“Cálice” – Criolo

Acho Chico legal, mas não gostava muito de “Cálice”. Agora eu gosto:

Independente de toda discussão sobre o Criolo, acho foda um vídeo cru assim, ter mais de 500.000 visualizações. Prefiro ficar do lado dele.

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-Mais artigos sobre rap
-Criolo canta o samba “Linha de Frente” no programa Ensaio

Cálice (letra da versão do Criolo)
Como ir pro trabalho sem levar um tiro
Voltar pra casa sem levar um tiro
Se as três da matina tem alguém que frita
E é capaz de tudo pra manter sua brisa

Os saraus tiveram que invadir os botecos
Pois biblioteca não era lugar de poesia
Biblioteca tinha que ter silêncio,
E uma gente que se acha assim muito sabida

Há preconceito com o nordestino
Há preconceito com o homem negro
Há preconceito com o analfabeto
Mais não há preconceito se um dos três for rico, pai.

A ditadura segue meu amigo Milton
A repressão segue meu amigo Chico
Me chamam Criolo e o meu berço é o rap
Mas não existe fronteira pra minha poesia, pai.

Afasta de mim a biqueira, pai
Afasta de mim as biate, pai
Afasta de mim a coqueine, pai
Pois na quebrada escorre sangue,pai.
Pai
Afasta de mim a biqueira, pai
Afasta de mim as biate, pai
Afasta de mim a coqueine, pai.
Pois na quebrada escorre sangue.

Videoteca do Brega: “Esse meu coração sem juízo”, Nelson Ned e Moacyr Franco

Para tudo! Olhem o style do Nelson Ned e o blazer do Moacyr Franco:

Só esse visual já justificava o post de “Esse meu coração sem juízo” na nossa videoteca do brega. Mas não é só por isso que este é o post da “Videoteca” desta semana. Queria deixar registrado, também, uma performance ao vivo do Nelson Ned que, apesar de ter um baita vozeirão e ser admirado por gente como o ganhador do Nobel de Literatura Gabriel Garcia Marquez, ficou na história mais pelas piadas com seu tamanho do que pelas canções que gravou. Antes de se converter e virar cantor gospel, Ned era um dos maiores (sem piadinhas) cantores de música romântica/brega/cafona do Brasil.


O clássico mais conhecido do cara é “Tudo passará”. O difícil é encontrar uma versão ao vivo de Ned cantando, que não seja da carreira gospel. No Youtube você acha vídeos de todas bandas lado z do rock nacional dos anos 80 em programas de auditório, mas quase nenhum crássico brega. Triste.

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-Fernando Mendez ficou famoso por cantar uma menina na cadeira de rodas

Banda nova que eu sei que cês gostam: Vaccines tocando “If You Wanna”

Hoje é sexta-feira, dia de postar uma musiquinha, então vamos lá:

Vaccines é banda “nova” que agrada molecada e os tiozões. Gostam de Ramones, sabem escrever refrões, os shows são bons e rápidos.

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- Banda nova pra quem gosta de guitar bands: Yuck
-Videoteca do brega: música romântica de MACHO
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Poison Ivy – Musas Rock n’ Roll

-Todas as musas rock ‘n’ roll

Kristy Marlana Wallace (San Bernardino, California, 20 de fevereiro de 1953) é uma ruiva magrela que toca guitarra de forma razoável.

Sua personagem, Poison Ivy, é uma das mulheres mais rock ‘n’ roll do planeta, casada com Lux Interior(um Iggy Pop andrógino) – com que fundou o The Cramps – e encarnação de meia dúzia de fetiches pop.
Pra quem não sabe, The Cramps é uma banda surgida em 1976 nos EUA em plena explosão punk. São considerados os pais do psychobilly(punk + rockbilly) e foram figurinhas carimbadas na cena que se formou ao redor do notótrio CBGB em Nova York.

Ivy empunhou a guitarra, estampou capas, estrelou clipes e foi a musa inspiradora do esposo freakie(que aparecia sempre calçando sapatos de salto alto). Encarnando uma pin up fetichista e exagerada, Ivy debochava da própria figura de sex symbol.

