Chiquinha – Mais vida, menos internet

Agora na nossa seção artística de quinta-feira, você também confere o trabalho de jovens quadrinistas

Uma das poucas mulheres a se destacar nos quadrinhos nacionais, Fabiene Bento, mais conhecida como Chiquinha (Porto Alegre, 1984) publica seus trabalhos na Mad,  na Folhateen e na Sexy Premium. Um de seus hábitos prediletos é escrachar as atitudes dos nossos pobres jovens. Confira mais do trabalho dela aqui!

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ZAP Comix – Robert Crumb, Gilbert Shelton e outros

Capa da coletânea da Zap Comix publicada no Brasil pela Conrad

Ele (Crumb falou com todo mundo , e teve culhões para fazer esse gibis. Reinventou o gibi. Ele tomou isso como outros de sua geração tomaram a música. Existem poucas pessoas que você pode dizer que literalmente se tornaram o ponto de partida para todo um mundo. Crumb teve a grande visão, a visão ardente”. Bill Griffith, colaborador da Zap Comix!

Crumb, nerd responsável pelo caos

Os beats já eram homens maduros quando o Flower Power explodiu no final dos loucos anos 60. Os hippies ainda eram muito ingênuos pra escrever seus livros na mesma época. Enquanto Jimi Hendrix tacava fogo na guitarra, Timothy Leary pregava a expansão da mente através do LSD e Zé Celso revolucionava o teatro no Oficina, quem escrevia a literatura daquela geração desbundada? Os livros eram o registro em papel daqueles ecos lisérgicos?

Não. A literatura não era apenas a poesia dos velhos (e bons) beats. Ela era composta pelas resenhas musicais de caras como Lester Bangs e pelos rabiscos malucos de quadrinistas underground como o gênio Robert Crumb. Crumb era só um desenhista de cartões postais, vindo de uma família desajustada e com gosto por músicas e roupas antigas, quando começou a fazer seus primeiros quadrinhos. Não é o tipo de gente que você imagina que seria chamado para desenhar a clássica capa de “Cheap Thrills” da Janis e que depois se negaria a desenhar uma para os Stones. Mas lá vai nosso nerd, vindo de Cleveland para desenhar sozinho o número zero da Zap Comix. As ruas da Califórnias estavam prontas para aquele petardo? Bom, acontece que o cara que deveria imprimir a ZAP sumiu do mapa com os originais e lá foi Crumb desenhar a edição número 1 inteira, sozinho novamente, e revolucionar a indústria dos quadrinhos. Desde a Mad original não se via tamanha afronta. Sexo, drogas, nonsense, gírias. Tudo fazendo rir. Críticas sociais, morais, e culturais que vinham em formato de humor sacana e barato. Edições tiradas em impressoras off set baratas que estavam revolucionando a indústria. E distribuídas inicialmente no carrinho de bebê da mulher de Crumb.

Começo da polêmica e incestuosa história "Joe Blow"

E outros artistas foram se unindo a Crumb. Cada um representando uma subcultura. Spain Rodriguez (operário membro de uma gnague latina), Rick Griffin (surfista e ilustrador), Robertt Williams (marginalzinho e aspirante a artista), Victor Moscoso (espanhol que já tinha experiência na indústria de HQs), Gilbert Shelton (dividia o tempo entre uma gangue de motoqueiros e uma revista underground), Siclay Wilson (cursava Belas Artes e servia o exército a contragosto). Aos poucos aquela gangue de surfistas, hippies, latinos e freakies ia ligando suas histórias na tomada e eletrocutando os leitores. A Zap não tinha periodicidade fixa, mas vendia surpreendentemente bem. Dizia-se até que ela iria matar Super-Homem e Cia.

Piratas pirados de Siclay Wilson

A coletânea publicada no Brasil pela Conrad reúne 14 números publicados entre 1967 e 1998. É um delicioso aperitivo para quem quer se introduzir no mundo da ZAP. Conta ainda com uma primorosa introdução escrita por Rogério de Campos, o homem por trás da Conrad. E uma experiência inspiradora de produção independente que ajudou a subverter e transformar a indústria que a rodeava.

Capa da Zap Comix número 1

Zap foi o start. Mas a coisa teria acontecido mesmo sem o Crumb, porque todos os artistas underground estavam caminhando nessa direção – Griffin, Mouse, Kelley, eu no sul da Califórnia, Gilbert Shelton. Havia um grande ódio contra a autoridade e o governo, e os quadrinhos eram uma tremenda forma de expressão”, Robert Williams.

