ao extremo sul de santo amaro
Ser um preto tipo A custa caro
É foda, foda é assistir a propaganda e ver
Não dá pra ter aquilo pra você
Playboy forgado de brinco: cu, trouxa
Roubado dentro do carro na avenida Rebouças
Correntinha das moça
As madame de bolsa
Dinheiro: não tive pai não sou herdeiro
Se eu fosse aquele cara que se humilha no sinal
Por menos de um real
Minha chance era pouca
Mas se eu fosse aquele moleque de tôca
Que engatilha e enfia o cano dentro da sua boca
De quebrada sem roupa, você e sua mina
Um, dois
Nem me viu: já sumi na neblina
Mas não, permaneço vivo
Prossigo a mística
Vinte e sete anos contrariando a estatística
Seu comercial de tv não me engana
Eu não preciso de status nem fama
Seu carro e sua grana já não me seduz
E nem a sua puta de olhos azuis
Eu sou apenas um rapaz latino-americano
Apoiado por mais de 50 mil manos
Efeito colateral que o seu sistema fez
Racionais capítulo 4 versículo 3.

“Cálice” – Criolo

Acho Chico legal, mas não gostava muito de “Cálice”. Agora eu gosto:

Independente de toda discussão sobre o Criolo, acho foda um vídeo cru assim, ter mais de 500.000 visualizações. Prefiro ficar do lado dele.

Veja também:
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-Criolo canta o samba “Linha de Frente” no programa Ensaio

Cálice (letra da versão do Criolo)
Como ir pro trabalho sem levar um tiro
Voltar pra casa sem levar um tiro
Se as três da matina tem alguém que frita
E é capaz de tudo pra manter sua brisa

Os saraus tiveram que invadir os botecos
Pois biblioteca não era lugar de poesia
Biblioteca tinha que ter silêncio,
E uma gente que se acha assim muito sabida

Há preconceito com o nordestino
Há preconceito com o homem negro
Há preconceito com o analfabeto
Mais não há preconceito se um dos três for rico, pai.

A ditadura segue meu amigo Milton
A repressão segue meu amigo Chico
Me chamam Criolo e o meu berço é o rap
Mas não existe fronteira pra minha poesia, pai.

Afasta de mim a biqueira, pai
Afasta de mim as biate, pai
Afasta de mim a coqueine, pai
Pois na quebrada escorre sangue,pai.
Pai
Afasta de mim a biqueira, pai
Afasta de mim as biate, pai
Afasta de mim a coqueine, pai.
Pois na quebrada escorre sangue.

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Criolo toca o samba “Linha de Frente” no programa Ensaio

O “Ensaio” (Tv Cultura) é um dos melhores e mais tradicionais programas musicais da televisão brasileira. Depois de registrar shows e entrevistas de Cartola, Vinícius e praticamente todo mundo que fez alguma coisa legal na música brasileira, chegou a hora dos caras gravarem esse programa com Criolo. “Linha de Frente” é o samba que fecha o hypado disco “Nó da Orelha” do rapper.

-Assita o premiado clipe de “Subiramdoistiozim”
-Outros vídeos legais
-Conheça 5 sons pioneiros do rap nacional

Documentário “American Juggalo” retrata os 4 dias de festados fãs da dupla Insane Clown Posse

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Li no With Lasers que o FBI acaba de decretar que os “Juggalos” tem comportamento de gangue e são uma ameaça.

Vamos lá, que porra é um Juggalo? Bom, são fãs da dupla de hip hop Insane Clown Posse, que se reúnem todo ano por quatro dias num festival conhecido como Gathering of the Juggalos. A primeira vez que li sobre o assunto foi numa matéria da revista Inked. Sean Dunne foi até o festival descobrir quem são esses fãs que se dizem uma família. O o resultado você confere no documentário abaixo.

American Juggalo from Sean Dunne on Vimeo.

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“subirusdoistiozin” – Criolo

No #somdesexta de hoje, Criolo – um cara que eu demorei pra ouvir e só fui dar a devida atenção em setembro deste ano.

Mais vídeos aqui!

Mas vou dizer, vale o hype todo que fizeram em cima. O disco é bem bom e esse clipe ficou de primeira.

Confira novidades diárias no @punk_brega!

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