Assista “Novos Baianos F.C.” – documentário de Solano Ribeiro

publicado originalmente em 22/02/2010
novosbaianos-documentário
Fuçando no Youtube num sábado a tarde, dei de cara com esse interessantíssimo documentário de 1973 sobre os Novos Baianos, dirigido por Solano Ribeiro – produtor musical responsável pelos clássicos “Festivais de Música Popular Brasileira” – para um TV alemã.

Não são apresentados grandes inovações de edição, imagens de arquivo ou formulações de teoria. Está ali pra quem quiser ver a vida livre do bando de “20 malucos” que morava no “Sítio do Vovô” em Jacarepaguá, jogando bola, fazendo música, criando os filhos… A trilha sonora é de primeira, com a maioria das músicas tiradas do clássico “Acabou o Chorare”, lançado em 1972 e considerado pela Rolling Stone o melhor álbum da história da MPB.

Outros desbundes:
-Timothy Leary e suas memórias alucinadas em “Flashbacks”
-Leila Diniz, a musa do Pasquim

Caetano Veloso conta a história da música “Cajuína” feita em homenagem ao poeta Torquato Neto

Torquato Neto foi um poeta tropicalista brasileiro (como Capinam e Wally Salomão) que participou ativamente da contracultura tupiniquim entre o final dos anos 60 e comecinho dos 70. Deprimido, ele se suicidou aos 28 anos de idade. Anos depois, Caetano visitou o pai de Torquato em Teresina e foi dessa visita que surgiu a bela “Cajuína”. A história toda você assiste abaixo

Pra quem não conhece o Torquato, um poeminha dele:

 

 

 

 

 

 

 

O Poeta é a Mãe das Armas

O Poeta é a mãe das armas
& das Artes em geral —
alô, poetas: poesia
no país do carnaval;
Alô, malucos: poesia
não tem nada a ver com os versos
dessa estação muito fria.

O Poeta é a mãe das Artes
& das armas em geral:
quem não inventa as maneiras
do corte no carnaval
(alô, malucos), é traidor
da poesia: não vale nada, lodal.

A poesia é o pai da ar-
timanha de sempre: quent
ura no forno quente
do lado de cá, no lar
das coisas malditíssimas;
alô poetas: poesia!
poesia poesia poesia poesia!
O poeta não se cuida ao ponto
de não se cuidar: quem for cortar meu cabelo
já sabe: não está cortando nada
além da MINHA bandeira ////////// =
sem aura nem baúra, sem nada mais pra contar.
Isso: ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. a
r: em primeiríssimo, o lugar.

poetemos pois

torquato neto /8/11/71 & sempre

Leia também:
-Poesia marginalzinha pra vocês
-Caetano rock ‘n’ roll

 

Caê adora falar e contar histórias

Samba do Mercado – Letra e história

Pra mim um dos sambas mais simples, modernos e divertidos dos últimos 10 anos foi composto (e se mantém anônimo) pelo Rodrigo Lobo (vulgo Pantera) com ajuda do Danilo Lagoeiro, em Bauru, por volta de 2005. A música fazia parte da extinta banda Cuecas Rosas.

Cuecas Rosas em ação

Exagero pra chamar a atenção – é claro. Mas é um sambinha com letra atual, refrão grudento e sucesso nas rodas da faculdade, que nunca teve uma gravação decente. As duas abaixo são sofríveis, mas é o que temos pra hoje…

Quem quiser fazer uma boa ação, grave esta canção.