Poison elouquecendo o maridão em “Like Bad Girls Should”

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-Bettie Page a maior pin up da história
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Punk inglês 77: Conheça a banda “Crass” e ouça “Where is the Next Columbus”

-Conheça o U.K. Subs

Where Next Columbus

Estou fazendo uma pesquisa para escrever a resenha do primeiro disco da banda baiana Camisa de Vênus. E não é que achei mais uma “versão” não creditada de punk inglês no disco? Dessa vez, Marceleza deu uma “chupadinha” na letra de “Where Next Columbus” dos anarcopunks 77 do Crass. Confira a letra no final do post. Mas antes, um pouco mais de história, na nossa série “punk 77 inglês”:

-Confira mais bandas da safra 77 britânica

The Crass

Os caras do Crass foram responsáveis por criar o que se chamou de Anarcopunk, uma forma de punk muito mais política que o “anarchy in UK pra chocar velhinhas” dos Pistols e mesmo o rock de esquerda do Clash. Na experiência do Crass tudo era levado mais ao extremo: as letras, as músicas (com experiências de colagens sonoras, poesia e vários vocalistas) e o estilo de vida. A banda surgiu numa casa comunitária chamada Dial House a partir de jams entre Penny Rimbaud e do, fã de Clash, Steve Ignorant. O grupo que já vivia no esquema “Do it yourself”, se empolgou com os primeiros punks e sentiu-se acolhido por aquela cena que explodia em Londres. O ano era, obviamente, 1977. Pelas fileiras do Crass passaram além de Penny e Ignorant: Gee Vaucher, N. A. Palmer, Phil Free, Pete Wright, Eve Libertine, Joy De Vivre, Mick Duffield, John Loder e Steve Herman. Os shows no começo eram toscos e mal tocados e as únicas pessoas na platéia eram os integrantes do UK Subs, que iam se apresentar logo depois do Crass. Com o passar do tempo, a banda adotou uniformes pretos(segundo eles para que ninguém fosse “o líder” e todos integrantes tivesse importância igual) e a performance se elaborou com experimentos com vídeos sendo exibidos, enquanto tocavam. O coletivo chegou ao fim em 1984, já desiludido e crítico em relação às outras bandas da cena.

Confira a letra de “Where Next Columbus?”

Anothers hope, anothers game
Anothers loss, anothers gain
Anothers lies, anothers truth
Anothers doubt, anothers proof
Anothers left, anothers right
Anothers peace, anothers fight
Anothers name, anothers aim
Anothers fall, anothers fame
Anothers pride, anothers shame
Anothers love, anothers pain
Anothers hope, anothers game
Anothers loss, anothers gain
Anothers lies, anothers truth
Anothers doubt, anothers proof
Anothers left, anothers right
Anothers peace, anothers fight
Marx had an idea from the confusion of his head
Then there were a thousand more waiting to be led
The books are sold, the quotes are bought
You learn them well and then you’re caught
Anothers left, anothers right
Anothers peace, anothers fight
Mussolini had ideas from the confusion of his heart
Then there were a thousand more waiting to play their part
The stage was set, the costumes worn
And another empire of destruction born
Anothers name, anothers aim
Anothers fall, anothers fame
Jung had an idea from the confusion of his dream
Then there were a thousand more waiting to be seen
You’re not yourself, the theory says
But I can help, your complex pays
Anothers hope, anothers game
Anothers loss, anothers gain
Satre had an idea from the confusion of his brain
Then there were a thousand more indulging in his pain
Revelling in isolation and existential choice
Can you truly be alone when you use anothers voice?
Anothers lies, anothers truth
Anothers doubt, anothers proof
The idea born in someones mind
Is nurtured by a thousand blind
Anonymous beings, vacuous souls
Do you fear the confusion, your lack of control?
You lift your arm to write a name
So caught up in the identity game
Who do you see? Who do you watch?
Who’s your leader? Which is your flock?
Who do you watch? Who do you watch?
Who’s your leader? Which is your flock?
Einstein had an idea from the confusion of his knowledge
Then there were a thousand more turning to advantage
They realised that their god was dead
So they reclaimed power through the bomb instead
Anothers code, anothers brain
They’ll shower us all in deadly rain
Jesus had an idea from the confusion of his soul
Then there were a thousand more waiting to take control
The guilt is sold, forgiveness bought
The cross is there as your reward
Anothers love, anothers pain
Anothers pride, anothers shame
Do you watch at a distance from the side you have chosen?
Whose answers serve you best? Who’ll save you from confusion?
Who will leave you an exit and a comfortable cover
Who will take you oh so near the edge, but never drop you over?
Who do you watch

Veja também:
- “Ramones” o disco que inventou o punk

“Ramones” – Ramones, 1976

-Conheça algumas bandas do punk 77 inglês
-Já leu poesia punk?

