“Free Jazz com palavras” – Jademir Rocha & Fred Di Giacomo

Sim, quinta-feira é a ditadura da arte. Quem não gostar será fuzilado por um pelotão de aquarelas!

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Jademir Rocha ganha a vida cuidando de dentes e obturações, mas gosta mesmo – há anos – de pintar e tocar seu sax. Entre desenhos de jazz com grafite, aquarelas e pequenos artesanatos, ele vive em São Paulo em busca de novos discos para sua coleção.

 Inspirado pela série de desenhos de jazz de Jademir, Fred Di Giacomo pediu alguns para ilustrar seu livro ainda imaginário chamado “Bebop Beat”, composto de poemas feitos no calor do momento, seguindo seu fluxo de consciência ao som de Miles Davis e John Coltrane. O primeiro resultado da parceria está aí:

Free Jazz com palavras
Segura só esse solo, sussurrou Ulysses
E se pôs a tocar uma odisséia sonora
Minha mãezinha do céu, Homero é um maestro com as palavras!
Elas voam na estratosfera azul do Harlem, enquanto Têlemaco repete o riff
E Penélope costura notas num bordado de arpejos e beijos
O Cíclope pede um trago a detona o contrabaixo
Eu escuto João Donato, e Posídon é a pedra no meu sapato
Gosto das palavras assim, free jazz e meu fluxo de consciência

O resto é pop.

Fred Di Giacomo mora em Berlim e é autor dos livros “Canções para ninar adultos” e “Haicais Animais. Ele trabalhou por sete anos e meio na Editora Abril como editor-chefe dos sites do Núcleo Jovem e toca na Banda de Bolso.
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Veja também:

– 6 discos para começar a escutar jazz
-“Odisséia”: o clássico que fundou a literatura ocidental

“Fechem os olhos dos jornais”, trecho de Vladimir Maiakóvski

O dia tá #TENSO e a amiga Mariana Nadai me manda essas fotos de mulheres paquistanesas deformadas por homens que as atacaram com ácido. Quem tiver estômago pode conferir outras vítimas dessa prática bizarra

Tamanha violência me faz nunca mais ler uma notícia. Que tristeza é o mundo pra algumas pessoas….

 

“os jornais me espreitam

anunciando minha despedida:

anúncios! eu-havido
em nota funerária= rodapé:

(letras mínimas!)

 

o passamento, passa tempo

os jornais me observam

já na véspera, vespertina

— jamais, nunca, ninguém.

 

morte anunciada nos jornais

o poema antecipa a morte

em suicídio ou despedida

 

“Fechem, fechem os olhos dos jornais!” [*]

 

É no poema que me recolho

encolho

olho

o.

 

Vou ao meu funeral, cantando.

_____

[*] Trecho de “A Mãe e o Crepúsculo Morto pelos Alemães” (1914), de Vladimir Maiakóvski, em tradução de Haroldo de Campos).

 

Abuelita – uma homenagem à minha avó Hermínia

publicado originalmente dia 08/09/2009

Acreditava que minha vózinha
Era um anjo
Gosto de pensar nisso
Porque gente que nem ela: boa
Que ama, cuida e doa
É ruim de ver na vida
Eu acho que voa

Minha avó Hermínia com seus netos em Penápolis, 1988

Uma homenagem de Frico à Vó Hermínia que faleceu no final de 2012. O poema foi retirado de “Menino Uterino e outros poemas da infância” e pelo menos ela leu essas palavras em vida 🙂

Veja também:

 

-Quer comprar meu livro?
-Dos gênios e dos astros eu só compartilho o fracasso
-Conheça o meu primeiro livro
-Curte contos e crônicas? Leia alguns aqui!

 

Gaiola

por Fred Di Giacomo

 

gaiola-foto-fred-giacomo-sevilha

A cada despedaço meu que arrancas
Eu choro mais completo
E só seu cheiro sangra
Próximo e por perto.
O ódio,
o óbvio
o óbito

É saber que a cada rasgo
Que tua língua faz
leva a amar mais

leve querer mais

que minhas asas se quebrem
Pra eu poder entrar quente e
cru
na tua gaiola.

aberta

Veja também:

-Compre meu livro “Canções para ninar adultos”

– Leia mais poesias
-Conheça “Gaiola” da Banda de Bolso 

Dos gênios e dos astros só compartilho o fracasso – Fred Di Giacomo

-Mais poesias

Bukowski bebe no meio de uma entrevista

Bebi tanto quanto Bukowski
Mas não escrevi nada próximo a ele
Carrego o pavor de aviões do Scorsese
Mas isso não me fez filmar como ele
Tive as taras e fetiches de Crumb
Mas nunca desenhei como ele
Tenho o toque e o pânico do Rei
E nunca encantarei como ele

Dos gênios e dos astros
Só compartilho os defeitos e o fracasso
Suas qualidades
Eu passo.

