O Melhor de Drummond de Andrade – Assista entrevistas e poemas recitados pelo poeta mineiro

Sabadão sempre rola sessão de cinema aqui no Punk Brega. Hoje é dia de assistir uma série de vídeos muito legais do maior anjo torto da poesia, Drummond de Andrade.

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O ombudsman do universo lança as dores do mundo ao mar

Todas as histórias tristes
Que botaram nas minhas costas para carregar
Queria deixar
No mar
E que, como lágrimas de desengano,
Elas passassem também a ser
Oceano

Às vezes choro nos ombros alheios, mas muitas vezes meus ombros pesam, por servirem como Ombudsman do universo. Alivio a tensão neste bloguinho e seus textos chorões e seresteiros. Mais disso no livro ainda não publicado “O Melhor de mim mesmo“.

foto by @freddigiacomo

Pros que dançam em casa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

by @freddigiacomo

Eu celebro Wal Whitman e canto Walt Whitman
Porque cada átomo que pertence a ele, pertence a mim
Eu danço jazz em casa e minha dança é a dança do epilético
É a dança  do maníaco, é a dança do lunático.
Eu consigo ouvir John Coltrane como swing para chacoalhar o
Intelecto
Eu sou Bruce Lee diante do espelho.
E eu danço por cada fio que cai, perco meu cabelo.
Eu danço pelo velho senhor Branco e por Whitman
Eu danço por todos os mortos.
Eu danço por toda má poesia feita com vontade
Danço pelos babacas – Ah! Os babacas merecem o reino dos céus.
Dancem babacas, pois é vosso o reino dos céus.
Eu celebro o vinho a cada passo dado.
E a cada movimento harmônico que meu corpo perfeito dá.
Eu ando nas ruas da Teodoro Sampaio e julgo
Cada homem e cada mulher, tão perfeitos quanto Brad Pitt e
A própria deusa gelada Marilyn Monroe
Eu celebro o milagre caótico que é a vida.
Que somos nós respirando diariamente em nossas sinas.
Lutando para acordar e respirando no dia seguinte e no posterior.
O nordestino vendendo cintos de couro na rua
E o executivo apressado que passa com um terno vagabundo.
Os carros que um dia serão sucata, merecem ser dançados.
A fumaça entra pelas minhas narinas e envenena meus pulmões
O sol faz minha pele coçar, é dia – todos vamos trabalhar.
à noite teremos a dança e o álcool.
Bebem caninha nos botecos, whiskey nos puteiros e vinho nos mosteiros.
Carregam-se camisas com Guevara e o Conselheiro.
Pregam-se os milagres de Macedo, Jesus e Buda.
Pisoteiam as formigas, os besouros e os botões.
O avião barulhento rasga o sossego
Dos iPods que tocam canções de diversão.
Eu danço o cotidiano, danço o homem e a mulher.
Eu celebro um momento. Um segundo único.
Eu assisto o meu mundo e pouco interfiro.
Mas minha dança é minha marca. É meu único registro.

-Sim, quero ler mais dessa poesia estranha!

Pequena (Corpos Entrelaçados)

Daqui
De perto
Você parece outra
Seu rosto uma nação
Seu olhos prismas
Multicolores
Sua respiração
Um mantra
que me acalma
repetidamente
Em sintonia com
o ritmo deste tambor
… Seu coração

Daqui
De perto
Você parece outra
No breu
Seu contorno fundido
No meu
Silhuetas bailam

Daqui
De perto
Você parece outra
Mais minha
Garota

 

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