Para a revista Rolling Stone ele é o 33º melhor disco da história. Para qualquer moleque de calça rasgada e all star ele é seu motivo de existir. Uma dos pedaços de vinil mais influentes da música pop. Sua duração é de 29:04s. Seu custo total de produção foram míseros $ 6400, numa época onde, segundo o próprio Joey Ramone no livro “Mate-me, por favor”, gastava-se meio milhão para produzir um álbum. E esse não era qualquer álbum; ele criou o punk, revolucionou o rock do final dos anos 70 e deu origem a centenas de bandas. Dos Sex Pistols ao Metallica, do Red Hot Chili Peppers aos Ratos de Porão, a influência do primeiro disco dos quatro magrelos de Nova York foi devastadora.

É difícil explicar hoje a importância desse amontoado de 3 acordes tocado com velocidade e paixão, sem riffs difíceis, solos de guitarra ou viradas de bateria. Aqui no Brasil, seria como se os Racionais Mc’s tivessem um som tão agressivo quanto o Sepultura e criassem, em seu primeiro disco, a Bossa Nova ou a Tropicália. Estávamos nos Estados Unidos, em 1974. O que existia de mais agressivo no rock era o som de MC5, Stooges e New York Dolls. As três bandas tinham um sucesso mediano, mais undeground, e seu som era uma transição do hard rock para o que se chamou punk. O que mais lembrava o que os Ramones viriam a fazer era o primeiro (e cru) disco dos Stooges. Mas nesse, você encontra uma música de mais de dez minutos (“We Will Fall”) e aqui a música mais comprida tem 2:39s(“I don’t Wanna Go Down to The Basement”). E as rádios? Eram dominadas pelo progressivo de Yes e Genesis, pelo hard rock virtuoso de Led Zeppelin e pela discoteca do saltitante John Travolta. O sonho hippie tinha acabado, os Beatles também. A América Latina, o leste Europeu e grande parte da Ásia viviam sob ditaduras. O mundo em constante ameaça atômica era uma ressaca claustrofóbica.

Blietzkrieg bop

A primeira coisa que chama a atenção no disco é a capa. Quatro cabeludos, com jaquetas de couro pretas – como as de Marlon Brando e James Dean – calças rasgadas, tênis surrados e caras desafiadoras estão encostados numa parede pichada. Eles parecem te provocar, loucos pra te dar uma porrada. A única coisa escrita lá é o nome da banda “Ramones” – uma referência ao nome que Paul Mccartney usava para se registrar em hotéis. O disco começa. A porrada vem em forma de grito de guerra. Hey ho let’s go. Um ataque relâmpago fala de blitzgrieg, estratégia militar que fez os nazistas dominarem metade da Europa no começo da Segunda Guerra Mundial. Ah, vale lembrar, o alemãozinho Dee Dee Ramone tem fascinação pelo nazismo. O desengonçado Joey Ramone – já internado em clínicas psiquiátricas – berra “espanque o moleque com um taco de beisebol”. Da onde vem tanta raiva? Dee Deefoge de uma família problemática, Johnny ralava como pedreiro. O lirismo se esconde nos backing vocals que fazem referência a grupos vocais dos anos 60. “I Wanna Be Your Boyfriend” quebra o clima, uma balada romântica já pavimenta o caminho que os Buzzcocks, e mais pra frente os emos, vão seguir. “Os punks também amam”. “Now I Wanna Sniff Some Glue” repete milhares de vezes a mesma frase. Os moleques entediados lá de “1969” de Iggy Pop agora gastam o tempo cheirando cola, arrumando brigas e fazendo barulhos com suas guitarras toscas, ou serras elétricas, em “Chain Saw”. A contagem para todo mundo entrar junto – que se tornou marca registrada do grupo – aparece pela primeira vez em “Listen To My Heart”. “1,2,3,4” grita Dee Dee, baixista e principal compositor. Ele vai voltar a urrar em uma das partes de “53rd and 3rd” uma das mais sérias e tristes do álbum. É sobre o tempo em que o músico ficava nas esquinas de Nova York fazendo michês. O disco ainda traz como destaque o cover “Let’s Dance”(e gravar clássicos do rock ‘n’ roll em versões cruas seria uma marca da banda) e “Today your Love, Tomorrow the World”.

Havana Affair/Listen To my Heart

-Entrevista com os Garotos Podres

Pronto, menos de meia-hora e a surra acabou. Aqueles punks saídos do filme “O Selvagem”(com Marlon Brando), que soavam como uma canção de Iggy Pop e queriam cantar como se fossem os Beach Boys devem estar cheirando cola em outro lugar. Seu álbum não fez nenhum sucesso nos EUA. Só foi bem recebido quando o quarteto excursionou pela Europa e influenciou meio mundo – Clash e Sex Pistos incluídos, dando origem ao movimento punk e todo hype em cima da coisa. Dessa árvore cairiam os frutos podres do hardcore, trash, crossover, grunge, emo e outros estilos musicais.

