Nas próximas sexta-feiras, esse blog vai deixar sua pose punk de lado e reunir alguns clássicos do brega pros seus jovens internautas.
Depois de lançar seu primeiro sucesso “Eu vou tirar você desse lugar”, Odair José (1948) foi censurado pela explícita canção da pílula e chegou a ser excomungado pela Igreja Católica. Decidido a fazer uma ópera-rock-brega Odair lançou fracasso comercial “O filho de José e Maria” (1977) que trazia flertes com rock progressivo e de garagem.
Odair foi redescoberto nos anos 90, depois do lançamento do clássico livro “Eu não sou cachorro não”, de Paulo César Araújo, e da coletânea “Vou tirar você desse lugar” que reunia Mombojó, Paulo Miklos, mundo livre s/a e outros artistas regravando o mestre. Até o Los Hermanos registrou a clássica música de amor a uma prostituta., dando à Odair José um improvável rótulo de artista CULT.
A cena independente brasileira sofre de Alzheimer. E é triste como ver seus avós esquecerem da família. A quantidade de informação sobre nosso underground na internet é pouca: vários blogs falando do atual sucesso de 15 minutos e raros fragmentos de história das bandas que já acabaram e tiveram alguma relevância.
Estava lembrando hoje do Street Bulldogs. A banda de hardcore melódico foi fundada em Pindamonhangaba (!!!), em 1994. Depois de ser reformulada em 1998 pelo seu vocalista e líder, Leonardo Kobbaz, eles estouraram na Mtv com a música “We Build Our Own Way”, usada numa vinheta do canal contra o preconceito aos portadores de HIV.
Em 2001, os caras lançaram um dos melhores discos da década, “Question Your Truth” com o hitzinho “Red Rose Bouquet” e também “Tarde Demais”, “Remains Clear” e “Call Me At Home”. As guitarras eram trabalhadas em riffs melódicos, os refrões empolgantes e grudentos, as letras misturavam engajamento e lirismo. A arte do cd era impecável, e de bônus você ganhava uma versão de Ramones e outra de Culture Club. É dessa época uma bela performance dos caras no programa Musikaos, da rede Cultura. A banda ainda lançou mais dois discos de estúdio – “Tornado Reaction” e “Unlucky Days” – antes de encerrar as atividades.
Essa entrevista é velha, e Geraldo Vandré não é extamente punk nem brega, mas achei interessante que o cara que ficou marcado como um dos mais engajados da época da ditadura está hoje fazendo música pra Aeronáutica. Ele também nega que era militante e que tenha sido exilado. Se você gosta de música brasileira, vale a pena assistir.
Filosofe comigo: Todo mundo gosta de gostar do que nem todo mundo gosta, mas quem importa gosta.
Deu pra entender? Recapitulando: sempre tem alguém que, assim como você, vai achar cool ouvir aquela banda indie islandesa pra você chamar de alma gêmea, mas… E quando você gosta de uma banda que NINGUÉM gosta?
Fiz a listinha abaixo sabendo que, é claro, meia dúzia de desconhecidos vão compartilhar o (mau) gosto comigo. Mas em geral são nomes que eu cito numa roda e a roda fica em silêncio, não porque não conhece as bandas, mas porque acha uma merda mesmo. São bandas, na maior parte dos casos, muito experimentais para serem pop e muito bregas para serem cool. Vamos lá.
1)Karnak
Karnak é pra mim a banda mais injustiçada do Brasil. A maioria das pessoas nunca ouviu e não gosta. Já quem simpatiza com o André Abujamra diz que gosta, mas também nunca ouviu. Além de “Juvenar” (hino hippie do último disco, criada em cima da base de “Canon em ré maior do Pachelbel”) e da versão do Zeca Baleiro pra “Alma não tem cor”, pouco se conhece. É uma pena, a banda era uma big band bem-humorada com os melhores músicos de São Paulo, letras engraçadas e um vocalista carismático. Tudo isso com REFRÕES fáceis! Ouça: O disco primeiro disco “Karnak” e o terceiro “Estamos adorando Tóquio” Se o mundo fosse justo: Tocaria em todas as rádios.
2)The Funk Fuckers
Em algum lugar entre a psicodelia black do Funkadelic, o sexo movido a slaps do Red Hot e a maconha do Planet Hemp estava o Funk Fuckers, a primeira banda do B.Negão que depois faria um monte de coisas legais no Planet, carreira solo e uma caralhada de parcerias. As letras do Funk Fuckers eram sexistas e sexuais, quase ingênuas, mas sua cozinha sonora era furiosa e dava sustentação pra três vocalistas com swing e carisma. O baixista, Mortadelo “Bass” Gee, fez uma das melhores performances de funk rock brasileiras detonando nos slaps em faixas como “Brasileiro” e “Hold La (Big Pemba)”. Ideal para bailes, festas e afins. Ouça: O único disco dos caras “Bailão Classe A”. Se o mundo fosse justo: Teria feito metade do sucesso que os Mamonas fizeram.