Samba do Mercado
Quando eu era pequeno e ia fazer compras
Achava aquilo tudo do caralho
MAs agora nas prateleiras, ao invés de chocolates
Eu encontro os meus colegas de trabalho

Mercado, mercado, mercado eu tenho medo de você
Mercado, mercado, sou um produto bem barato pra vender

Fiquei sabendo de uma vaguinha pra fazer estágio
Com João Bidu, mas não deu em nada
Preciso sair dessa vida, dar uma virada
Deixar de ser um hippie com mesada

Pantera cantando o “Samba do Mercado” em reencontro de Bauru

Cover da música feito pela banda Milhouse

“Os avós do samba” – Documentário com Cartola, Carlos Cachaça, Nélson Cavaquinho, Adoniran Barbosa e Mano Décio da Viola

Originalmente produzido para o programa Globo Repórter da Rede Globo, esse documentário de 1979 é uma homenagem a Carlos Cachaça, Nelson Cavaquinho, Adoniran Barbosa,Cartola e Mano Décio.

Infelizmente o documentário que tinha 40 minutos na versão original só teve 23 minutos disponibilizados no Youtube. Links para o vídeo completo são bem-vindos. 🙂

“Os últimos dias de paupéria (Do lado de dentro)” – O livro que reuniu os escritos do poeta Torquato Neto

“Existirmos, a que será que se destina?”

***

É legal que a gente encontre fácil no Brasil a edição da Conrad de “Reações Psicóticas” de Lester Bangs, famoso crítico musical americano. Seria legal termos essa facilidade com a obra de Torquato Neto (1944-1972), um dos nossos Lester Bangs.

Torquato Neto era um blogueiro dos anos 70. Escrevia a coluna “Geléia Geral” no jornal Última Hora, onde cobria a vida cultural brasileira (especialmente do Rio), com foco na música, no cinema e num pouco de literatura. Do teatro ele não gostava muito, mas anunciava as novidades, assim como uma ou outra notinha sobre artes plásticas. É legal acompanhar dia após dia, na sua “Geléia Geral”, a história da música brasileira (e mundial) nos ricos anos 71 e 72. Torquato, saudosista, reclamava que a MPB estava muito parada. Pra quem lê hoje soa como ironia. Eram os anos de “Fa-Tal” da Gal (Com “Vapor Barato” e “Pérola Negra”), “Transa” o (disco em inglês) cult do Caetano, “Construção” do Chico Buarque (com a faixa título mais “Cotidiano”, “Deus lhe pague”, “Valsinha” e meia dúzia de clássicos) e o discão do rei Roberto Carlos que trazia “Detalhes”, “Debaixo dos Caracói dos seus cabelos” e “Como dois e dois”. Lá fora, John Lennon estava de música nova: Imagine. E Torquato avisava a galera pra se ligar em uma banda inglesa que estava amadurecendo bem; o Pink Floyd. (Ainda dois anos distante de lançar seu mega-sucesso “The Dark Side of the Moon”). E os Novos Baianos começavam a se tornar íntimos de João Gilberto. (influência que daria origem ao clássico “Acabou Chorare”).

No cinema, Torquato era do time dos “undigrudis”: Ivan Cardoso, Rogério Sganzerla e, claro, Zé do Caixão. Descia a lenha no cinema novo, de Cacá Diegues e Arnaldo Jabor, que passara a ser patrocinado com grana estatal. Só poupava Glauber das críticas. E se empolgava com a tecnologia das câmeras Super 8. 40 anos antes de Youtube e das filmadoras digitais ele previa: todo mundo vai ser cineasta.

Torquato encarnando o Nosferatu Brasileiro

 

“Os últimos dias de paupéria” (organizado por Wally Salomão e Ana Maria Silva de Araújo Duarte) foi publicado postumamente. Torquato estava preparando um livro ( que devia chamar-se “Do lado de dentro”) quando se suicidou com gás de cozinha no dia do seu aniversário de 28 anos. Morreu sem publicar nenhum livrinho em vida. Deixou suas crônicas musicais, suas letras (“Geléia Geral” e “Louvação” com Gil, mais uma dezena com Caetano, Jards Macalé, Edu Lobo e a parceria póstuma de “Go Back” com os Titãs), algumas cartas (numa das quais conta como fumou haxixe com JIMI HENDRIX) e poesias – era poeta tropicalista, amigos dos concretistas e admirador da poesia marginal de Chacal, então estreante. Também dirigiu e atuou em alguns filmes Super 8. Sua empolgação com música-cinema-literatura não o segurou na vida, deprimido com a falta de liberdade da ditadura e a falta de bom gosto da esquerda. Nasceu no tempo errado. Inspirou Caetano numa de suas melhores letras; “Cajuína”, do álbum “Cinema Transcendental” (1979). Aquela que começa existencialista assim:
“Existirmos, a que será que se destina?”.

