O que é anarquismo?

Esse artigo foi originalmente postado em 2010
1)Anarquia é bagunça?

 

“Tio, anarquismo não é baderna?”

Bom, na verdade, anarquismo é a corrente de pensamento mais mal explicada da história. Sua origem vem do grego Anarcho que significa “sem governo” e pode tanto batizar movimentos que  queiram eliminar o poder do estado, quanto uma situação ruim em que se fica sem governo. O termo foi usado pejorativamente na época da Revolução Francesa para criticar os mais radicais. Foi em 1840, que o filósofo libertário Joseph-Pierre Proudhon aceitou o “apelido” e o transformou em doutrina. Seu livro “O que é a propriedade?” não hesitava: “A propriedade é roubo”.

2) Anarquismo é comunismo?

 



“Ah, entendi,” – pensa você – “anarquismo é, então, um tipo de cumunismo(sic)?”

Um primo distante nas linhas de pensamento de esquerda, talvez, mas não uma filosofia marxista. Aliás, Bakunim (um dos pensadores anarquistas) rompeu com Marx (pai do comunismo) logo na época da Primeira Internacional, no século XIX. A grande diferença entre os dois é que os comunistas acreditam que antes de todos serem livres de governo precisamos de uma ditadura do proletariado. O problema é que poder vicia tanto quanto pó e jogo de bingo. Então, todas as revoluções que se autoproclamaram comunistas(Cuba, URSS, China, etc.) pararam na fase da ditadura do proletariado e nunca aboliram realmente o estado. Os anarquistas abominam qualquer tipo de governo, mesmo o do proletariado. Como dizia nosso amigo Proudhon: “Quem quer que coloque a mão sobre mim para governar-me é um usurpador e um tirano – eu o declaro meu inimigo”.


3) Anarquia é utopia?
Milicianas na Revolução Espanhola, 1936


“Anarquia é utopia, faça uma todo dia”, gritava a banda punk gaúcha Replicantes. Você pergunta: alguém já colocou o anarquismo na prática ou isso é tudo um grande sonho?

A resposta é: sim, mas por pouco tempo. Na época da Revolução Russa, o exército negro instalou uma organização anarquista na Ucrânia, também conhecido como movimento makhnovista. Depois de vencerem as forças conservadoras, foram massacrados pelas tropas comunistas de Trótski. Na época da Revolução Espanhola (1936-1939), forças anarquistas organizaram as regiões da Catalunha e Aragão, mas foram traídas pelos comunistas de orientação stalinista e vencidas pelas tropas facistas de Franco. Fazendas, comunidades e cidades de organização coletiva e autogeridas já foram criadas em diversos cantos do mundo, inclusive no Brasil.

Por aqui, o anarquismo foi a corrente mais forte entre os sindicalistas nas duas primeiras décadas do século XX, espalhado por imigrantes espanhóis e italianos. Eram os anarquistas os responsáveis pelas primeiras greves em São Paulo. Um anarquista que ficou famoso no Brasil foi o jornalista e tipógrafo Edgard Leuenroth (1881-1968).

 

4) Anarquismo é coisa de velho?
A banda Crass

Kroprotkin, Malatesta, Tolstoi, Max Stirner… Todos nomes que parecem cobertos de pó para o jovem moleque dos anos 2010. Mas o fascínio pela bandeira negra e o A de anarquia continuou vivo nos últimos anos. Renasceu junto com os punks nos anos 70, primeiro como piada marqueteira dos Sex Pistols, e depois levado a sério por bandas com o Crass e o movimento hardcore dos anos 80. Voltou à tona com a geração rebelde pós-muro de Berlim: deu as caras em blogs, coletivos e “Fóruns Sociais Mundiais” da vida. Influenciou até o lado negro da força, que criou o anarcocapitalismo, mais próximo das tradições liberais que do anarquismo clássico. E continua confundindo cabeças, inspirando sonhadores e servindo como uma opção num mundo onde a briga “capitalismo VS comunismo” parece ter perdido o sentido.

Veja também:
-A censura invisível que cala os jornalistas brasileiros

-ELZN e o Zapatismo

-Conheça o punk anarquista da banda Crass

PARA SABER MAIS

Livros
“História das ideias e movimentos anarquistas”, George Woodcock
“O que é comunismo?”, Caio Túlio Costa
“O anarquismo e a democracia burguesa”, vários
“O movimento anarquista em São Paulo(1906-1917)”, Sílvia Ingrid Lang Magnani

Filmes
“Terra e Liberdade”, Ken Loach
“Libertarias”, Vicente Aranda

Cena do filme "Libertarias"

Uma saudade de vô no 9 de julho

Hoje é 9 de julho, aniversário da “Revolução Constitucionalista de 1932”. Meu avô materno era veterano dessa guerra, e suas histórias eram bem quixotescas, pelo que lembro, eles mais fugiam de tiro do que atiravam. Acho engraçado que tendo participado desse “levante paulista” contra o Getúlio, o Dr. Fausto Di Giacomo também contasse histórias em que concluía que Getúlio tinha sido um grande cara, esperto, que ajudava os pobres, etc.

Pelo jeito guerras não fazem muito sentido mesmo. Mesmo pra quem luta nelas.

Colo de vô com minha prima Anninha

>”Zen” e a “Love supreme”

>Estou sumido desse blog aqui porque meu trabalho no Guia do Estudante tem me ocupado muito e meus outros projetos de blogs tem me entretido muito.

Estou lendo “Zen e A Arte da Manutenção de Motocicletas”, de Robert M. Pirsig, achei que era tipo “On The Road”, mas não é. É um “Mundo de Sofia” mais maduro e hippie. É uma viagem pessoal que funde racionalidade, filosofia e orietalismos.