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Crumb, Terry Zwigoff

Sexta-feira: trailers, vídeos e besteirol na TV Punk Brega

Uma breve história da América – Trecho do filme “Crumb”

Esqueça a imagem de um hippie doidão chefiando a psicodélica HQ “Zap Comix” nos loucos anos 60. Crumb era um jovem feio e esquisito, espancado pelo pai (que quebrou sua clavícula quando ele era um moleque de 5 anos), criado por uma mãe viciada em anfetaminas e rodeado de dois irmãos malucos – um que se suicidaria um ano depois das gravações do filme e outro pego molestando mulheres asiáticas. Desse ambiente fantasmagórico, que se parece uma versão de comercial de margarina estrelada por zumbis é que sai o gênio dos quadrinhos Robert Crumb. E – supresa geral – um gênio dos quadrinhos de HUMOR.

Sempre me perguntei o que tinha levado o quadrinista a ilustrar o livro póstumo do Bukowski - “O Capitão saiu e os marinheiros tomaram conta do navio”. Depois de ver este documentário não restaram dúvidas. A infância dos dois, tão similar em sua série de desgraças, a arte usada como fuga, a relação complicada com as mulheres e a sensação de impotência diante delas convertida em fantasias de dominação…  A história desses dois perdedores parece uma trágica repetição.

Produzido por David Lynch e dirigido por Terry Zwigoff, “Crumb”, de 1994, detalha a infância e adolescência e escancara as taras sexuais do pai de “Fritz, the Cat” e “Mr Natural”. Sua vida em família é mostrada, suas obras analisadas por críticos e trechos dos quadrinhos expostos. Também são exibidas diversas cenas do processo de trabalho do artista que converteu o “Gênesis” para os quadrinhos.

Reconsidere seu conceito de humor negro ao ver Robert contando aos risos que seu irmão confessou ter se controlado na infância para não lhe enfiar uma faca no coração. (Isso com o irmão chapado de antidepressivos na sua frente.)

-Mais sobre quadrinhos

Milo Manara: Poeta pornógrafo dos quadrinhos eróticos

A mulher representa a estética em sua pureza. A mulher é a representação da beleza universal. Sempre que desenho uma mulher, estou desenhando um arquétipo. O arquétipo do belo, do desejo, do perverso, do pleno. Milo Manara.
Se essa resenha fosse feita pro Form Spring começaria assim:
Milo Manara é um poeta ou pornógrafo?
Sim, mulheres voluptosamente sensuais. Roteiros divertidos que colocam musas em situações fantásticas, atalhos para um mundo louco de prazer. Ou então, roteiros elaborados por parceiros talentosos como Jodorowsky (a sombria série histórica “Bórgia”), Hugo Pratt (“El Gaucho” e “Verão Índio”) e Federico Fellini (“Viagem a Tulum”). Tá, sem enrolação. Poeta ou pornógrafo? Milo Manara (nascido Maurilio Manara em 13/09/1945) é um artista que sempre teve seu trabalho ligado ao erotismo, desde o comecinho com “Genius” de 1969. É um poeta erótico, já que seu trabalho não é feito só pra excitar o leitor, mas pra contar uma história. (Que te excita do mesmo jeito,viu? :-P ) Em entrevista para Rodrigo Fonseca , o artista explica “Eu busco o escândalo sem vulgaridade”. E ataca: “O uso vulgarizado do erotismo pela publicidade me escandaliza. Não consigo aceitar que o sexo possa ser utilizado para vender produtos. Isso é ultrajante.(…) Quando a propaganda segue estratégias narrativas calcadas no erótico, ela resvala no pornográfico. ”
Trechos do sombrio Bórgia - críticas à igreja e ao poder estão incluidas no pacote
Dizer que ele é um mestre da arte erótica é muito mais chato do que qualquer um de seus quadrinhos?
Qualquer análise intelectualóide da obra do italiano vai ser muito mais chata do que folhear um de seus belos álbuns. Para os virgens em Manara, recomenda-se além das obras citadas acima o clássico dividido em 4 partes “Clic” – história de uma espécie de controle remoto que manipula a desejo das mulheres. Para um Manara mais crítico, experimente “Revolução” ataque ao mundo das celebridades e do entretenimento televisivo.

Baixe e leia:

- As Viagens de Tulum

X-Men by Manara                                                                Fellini por Manara

Um pouquinho mais de arte erótica:
-Sexus: Sexo vira literatura de qualidade nas mãos de Henry Miller
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