Uma pequena história do punk rock através de suas músicas clássicas

Quais são as principais bandas do punk rock? Quais as mais influentes? E que músicas dessas bandas viraram hinos? Apaixonado pelo punk desde moleque, resolvi criar uma jornada sentimental pelas dezenas de variantes do estilo, em uma playlist que reúne mais de 150 músicas que vão do proto-punk ao emo, passando pelo hardcore, oi!, skapunk, rrrriot girls, crossover e mais.

Reuni nessa lista bandas dos pais do punk (EUA e Inglaterra), mas também do Japão, Brasil, Finlândia, Austrália, Argentina, Rússia e outras cantos de onde saíram clássicos hinos de 3 acordes. Abaixo a playlist:

Que banda clássica faltou ser incluída na sua opinião?

Wander Wildner: Galeria de Anti-Heróis

Born to be Wild

 

Wander Wildner (1959 – ) é um cantor e compositor gaúcho. Wander ficou famoso por ser o vocalista da banda de punk rock Replicantes, famosa por seu humor ácido em canções como “Surfista Calhorda”, “Nicotina” e “Festa Punk”. Ao sair da banda, Wander criou o estilo punk brega no disco “Baladas Sangrentas”, misturando influências punk rock à violões folk e letras inspiradas no cancioneiro mais popular e romântico. Entre suas músicas solo está o hit “Bebendo Vinho”, regravado pelo Ira!

Indião do Hino Mortal cantando “Desequilibrio” com o Restos de Nada

 

Indião e sua banda o Hino Mortal

Indião e sua banda o Hino Mortal

Antes mesmo dos brasileiros descobrirem exatamente o que era punk rock, Indião já estava fazendo o único show da banda de pré-hardcore N.A.I. (Nós Acorrentados no Inferno), em 1979. Logo depois, ele integrou o Condutores de Cadáver que acabou em 1981, quando Índio seguiu para o “Hino Mortal” do clássico “Câncer”, regravado pelo Ratos de Porão no disco “Feijoada Acidente? – Brasil”? Assista as ideias do cara e ouça ele cantando “Desequilíbrio” nos vídeos abaixo.

Indião cantando “Desequilíbrio” com o Restos de Nada

Entrevista com Índio do Hino Mortal – Primeira parte

Entrevista com Índio do Hino Mortal – Primeira parte

Conheça a arte punk de Winston Smith

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Se você é fã de Green Day já sabe de onde saiu a capa do quarto disco da banda “Insomniac”(foi da ilustra acima, oras…). Mas Winston Smith(1952, codinome retirado do livro “1984”) ficou famoso pela associação com outra grande banda punk, o Dead Kennedys. O artista foi o responsável pelo famoso logo da banda e também pela polêmica capa do EP “In God We Trust Inc.“, que fez o álbum ser chutado da Inglaterra e perseguido nos EUA. Suas colagens retiradas de revistas dos anos 40, 50 e 60 foram publicadas em revistas mainstream e undeground como Wired, Planet Punk, Spin e Playboy.

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originalmente postado 22/07/2010

Aleluia, irmãos! Assista “Jesus Cristo vai voltar” de Wander Wildner e Sangue Sujo

Leia entrevista exclusiva com o pai do punk brega
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Letra:
Jesus Cristo vai voltar.Aleluia!

Em Porto Alegre ele vai morar.Aleluia!

As pessoas vão gostar.Aleluia!

Nossa vida vai melhorar.Aleluia!

Jesus Cristo vai voltar.Aleluia!

Em Porto Alegre ele vai morar.Aleluia!

As pessoas vão gostar.Aleluia!

Nossa vida vai melhorar.Aleluia!

Os cristão pedindo a sua volta esperavam por essa hora

Todos juntos num mutirão pois jesus é a salvação

Todos querem um mundo melhor

Todos querem viver em paz

Agora sim vai ser legal,pq jesus é o canal

Jesus Cristo vai voltar.Aleluia!

Em Porto Alegre ele vai morar.Aleluia!

As pessoas vão gostar.Aleluia!