Veja também:
– “Bandido da Luz Vermelha”, clássico do cinema marginal brasileiro

-A época em que Gal Costa foi musa dos doidões brasileiros

“Cálice” – Criolo

Acho Chico legal, mas não gostava muito de “Cálice”. Agora eu gosto:

Independente de toda discussão sobre o Criolo, acho foda um vídeo cru assim, ter mais de 500.000 visualizações. Prefiro ficar do lado dele.

Veja também:
-Mais artigos sobre rap
-Criolo canta o samba “Linha de Frente” no programa Ensaio

Cálice (letra da versão do Criolo)
Como ir pro trabalho sem levar um tiro
Voltar pra casa sem levar um tiro
Se as três da matina tem alguém que frita
E é capaz de tudo pra manter sua brisa

Os saraus tiveram que invadir os botecos
Pois biblioteca não era lugar de poesia
Biblioteca tinha que ter silêncio,
E uma gente que se acha assim muito sabida

Há preconceito com o nordestino
Há preconceito com o homem negro
Há preconceito com o analfabeto
Mais não há preconceito se um dos três for rico, pai.

A ditadura segue meu amigo Milton
A repressão segue meu amigo Chico
Me chamam Criolo e o meu berço é o rap
Mas não existe fronteira pra minha poesia, pai.

Afasta de mim a biqueira, pai
Afasta de mim as biate, pai
Afasta de mim a coqueine, pai
Pois na quebrada escorre sangue,pai.
Pai
Afasta de mim a biqueira, pai
Afasta de mim as biate, pai
Afasta de mim a coqueine, pai.
Pois na quebrada escorre sangue.

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Geraldo Vandré (autor de “Pra dizer que não falei de flores”) dá entrevista dizendo que nunca foi militante político

Essa entrevista é velha, e Geraldo Vandré não é extamente punk nem brega, mas achei interessante que o cara que ficou marcado como um dos mais engajados da época da ditadura está hoje fazendo música pra Aeronáutica. Ele também nega que era militante e que tenha sido exilado. Se você gosta de música brasileira, vale a pena assistir.

Geraldo Vandré quebra o silêncio em entrevista… por felipegolke

-Mais música brasileira
-Jorge Mautner vs Paulo Leminski

 

O "velho" Vandré

Criolo toca o samba “Linha de Frente” no programa Ensaio

O “Ensaio” (Tv Cultura) é um dos melhores e mais tradicionais programas musicais da televisão brasileira. Depois de registrar shows e entrevistas de Cartola, Vinícius e praticamente todo mundo que fez alguma coisa legal na música brasileira, chegou a hora dos caras gravarem esse programa com Criolo. “Linha de Frente” é o samba que fecha o hypado disco “Nó da Orelha” do rapper.

-Assita o premiado clipe de “Subiramdoistiozim”
-Outros vídeos legais
-Conheça 5 sons pioneiros do rap nacional

Adoniran Barbosa mostra o que o Bexiga tem de bom pra Elis Regina

Adoniran Barbosa e Elis Regina

Adoniran Barbosa e Elis Regina

O dueto entre o sambista e humorista Adoniran Barbosa e a melhor cantora do mundo Elis Regina em “Tiro ao Alvaro” virou clássico e todo mundo conhece. Nesse vídeo aqui a dupla manda “Iracema” e “Um Samba no Bexiga”, entre uma cerveja e outra no Bar da Carmela. O ano é 1978 e ainda tem um rolê de Adoniran apresentando o Bexiga pra Elis.

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