3)Blood for Blood
A culpa todo é do meu primo Joe, que me apresentou essa PORRADA sonora quando eu, jovem de 19 anos recém completos, passei um mês e meio em Washington. É hardcore sangue no olho direto de Boston. A banda foi formada em 1994, e traz um som mal-educado cantado pela fina flor white trash americana. Ouça: O disco “Outlaw Anthems” no talo! Se o mundo fosse justo: Teriam contrato para fazer animação de todas lutas do UFC
4)Devotos (do Ódio)
Canibal, o líder dos Devotos, chegou a ficar conhecido do grande público por suas participações como boleiro no “Mtv Rock e Gol”, mas poquíssima gente realmente parou pra escutar o som old school dos pernambucanos. Músicas como “Eu tenho pressa”, “Vida de Ferreiro” e “Luz da Salvação” pareciam saídas de um disco clássico do punk nacional dos anos 80, mas com ótima produção (a cargo de Lúcio Maia, da Nação Zumbi) e sotaque nordestino. Devotos deveria estar no Top 5 de qualquer punk brasileiro, mas é difícil até achar suas músicas no Youtube. Ouça: O disco “Agora tá valendo” inteirinho até furar. Se o mundo fosse justo: Tocaria nas rádios rock no lugar do CPM22.
5)Zebda
Zebda é um grupo francês engajado que não caiu na graça dos “sujinhos” brasileiros. Formado em Toulouse em 1985, com integrantes de diversas origens e nacionalidades, o som dos caras é uma mistura de rock, reggae, rap, chanson francesa, ritmos latinos e árabes. Os caras ainda lançaram um projeto paralelo difícil de pronunciar, Tactikollectif, onde gravaram versões modernas para diversos clássicos engajados. Ouça: “Tomber la Chemise” e o disco paralelo “Les Motivés” Se o mundo fosse justo: Fariam jingles de campanha pra animar o horário político.
6)Surf Punks
Engraçados, barulhentos, toscos e… desconhecidos. Eu mesmo nunca tinha ouvido falar desses “Beach Boys dos três acordes” até 2012. Os vídeos dos caras são uma lindeza só e o som é uma mistura de punk pop, new wave e surf music. Não ouça, ASSISTA!
Assista: “My Beach” e “1984″ Se o mundo fosse justo: Seriam matéria obrigatória nos colégios e internatos.
Outras bandinhas malditas: Cascavelletes, Arrigo Barnabé e Banda Sabor de Veneno, Olho Seco, Faces do Subúrbio, Câmbio Negro, Ska-P, Crass, Sham 69, Thee Butcher’s Orchestra, Richard Hell and The Voidoids…
And the sky was made of amethyst
And all the stars look just like little fish
You should learn when to go
You should learn how to say no
Might last a day
Mine is forever
Might last a day, yeah
Mine is forever
When they get what they want
They never want it again
When they get what they want
They never want it again
Go on, take everything
Take everything, I want you to
Go on, take everything
Take everything, I want you to
And the sky was all violet
I wanna give my violet more violence
Hey, I’m the one with no soul
One above and one below
Might last a day
Mine is forever
Might last a day, yeah
Mine is forever
When they get what they want
They never want it again
When they get what they want
They never want it again
Go on, take everything
Take everything, I want you to
Go on, take everything
Take everything, I dare you to
I told you from the start
Just how this would end
When I get what I want
Then I never want it again
Go on, take everything
Take everything, I want you to
Go on, take everything
Take everything, I want you to
Spin a lie in your mind, you’re mine
Go on, take everything
Take everything, I want you to
Go on, take everything,
Take everything, I want you to
Go on, take everything
Take everything, I want you to
Go on, take everything, take everything
Take everything, take everything!
Cerca de 13 anos e Jimmy Page já estava na televisão britânica treinando para ser um dos guitarristas mais fodões da história do rock/blues. Nunca tinha visto esse vídeo do molecote Page ainda distante das madeixas que o deixariam famoso no Led Zeppelin.
Descobri pelo twitter do senhor João Gordo essa banda punk pop de Malibu e me apaixonei à primeira vista. As letras são engraçadas, o som é uma porrada chiclete e os vídeos são uma lindeza sem fim. Abaixo “Welcome to California”, apresentada em um programa de TV mais maluco que a banda. Os caras surgiram no final dos anos 70 e tocaram o terror pelos anos 80, num visual que me lembra muito o… TWISTED SISTER
O “Ensaio” (Tv Cultura) é um dos melhores e mais tradicionais programas musicais da televisão brasileira. Depois de registrar shows e entrevistas de Cartola, Vinícius e praticamente todo mundo que fez alguma coisa legal na música brasileira, chegou a hora dos caras gravarem esse programa com Criolo. “Linha de Frente” é o samba que fecha o hypado disco “Nó da Orelha” do rapper.
Dia 25 de janeiro tem show do Rapture no Cine Jóia, em São Paulo. Pra entrar no clima dance-punk da banda, vamos assistir uma das mais grudentas do dicos novo: “How Deep is Your love?” ao vivo em Berlim.