Nossa vida vai melhorar.Aleluia!

Mas em que bairro Jesus vai ficar?

Em que rua Jesus vai morar?

Na Santa Cecília ou na Conceição?

No Espírito Santo ou na Assunção?

Em que bairro Jesus vai ficar?

Em que rua Jesus vai morar?

Na Santa Cecília ou na Conceição?

No Espírito Santo ou na Assunção?

Todos querem que ele fique na sua rua

Mamãe quer que ele fique lá em casa

Tô achando que isso vai dar uma grande confusão

Mas numa hora dessas cada um é mais cristão

Em que bairro Jesus vai ficar?

Em que rua Jesus vai morar?

Na Santa Cecília ou na Conceição?

No Espírito Santo ou na Assunção?

Mas em que bairro Jesus vai ficar?

Em que rua Jesus vai morar?

Na Santa Cecília ou na conceição?

No Espírito Santo ou na Assunção?

Aleluia!

7 documentários legais sobre rock n’ roll

-Mais artigos interessantes sobre música

A ideia dessa listinha surgiu porque ando interessado em assistir mais coisas legais sobre o velho, sujo e safado rock ‘n’ roll (depois de terminar a caixa de DVDs “Anthology” dos Beatles) e tenho encontrado poucas listinhas na rede. Talvez, essa ajude quem está começando e quem já estiver jogando no very hard pode deixar dicas de filmes legais ai embaixo nos comentários.

1)”No Direction Home”, de Martin Scorcese. Artista: Bob Dylan
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Um dos mais elogiados retratos do poeta-que-eletrificou-o-folk foi filmado pelo diretor de “Taxi Driver” e “Touro Indomável”. Foca no período entre 1961 e 1966, do começo acústico do cantor até sua fase “judas”, quando aderiu a guitarra.

2) “Anthology”, de Bob Smeaton. Artista: The Beatles
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Meio chapa branca, por ter sido produzido pelos Beatles, o documentário reúne Paul, Ringo e George para lembrar o passado, revelar curiosidades e gravar duas músicas novas. Feito originalmente para televisão reúne um impressionante material histórico, inclusive dos tempos em que, no lugar de Ringo, reinava Peter Best.

3) “End Of The Century”, de Jim Fields e Michael Gramaglia. Artista: Ramones.
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“1, 2, 3, 4!” Drogas, michê, brigas por causa de mulher: o caos que era a vida dos Ramones em um documentário cru e direto, como o som do quarteto de Nova York.

4) “Botinada”, de Gastão Moreira. Artista: Punk Rock Nacional.
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Tiozinhos punks relembram como os 3 acordes chegaram ao Brasil no final dos anos 70, os festivais, as tretas, tudo coberto por imagens históricas da época e coberto pelo rock nervoso que se fazia no subúrbio operário tupiniquim.
Assista ao trailer aqui.

5) “Hype”, de Doug Pray Artista: Bandas grunge
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A Seattle prestes a explodir em forma de grunge é mostrada, no documentário de Doug Pray, como um cenário habitada por moleques de camisa xadrez que formariam bandas esquecidas na história e outros moleques de camisa de lenhador que acabariam formando Nirvana, Pearl Jam, Mudhoney e Soundgarden.

6) “Lóki – Arnaldo Baptista”, de Paulo Henrique Fontenelle Artista: Arnaldo Baptista
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Produzido pelo Canal Brasil, o premiado longa procura jogar luz sobre a névoa que envolve a carreira do mutante Arnaldo Baptista. Da cabeça do maior grupo de rock brasileiro, passando pela internação em um hospital psiquiátrico -de onde caiu do oitavo andar – a história cheia de reviravoltas do gênio é mostrada até a reunião dos Mutantes originais.

7) “Guidable – A verdadeira história do Ratos de Porão”, de Fernando Rick e Marcelo Apezzato. Artista: Ratos de Porão
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Fazendo jus à imagem suja e agressiva da banda de João Gordo, “Guidable” não poupa o espectador de cenas de consumo de drogas, nem poupa o RDP de explicar brigas e tensões que fizeram os caras mudarem diversas vezes de formação.