08/2010

Meu plano maquiavélico é transformar o Punk Brega no depósito dos meus rabiscos, contos e poesias. Quem cair aqui por acaso será obrigado a se defrontar com essas porcas linhas. Vou diminuir o ritmo de publicação das matérias, listas e resenhas. Esse poema faz parte do livro que terminei de escrever agora “O melhor de mim mesmo“.

Leia também:
-Dos heróis de hoje
-Insônia

publicado originalmente em 23 de Janeiro de 2011

Dos heróis de hoje

Publicado originalmente em 2 de Agosto de 2010
-Mais dessas poesias azedas, por favor!

Cada geração tem os heróis que lhe apetece, néam?

Você me fez esquecer as pin ups.

Essa foi uma das últimas letras que escrevi pra minha banda de rock. Gosto dela, também,  assim estática na tela do computador.
-Aceita um trago de poesia rock “n” roll?

Bettie Page, a maior pin up da história.

Nem os discos de Bukowski
Nem os livros dos Ramones
Me ensinaram a ser um homem

Nem os tragos do meu pai
Nem as surras de conhaque
Me fizeram ser um homem

Foi você (foi você) que me fez (que me fez)
Esquecer as pin ups

Nem a mais suja da Augusta
Nem a mais santa guerrilheira
Foram mais mulher

Nem o pôster da revista
A enfermeira e a dentista
Foram mais mulher

Foi você (foi você) que me fez (que me fez)
Esquecer as pin ups

Bettie Page e Marilyn Monroe
Luz Del Fuego e Cadillac
Farão uma festa no céu
Uma festa

Enquanto Dita Von Teese
Faz striptease
Equanto Dita Von Teese
Tira a roupa…

-Quer ver mais fotos de pin ups? Clica aqui!

Publicado originalmente dia 20/11/2011

O final clássico da striptease de Dita Von Teese

 

O ombudsman do universo lança as dores do mundo ao mar

Todas as histórias tristes
Que botaram nas minhas costas para carregar
Queria deixar
No mar
E que, como lágrimas de desengano,
Elas passassem também a ser
Oceano

Às vezes choro nos ombros alheios, mas muitas vezes meus ombros pesam, por servirem como Ombudsman do universo. Alivio a tensão neste bloguinho e seus textos chorões e seresteiros. Mais disso no livro ainda não publicado “O Melhor de mim mesmo“.

foto by @freddigiacomo

Veja também:

-Compre meu livro “Canções para ninar adultos”

– Leia mais poesias
-Conheça “Gaiola” da Banda de Bolso 

 

Publicado originalmente em 23 de Outubro de 2011

Desenhar com palavras – Poeminha

-Compre meu livro “Canções para ninar adultos”

Desenhar com as palavras
Quisera eu
Desenhar com as palavras
Num jorro criativo
Da força de um Manara

Quisera eu
pintar com minha guitarra
Como Crumb com nanquim
Mais cruel que Che Guevara

Quisera eu
Ter nascido cigarra
deixar de ser formiga
Pra pintar a nossa saga.

08/2010

Mais um poeminha que quero um dia publicar num livrinho com nome, mas sem editora, chamado “O melhor de mim mesmo”. Sigam-me os bons em @freddigiacomo.

 

Arte do mestre Milo Manara

 

publicado originalmente 4 de Fevereiro de 2012

Pequena (Corpos Entrelaçados)

publicado originalmente 11 de Abril de 2011

Daqui
De perto
Você parece outra
Seu rosto uma nação
Seu olhos prismas
Multicolores
Sua respiração
Um mantra
que me acalma
repetidamente
Em sintonia com
o ritmo deste tambor
… Seu coração

Daqui
De perto
Você parece outra
No breu
Seu contorno fundido
No meu
Silhuetas bailam

Daqui
De perto
Você parece outra
Mais minha
Garota

Cena do filme "Perdas e Danos"

Esse poeminha de amor e sexo foi escrito por Fred Di Giacomo, autor do livro de contos “Canções para ninar adultos”

Veja também:
-Quer comprar meu livro?
-Dos gênios e dos astros eu só compartilho o fracasso
-Conheça o meu primeiro livro
-Curte contos e crônicas? Leia alguns aqui!

 

 

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