Hoje a Bárbara saiu com a Capricho e eu fiquei em casa, entre outras coisas, lendo. E ouvindo o vini*l do “A Love Supreme” do John Coltrane, que é também uma fusão da arte + o lado técnico de um músico de jazz do quilate de Coltrane + influências orientais. Achei que tinha a ver com a leitura e a mistura me inspirou tanto que resolvi escrever aqui essas linhas.

Capa de “A Love Supreme”

Eu também estou nessa mistura de técnica(no meu caso, procurando ler muito e entender melhor como escrever) + orientalismo(a filosofia e prática da Yoga) e a um pinguinho de arte. E a vontade de por o pé na estrada está forte. Quem sabe a busca não tenha que ser só intelectual e espiritual, mas também física. Andar e pensar faz bem. Viajar refresca a cabeça, traz ideias novas e nos reconecta com nós mesmos.

“Robert M. Pirsig e seu filho”

Talvez seja a hora de quebrar um pouco a matemática do dia-a-dia. Vou voltar a ler o livro. Se achar alguma resposta aviso. A grande novidade é que depois de muita chuva, parece que o arco- íris estão gritando lá fora.

E eu vou sair e dançar.

*Não querendo pagar de tiozão e nem de cult, mais ouvir “A Love Supreme” em vinil é uma experiência MUITO SUPERIOR a ouvi-lo em MP3

>Um dia triste

>Não foi o excesso de trabalho que fez meu dia terminar salgado. Foi uma mensagem de msn, enquanto eu conversava com nosso programador frila ao telefone que me deixou abalado:

“Fred, sabe a Pat? Ela morreu na segunda…”

A Pat era uma menina que eu conheci no Intereunesp, em 2004. A gente conversou lá uns três dias e ficamos num deles. Ela era amiga da Ju Mayan, uma amiga de Bauru. Fazia sociais, mas era tucana. Esquisito, né?

E ela foi a primeira pessoa que eu fiquei, que eu sei que morreu.

Bem estranho. Queria deixar aqui uma homenagem a ela. Só isso.

Boa noite.

>Reinaldo Azevedo na Desciclopédia: É engraçado, pelo menos eu acho.

>
Tudo começou porque fui passar o blog do projeto secreto do Denis Russo(Ex-redator chefe da Superinteressante) para um amigo. Lá estava a notícia de que ele agora tem um blog na Veja. E passando pelo site da Veja é claro que eu não podia deixar de dar uma lidinha no “polêmico” blog do Reinaldo Azevedo.

O mais engraçado é que pesquisando um pouco da história do cara, eu achei esse link da Deciclopéida e comecei a ter ataques de risos sozinho no trabalho.

O lado ruim da piada, é que acho que exageraram em comentários do tipo “ele é chato e gay”. Desde quando ser gay é um problema?

>Diário Catarinense

>”Querido diário”,

Cheguei em Floripa num sábado meio nublado(24/01) depois de 12 horas num ônibus convencional, que me fizeram quase perder o medo de avião. (Medo adquirido depois de uma péssima primeira experiência de viagem, em oito horas rumo aos EUA, com direito a turbulência mega, sensação de queda e meu primo que era, teoricamente, um viajante experiente, acordando desesperado gritando de medo). O taxista era um ex-músico gente fina, com forte sotaque português(na verdade o sotaque dos”manezinhos da ilha” locais), que foi me contando suas histórias de shows e gravações através do longo caminho até o Sambaqui, no norte da cidade. (Observação importante: em Florianópolis tudo é longe e cortado por rodovias, como se fossem várias pequenas cidades com características próprias ligadas por estarem na mesma ilha).

Confesso que minha primeira impressão depois de um trajeto longo o suficiente para dar 40 reais de táxi, foi de que eu estava num vilarejo isolado, sem nenhum dos confortos que um paulista que vive na “capital-londres-brasuca-que-chove-o-dia-todo”, desfruta diariamente. Meu lado hipocondríaco neurótico insistia em perguntar: “se eu tiver um ataque cardíaco, onde se encontra o hospital mais próximo, por favor?”. Mas essa visão logo foi dissipada quando conheci nossa pousada, simples mais confortável, o “Pouso da Poesia”, dirigido por Raul Longo, um jornalista/publicitário aposentado, que herdou do Bukowski o fígado, o rosto e o gosto pelo cigarro(que ele estava tentando largar pela quinta vez). Raul disse que seu passatempo favorito e “contar mentiras para os hóspedes novos”. Falsas ou não, suas histórias são saborosas. Quando ficou sabendo que eu e minha namorida, Bárbara dos Anjos, éramos jornlistas da Editora Abril, ele contou que seu pai era conhecido do velho Victor Civita, quando este ainda editava o Pato Donald no fundo do quintal. E que o próprio Raul tinha perdido o cabaço jornalístico na Editora da arvorezinha verde, escrevendo roteiros das histórias do Mickey e Cia, das fotonovelas da Capricho e encerrando sua passagem por lá na célebre revista Realidade.

Depois da conversa e do café da manhã, nossa amiga Anita veio nos buscar para uma volta no bairro, um pólo gastrônomico da ilha, ainda não devastado pelos turistas, lar de boêmios, intelectuais e artistas. O pai da Anita, Celso Martins, é um jornalista respeitado em Floripa, sempre atrás de pautas sobre a cidade e ecologia, fumando um cigarro atrás do outro, e contando histórias de quando a ilha era o porto mais importante do sul do Brasil.

Depois desse primeiro passeio ainda conhecemos a praia da Daniela, nos entupimos de camarão e cerveja no bar Restinga(o dos bonecos de Boi Mamão) e fomos dormir quebrados com a missão de desbravar mais meia dúzia de praias em nossa curta estada em Santa Catarina.

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