Documentários que o Punk Brega ainda tem quer ver:

-“Gimme Shelter”, sobre os Stones
-“Some Kind of Monster”, sobre o Metallica
-“Shine a Light”, também sobre os Stones
-“A vida até parece uma festa”, sobres os Titãs

E pra quem curte a cena indie brasileira:
– “Música de trabalho”
-“Erga-Te” – Graforréia Xilarmônica

Assista ao clássico “Mucha policía, poca diversión” com a banda espanhola Eskorbuto

A banda punk Eskorbuto

A banda punk Eskorbuto

O Eskorbuto foi uma banda punk formada na região do País Basco, Espanha. A formação clássica do trio, criado nos anos 80, era composta de Iosu Expósito (guitarra e segunda voz), Juanma Suárez (baixo e voz) e Pako Galán (bateria).

Iosu e Juanma morreram em 1992, em decorrência do abuso de drogas. O baterista Pako seguiu com a banda até o final dos anos 90, apesar das críticas dos fãs antigos.

O hino “Mucha policía, poca diversión”, que você assiste abaixo, foi regravado pelos Ratos de Porão em seu disco de covers “Feijoada Acidente? – Internacional”.

O incrível encontro de Allen Ginsberg e Jello Biafra

 

Jello Biafra em foto de Allen Ginsberg

Jello Biafra em foto de Allen Ginsberg

O escritor Allen Ginsberg foi uma espécie de embaixador da cultura alternativa mundial. Um dos criadores da literatura beat; Ginsberg foi processado por seu livro “O Uivo”, virou personagem no clássico “On The Road” de Jack Kerouac, montou uma banda de punk rock, virou amigo de Bob Dylan e apoiou o papa do LSD Timothy Leary. O poeta beat também ficou ao lado da banda Dead Kennedys, quando eles foram processados sob a acusação de distribuir pornografia, e tirou essa foto acima do vocalista dos Kennedys, Jello Biafra. Biafra é um dos maiores nomes do punk rock mundial, famoso – também – por ter se candidatado a prefeito de San Francisco com uma plataforma que incluía obrigar os políticos a trabalharem com roupas de palhaço.

Você pode saber mais sobre a amizade do punk e do beat nesse incrível site sobre Allen Ginsberg aqui.

Veja também:

-O pico de Allen Ginsberg com Sid Vicious no inferno

-Mais fotos tiradas por Allen Ginsberg

Assista ao documentário “Pânico em SP” (1982) primeiro filme sobre o punk rock nacional

Em 1982, o movimento punk paulista estava em seu auge com dezenas de bandas surgindo (entre elas futuros clássicos como Inocentes, Cólera e Olho Seco) e um crescente interesse (e medo) da mídia para entender o que era aquilo. O primeiro documentário sobre o assunto foi produzido como um trabalho de Cinema, na ECA-USP, pelo diretor Cláudio Morelli. Dá para assistir ele abaixo e vale muito a pena. As imagens e depoimentos são históricos e mostram  a repressão policial, as festas em salões e uma banda Inocentes no começo, ainda com Ariel (Restos de Nada, Invasores de Cérebro) nos vocais.

O site Canibal Vegetariano publicou um texto muito legal do Cláudio Morelli explicando o filme. Surrupiei ele aqui pro Punk Brega:

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“Em 1982 eu cursava o 8º semestre do curso de Cinema na ECA (Escola de Comunicações e Artes da USP). Era o último semestre e o grupo tinha direito a dois curtametragens em 35 mm. Ao mesmo tempo, eu tomava contato com o movimento punk através do Marião (Mario Dalcêndio Jr., amigo velho de guerra) que já estava vagando por aquelas searas. A empatia foi imediata e comecei a frequentar os ambientes dos punks (o salão no Pari, a Galeria do Rock, o Largo São Bento, etc).