Era isso. Letras diretas sobre o cotidiano do mundo white trash – os brancos pobres e desajustados dos EUA. Som distorcido, rápido e sem firulas. Refrões fortes. Backing vocals melodiosos. E o rock nunca mais seria o mesmo.

Leia para saber mais:
“Mate-me, por favor”, “Legs” McNeil e Gilliam McCain
“Coração envenenado” – Dee Dee Ramne e Veronica Kofman

Videoteca do Brega: “Eu vou Rifar meu coração”, Lindomar Castilho

A história de Lindomar Castilho é mais trágica que seus boleros e sambas-canções emotivos. Famoso por “Você é doida demais” (abertura de “Os Normais”),”Chamarada” e “Eu vou rifar meu coração”, o cantor foi condenado, em 1981, por matar a ex-mulher que cantava em cima do palco. O artista foi condenado e na prisão gravou o disco “Muralhas da Solidão”. Hoje é muito difícil encontrar vídeos antigos da sua fase áurea, mas uma parte de sua história é contada no livro (já antes recomendado) “Eu não sou cachorro não”.

Veja também:
-Ouça “Cadeira de Rodas”, de Fernando Mendes
-Ouça “Uma vida só”, de Odair José

Por que Dave Grohl é o cara mais feliz do mundo (todas bandas fodas com quem ele tocou)

Dave Grohl e os Foo Fighters vem pro Brasil! (Eeeeee!). E todo mundo está empolgadaço, né? Aqui no Punk Brega a empolgação era SER o próprio Dave Grohl e poder encarnar o arroz de festa mais feliz do rock mundial. Sim, Grohl fez jams com as bandas mais legals música. Das lendas que passaram por Led Zeppelin e Beatles até os novatos do Cage The Elephant, muita gente já convidou Grohl para segurar as baquetas. Dê uma olhada nos vídeos e sonhe também em ser Dave Grohl. :-)

1)Tocando bateria com Led Zeppelin

2) Com os Beatles, tá, com o que sobrou dos Beatles um tal  de … PAUL MCCARTNEY

3) Com Roger Waters (Pink Floyd) tocando “In the flesh?”

4)Tocando bateria com Motörhead e Slash (Guns n’ Roses)

5) Mandando ver na guitarrinha em “Tie Your Mother Down”, com o Queen

6) Com o Queens of the Stone Age Grohl gravou um disco inteiro, o fodão “Songs for the Deaf”

7) Chamando a musa Joan Jett pra tocar “I love rock ‘n’ roll” no Brasil

8) Curtindo com a molecada do Cage The Elephant

9) E, claro, Grohl foi o cara que segurou as baquetas no Nirvana, ao lado de Kurt Cobain

Veja também:
- Dave Grohl tocando Dead Kennedys com
 Serj Tankian
-Assista o clipe clássico de Monkey Wrench do Foo Fighters
-Documentário conta a história da banda Cólera

*Originalmente postado dia 23/03/2012 

Videoteca do Brega: “Cadeira de Rodas”, Fernando Mendes

Seguindo com nossa seleção de músicas crássicas do cancioneiro brega, hoje pincei para vocês “Cadeira de Rodas” do Fernando Mendes. É uma ideia  de som bem legal que o cantor teve depois de ver uma fã cadeirante no seu show. Coloca a portadora de necessidades especiais como musa, mostrando como a música brega popular pode ser moderna em suas temáticas. E isso bem antes de Roberto Carlos achar que estava agrando as minorias fazendo música pra míope, baixinha e gordinha. :-)

Sucesso nos anos 1970, Paulo Mendes foi redescoberto quando Caetano Veloso gravou a sua “Você Não Me Ensinou a Te Esquecer”, para a trilha sonora do filme “Lisbela e o Prisioneiro”.

Cadeira de Rodas – Letra:

Sentada na porta,
Em sua cadeira-de-rodas ficava.
Seus olhos tão lindos,
Sem ter alegria,
Tão triste chorava.

Mas quando eu passava
A sua tristeza chegava ao fim.
Sua boca pequena,
No mesmo instante,
Sorria pra mim.

Aquela menina era a felicidade
Que eu tanto esperei,
Mas não tive coragem e não lhe falei
Do meu grande amor e agora,
Por onde ela anda, eu não sei.

Hoje eu vivo sofrendo e sem alegria.
Não tive coragem bastante pra me decidir.
Aquela menina em sua cadeira-de-rodas
Tudo eu daria pra ver novamente sorrir.

Caetano cantando Paulinho

Veja também:
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-Rock indie brega de primeira qualidade
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