Devido a tudo isso propus um projeto de documentário ao grupo e ele foi aceito. Optamos pela bitola de 16 mm. Por questões de maior mobilidade e facilidade no manuseio. A ideia era documentar os espaços, a música, as opiniões, o comportamento, a vestimenta, tudo enfim; no entanto eu queria documentar de uma forma que eles mesmos se expressassem, sem interferência da produção. Nada de narrador descrevendo nada, e muito menos uma montagem que pudesse direcionar o espectador a uma opinião, fosse de simpatia ou antipatia. O filme seria como uma colagem, com cenas curtas, um ritmo frenético como a música punk.
 Mas, por que eu simpatizei com os punks logo de cara? Para começar, imediatamente percebi que aquela ideia de punks como vândalos destrutivos não correspondia à realidade. Eles tinham uma ideologia e motivos para a rebeldia.
Estávamos nos estertores da ditadura militar e esses jovens da periferia testemunhavam a repressão aos trabalhadores, que lutavam por salários e, associados aos universitários e à intelectualidade, exigiam liberdade de opinião, de expressão e de manifestação. Além disso, esses mesmos jovens não viam no horizonte nenhuma possibilidade de ascensão social ou desenvolvimento pessoal e material.

Daí a revolta. O símbolo e a ideia de Anarquia tomou conta desses grupos e nada de autoridades, nada de poder, nada de governo (que, obviamente, era o títere da repressão). Agruparam-se então em torno dessas ideias. Óbvio que havia os mais exaltados, que acabavam saindo da linha e cometendo pequenos delitos de violência. Por causa deles, todo o movimento punk era mal visto pela sociedade em geral e, principalmente, pelos encastelados com seus cães-de-guarda.

Mas essa não era a regra. Os punks eram pacíficos, quando muito armavam confusões entre eles mesmos, entre os diversos grupos que compunham o movimento (Carolina, ABC, etc.). Não saíam por aí depredando mansões ou queimando BMW.

 Quanto a drogas, poucos usavam e a mais consumida era cola de sapateiro. Bebiam pinga com groselha. A rebeldia estava nos trajes (pretos, quase sempre), jaqueta de couro paramentadas com adereços característicos de peças de montaria, calça de brim, e, principalmente o coturno. Acho que o coturno era uma forma de se opor à repressão, tomando delas um de seus símbolos. As meninas (que não eram muitas, é verdade) se vestiam praticamente da mesma maneira.
O Alemão era uma exceção; vestia-se sempre com roupas de cores berrantes, com adereços estranhos. Era comum o símbolo da Anarquia ser desenhado nas costas. Às vezes podia-se encontrar uma ou outra suástica, mas tenho certeza que era apenas para chocar as pessoas. É verdade que na época já existiam os skinheads, com suas idiotices repugnantes, que se trajavam como os punks. Também por isso os punks eram associados ao vandalismo, graças aos skins.
 Mas, a coisa que mais me atraía mesmo era a música. A proposta era genial. Na época não havia nada de importante no rock. Tudo tinha virado balada, disco ou então egressos do heavy metal do início da década de 1970 com seus virtuosismos, trajes glamorosos e alienação ideológica. A solução punk para isso foi bem simples: faça você mesmo sua música, basta aprender três acordes, ninguém precisa mais que isso. Uma boa distorção na guitarra, bateria frenética e, principalmente, letras que expressem o que você vive, sua revolta, sua indignação, seu “no future”.
Essa música levava à dança. Uma dança que exorcizava os desejos, uma dança que representava uma luta, com empurrões e chutes cadenciados. Resumindo, tudo isso me encantou, e eu, junto com o Marião, me juntei a eles, começamos a fazer parte deles. Nós frequentavamos o Largo São Bento nos fins-de-semana, ia aos salões e tudo mais.
Foi essa identificação resultou no filme Pânico em SP, cujo nome vem de uma música dos Inocentes. E o filme tentou ser tão punk quanto eles e nós. Para saber mais, assista ao filme. De vez em quando ele roda por aí.”
Claudio Morelli, free-lancer na área de comunicações, roteirista, diretor de fotografia e diretor de trabalhos institucionais.

 

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